quarta-feira, 26 de agosto de 2026

CENÁRIO FICOU RUIM PARA JOÃO: RAQUEL CONSOLIDA LIDERANÇA ANTES DA PROPAGANDA ELEITORAL

Pesquisa Quaest mostra governadora à frente por oito pontos e confirma uma virada que já vinha sendo desenhada nos últimos meses

A eleição para o Governo de Pernambuco chega ao horário eleitoral com um cenário bem diferente daquele observado no início do ano. A nova pesquisa Quaest, divulgada nesta terça-feira (25), confirma a liderança de Raquel Lyra (PSD) e coloca João Campos (PSB) diante de um desafio que ficou maior justamente na reta em que a propaganda eleitoral começa a ganhar força.

Segundo o levantamento, Raquel aparece com 44% das intenções de voto, enquanto João Campos registra 36%. A diferença é de oito pontos percentuais.

O dado que mais chama atenção, porém, não está apenas na fotografia de agosto, mas na comparação com abril. Naquele momento, João tinha 42% e Raquel aparecia com 34%. Ou seja: o cenário sofreu uma inversão completa. O que antes era uma vantagem de oito pontos para o socialista se transformou em uma vantagem de oito pontos para a governadora.

São 16 pontos de diferença na trajetória dos dois principais candidatos.

A virada aconteceu antes da TV

A pesquisa de agosto não mostra uma explosão de Raquel em relação ao levantamento anterior. A governadora oscilou positivamente, enquanto João apresentou pequena queda, movimentos dentro da margem de erro.

O problema para João está justamente na consolidação da liderança de Raquel.

A campanha socialista chega ao rádio e à televisão sem a vantagem que possuía meses atrás e precisará utilizar o novo momento eleitoral para tentar modificar uma tendência que já se estabeleceu.

Raquel, por outro lado, começa a propaganda eleitoral ocupando uma posição confortável: lidera as pesquisas, tem uma administração para apresentar e poderá transformar obras, investimentos e programas estaduais em uma narrativa de campanha.

João terá de fazer o caminho inverso. Precisará convencer o eleitor pernambucano de que sua experiência à frente da Prefeitura do Recife é suficiente para justificar uma mudança no comando do Estado.

E esse é um desafio considerável.

Raquel entra na propaganda com o vento a favor

O horário eleitoral pode mudar uma eleição, mas também pode reforçar tendências que já estão em andamento.

É exatamente aí que mora uma das maiores dificuldades para João Campos.

Raquel não chega à televisão precisando construir uma candidatura desconhecida. Ela chega podendo apresentar aquilo que realizou no Governo de Pernambuco e associar sua candidatura à ideia de continuidade.

O discurso é simples: mostrar obras, investimentos, programas e ações e transformar esse conjunto em argumento político para permanecer no Palácio do Campo das Princesas.

João, por sua vez, terá que apresentar suas propostas, defender seu legado no Recife e, principalmente, explicar ao eleitor por que o Estado deveria trocar uma governadora que aparece numericamente à frente.

O cenário ficou ruim para João

A expressão pode parecer dura, mas os números explicam o tamanho do problema.

João Campos começou o ano em posição privilegiada. Tinha 42% contra 34% de Raquel. Hoje, a situação está exatamente invertida: 44% para a governadora e 36% para o prefeito do Recife.

Não se trata apenas de uma liderança pontual. É uma vantagem que aparece depois de meses de disputa, em diferentes levantamentos, e que chega ao início do horário eleitoral.

Isso não significa que a eleição esteja decidida. Longe disso.

Mas significa que João precisa reagir, enquanto Raquel pode trabalhar para manter o que já conquistou.

Lula será importante, mas não resolve sozinho

João Campos ainda possui ativos políticos importantes. O apoio do presidente Lula, a força do PSB e uma estrutura eleitoral competitiva continuam sendo elementos relevantes para a disputa.

A questão é saber se esses fatores serão suficientes para interromper a trajetória atual.

O apoio de Lula pode ajudar João a recuperar terreno, especialmente entre setores do eleitorado que mantêm forte identificação com o presidente. Mas campanha eleitoral não se vence apenas com padrinhos políticos. É necessário transformar apoio em voto e discurso em percepção positiva.

E é justamente essa conversão que o socialista terá de buscar nas próximas semanas.

A televisão pode ser o ponto de virada — ou de confirmação

A partir de agora, a disputa entra em uma fase diferente.

