domingo, 8 de fevereiro de 2026

CHAPARRAL E JULIANA RECEBEM TÍTULO DE CIDADANIA E REFORÇAM LAÇOS POLÍTICOS COM ABREU E LIMA

A cidade de Abreu e Lima viveu uma noite marcada por reconhecimento político e simbolismo institucional com a concessão do Título de Cidadão aos prefeitos Cleber Chaparral, de Surubim, e Juliana de Chaparral, de Casinhas. A homenagem, aprovada pela Câmara Municipal por iniciativa do presidente da Casa, vereador Senna da Saúde (PSB), foi entregue em solenidade realizada na sexta-feira (6), reunindo autoridades do Grande Recife e do Agreste pernambucano, além de lideranças políticas e comunitárias.

O clima do evento foi de celebração e fortalecimento de alianças, evidenciando a projeção regional do casal de gestores, ambos filiados ao União Brasil. Ao receber o título, Cleber Chaparral ressaltou o caráter simbólico da honraria e destacou que o reconhecimento amplia ainda mais sua responsabilidade pública. Em discurso emocionado, afirmou que o gesto da Câmara Municipal representa não apenas uma homenagem pessoal, mas um compromisso renovado com o desenvolvimento de Abreu e Lima e com o diálogo entre os municípios pernambucanos.

Já a prefeita de Casinhas, Juliana de Chaparral, enfatizou que o título de cidadania consolida um vínculo político e afetivo com o município da Região Metropolitana. Pré-candidata a deputada federal, Juliana destacou que a honraria fortalece sua disposição de atuar em defesa das demandas locais, garantindo que Abreu e Lima passe a contar com mais uma voz ativa na busca por investimentos e melhorias estruturais.

Durante a solenidade, a prefeita aproveitou a presença de lideranças estaduais para reforçar uma pauta histórica da população: a pavimentação asfáltica do trecho que liga Caetés a Aldeia, com cerca de 16 quilômetros. A obra é considerada estratégica para melhorar a mobilidade, impulsionar o desenvolvimento econômico e facilitar o deslocamento entre municípios do Agreste e da Região Metropolitana. Juliana direcionou o apelo à governadora Raquel Lyra (PSD), destacando a importância da intervenção para a qualidade de vida da população.

A homenagem concedida a Cleber e Juliana de Chaparral vai além do reconhecimento institucional. O título simboliza a aproximação política entre gestores municipais de diferentes regiões do Estado e reforça o protagonismo do casal no cenário político pernambucano, em um momento de articulações e fortalecimento de projetos voltados ao desenvolvimento regional.

ACIDENTE NA BR-316 ENTRE CAMINHONETE E MOTOCICLETA DEIXA UM MORTO E UM FERIDO NO SERTÃO


A noite deste sábado (7) foi marcada por dor e comoção no Sertão de Pernambuco. Um grave acidente de trânsito registrado na BR-316, no trecho que liga os municípios de Floresta e Petrolândia, resultou na morte de um homem e deixou outro gravemente ferido, reforçando o alerta para os riscos nas rodovias da região.

A colisão envolveu uma caminhonete modelo S10 e uma motocicleta, ocorrendo por volta das 21h30. Segundo informações apuradas pela reportagem do Blog do Elvis, o impacto foi violento. Carlos Fernando da Silva Santos, que estava na motocicleta, não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local, antes da chegada de qualquer equipe de socorro.

O outro ocupante da moto sofreu ferimentos graves e foi atendido inicialmente no Hospital Coronel Álvaro Ferraz. Diante do quadro clínico delicado, os médicos decidiram pela transferência para outra unidade hospitalar com maior suporte. Até o momento, a identidade do ferido não foi divulgada oficialmente.

O condutor da caminhonete não teve o nome informado. A Polícia Rodoviária Federal esteve no local, realizou os procedimentos de praxe e deu início à investigação para esclarecer as circunstâncias do acidente, incluindo fatores como velocidade, condições da via e possíveis falhas humanas ou mecânicas.

O trecho da BR-316 onde ocorreu a colisão é conhecido pelo fluxo intenso de veículos, especialmente no período noturno, e volta a ser palco de uma tragédia que interrompe sonhos e deixa famílias enlutadas. Mais uma vez, o acidente reacende o debate sobre segurança viária e a necessidade de prudência redobrada ao volante, principalmente nas rodovias que cortam o Sertão.

