quinta-feira, 19 de fevereiro de 2026

SILÊNCIO ENSURDECEDOR, PORQUE O PSB NÃO SE PRONUNCIA APÓS PRISÃO DE VEREADOR QUE CONFESSOU ASSASSINATO EM PETROLÂNDIA

O assassinato do empresário e mergulhador Samyr Oliveira, ocorrido em 13 de janeiro, em Petrolândia, no Sertão de Itaparica, extrapolou os limites de um caso policial e se transformou em um terremoto político. O motivo é grave: o vereador Cristiano da Van, filiado ao Partido Socialista Brasileiro (PSB), confessou envolvimento no crime e foi preso 15 dias depois, no município de Santa Cruz do Capibaribe.

Desde então, o processo segue na esfera judicial. Mas na esfera política, o que se vê é um silêncio que incomoda, revolta e levanta questionamentos legítimos.

Cristiano da Van não é um filiado qualquer. É um parlamentar eleito, que disputou votos, utilizou a estrutura partidária e carregou a bandeira de uma legenda que se apresenta historicamente como defensora de princípios democráticos e responsabilidade social. Quando um vereador confessa participação em um homicídio, o impacto não é individual — é institucional.

Até agora, não houve manifestação pública de peso por parte da direção estadual ou nacional do partido esclarecendo quais providências internas foram tomadas. Não se sabe se há processo disciplinar instaurado, se houve suspensão de filiação ou qualquer outro encaminhamento formal. O vácuo de informação se tornou combustível para críticas e desconfianças.

A cobrança, que já ecoa nas ruas de Petrolândia, agora ganha endereço certo: com a palavra, o presidente estadual do PSB, Sileno Guedes. Cabe a ele esclarecer qual a posição oficial da legenda em Pernambuco diante de um fato dessa magnitude. O partido abrirá procedimento interno? Haverá expulsão? Ou a estratégia será aguardar que o caso esfrie?

Da mesma forma, cresce a expectativa sobre uma posição do presidente nacional da sigla, João Campos. Como principal liderança nacional do PSB e uma das vozes mais influentes do partido no país, sua manifestação teria peso político e simbólico. O silêncio, nesse nível, deixa de ser apenas regional e passa a ter dimensão nacional.

Não se trata de interferir no trabalho da Justiça, que deve seguir seu curso com respeito ao devido processo legal. Trata-se de responsabilidade política. Partidos não podem se limitar ao período eleitoral para falar em ética e compromisso público. Precisam demonstrar coerência quando um de seus representantes ultrapassa todos os limites.

A ausência de posicionamento oficial passa uma mensagem perigosa: a de que, quando a crise envolve um quadro partidário, a cautela institucional pode se transformar em omissão estratégica. E omissão, nesse caso, é interpretada como complacência.

O caso continua a provocar indignação e exige respostas claras. Pernambuco não cobra espetáculo, cobra transparência. A sociedade quer saber qual é, afinal, a linha que o PSB traça entre responsabilidade individual e responsabilidade partidária.

Enquanto isso, a pergunta permanece aberta e ecoando além das fronteiras de Petrolândia: o que o PSB fará diante de um vereador que confessou participação em um assassinato? E por que, até agora, o silêncio parece falar mais alto do que qualquer nota oficial?

PERNAMBUCO ENTRA EM MODO PRÉ-CAMPANHA E BASTIDORES PEGAM FOGO NA DISPUTA PELO PALÁCIO DO CAMPO DAS PRINCESAS

Passado o período momesco, tradicionalmente marcado por encontros informais, jantares discretos e conversas longe dos holofotes, o cenário político de Pernambuco começa a assumir contornos mais nítidos. O Carnaval, que para muitos simboliza apenas festa e descontração, funcionou este ano como pano de fundo para articulações decisivas visando a eleição estadual que se aproxima. Agora, encerrada a folia, o que era especulação ganha densidade política, e as chapas majoritárias começam a ser desenhadas com mais clareza.

No campo governista, a governadora Raquel Lyra, que buscará a reeleição pelo Partido Social Democrático (PSD), intensificou conversas estratégicas nos bastidores. Às vésperas do Carnaval, ganhou força a informação de uma reunião reservada com o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho, uma das principais lideranças do União Brasil no estado.