Com o início da propaganda eleitoral, os candidatos terão mais espaço para apresentar suas histórias, propostas e realizações. Será também o momento em que o eleitor menos envolvido com a campanha começará a prestar mais atenção na disputa.

Para Raquel, a tarefa é defender a liderança e evitar erros.

Para João, a missão é muito maior: precisar recuperar oito pontos e, de preferência, criar uma nova tendência eleitoral.

As próximas pesquisas serão fundamentais para medir o efeito da televisão.

Se Raquel mantiver ou ampliar a vantagem, o cenário ficará cada vez mais confortável para a governadora. Se João conseguir reduzir rapidamente a diferença, poderá transformar a campanha em uma disputa novamente aberta.

Por enquanto, porém, os números da Quaest deixam uma mensagem clara: a eleição mudou de direção, Raquel consolidou a liderança e João Campos chega ao horário eleitoral precisando correr atrás do prejuízo.

Coluna Na Lupa: a grande pergunta agora não é mais se Raquel conseguiu virar a eleição. Os números indicam que virou. A pergunta é se João Campos conseguirá virar novamente — e quanto tempo terá para fazer isso.

CASSAÇÃO DO PREFEITO DE CABROBÓ CHEGA AO TRE-PE COM CENÁRIO DIFÍCIL PARA REVERSÃO

O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) julga nesta quarta-feira (26) os recursos apresentados contra a cassação do prefeito de Cabrobó, Elioenai Dias Santos Filho, e da vice-prefeita Georgia Fernanda Torres de Oliveira. O caso chega ao plenário cercado de expectativa e com uma série de elementos que podem dificultar uma eventual reversão das condenações impostas em primeira instância.

A análise do memorial apresentado pelo advogado eleitoral Delmiro Campos, que atua pela manutenção das sentenças, aponta para um cenário jurídico considerado desfavorável aos recursos. A palavra final, no entanto, será dos desembargadores eleitorais que irão analisar o processo.

Em primeira instância, a Justiça Eleitoral determinou a cassação dos diplomas do prefeito e da vice, além da declaração de inelegibilidade por oito anos e aplicação de multa com fundamento no artigo 41-A da Lei das Eleições.

O posicionamento da Procuradoria Regional Eleitoral (PRE) também pesa no processo. Em parecer de 26 páginas e 118 itens, o órgão se manifestou pelo não provimento dos recursos e pela manutenção das condenações.

Provas materiais estão no centro da disputa

Um dos principais pontos do processo envolve uma investigação relacionada ao abastecimento de veículos durante uma carreata da campanha eleitoral de 2024.

Segundo os elementos apresentados no memorial, durante as diligências foram apreendidos R$ 55.548,58 em vales-combustível, além de celulares e HDs que posteriormente passaram por análise pericial.

A perícia realizada pela Polícia Federal teria identificado conversas nas quais o irmão do prefeito apareceria negociando os vales-combustível, enquanto o pai realizaria pagamentos relacionados à operação.

Outro dado destacado é a movimentação financeira registrada em um dos postos de combustíveis. De acordo com o memorial, o estabelecimento teria movimentado R$ 126.352,51 em determinado período, valor considerado muito superior ao registrado nos dias anteriores.

Para quem defende a manutenção da sentença, esses elementos formam um conjunto de provas que ultrapassaria meras conjecturas e sustentaria as acusações reconhecidas pela primeira instância.

Legalidade das provas também entra no julgamento

A defesa também enfrenta uma questão processual envolvendo a busca, apreensão e acesso aos dados obtidos durante a investigação.

O próprio TRE-PE já teria analisado questionamentos relacionados à legalidade dessas medidas em habeas corpus relacionado ao caso. A tese apresentada no memorial é de que essa discussão já foi enfrentada pela Corte e, portanto, não haveria espaço para uma nova invalidação das provas por esse fundamento.

Esse ponto pode ser relevante no julgamento, já que parte importante da acusação está relacionada justamente ao material apreendido durante as diligências.

PRE reforça posição pela cassação

O parecer da Procuradoria Regional Eleitoral é outro elemento que chama atenção no processo.

A PRE concluiu pelo desprovimento dos recursos, entendendo que as provas reunidas seriam suficientes para demonstrar a participação dos envolvidos nas condutas apontadas no processo.