CARNAVAL 2026 COMEÇA COM CASA CHEIA EM IPOJUCA E BAILE MUNICIPAL CONSAGRA ABERTURA DA FOLIA

O Carnaval 2026 em Ipojuca começou em grande estilo e com forte participação popular. Na noite da sexta-feira (06), o tradicional Baile Municipal transformou o Clube Municipal, no Centro da cidade, em um verdadeiro palco de celebração da cultura, da alegria e da identidade nordestina. O evento marcou oficialmente a abertura da folia no município e reuniu um público expressivo, confirmando a força da tradição carnavalesca ipojucana.

Sob a condução da gestão do prefeito Carlos Santana, o Baile Municipal reafirmou o compromisso da Prefeitura com a valorização da cultura popular, o fortalecimento dos artistas locais e a promoção de um Carnaval democrático e inclusivo. A programação musical foi um dos grandes destaques da noite, reunindo nomes consagrados como Nonô Germano, Clara Sobral e o Olodum, que embalaram os foliões com um repertório vibrante, marcado pela diversidade de ritmos, pela ancestralidade e pela energia típica do período momesco.

As manifestações culturais locais tiveram espaço de protagonismo. O grupo Alfaias da Praia, homenageado do Carnaval 2026, emocionou o público ao levar para o palco a força dos tambores e da cultura popular. Já o Okun Jambá, tradicional grupo de maracatu do município, reforçou o orgulho das raízes afro-brasileiras e o apoio da gestão municipal às expressões culturais que fazem parte da história de Ipojuca.

Mais do que festa, o Baile Municipal também foi marcado pela solidariedade. A entrada mediante a doação de dois quilos de alimentos não perecíveis garantiu o caráter social do evento. Os donativos arrecadados serão destinados a instituições beneficentes do município, ampliando o alcance das ações sociais desenvolvidas pela Prefeitura durante o período carnavalesco.

A noite também foi abrilhantada pela presença do Rei e da Rainha do Carnaval, eleitos em concurso promovido pela Prefeitura ao longo da semana, além das tradicionais La Ursas, fantasias criativas e da irreverência dos foliões, que deram o tom de alegria, diversidade e descontração à abertura oficial da folia.

Presente ao evento, o prefeito Carlos Santana, acompanhado da primeira-dama Simone Santana e do pré-candidato a deputado federal Gabriel Porto, destacou o Baile Municipal como símbolo da retomada das grandes festas populares em Ipojuca. Em seu pronunciamento, o gestor agradeceu a presença da população, declarou oficialmente abertos os festejos de Momo no município e desejou um Carnaval marcado pela alegria, pela paz e pela tranquilidade para todos.

Com casa cheia, animação contagiante e forte valorização cultural, o Baile Municipal consolidou-se mais uma vez como um dos momentos mais aguardados do calendário festivo de Ipojuca e deu o tom de um Carnaval que promete movimentar a cidade, fortalecer a economia local e celebrar, acima de tudo, a identidade do povo ipojucano.

FORTE CHUVA ADIA APRESENTAÇÕES DE BOIS E URSOS EM ARCOVERDE; ATRAÇÕES DE PALCO SEGUEM NORMAIS

A forte chuva registrada em Arcoverde neste domingo (8) provocou o adiamento das tradicionais apresentações de Bois e Ursos que estavam programadas para acontecer ao longo do dia. Por conta das condições climáticas e visando a segurança dos brincantes, artistas e do público, a organização optou por suspender temporariamente as apresentações itinerantes.

Apesar do adiamento dos Bois e Ursos, a programação de palco segue mantida normalmente. As apresentações previstas para os polos fixos acontecem conforme o cronograma divulgado, garantindo a continuidade das atividades culturais e festivas na cidade.

A organização informou que uma nova data para as apresentações de Bois e Ursos será anunciada em breve, assim que houver condições adequadas para a realização dos desfiles e encenações, que fazem parte da identidade cultural de Arcoverde e atraem grande participação popular.

O público é orientado a acompanhar os canais oficiais e o Blog para atualizações sobre a programação e possíveis ajustes ao longo do dia.

ARCOVERDE VIVEU PRÉ-CARNAVAL DE RITMOS, MEMÓRIA E CONTRASTES; FESTA SE DESPEDE HOJE COM GRANDES ATRAÇÕES

Arcoverde entrou no clima do Carnaval apostando na diversidade musical e no encontro de gerações. Desde a última quinta-feira (5), a programação pré-carnavalesca tomou conta do pátio de eventos da cidade e mostrou que a folia local vai muito além de um único ritmo, misturando swingueira, frevo, axé e samba em noites que alternaram modernidade, nostalgia e tradição popular.

