Nos bastidores, o movimento teria sido conduzido pelo prefeito do Recife, João Campos, que buscava uma solução política para minimizar o desgaste envolvendo o aliado. A proposta discutida era viabilizar o retorno de Tadeu à Câmara ainda nesta legislatura, como forma de recomposição interna e gesto de fortalecimento do grupo político.
A articulação, porém, encontrou um obstáculo logo na sua estrutura básica: Tadeu Alencar não é o primeiro suplente da legenda, mas o segundo. A posição é ocupada pelo ex-deputado federal Gonzaga Patriota, nome de forte tradição eleitoral e com histórico consolidado no partido.
A partir daí, o que seria uma acomodação interna passou a exigir uma engenharia política mais complexa. Para que o plano se concretizasse, seriam necessárias duas licenças simultâneas de deputados federais do PSB — condição considerada difícil no atual cenário político, especialmente com o calendário eleitoral em andamento.
A situação ganhou novos contornos quando Gonzaga Patriota reagiu às informações que circularam publicamente sobre a possibilidade de rearranjo da suplência. O ex-parlamentar afirmou ter interesse em reassumir o mandato caso haja vacância, reforçando sua posição na fila de suplência e deixando claro que não há disposição automática para abrir mão do espaço.
A manifestação de Gonzaga alterou o equilíbrio da discussão interna e colocou em xeque a alternativa que vinha sendo construída para atender Tadeu Alencar. Antes considerado um movimento de ajuste político relativamente simples, o cenário passou a exigir negociação direta com dois suplentes e possível rearranjo mais amplo da bancada.
Nos bastidores do PSB, a avaliação é de que a exposição antecipada da articulação contribuiu para o desgaste. O que era tratado inicialmente como uma solução interna acabou se tornando público antes de uma definição, gerando reações imediatas e travando a construção de consenso.
Com isso, o partido entra em um momento de indefinição. De um lado, a tentativa de recompor politicamente Tadeu Alencar; de outro, a posição firme de Gonzaga Patriota, que reivindica seu direito de assumir caso surja a oportunidade.
A disputa, agora, deixa de ser apenas uma questão de suplência e passa a refletir a dificuldade de alinhamento interno em torno de decisões estratégicas dentro do PSB em Pernambuco.