O memorial também cita decisão recente do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) envolvendo o município de Cachoeira Alta, em Goiás. Naquele caso, foram mantidas sanções contra prefeito e vice em processo relacionado à distribuição de combustível em grande escala.

Para os defensores da manutenção da cassação, existem semelhanças entre os dois processos que podem ser consideradas pelos julgadores.

Cenário é de pressão sobre a defesa

Na prática, a defesa terá de convencer o TRE-PE a superar uma série de fundamentos já utilizados para sustentar a condenação: a sentença de primeira instância, o conjunto de provas materiais e periciais, o parecer desfavorável da Procuradoria Regional Eleitoral e os questionamentos sobre a validade das provas, que já foram objeto de análise pela própria Corte.

Isso, porém, não significa que o resultado esteja definido.

O julgamento é colegiado e os desembargadores terão liberdade para analisar os argumentos apresentados pelas partes, podendo manter integralmente as decisões, reformá-las ou adotar entendimento diferente em relação aos pontos questionados nos recursos.

Os processos nº 0600397-53.2024.6.17.0077 e nº 0600398-38.2024.6.17.0077 têm como relator o desembargador Washington Luís Macedo de Amorim e estão pautados para esta quarta-feira (26), às 14h.

O julgamento poderá representar um dos momentos mais importantes da atual disputa política de Cabrobó. Caso a cassação seja mantida, o cenário político do município sofrerá uma reviravolta. Se houver reforma das decisões, os atuais gestores poderão respirar aliviados e seguir na condução do município.

Na Lupa: o processo chega ao TRE-PE com a defesa diante de uma verdadeira prova de resistência jurídica. Não basta apenas questionar a sentença: será necessário convencer o colegiado sobre pontos que envolvem provas periciais, documentos, dados digitais, parecer do Ministério Público Eleitoral e decisões anteriores da própria Corte. A expectativa agora se concentra no voto do relator e na posição que será construída pelo plenário.

EX-DIRETOR DO PRESÍDIO DE VITÓRIA DE SANTO ANTÃO É UM DOS PRESOS EM OPERAÇÃO CONTRA CORRUPÇÃO

O policial penal Emanoel França de Lima, ex-diretor do Presídio de Vitória de Santo Antão, localizado na Mata Sul de Pernambuco, foi preso durante a operação Controle Paralelo, deflagrada nesta terça-feira (25). Segundo o inquérito da Polícia Civil, o servidor foi um dos beneficiados no forte esquema de corrupção e extorsão na unidade prisional. 

A investigação teve início em outubro de 2022, a pedido do Ministério Público de Pernambuco (MPPE), que recebeu denúncias de familiares de presos sobre supostas extorsões e agressões praticadas por um detento que tinha o papel de chaveiro na unidade, ou seja, comandava pavilhões e ditava regras com a conivência do Estado.

"O que ficou demonstrado é que havia uma estrutura de controle paralelo dentro da unidade. O chaveiro exercia um poder de fato sobre outros presos e utilizava a violência como instrumento de cobrança. Os familiares eram constrangidos a pagar porque já sabiam que, caso não houvesse o pagamento, as agressões poderiam continuar", pontuou o delegado Jorge Pinto, do Grupo de Operações Especiais (GOE).

Em geral, as cobranças eram referentes a pagamentos por colchões nas celas, produtos adquiridos em cantinas irregulares, entre outros. 

"A gente identificou não só extorsões praticadas pelo chaveiro, mas corrupção sistêmica envolvendo policiais penais e então diretor da unidade", completou. 

O ex-diretor teria sido responsável pela permanência do detento na posição de liderança informal na unidade. "A investigação aponta que essa relação não era meramente circunstancial. Há elementos que demonstram proximidade, inclusive financeira, e que precisam ser analisados dentro do contexto de corrupção", ressaltou o delegado. 

A polícia descobriu que parte do dinheiro arrecadado na unidade prisional era movimentada por familiares dos policiais penais e também destinada a uma empresa de venda de camarões localizada na praia de Porto de Galinhas, em Ipojuca, no Litoral Sul de Pernambuco. O estabelecimento pertence ao ex-chaveiro, que desde 2024 está solto e agora novamente é considerado foragido.

"A empresa tem origem duvidosa e teria sido criada, segundo nosso entendimento, para promover a lavagem de capitais através da criação de viveiros de camarão", disse o delegado. O suspeito também possui um depósito onde guarda insumos. 