A largada foi marcada por uma pegada mais contemporânea, atraindo principalmente o público jovem. Oh Sakode, André Marreta e Trio da Huana deram o tom inicial da festa, com muito balanço e músicas que dominam paredões e festas populares pelo Nordeste. A estrutura montada contou com reforço na segurança, iluminação especial e serviços pensados para garantir conforto aos foliões.

Na sexta-feira (6), o cenário mudou completamente. O público cresceu e ganhou um perfil mais saudosista, embalado por canções que atravessaram décadas. Marrom Brasileiro levou o frevo ao centro da festa, resgatando sucessos que marcaram os anos 1990 e seguem vivos na memória popular, como “Enlouquecer” e “Gostoso Te Amar”, reafirmando a força da musicalidade pernambucana.

Logo depois, Durval Lelys transformou o pátio em uma verdadeira micareta fora de época. O ex-vocalista do Asa de Águia revisitou uma trajetória que marcou gerações, com clássicos como “Dança do Vampiro”, “Quebra Aê”, “Não Tem Lua” e “Manivela”, além de hinos eternizados no axé, como “Com Amor”, “Simbora”, “Porto Seguro” e “Bota Pra Ferver”. Foi uma noite de coro coletivo, nostalgia e energia elevada.

O sábado (7) começou cedo, do jeito que o povo gosta. A tradicional Troça do Urso Branco saiu em desfile pela Avenida Coronel Antônio Japiassu em direção ao Pátio de Eventos. Nem a chuva intensa desanimou os foliões mais fiéis, que acompanharam o cortejo com irreverência e resistência. À noite, o palco recebeu Alcymar Monteiro, Júnior Saigon e Dilsinho, em uma programação marcada por clima mais ameno e estilos variados.

Durante todo o período, a Prefeitura de Arcoverde e os órgãos de segurança pública mantiveram um esquema especial para garantir a tranquilidade da festa. A operação envolveu Polícia Militar, Corpo de Bombeiros, Guarda Municipal e equipes de apoio, com cerca de 50 policiais militares, viaturas, motocicletas, patrulhamento a pé, comando operacional, inteligência e monitoramento por câmeras em pontos estratégicos. O Corpo de Bombeiros atuou com 16 militares.

Mesmo com a estrutura montada e atrações de peso, a avaliação inicial aponta que o público dos primeiros dias ficou abaixo do esperado. Alguns foliões destacaram que o modelo adotado em 2025, com a festa concentrada na Praça da Bandeira, teria sido mais atrativo por estar em uma área mais central e com maior fluxo natural de pessoas.

Agora, a expectativa se volta para o encerramento. Hoje, domingo (8), Arcoverde se despede do pré-carnaval com apresentações de Almir Rouche e do grupo Fundo de Quintal, além do tradicional desfile do Bloco da Burra, que promete fechar a programação com muita animação e identidade popular. O evento, batizado de “Nosso Carnaval”, chega ao fim deixando o registro de uma festa plural, que celebrou a música, a cultura e as diferentes formas de viver o Carnaval no Sertão.

ANVISA INVESTIGA MORTES E CASOS DE PANCREATITE LIGADOS ÀS “CANETAS” NO BRASIL

O avanço das chamadas canetas emagrecedoras no Brasil, impulsionado por promessas de perda de peso rápida e controle do diabetes, começa a ser acompanhado por um sinal de alerta das autoridades sanitárias. Dados reunidos pela Agência Nacional de Vigilância Sanitária (Anvisa) revelam que, desde 2018, o órgão recebeu notificações de seis mortes suspeitas e 225 casos de pancreatite possivelmente associados ao uso desses medicamentos no país.

As informações constam no VigiMed, sistema oficial de monitoramento de eventos adversos, e também em registros provenientes de estudos clínicos realizados no Brasil. Entre os fármacos citados nas notificações estão medicamentos da classe dos agonistas do GLP-1, como semaglutida, liraglutida, lixisenatida, tirzepatida e dulaglutida, hoje amplamente utilizados tanto no tratamento do diabetes quanto da obesidade.