Segundo relatos de interlocutores próximos às negociações, a governadora teria apresentado uma proposta considerada ousada: destinar as duas vagas ao Senado à federação formada por União Brasil e Progressistas (PP). A movimentação teria como objetivo consolidar uma aliança robusta no campo da centro-direita, ampliando o palanque da reeleição e garantindo musculatura política no interior e na Região Metropolitana.

Procurado, Miguel Coelho confirmou o encontro, mas adotou o tom cauteloso típico do período pré-eleitoral, evitando detalhar o conteúdo das conversas. O silêncio estratégico reforça a leitura de que o diálogo está em curso e que qualquer definição prematura pode alterar o delicado equilíbrio das negociações.

Outro nome que circula com força nesse tabuleiro é o do deputado federal Eduardo da Fonte, pré-candidato ao Senado pelo PP. Durante o Carnaval, Raquel esteve ao lado do parlamentar em um encontro da Assembleia de Deus, gesto interpretado por aliados como sinal claro de aproximação política em meio às discussões sobre a formação da chapa majoritária.

Apesar das especulações envolvendo possíveis mudanças na vice-governadoria — incluindo comentários sobre o senador Fernando Dueire, do Movimento Democrático Brasileiro (MDB) — fontes próximas ao Palácio indicam que a tendência é de manutenção da atual vice-governadora Priscila Krause. Internamente, a avaliação é de que a parceria permanece sólida e que, neste momento, não há decisão formal que aponte para alteração na composição.

Do outro lado do tabuleiro, o prefeito do Recife, João Campos, do Partido Socialista Brasileiro (PSB), também utilizou o período carnavalesco para avançar em articulações. Sua presença em compromissos públicos ao lado de Miguel Coelho foi observada com atenção por lideranças políticas, indicando que o prefeito trabalha para ampliar pontes inclusive com setores mais ao centro.

João também manteve agendas com o ministro e pré-candidato ao Senado Silvio Costa Filho, do Republicanos, reforçando o diálogo com diferentes forças políticas. Ao mesmo tempo, buscou consolidar relações no campo da esquerda, participando de encontros com o senador Humberto Costa, do Partido dos Trabalhadores (PT), e com a pré-candidata ao Senado Marília Arraes, atualmente no Solidariedade.

A leitura entre aliados é de que João Campos trabalha para montar uma frente ampla, com capilaridade regional e sustentação partidária diversificada, capaz de polarizar com a governadora e apresentar uma alternativa competitiva ao eleitorado pernambucano.

Com o calendário eleitoral avançando, abril surge como marco informal para definição das principais chapas. A partir desse ponto, alianças precisarão estar mais consolidadas, discursos mais alinhados e estratégias mais claras. O tempo das conversas reservadas começa a dar lugar às decisões públicas.

O Carnaval foi apenas o aquecimento. Agora, Pernambuco entra oficialmente em modo pré-campanha. De um lado, uma governadora que busca consolidar apoios para garantir a reeleição. Do outro, um prefeito da capital que articula para liderar a oposição e ampliar seu arco de alianças.

No xadrez político que se desenha, cada movimento é calculado. E, como em toda disputa majoritária, não basta apenas dialogar — será preciso transformar bastidores em palanques e articulações em votos.

CLIMA DE INCERTEZA MARCA RELAÇÃO ENTRE DIOGO ALEXANDRE E SANDRO ADVOGADO EM CHÃ GRANDE

O ambiente político de Chã Grande voltou a ser assunto nos bastidores após especulações sobre um possível distanciamento entre o ex-prefeito Diogo Alexandre e o atual gestor municipal, Sandro Advogado. Embora não haja, até o momento, anúncio oficial de rompimento, interlocutores ligados ao meio político local apontam que a relação já não seria a mesma desde o início da atual gestão.
Sandro Advogado foi vice-prefeito nas administrações de Diogo e chegou ao comando do Executivo com apoio direto do então gestor, defendendo a continuidade administrativa como principal bandeira eleitoral. A parceria, construída ao longo de dois mandatos, sempre foi vista como sólida e estratégica para a manutenção do grupo político no poder.

