quarta-feira, 30 de setembro de 2026
ALEPE - NOTA DE PESAR
ELEIÇÕES 2026 NA RETA FINAL: ATÉ QUANDO PODE FAZER CAMPANHA E O QUE MUDA NO DIA DA VOTAÇÃO
A campanha eleitoral entra em seus últimos dias e, com a proximidade de 4 de outubro, uma pergunta passa a ocupar candidatos, equipes, advogados e eleitores: afinal, até quando pode fazer campanha?
A resposta não está em uma única data. A legislação eleitoral estabelece momentos diferentes para o encerramento de cada modalidade de propaganda. Algumas atividades terminam na quinta-feira, outras na sexta e diversas ações de rua ainda são permitidas no sábado. No domingo, dia da votação, o cenário muda completamente e condutas comuns durante a campanha podem configurar ilícitos e até crimes eleitorais. Conhecer esse relógio eleitoral é indispensável nesta reta final.
A quinta-feira, 1º de outubro, concentra alguns dos prazos mais importantes. É o último dia da propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão no primeiro turno e também a data limite para a realização de comícios e utilização de aparelhagem de sonorização fixa. Os comícios podem ocorrer entre 8h e meia-noite, com a possibilidade de o comício de encerramento da campanha se prolongar por mais duas horas.
Também termina na quinta-feira o período destinado aos debates no rádio e na televisão. Há uma particularidade: o debate iniciado no dia 1º de outubro pode avançar pela madrugada e terminar até as 7h da sexta-feira.
Para quem trabalha com campanha digital, entretanto, talvez o alerta mais importante da quinta-feira esteja nas redes sociais. 1º de outubro é o último dia para a circulação paga ou impulsionada de propaganda eleitoral na internet.
Isso não significa que toda comunicação política nas redes sociais tenha de desaparecer a partir daí. É preciso distinguir conteúdo orgânico de conteúdo pago. As publicações orgânicas podem continuar nos dias seguintes, respeitados os limites estabelecidos pela legislação, mas o impulsionamento eleitoral não pode avançar além do prazo permitido.
Neste ano, há ainda uma novidade que exige atenção especial das campanhas: a disciplina dos conteúdos produzidos ou alterados por inteligência artificial. A partir de 1º de outubro e até 24 horas depois do encerramento da votação, não podem ser publicados, republicados ou impulsionados novos conteúdos sintéticos que utilizem imagem, voz ou manifestação de candidata, candidato ou pessoa pública, ainda que estejam corretamente identificados como produzidos ou modificados por IA.
É uma mudança relevante para 2026 e recomenda revisão cuidadosa do planejamento de conteúdo das equipes digitais antes da entrada desse período de restrição.
Na sexta-feira, 2 de outubro, chega ao fim a possibilidade de divulgação paga de propaganda eleitoral na imprensa escrita e de reprodução, na internet, do jornal impresso. A legislação admite até dez anúncios por veículo, em datas diversas, para cada candidatura, respeitados os limites de dimensão: um oitavo de página de jornal padrão e um quarto de página de revista ou tabloide.
Chegamos, então, à véspera da eleição. O sábado, 3 de outubro, ainda é dia de campanha e costuma ser um dos mais movimentados. Caminhadas, carreatas e passeatas podem ocorrer até as 22 horas, inclusive acompanhadas de carro de som ou minitrio nas hipóteses admitidas pela legislação. A distribuição de material gráfico, inclusive os tradicionais santinhos, também pode ocorrer até esse horário.
Isso não significa, porém, liberdade irrestrita para utilização de equipamentos sonoros. Carro de som e minitrio não funcionam como meios autônomos de propaganda. Sua utilização deve estar associada às situações autorizadas pela legislação, como caminhadas, carreatas, passeatas, reuniões e comícios, sempre respeitando as limitações aplicáveis.
Bandeiras nas vias públicas e mesas destinadas à distribuição de material também são admitidas, desde que sejam móveis, não prejudiquem a circulação de pessoas e veículos e permaneçam dentro do horário permitido, das 6h às 22h.
Propaganda em bens públicos ou de uso comum, por outro lado, continua proibida. Postes, paradas de ônibus, viadutos, passarelas e equipamentos urbanos não podem ser utilizados como suporte para propaganda eleitoral.
Nos bens particulares, igualmente existem regras. Adesivos em veículos e janelas residenciais são admitidos, observada, como regra, a dimensão máxima de 0,5 m², e a propaganda deve ocorrer de forma espontânea e gratuita. Nos automóveis, permanece permitida a utilização de adesivo microperfurado em toda a extensão do para-brisa traseiro, observadas as regras específicas para os demais adesivos.