Os relatos envolvem pacientes atendidos principalmente nos estados de São Paulo, Paraná, Bahia e Distrito Federal, embora a Anvisa não tenha divulgado a localização exata dos óbitos registrados. A agência reforça que todos os casos são classificados como suspeitos, ainda em análise técnica, e que não há, até o momento, comprovação definitiva de relação direta de causa e efeito.

O tema ganhou ainda mais visibilidade após um alerta emitido no Reino Unido, onde autoridades de saúde contabilizaram 19 mortes em usuários de medicamentos da mesma classe terapêutica. Apesar da repercussão internacional, tanto a Anvisa quanto especialistas brasileiros afirmam que os dados disponíveis não justificam a suspensão dos tratamentos, mas reforçam a necessidade de uso responsável, com prescrição médica e acompanhamento contínuo.

Segundo a agência reguladora, parte das notificações ocorreu após a comercialização dos produtos, enquanto outras foram registradas ainda durante pesquisas clínicas. Um ponto de atenção destacado é a dificuldade de vincular os casos a marcas específicas, já que há relatos de uso de medicamentos falsificados, manipulados ou irregulares, vendidos como se fossem versões originais. Estimativas apontam que o mercado ilegal dessas substâncias movimenta cerca de R$ 600 milhões por ano no Brasil.

Especialistas lembram que o risco de pancreatite não é desconhecido. A inflamação do pâncreas está descrita em bulas de alguns desses medicamentos como uma reação adversa incomum, porém possível. Além disso, não existem dados oficiais sobre o número total de usuários dessas terapias no país, o que impede calcular a real proporção de pacientes afetados.

Para Alexandre Hohl, diretor da Associação Brasileira para o Estudo da Obesidade e Síndrome Metabólica (Abeso), é preciso cautela antes de qualquer conclusão. Ele destaca que o público que utiliza esses medicamentos — pessoas com obesidade e diabetes — já apresenta, por si só, maior risco de desenvolver pancreatite, o que torna o acompanhamento médico ainda mais indispensável.

A Anvisa afirma que segue monitorando continuamente os registros e avalia que a exigência de retenção de receita médica, adotada em abril de 2025, foi uma medida importante para ampliar o controle e reduzir o uso indiscriminado. A agência não descarta novas ações regulatórias caso identifique aumento significativo de riscos à população.

Em escala global, os números também chamam atenção: já foram notificadas mais de 14,5 mil ocorrências de pancreatite associadas a esses medicamentos e 378 mortes. Para especialistas, o maior perigo está no uso sem orientação profissional, especialmente de produtos adquiridos fora dos canais oficiais, sem controle de dosagem e sem monitoramento de efeitos colaterais.

Os fabricantes, por sua vez, informam que acompanham permanentemente os dados de segurança e reforçam que a pancreatite está descrita nas bulas como um possível efeito adverso. As empresas orientam que pacientes sejam alertados sobre os sintomas e suspendam imediatamente o uso, procurando atendimento médico, caso haja suspeita de complicações.

Entre promessas de emagrecimento e alertas de saúde, o debate segue aberto. O consenso, por ora, é claro: não se trata de pânico, mas de prudência — e de lembrar que, na medicina, não existe atalho seguro sem acompanhamento adequado.

HOMEM É ASSASSINADO A PAULADAS NO TERMINAL RODOVIÁRIO E PESQUEIRA VIVE CLIMA DE MEDO

A madrugada deste domingo foi marcada por mais um episódio brutal de violência em Pesqueira, no Agreste pernambucano. Um homem, ainda sem identificação oficial, foi assassinado a pauladas no Terminal Rodoviário do município, um dos locais de maior circulação de pessoas da cidade. O crime, cometido com extrema violência, reforça a sensação de insegurança que vem tomando conta da população e evidencia um cenário preocupante de mortes violentas sem controle efetivo.

Segundo informações preliminares, o corpo da vítima foi encontrado nas primeiras horas da manhã, com sinais claros de espancamento. O local foi isolado para o trabalho da Polícia Civil e do Instituto de Criminalística, enquanto moradores e comerciantes observavam, assustados, mais uma cena de crime em um espaço que deveria representar passagem, trabalho e deslocamento, não medo e morte. Até o momento, não há informações sobre autoria ou motivação, e a identidade da vítima segue desconhecida.