OPERAÇÃO

Emanoel França foi preso no município de Escada, enquanto outro policial penal aposentado foi capturado em Vitória de Santo Antão. Além deles, foram presos um sobrinho do ex-chaveiro (no momento do cumprimento, ele foi autuado em flagrante com uma espingarda calibre 12) e um ex-presidiário ligado ao tráfico de drogas e lavagem de capitais. Os nomes não foram informados. 

Outros dois mandados de prisão ainda não foram cumpridos. Os alvos são outro policial penal e o ex-chaveiro (na casa dele foram encontradas três armas de fogo). 

Catorze mandados de busca e apreensão foram cumpridos, inclusive na empresa que vende camarões em Porto de Galinhas.

A Justiça ainda autorizou o bloqueio de bens dos investigados, com valor de aproximadamente R$ 3,5 milhões.

"Esse bloqueio é importante para evitar que os investigados se desfaçam do patrimônio e para garantir uma eventual reparação dos prejuízos causados. A operação não encerra a investigação, porque estamos analisando documentos, movimentações financeiras e outros elementos apreendidos", afirmou Pinto. 

O grupo é investigado por crimes de corrupção passiva e ativa e lavagem de dinheiro no presídio.

EX-DIRETOR SEGUIA EM FUNÇÕES PÚBLICAS

Em nota à imprensa, a Secretaria de Administração Penitenciária e Ressocialização (Seap) declarou que os policiais penais presos na operação não exercem cargos de gestão desde novembro de 2023. "Foram afastados pela atual gestão", disse. 

Segundo a Polícia Civil, atualmente Emanoel cumpria funções públicas no Presídio Rorinildo da Rocha Leão, localizado em Palmares, também na Mata Sul, mas não em cargo de chefia. 

As defesas do ex-direitor e demais investigados não foram encontradas para comentar o caso.  (Via: 

ACUSADO DE JOGAR MULHER DO 10º ANDAR SOLTO PELA JUSTIÇA FOI AO VELÓRIO DA VÍTIMA E CHOROU ABRAÇADO AO CAIXÃO

O empresário Alex Leandro Bispo dos Santos, de 40 anos, que teve a prisão revogada pela Justiça de São Paulo no dia 6 de agosto, após ser preso por suspeita de jogar a companheira do 10º andar do prédio em que o casal morava, esteve no velório da vítima no Ceará.

O crime aconteceu na madrugada de 29 de novembro e vitimou a cearense Maria Katiane Gomes da Silva, de 25 anos. Inicialmente, Alex alegou para os parentes de Katiane que ela havia caído após uma discussão do casal.

No entanto, após ter acesso às câmeras de segurança do prédio, a polícia identificou que o homem agrediu a jovem, arrastou e tentou enforcá-la dentro do elevador. Momentos depois, Katiane caiu e ele apareceu nervoso, descendo no elevador.

Alex Bispo foi preso em dezembro de 2025, por suspeita do feminicídio da companheira. A vítima deixou uma filha, de um relacionamento anterior, que morava com os avós.

Antes de ser apontado como suspeito do crime, Alex Bispo esteve no velório e sepultamento de Katiane, realizado no distrito de Realejo, em Crateús, no interior do Ceará, no dia 1º de dezembro de 2025.

Na ocasião, ele prestou solidariedade aos parentes da vítima, participou das homenagens a ela e chorou abraçado ao caixão da mulher.

A cerimônia reuniu parentes e amigos da cearense, que trabalhou em um supermercado e um restaurante da cidade antes de se mudar para São Paulo para viver com o empresário e passar a atuar como influenciadora.

Além de ser réu pela morte de Katiane, Alex Bispo é apontado pelo Ministério Público de São Paulo como membro da facção criminosa Primeiro Comando da Capital (PCC), e que teria o apelido de "Escorpião do PCC".

O homem também é sócio de uma empresa vinculada à produtora do filme Dark Horse, sobre o ex-presidente Jair Bolsonaro (PL) e a polícia suspeita que uma das empresas dele foi usada como fachada para fraudes e desvios de recursos em contratos milionário de wi-fi com a Prefeitura de São Paulo.

Decisão da Justiça
A decisão pela soltura de Alex Bispo foi tomada pelo juiz da 5ª Vara do Tribunal do Júri, na Barra Funda.

