No centro dessa construção está a possibilidade de Marília Arraes entrar na corrida pelo Senado em uma candidatura considerada fora dos dois blocos principais, repetindo um movimento histórico que remete a 2002, quando Carlos Wilson disputou de forma avulsa. A estratégia colocaria Marília em uma posição singular no tabuleiro político: sem integrar formalmente uma das grandes coligações, mas com forte densidade eleitoral e recall junto ao eleitorado pernambucano.
De acordo com o desenho que vem sendo discutido, o reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Alfredo Gomes, surgiria como nome do grupo para a disputa ao Governo do Estado. A entrada de um perfil ligado à academia é vista por aliados como uma tentativa de apresentar uma candidatura com discurso técnico, institucional e de diálogo, buscando atrair setores que defendem uma gestão menos polarizada e mais voltada à capacidade administrativa.
A composição proporcional também chama atenção. Os deputados Túlio Gadelha e Wolney Queiroz apareceriam como apostas do grupo para a Câmara Federal, reforçando a ideia de um palanque competitivo não apenas na majoritária, mas também com musculatura eleitoral na disputa por vagas em Brasília. A presença de nomes já conhecidos do eleitorado serviria para dar sustentação política e capilaridade à chapa.
No caso de Marília Arraes, o desafio seria duplo. Apontada como líder nas pesquisas de intenção de voto para o Senado, ela teria um período decisivo de cerca de 45 dias de campanha mais intensa para se manter entre as duas primeiras colocações e confirmar o favoritismo nas urnas. A estratégia passaria por consolidar sua base no interior e manter a força na Região Metropolitana do Recife, onde tradicionalmente registra bom desempenho.
A construção de um terceiro palanque lulista em Pernambuco expõe, ao mesmo tempo, a força do presidente no Estado e as dificuldades de acomodar todos os aliados em um único projeto. Caso se confirme, o movimento liderado pelo PDT poderá transformar a eleição pernambucana em uma das mais fragmentadas e imprevisíveis do país, com três campos buscando se apresentar como os legítimos herdeiros do capital político de Lula no Estado.