Nos últimos meses, porém, observadores atentos da cena local notaram uma redução na presença conjunta em agendas públicas e eventos institucionais. Lideranças próximas afirmam que divergências administrativas e ajustes naturais de gestão podem ter contribuído para um esfriamento da relação. Outros avaliam que o atual prefeito tem buscado imprimir identidade própria ao mandato, o que é comum em processos de transição de liderança.
Procuradas informalmente por aliados, as duas partes evitam falar em rompimento. Pessoas próximas ao ex-prefeito sustentam que Diogo mantém postura discreta e que qualquer posicionamento público só ocorreria diante de fatos concretos. Já aliados do prefeito reforçam que a prioridade da gestão é administrativa, focada em obras, investimentos e parcerias institucionais.

Analistas políticos da região avaliam que, em municípios de porte como Chã Grande, mudanças na dinâmica interna dos grupos são naturais após a sucessão. A consolidação de uma nova liderança tende a gerar reacomodações, principalmente quando há expectativas distintas sobre espaços políticos e decisões estratégicas.

Enquanto não há declaração oficial confirmando rompimento, o que se percebe é um cenário de cautela e reorganização. O eleitorado acompanha atento os movimentos e aguarda sinais mais claros sobre os rumos da antiga parceria que marcou os últimos anos da política local.

Nos próximos meses, a presença — ou ausência — de agendas conjuntas, posicionamentos públicos e alianças partidárias deverá indicar se o grupo seguirá unido ou se uma nova configuração política se consolidará no município.

FÉ E COMPROMISSO SOCIAL MARCAM PRESENÇA DE ELCIONE RAMOS NA MISSA DE CINZAS NO RECIFE

Após cumprir agenda institucional, a prefeita de Igarassu, professora Elcione Ramos, participou na tarde desta quarta-feira (18) da tradicional Missa de Cinzas, realizada na Concatedral do Santíssimo Coração Eucarístico de Jesus, conhecida como Matriz do Espinheiro, no Recife. A celebração marcou o início do período da Quaresma e reuniu autoridades políticas e religiosas, além de centenas de fiéis que lotaram a igreja em um momento de reflexão e espiritualidade.

A cerimônia foi presidida pelo arcebispo de Olinda e Recife, Dom Paulo Jackson, que conduziu a celebração destacando o significado do tempo quaresmal como um convite à conversão, à solidariedade e ao compromisso cristão com as causas sociais. Durante a homilia, o religioso também apresentou oficialmente a Campanha da Fraternidade 2026, que este ano traz como tema “Fraternidade e Moradia”.

Com o lema “Ele veio morar entre nós”, inspirado no Evangelho de João (Jo 1,14), a campanha propõe uma profunda reflexão sobre o direito à moradia digna e os desafios enfrentados por milhares de brasileiros que vivem em situação de vulnerabilidade habitacional. Ao longo das próximas semanas, paróquias e comunidades de todo o país serão incentivadas a promover encontros de oração, debates, estudos bíblicos e ações concretas de solidariedade voltadas à temática.

A solenidade contou ainda com a presença da governadora de Pernambuco, Raquel Lyra, da vice-governadora Priscila Krause e de diversas lideranças políticas do Estado, reforçando o caráter institucional e social do momento religioso. A participação de representantes do poder público evidenciou a importância do diálogo entre fé e políticas públicas, especialmente diante de temas sensíveis como habitação e justiça social.

Para a prefeita Elcione Ramos, a presença na celebração representa não apenas um gesto de fé pessoal, mas também um compromisso com os valores cristãos que norteiam sua atuação pública. Em meio ao simbolismo das cinzas — que recordam a fragilidade humana e a necessidade de renovação espiritual —, o evento reforçou a mensagem de que o poder público deve estar atento às necessidades mais urgentes da população.

A Missa de Cinzas abriu oficialmente o calendário quaresmal de 2026 em Pernambuco, iniciando um período de 40 dias marcado por reflexão, penitência e ações concretas de fraternidade. Em um cenário de desafios sociais, a Campanha da Fraternidade surge como um chamado coletivo para transformar fé em atitude e compromisso com os que mais precisam.