Ao revogar a prisão, o juiz determinou que o empresárop não se ausente da cidade por mais de oito dias, não mude de endereço, compareça em juízo bimestralmente e mantenha o telefone atualizado. Ele também está proibido de se aproximar das testemunhas do crime.

Em nota, o Tribunal de Justiça de São Paulo disse que “não se manifesta sobre questões jurisdicionais”.

“Os magistrados têm independência funcional para decidir de acordo com os documentos dos autos e seu livre convencimento. Essa independência é uma garantia do próprio Estado de Direito. Quando há discordância da decisão, cabe às partes a interposição dos recursos previstos na legislação vigente”, afirmou o órgão

APÓS LIGAÇÃO ENTRE LULA E TRUMP, BRASIL E ESTADOS UNIDOS RETOMAM NEGOCIAÇÃO SOBRE TARIFAS

Reunião virtual está prevista para a próxima segunda-feira (31), com participação de representantes dos governos brasileiro e norte-americano

O diálogo entre Brasil e Estados Unidos ganhou um novo capítulo após a conversa telefônica entre os presidentes Luiz Inácio Lula da Silva (PT) e Donald Trump. Os dois governos já trabalham para retomar oficialmente as negociações sobre as tarifas impostas a produtos brasileiros, com uma reunião virtual prevista para a próxima segunda-feira (31), às 14h30.

O encontro deverá reunir o ministro do Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços, Márcio Elias Rosa, e o representante comercial dos Estados Unidos (USTR), Jamieson Greer. A data sofreu ajustes para conciliar as agendas das autoridades envolvidas.

Será a primeira reunião formal entre representantes dos dois países desde o anúncio do chamado “tarifaço” contra produtos brasileiros, em julho. Até então, segundo o governo brasileiro, as tentativas de avançar nas negociações não haviam recebido uma resposta efetiva de Washington.

Brasil quer ampliar lista de produtos livres das tarifas

A principal pauta brasileira será a ampliação da lista de produtos que poderão ficar de fora das tarifas norte-americanas. O governo Lula pretende reduzir os impactos da medida sobre setores da economia brasileira e manter aberto o canal de diálogo com Washington.

Nos bastidores, porém, as negociações não começaram do zero. Segundo informações obtidas pelo Metrópoles, as conversas vinham ocorrendo em nível técnico, com apresentação de propostas e contrapropostas entre as equipes dos dois governos.

A disposição brasileira é continuar negociando, independentemente do calendário eleitoral. A avaliação dentro do governo é de que os interesses comerciais entre Brasil e Estados Unidos exigem uma mesa permanente de negociação.

Conversa entre Lula e Trump abriu caminho

A retomada das negociações ganhou força depois do telefonema entre Lula e Trump, realizado na sexta-feira (21). A conversa durou cerca de uma hora e 20 minutos e, segundo o Palácio do Planalto, ocorreu em tom cordial.

Além das tarifas, os presidentes trataram de temas como o combate ao crime organizado e conflitos internacionais.

Durante a conversa, Lula voltou a contestar as justificativas apresentadas para a aplicação das tarifas e destacou que a medida prejudica empresas e consumidores dos dois países.

O presidente brasileiro também defendeu a manutenção dos Estados Unidos como parceiro comercial estratégico do Brasil e reforçou que a negociação seria o caminho mais adequado para enfrentar o impasse.

Trump, por sua vez, teria concordado com a necessidade de preservar relações comerciais fortes e sinalizado pela retomada das conversas entre as equipes dos dois países.

NA LUPA

A reunião de segunda-feira pode parecer apenas mais um encontro técnico entre governos, mas carrega um peso político e econômico considerável.

Depois de semanas de tensão provocadas pelo tarifaço, Brasília e Washington voltam à mesa. O desafio do governo Lula será transformar o gesto diplomático entre os presidentes em resultados concretos para a economia brasileira.

Para Trump, a negociação também representa uma oportunidade de preservar uma relação comercial importante sem necessariamente abrir mão da pressão exercida sobre o governo brasileiro.

Agora, a expectativa está sobre o tamanho da lista de produtos que poderá ser retirada das tarifas e, principalmente, sobre o que os Estados Unidos estarão dispostos a colocar na mesa.

A ligação entre Lula e Trump reabriu o diálogo. A reunião de segunda-feira dirá se essa reaproximação será apenas diplomática ou se poderá produzir mudanças efetivas no comércio entre os dois países.

