As vendas para a nova rota aérea entre Recife e Cabo Verde já começaram e a operação dos voos diretos está prevista para iniciar no dia 6 de maio de 2026. A ligação será operada pela companhia Cabo Verde Airlines, com duas frequências semanais, marcando a retomada de uma conexão estratégica entre o Nordeste brasileiro e o arquipélago africano.
A nova rota foi articulada pelo ex-ministro de Portos e Aeroportos, Silvio Costa Filho, com o embaixador de Cabo Verde no Brasil, S.E. José Pedro Máximo Chantre D’Oliveira,
e faz parte de uma estratégia mais ampla do governo brasileiro para ampliar a conectividade internacional e fortalecer as relações econômicas e culturais com países africanos, especialmente os de língua portuguesa.
Segundo Costa Filho, o retorno da ligação direta representa um passo importante para a integração entre os dois lados do Atlântico.
A rota contará com duas frequências semanais entre o Aeroporto Internacional do Recife/Guararapes e a cidade de Praia. As partidas do continente africano ocorrerão às quintas e sábados, às 18h30, com chegada ao Recife às 22h30. Já os voos de retorno sairão da capital pernambucana às sextas e domingos, à 0h30, com pouso previsto para as 4h30.
“Essa rota é estratégica para Pernambuco e para o Brasil. Ela aproxima dois mercados com grande potencial econômico, fortalece o turismo e abre novas oportunidades comerciais entre o Nordeste brasileiro e a África”, afirmou o ex-ministro.
Conexão estratégica no Atlântico
A nova rota elimina a necessidade de conexões em Lisboa, o que atualmente pode elevar o tempo de viagem entre Recife e Cabo Verde para 12 a 15 horas. Com o voo direto, a estimativa é de apenas 3 horas e 30 minutos de viagem, tornando o deslocamento significativamente mais rápido e eficiente.
Além da mobilidade de passageiros, o projeto também tem foco logístico. Cabo Verde vem se posicionando como um hub no Atlântico Médio, funcionando como ponte entre América do Sul, África Ocidental e Europa.
A partir do arquipélago africano, passageiros e cargas podem acessar os principais centros da África Ocidental em cerca de 1 hora de voo, alcançando um mercado regional formado por 15 países, incluindo economias importantes como Senegal, Gana e Nigéria.
Turismo, cultura e desenvolvimento regional
A retomada da rota também deve impulsionar o turismo entre os países da Comunidade dos Países de Língua Portuguesa (CPLP), facilitando o fluxo de visitantes entre Brasil e África.
Com cerca de 600 mil habitantes e o português como língua oficial, Cabo Verde apresenta uma barreira cultural mínima para turistas e investidores brasileiros. O turismo é um dos principais motores da economia do país, respondendo por aproximadamente 25% do PIB cabo-verdiano.
Para Pernambuco, a expectativa é que Recife se consolide como um portão estratégico do Nordeste para o continente africano, ampliando oportunidades comerciais, intercâmbios educacionais e expansão de empresas brasileiras.
Oportunidade para cargas e e-commerce
Além do turismo, o novo voo também abre espaço para o transporte de cargas leves no porão das aeronaves, o que pode beneficiar setores como a exportação de frutas e produtos perecíveis do Nordeste, além do crescimento do e-commerce internacional e da logística para pequenas e médias empresas.
Esse movimento acompanha o cenário positivo da aviação internacional brasileira. Em 2025, o setor registrou recordes de movimentação de passageiros internacionais, impulsionado pela abertura de novas rotas e pela redução de custos operacionais.
Histórico da rota
A ligação aérea entre Brasil e a Ilha do Sal, em Cabo Verde, já apresentou forte crescimento antes da pandemia. Em 2018, a rota movimentou 24.881 passageiros, número que cresceu para 32.451 passageiros em 2019, o maior registro da série histórica. O período refletiu a consolidação da ligação como alternativa turística internacional e o forte apelo da Ilha do Sal como destino de lazer.
Com a chegada da pandemia de COVID-19, a movimentação sofreu uma queda significativa.
Em 2020, foram registrados 20.756 passageiros, e em 2021 a operação foi totalmente interrompida, com zero passageiros, devido à suspensão de voos internacionais e ao colapso da demanda global.
Nos anos seguintes, a recuperação ocorreu de forma lenta e instável. Em 2022, o fluxo foi de apenas 1.664 passageiros, caindo para 452 passageiros em 2023. Em 2024, novamente não houve movimentação registrada, e em 2025 o volume foi de apenas 323 passageiros, evidenciando que a demanda ainda não havia se consolidado após a pandemia.
Reaproximação com a África
A retomada da rota representa mais do que uma nova opção de viagem.
A iniciativa é vista como uma peça estratégica na política externa e econômica brasileira, permitindo que o país volte a se conectar diretamente com o continente africano sem depender de hubs europeus.
Com a nova operação prevista para maio, a expectativa é que a ligação Recife–Cabo Verde contribua para fortalecer o papel do Nordeste brasileiro nas rotas internacionais do Atlântico e ampliar as conexões econômicas, turísticas e culturais entre Brasil e África.