O assassinato no terminal não é um fato isolado. Pesqueira tem enfrentado uma sequência de homicídios e ocorrências violentas nos últimos meses, em diferentes bairros e circunstâncias, criando um ambiente de apreensão constante. Crimes a tiros, espancamentos e execuções têm se repetido, muitas vezes sem respostas rápidas ou conclusões claras das investigações, o que alimenta a sensação de impunidade.

Moradores relatam que o medo passou a fazer parte da rotina. Circular à noite, esperar um transporte público ou simplesmente transitar por áreas centrais se tornou um risco. O Terminal Rodoviário, palco do crime mais recente, simboliza esse colapso da segurança: um espaço público, movimentado, onde a violência agiu livremente durante a madrugada.

A crescente onda de mortes violentas em Pesqueira levanta questionamentos sobre a eficácia das políticas locais de segurança, a presença ostensiva das forças policiais e as estratégias de prevenção. Cada novo homicídio não apenas tira uma vida, mas também aprofunda a desconfiança da população e o sentimento de abandono.

Enquanto a polícia investiga mais este assassinato, a cidade acumula luto, revolta e medo. O crime deste domingo é mais um alerta grave de que a violência em Pesqueira ultrapassou o limite do aceitável e exige respostas urgentes, antes que novos nomes sejam adicionados à triste estatística de mortes que assombra o município.

RAQUEL LYRA ENTRE DOIS TEMPOS: O ANTES E O DEPOIS DA PRIMEIRA PESQUISA DE 2026

A primeira pesquisa Datafolha/CBN sobre a sucessão estadual em Pernambuco não apenas apresentou números. Ela escancarou uma mudança de fase no governo Raquel Lyra. Há um “antes” silencioso, de ajustes internos e reposicionamento gradual, e um “depois” que começa a ganhar contornos mais claros, tanto no discurso quanto na leitura política do cenário.

Antes do levantamento, a governadora já vinha operando uma virada estratégica longe dos holofotes eleitorais. As redes sociais deixaram de ser protocolares e passaram a cumprir um papel mais ativo na construção de narrativa. Os eventos ganharam ritmo e organização, os discursos ficaram mais objetivos e a agenda institucional passou a ser tratada com maior controle — movimento que, embora cause desconforto à imprensa, revela uma compreensão mais madura do jogo político contemporâneo. Não é coincidência que essa blindagem da agenda se aproxime do modelo adotado pelo prefeito do Recife, João Campos, seu principal adversário potencial em 2026.

O “depois” da pesquisa começa quando os números colocam João Campos com 47% das intenções de voto e Raquel Lyra com 35%. A diferença permanece significativa, mas o dado mais relevante está na tendência: pela primeira vez, a movimentação da governadora pelo estado parece encontrar eco mensurável junto ao eleitorado. Não se trata de uma virada, mas de um encurtamento simbólico da distância, suficiente para animar o núcleo político do Palácio do Campo das Princesas.

A fala da governadora na véspera da divulgação da pesquisa é reveladora. Ao afirmar que 2026 deve ser encarado como o “primeiro ano dos próximos cinco”, Raquel Lyra rompeu, ainda que de forma sutil, com o discurso estritamente administrativo. Foi um gesto calculado. Não mencionou eleição, não citou adversários, mas lançou a ideia de continuidade como projeto. Em política, isso raramente é acidental.

Esse reposicionamento também ajuda a explicar por que Raquel evita comentar pesquisas, enquanto seu entorno reage com entusiasmo contido. O governo entende que os números não autorizam comemoração, mas sinalizam que a estratégia adotada — mais presença, mais narrativa e menos improviso — começa a produzir efeitos. A antecipação da disputa, embora negada no discurso oficial, já está em curso nos fatos.

Do outro lado, o campo da oposição observa com atenção redobrada. Nos bastidores, aliados de João Campos receberam a pesquisa com cautela. Há quem relativize o impacto, lembrando que outros levantamentos ainda virão e que comparações são necessárias. Ainda assim, o incômodo existe. O crescimento de Raquel Lyra era esperado, mas não tão cedo. E, em política, timing costuma ser tão importante quanto volume.

O cenário que se desenha não é o de uma eleição definida, mas o de um jogo que entrou em nova etapa. A governadora deixou de ser apenas a gestora que busca consolidar um mandato e passou a ser, de forma mais explícita, uma candidata em construção. A pesquisa não muda o tabuleiro, mas altera o ritmo da partida. E, a partir de agora, cada passo, cada fala e cada ausência serão lidos sob a lupa de 2026.