TRE-PE MANDA APURAR POSSÍVEL USO DA CÂMARA DE GRAVATÁ EM CONTEÚDO POLÍTICO-ELEITORAL

Decisão determina preservação de vídeos, cobra explicações da Câmara e coloca estrutura pública no centro da apuração eleitoral

O processo eleitoral em Pernambuco ganhou mais um capítulo que promete gerar repercussão em Gravatá. O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) determinou a realização de diligências para investigar a possível utilização da estrutura da Câmara Municipal na produção e divulgação de conteúdo com suposto caráter político-eleitoral.

A medida foi tomada nesta terça-feira (25), dentro de uma representação apresentada pela candidata a deputada estadual Viviane Facundes da Silva. A ação tramita sob o número 0601708-48.2026.6.17.0000 e envolve como representados Ricardo Loureiro Malta Filho, João Henrique de Andrade Lima Campos, Sileno Sousa Guedes e Pedro Henrique de Andrade Lima Carneiro Campos.

Na análise inicial do caso, o relator, desembargador Luiz Gustavo Mendonça de Araújo, apontou a existência de elementos que, em princípio, indicariam “inequívoco caráter eleitoral” no material questionado. Segundo a decisão, as gravações fariam referências a voto, números de candidaturas e à própria data da eleição.

Diante disso, o TRE-PE determinou a preservação integral dos vídeos, arquivos e demais registros relacionados às gravações e publicações, incluindo conteúdos que tenham sido disponibilizados por meio do canal institucional da TV Câmara de Gravatá.

Câmara terá que explicar como tudo aconteceu

Um dos pontos que chama atenção na decisão é a determinação para que a Câmara Municipal apresente esclarecimentos no prazo de três dias.

O Tribunal quer saber, entre outras questões, quem realizou as gravações, onde o material foi produzido, quem autorizou a utilização do espaço e se houve participação de servidores públicos, equipamentos ou qualquer outro recurso pertencente à estrutura da Casa Legislativa.

A Justiça Eleitoral também questionou se o espaço utilizado para a produção desse tipo de conteúdo é disponibilizado de maneira igualitária para outros candidatos.

Outro ponto colocado sob investigação é a autorização para publicação do material no canal institucional da Câmara e a existência — ou não — de normas da Mesa Diretora que regulamentem o uso da estrutura da Casa para atividades dessa natureza.

Instagram também entrou na mira da Justiça

A decisão não ficou restrita à estrutura física e institucional da Câmara.

O TRE-PE determinou ainda que a Meta, responsável pelo Instagram, preserve dados e registros relacionados ao perfil e à publicação atribuída a Ricardo Malta. A medida tem como objetivo evitar a perda de informações que possam ser importantes para a instrução do processo.

Os representados terão cinco dias para apresentar defesa.

Na Lupa

O caso merece atenção porque coloca no centro do debate uma questão sensível em qualquer eleição: até onde pode ir a utilização de uma estrutura pública para produção e divulgação de conteúdo político-eleitoral?

A decisão do TRE-PE, por enquanto, não condena ninguém e não reconhece definitivamente a existência de irregularidade. O que existe é uma determinação judicial para aprofundar a apuração, preservar provas e esclarecer quem autorizou, quem participou e em quais condições o material foi produzido e divulgado.

E é justamente aí que está o ponto mais delicado da história.

Se a estrutura pública foi utilizada, a Justiça quer saber quem abriu a porta, quem autorizou a entrada e quem permitiu que o conteúdo chegasse ao público por um canal institucional.

Agora, a bola está com a Câmara de Gravatá e com os representados. As respostas deverão ajudar a esclarecer se houve apenas uma utilização regular de espaço público ou se a estrutura do Legislativo acabou sendo colocada a serviço de uma atividade de natureza eleitoral.

O processo continua em tramitação no TRE-PE, e novos desdobramentos podem surgir a partir das diligências determinadas pela Justiça.

NA LUPA 🔎 | QUAEST MUDA O JOGO EM PERNAMBUCO E COLOCA JOÃO CAMPOS SOB PRESSÃO

A nova pesquisa Quaest não é apenas mais um número na corrida pelo Palácio do Campo das Princesas. Ela consolida um cenário que, até pouco tempo atrás, parecia improvável: Raquel Lyra passou a ocupar a dianteira da disputa e, mais importante, abre vantagem também quando o eleitor é colocado diante de um segundo turno.