DESFILE DAS VIRGENS 2026 PROMETE ARRASTAR MULTIDÃO EM SURUBIM COM JOÃO GOMES, PSIRICO E PARANGOLÉ

O clima de expectativa já toma conta de Surubim, no Agreste pernambucano, para mais uma edição de uma das festas mais irreverentes e aguardadas do calendário carnavalesco da região. Entre os dias 20 e 22 de fevereiro, o tradicional Desfile das Virgens 2026 transforma a Avenida São Sebastião em um verdadeiro corredor da folia, reunindo trio elétrico, grandes nomes da música nacional e milhares de foliões em clima de celebração e descontração.

Com concentração a partir das 19h30, a festa começa na Avenida São Sebastião e segue em cortejo até o Pátio da Usina, onde o público acompanha os shows no palco principal. A programação, divulgada pela Prefeitura, foi montada para garantir três noites intensas de animação, misturando ritmos que vão do frevo ao pagode baiano, passando pelo piseiro e pela música popular nordestina.

A abertura, na sexta-feira (20), fica por conta da banda Beleza Pura, que comanda o trio elétrico às 19h30, aquecendo o público para uma sequência de apresentações no palco. Às 21h, o cantor pernambucano Almir Rouche leva sua energia contagiante ao evento, seguido pelo grupo Cheiro de Amor, às 23h, prometendo um repertório repleto de clássicos do axé.

No sábado (21), a festa ganha ainda mais intensidade. A dupla Edy e Nathan sobe no trio elétrico às 20h15, puxando o público pela avenida. No palco, às 22h, o cantor Marrom Brasileiro apresenta sucessos que dialogam com a tradição carnavalesca pernambucana. À meia-noite, a banda Parangolé assume o comando da multidão, trazendo o swing baiano que é marca registrada do grupo.

O encerramento, no domingo (22), promete ser apoteótico. Às 19h, o grupo Psirico comanda o trio elétrico, arrastando foliões em um dos momentos mais esperados da programação. Em seguida, às 21h, o fenômeno do piseiro João Gomes sobe ao palco para fechar a festa em grande estilo, reunindo fãs de todas as idades.

O Desfile das Virgens é conhecido não apenas pela grade de atrações, mas também pela irreverência dos participantes, que mantêm viva a tradição de homens vestidos de mulher, fantasias criativas e muita descontração. A expectativa é de que o evento movimente a economia local, fortalecendo o comércio, a rede hoteleira e os serviços durante os três dias de programação.

Com uma combinação de tradição, grandes artistas e estrutura reforçada, Surubim se prepara para viver mais uma edição histórica do Desfile das Virgens, consolidando o evento como um dos maiores e mais animados do Agreste pernambucano.

NO GALO, LULA UNE ADVERSÁRIOS, MARCA TERRITÓRIO NO NORDESTE E EMBARALHA O JOGO ELEITORAL EM PERNAMBUCO

A passagem do presidente Luiz Inácio Lula da Silva pelo Galo da Madrugada, no Recife, extrapolou o simbolismo carnavalesco e ganhou contornos de forte movimento estratégico no tabuleiro político pernambucano. Em meio ao maior bloco de rua do mundo, Lula conseguiu algo raro em ano pré-eleitoral: posar ao lado de dois adversários diretos na disputa pelo Governo do Estado — a governadora Raquel Lyra e o prefeito do Recife João Campos — sem registrar vaias, constrangimentos ou ruídos públicos.

Num cenário em que setores bolsonaristas vinham sinalizando mobilização para desgastar a imagem presidencial durante o desfile, o que se viu foi o oposto. As transmissões ao vivo das emissoras de televisão, com altos índices de audiência durante a passagem do Galo, exibiram um presidente sorridente, interagindo e sendo recepcionado tanto pelo prefeito quanto pela governadora. A imagem, repetida nas redes sociais dos dois gestores, teve leitura política imediata: quem apareceu melhor na foto?

Se havia receio de desgaste, Lula saiu fortalecido. Em termos estratégicos, o presidente “tirou nota 10” ao consolidar sua presença num dos maiores eventos populares do país e, sobretudo, ao reforçar a conexão com o Nordeste — região crucial para ampliar sua votação e compensar resistências históricas no Centro-Sul. Ao mesmo tempo, evitou sinalizações explícitas de apoio a qualquer palanque estadual, preservando margem de manobra.