Raquel aparece com 44% contra 36% de João Campos no primeiro turno. A diferença de oito pontos está fora da margem de erro. No segundo turno, a distância aumenta: 47% para Raquel e 37% para João

E aqui está o ponto que merece uma lupa política.

João Campos não está apenas atrás. Ele precisa interromper uma sequência de pesquisas que vem mostrando Raquel competitiva e, agora, liderando.

O cenário é ainda mais desconfortável porque a pesquisa foi realizada entre 21 e 24 de agosto, ou seja, já com a campanha oficialmente nas ruas. Não se trata mais de uma disputa hipotética de meses atrás. Os candidatos estão em campo, os palanques estão sendo montados e os apoios estão sendo anunciados.

Raquel, portanto, conseguiu chegar ao início efetivo da campanha com uma vantagem que precisa ser levada a sério.

🔎 O QUE MUDOU?

Durante boa parte da pré-campanha, João Campos carregava a condição de favorito. Tinha o peso da Prefeitura do Recife, o PSB, uma ampla aliança partidária e o apoio declarado do presidente Lula.

Raquel, por outro lado, precisava superar uma desvantagem construída em pesquisas anteriores.

O que aconteceu?

A eleição virou uma disputa de verdade.

A governadora conseguiu transformar aprovação administrativa em competitividade eleitoral. Segundo a Quaest, a gestão de Raquel tem 68% de aprovação, um número politicamente relevante para quem busca a reeleição. 

E há uma questão ainda mais delicada para João: o eleitor pernambucano gosta de Lula, mas isso não significa automaticamente que votará em João Campos para governador.

A Quaest mostra justamente essa complexidade do eleitorado.

Lula continua muito forte em Pernambuco. Mas a eleição estadual tem dinâmica própria.

É aí que Raquel encontrou espaço.

🔎 JOÃO TEM TEMPO, MAS NÃO TEM TEMPO A PERDER

Seria precipitado decretar qualquer resultado em agosto.

Ainda existe um contingente expressivo de eleitores indecisos e muita coisa pode acontecer até outubro.

Mas existe uma diferença entre estar em uma eleição aberta e estar em uma eleição em que o adversário começa a construir uma narrativa de favoritismo.

Esse talvez seja o maior problema para João Campos neste momento.

Se Raquel continuar liderando, o discurso político muda.

Os aliados deixam de perguntar “como Raquel vai reagir?” e começam a perguntar “como João vai reagir?”.

É uma mudança psicológica importante.

Campanha eleitoral também é disputa de percepção.

🔎 A VANTAGEM DE RAQUEL NÃO É GARANTIA. MAS É UM SINAL

Raquel não ganhou a eleição.

João não perdeu a eleição.

Isso precisa ser dito com todas as letras.

Pesquisa é fotografia, não sentença.

Mas fotografia repetida começa a revelar movimento.

E o movimento atual é incômodo para o PSB.

O Datafolha já havia colocado Raquel à frente por sete pontos: 47% contra 40%. Agora, a Quaest aponta 44% contra 36%

Duas pesquisas diferentes, institutos diferentes e metodologias próprias, mas com uma mensagem semelhante: Raquel está competitiva e João não pode mais tratar a liderança como algo natural.

🔎 O XADREZ DOS PRÓXIMOS DIAS

A tendência agora é que a campanha de João aumente o tom.

Lula deverá ter papel importante.

O PSB deverá tentar nacionalizar parte da disputa.

Raquel, por sua vez, deverá apostar cada vez mais na imagem de governadora, nas obras, nos investimentos e na avaliação positiva da administração.

E existe uma batalha silenciosa acontecendo nos municípios.

É ali que a eleição pode ser decidida.

Prefeitos, vereadores, deputados, lideranças comunitárias e estruturas locais começam a medir força.

Quem estiver na frente nas pesquisas passa a atrair aliados. Quem estiver atrás precisa oferecer motivos para que os aliados permaneçam.

Essa é uma das consequências políticas mais importantes de uma pesquisa como a Quaest.

🔎 O ALERTA VERMELHO DO PSB

João Campos ainda tem musculatura política para reagir.

Mas a eleição deixou de ser uma corrida confortável.

O desafio agora é transformar apoio político em voto, especialmente fora da Região Metropolitana, onde a campanha precisa conquistar eleitorado e não apenas mobilizar estruturas partidárias.