Para João Campos e Raquel Lyra, o saldo foi de equilíbrio. O prefeito, como anfitrião da cidade, teve prioridade na recepção institucional ao presidente. A governadora chegou em seguida ao camarote, acompanhada do senador Fernando Dueire, além de prefeitos, deputados estaduais e lideranças aliadas. Entre eles, destacou-se o deputado estadual João Paulo, um dos principais nomes do PT em Pernambuco e atual comandante da bancada petista na Assembleia Legislativa, ainda integrada à base do governo estadual.

João Paulo, que já havia defendido publicamente a tese de até três palanques para Lula em Pernambuco, reforçou sua posição nas redes sociais do presidente. Em tom simbólico, afirmou que a estratégia de “dois em um apoiando Lula” estaria avançando “no ritmo do frevo”, acrescentando que faltaria “o terceiro acorde mais à esquerda” — numa referência direta à possibilidade de um palanque ligado ao PSOL, representado pelo ex-vereador Ivan Moraes.

A eventual neutralidade de Lula no estado, caso se confirme, poderá produzir um cenário inédito. Historicamente, o PT em Pernambuco adotou estratégias de confronto direto, especialmente em disputas contra adversários como Jarbas Vasconcelos, associando opositores a discursos contrários a programas sociais emblemáticos como o Bolsa Família. Esse tipo de narrativa foi decisivo, sobretudo nos municípios do interior, onde políticas de transferência de renda têm peso determinante no comportamento eleitoral.

Sem um posicionamento claro do presidente, a esquerda pernambucana poderá se ver diante de um dilema: como mobilizar sua base sem o discurso tradicional de exclusividade do apoio lulista? E mais: qual dos dois principais concorrentes — João Campos ou Raquel Lyra — tende a herdar maior capital político da imagem construída no Galo?

Ao posar ao lado dos dois, Lula enviou uma mensagem calculada. Mostrou força popular, reafirmou centralidade política e evitou antecipar compromissos. Para os adversários estaduais, o resultado foi um “jogo empatado” na foto, mas com desdobramentos ainda imprevisíveis nas urnas.

No compasso do frevo e sob os holofotes do maior espetáculo carnavalesco do país, o presidente consolidou presença e deixou a disputa pernambucana em aberto. Se a estratégia é ampliar votos no Nordeste sem criar fissuras locais, o Galo mostrou que o caminho pode ser o da convivência calculada — ao menos até que o ritmo da campanha exija definições mais claras.

DISPUTA INTERNA NA FEDERAÇÃO REDE-PSOL GANHA NOVO CAPÍTULO E IVAN MORAES DEFENDE CONSENSO PARA O GOVERNO DE PERNAMBUCO

A construção de uma candidatura unificada ao Governo de Pernambuco dentro da federação formada por Partido Socialismo e Liberdade (Psol) e Rede Sustentabilidade entrou em uma nova fase de articulação política nesta quarta-feira (18). Enquanto o Psol se movimenta para consolidar o nome do ex-vereador Ivan Moraes como pré-candidato ao Palácio do Campo das Princesas, a Rede apresentou oficialmente o reitor da Universidade Federal de Pernambuco (UFPE), Alfredo Gomes, como alternativa para a disputa estadual.

O cenário, embora revele divergências naturais dentro de uma federação partidária, também expõe a disposição de diálogo entre as lideranças. Ivan Moraes afirmou publicamente que espera a construção de um consenso programático, destacando a boa relação que mantém com Alfredo Gomes e reconhecendo o trabalho desenvolvido pelo reitor à frente da UFPE. Segundo ele, o momento exige maturidade política e unidade no campo progressista.

“A gente espera que haja um consenso, uma composição, mas que a Rede e o deputado Túlio Gadêlha me apoiem para governador. Agora, eles têm o direito de lançar um pré-candidato. O reitor Alfredo tem feito um belo trabalho na UFPE e Paulo Rubem é uma referência histórica para todo mundo que caminha no campo progressista”, declarou Ivan, demonstrando confiança de que as negociações avancem para um acordo nos próximos dias.

Além da disputa pelo Governo do Estado, a federação também vive movimentações em torno da vaga ao Senado. A Rede lançou o nome do ex-deputado Paulo Rubem Santiago como pré-candidato, enquanto o Psol já trabalha com a vereadora Jô Cavalcanti na corrida pela Casa Alta. A definição dessas candidaturas também deverá passar pelo mesmo processo interno de negociação.

O presidente da Federação Rede-Psol em Pernambuco, Jerônimo Galvão, ressaltou que os partidos possuem autonomia para apresentar pré-candidaturas e explicou que a definição ocorrerá por meio do chamado “Consenso Progressivo”, mecanismo interno que orienta as decisões conjuntas da federação. Ele antecipou que o Psol defenderá o nome de Ivan Moraes nas tratativas e destacou que, caso não haja entendimento, a escolha poderá ser definida no voto — cenário no qual o Psol possui maioria.

Apesar da sinalização de Alfredo Gomes sobre uma nova rodada de conversas entre dirigentes e pré-candidatos na próxima segunda-feira, Jerônimo afirmou que, até o momento, não houve formalização desse contato. Ainda assim, a expectativa é de que as negociações se intensifiquem nos próximos dias.

Nos bastidores, o clima é de cautela, mas também de estratégia. A federação busca evitar rupturas que possam fragilizar o campo progressista em Pernambuco. A construção de uma candidatura única é vista como fundamental para ampliar competitividade no cenário estadual, especialmente diante de um ambiente político marcado por polarizações e rearranjos partidários.

Com nomes consolidados e trajetórias reconhecidas na política e na academia, a definição dentro da Rede-Psol promete movimentar o debate político nas próximas semanas. O desfecho das negociações poderá redesenhar o tabuleiro eleitoral pernambucano e indicar o grau de coesão da federação em seu primeiro grande teste rumo às urnas.

CAIADO IRONIZA REBAIXAMENTO DE ESCOLA QUE HOMENAGEOU LULA E FALA EM “PRIMEIRA DE MUITAS DERROTAS” DO PT EM 2026

O rebaixamento da escola de samba Acadêmicos de Niterói no Carnaval do Rio de Janeiro repercutiu além da avenida e ganhou contornos políticos nesta quarta-feira (18). A agremiação, que levou para a Marquês de Sapucaí um enredo em homenagem ao presidente Luiz Inácio Lula da Silva, acabou rebaixada para o Grupo de Acesso após obter 264,6 pontos na apuração oficial.

O resultado motivou uma reação imediata do governador de Goiás, Ronaldo Caiado (União Brasil). Em publicação nas redes sociais, o chefe do Executivo goiano ironizou o desempenho da escola e associou o revés carnavalesco a uma projeção eleitoral contra o Partido dos Trabalhadores em 2026.

“A única reação possível é a risada mesmo. Que o rebaixamento da Acadêmicos de Niterói, escola de samba que homenageou Lula, seja a primeira de muitas derrotas do PT em 2026!”, escreveu Caiado na legenda do vídeo publicado em seu perfil.

Na gravação, o governador vai além e afirma que, assim como a escola, o presidente também seria “rebaixado” nas urnas. “Chega lá no dia quatro de outubro e ele vai ser rebaixado também. Parabéns para essa comissão julgadora. Parabéns”, declarou, em tom de deboche.

A apuração das notas das escolas de samba do Grupo Especial do Rio de Janeiro confirmou o descenso da Acadêmicos de Niterói após a divulgação das avaliações dos jurados. Com 264,6 pontos, a escola não conseguiu permanecer na elite do Carnaval carioca e disputará o Grupo de Acesso no próximo ano.

O episódio evidencia como o Carnaval — tradicionalmente marcado por manifestações culturais, artísticas e sociais — também se transforma em arena simbólica de disputas políticas. O enredo em homenagem ao presidente Lula acabou extrapolando o universo do samba e provocando embates nas redes sociais, reforçando a polarização que marca o cenário nacional.

Até o momento, não houve manifestação oficial do PT ou do presidente Lula sobre as declarações do governador goiano. Nos bastidores políticos, contudo, a fala de Caiado é interpretada como mais um movimento de antecipação do debate eleitoral de 2026, em um ambiente já aquecido por trocas de críticas e posicionamentos estratégicos.