Raquel, ao contrário, tem uma vantagem estratégica: já ocupa o cargo e pode transformar cada entrega do governo em agenda eleitoral.

Se conseguir manter a aprovação e impedir que a campanha de João cresça nas próximas semanas, a governadora poderá chegar ao segundo turno — caso ele aconteça — em uma posição muito mais confortável do que seus adversários imaginavam no começo do ano.

🔎 A LUPA DO BLOG

A Quaest não decretou vencedores.

Mas produziu algo talvez mais importante neste momento: mudou o ambiente da eleição.

João Campos entrou na corrida como favorito.

Raquel Lyra entrou precisando provar que poderia virar o jogo.

Agora, os dois estão separados por oito pontos no primeiro turno e dez no segundo.

O favoritismo mudou de endereço.

A grande pergunta, daqui para frente, não é mais se Raquel pode alcançar João.

Ela já alcançou.

A pergunta agora é se João Campos consegue recuperar o terreno perdido antes que a vantagem de Raquel deixe de ser apenas uma fotografia de agosto e comece a se transformar em tendência eleitoral.

E é exatamente aí que a eleição de Pernambuco começa a ficar realmente perigosa para quem estava acostumado a liderar.

terça-feira, 25 de agosto de 2026

JUNIOR MATUTO E ELIANE SOARES SELAM DOBRADINHA PARA 2026 E AMPLIAM MAPA POLÍTICO ENTRE RMR E SERTÃO

Aliança une o deputado estadual, ex-prefeito de Paulista, à ex-prefeita de Santa Cruz, que disputará uma vaga na Câmara Federal

A eleição de 2026 começa a ganhar novos desenhos em Pernambuco, e uma nova dobradinha promete conectar dois importantes polos eleitorais do estado. O deputado estadual Junior Matuto (Republicanos) e a ex-prefeita de Santa Cruz, Eliane Soares (PSB), oficializaram nesta terça-feira (25) uma aliança política com foco nas eleições do próximo ano.

A parceria coloca Junior Matuto na disputa pela renovação do mandato na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), enquanto Eliane Soares se prepara para buscar uma cadeira na Câmara dos Deputados. Na prática, os dois passam a dividir bases e estratégias, aproximando a Região Metropolitana do Recife do Sertão do Araripe.

Eliane Soares chega à aliança com uma trajetória de peso. Ex-prefeita de Santa Cruz por quatro mandatos, a socialista pretende ampliar seu espaço político para além do Sertão e construir uma candidatura competitiva para Brasília. A parceria com Matuto abre uma nova frente eleitoral na RMR, região onde o deputado possui forte presença política.

Do outro lado, Junior Matuto também ganha musculatura no interior. Ex-prefeito de Paulista por dois mandatos, o parlamentar busca renovar seu mandato na Alepe e passa a contar com o apoio de uma liderança que conhece de perto a realidade política e eleitoral do Araripe.

Nas eleições de 2022, Matuto obteve 34.027 votos para deputado estadual, sendo 12.574 somente em Paulista, onde liderou a votação.

A dupla aposta justamente na combinação dessas forças. De um lado, a experiência administrativa e a presença de Matuto na Região Metropolitana. Do outro, a força eleitoral e a trajetória de Eliane Soares no Sertão.

“Essa é a união de dois matutos que conhecem a dor do povo de verdade, que têm pé no chão e serviço prestado”, afirmou Eliane Soares, destacando que a parceria deverá fortalecer sua caminhada rumo à Câmara Federal.

Junior Matuto também celebrou o acordo e classificou Eliane como uma liderança de peso no Sertão.

“Eliane é uma mulher de garra, de palavra, que governou Santa Cruz por quatro vezes e tem uma história linda no Araripe. Essa parceria nasce da vontade de fazer mais pela nossa gente”, declarou o deputado.

NA LUPA: Mais do que uma simples dobradinha eleitoral, a aliança revela uma estratégia clara de expansão territorial. Eliane busca transformar sua experiência política no Araripe em uma candidatura competitiva para federal, enquanto Matuto amplia seu raio de atuação no interior para fortalecer a tentativa de permanecer na Alepe. Em uma eleição marcada por alianças e rearranjos, ocupar território será tão importante quanto ter votos — e os dois parecem ter entendido isso cedo.