E existe uma advertência que merece ser repetida todos os anos: santinho é para ser entregue ao eleitor, não espalhado pelas ruas. O chamado “derrame de santinhos” nas proximidades dos locais de votação constitui propaganda irregular mesmo quando realizado na véspera do pleito e pode produzir consequências administrativas e criminais. A madrugada anterior à eleição, portanto, não é uma extensão clandestina da campanha.
À meia-noite, porém, não começa apenas um novo dia. Começa um regime jurídico muito mais restritivo.
No domingo, 4 de outubro, dia da eleição, é crime utilizar alto-falantes ou amplificadores de som, realizar comício ou carreata, arregimentar eleitores, praticar boca de urna ou divulgar propaganda de partidos, federações, coligações ou candidaturas nas hipóteses vedadas pela legislação.
Também não é permitido aproveitar as redes sociais para fazer aquilo que já não pode ser feito nas ruas. No dia da votação, é proibida a publicação de novos conteúdos de propaganda eleitoral, assim como o impulsionamento, na página oficial do candidato. O conteúdo publicado anteriormente pode permanecer disponível, desde que não seja novamente impulsionado.
Há, contudo, uma diferença fundamental entre propaganda eleitoral e manifestação do próprio eleitor. A legislação assegura que, no domingo, o cidadão manifeste sua preferência política de maneira individual e silenciosa. É permitido votar usando camiseta de candidato, partido, federação ou coligação e portar bandeira, broche, dístico ou adesivo. E pode também realizar postagens livremente sobre os seus candidatos, só não pode impulsionar, como já não podia durante a campanha.
O que não pode ocorrer é a transformação dessa manifestação pessoal em mobilização coletiva destinada a influenciar outros eleitores. Aglomerações com vestuário padronizado ou instrumentos de propaganda, abordagem de eleitores, aliciamento e ações organizadas de convencimento encontram os limites impostos para o dia da votação.
Em outras palavras: o eleitor pode mostrar em quem vota; o que não pode é transformar o local de votação em espaço de campanha.
Também permanecem proibidos, independentemente da proximidade da eleição, os showmícios e eventos assemelhados destinados à promoção de candidaturas, inclusive quando transmitidos pela internet, bem como a participação de artistas com a finalidade de animar comícios ou reuniões eleitorais. Camisetas, bonés, chaveiros, canetas e outros brindes que proporcionem vantagem ao eleitor igualmente não podem ser distribuídos pela campanha.
A mesma cautela vale para desinformação, ofensas e utilização irregular da internet. A chegada dos últimos dias não cria qualquer salvo-conduto para excessos. Ao contrário: justamente quando a disputa se intensifica e a velocidade das redes sociais aumenta, campanhas e candidatos precisam redobrar o cuidado com o conteúdo que produzem e compartilham.
A reta final das Eleições 2026 pode, portanto, ser compreendida como uma espécie de contagem regressiva jurídica.
Em síntese, na quinta-feira, 1º de outubro, terminam o horário eleitoral gratuito, os comícios e o impulsionamento de propaganda eleitoral na internet. Na sexta-feira, 2, encerra-se a propaganda paga na imprensa escrita. No sábado, 3, a mobilização de rua ainda pode continuar até as 22h, dentro dos limites legais. No domingo, 4, a campanha cede definitivamente espaço ao eleitor.
É natural que os últimos dias sejam marcados por intensidade. É a hora das últimas agendas, das últimas conversas e do esforço final de candidatos e equipes. Mas eleição democrática também pressupõe saber a hora de encerrar a campanha.
Quando chega o domingo, o dia da grande festa da democracia, as vozes dos candidatos diminuem para que uma outra voz possa prevalecer: a do eleitor nas urnas.
ZECA INTENSIFICA CAMPANHA DE RAQUEL LYRA, MARCELO E GUSTAVO GOUVEIA EM CAMINHADA NO JARDIM DA SERRA EM ARCOVERDE
POVO NAS RUAS DE BOM JARDIM MOSTRA FORÇA DE JANJÃO NA RETA FINAL DA ELEIÇÃO
A concentração aconteceu na Curva de Solon, de onde o grupo seguiu pelas ruas da cidade. A mobilização contou com a presença da governadora e candidata à reeleição Raquel Lyra (PSD), da candidata a deputada federal Juliana de Chaparral (União Brasil) e de lideranças locais, entre elas o prefeito Arsênio Medeiros. O evento havia sido anunciado por Janjão como uma das maiores edições do Foguete Folia.
Mais do que o tamanho do evento, o que chamou atenção foi a capacidade de Janjão transformar sua cidade em uma espécie de termômetro de sua campanha nesta reta final. O candidato tenta levar para a disputa estadual a força política construída em Bom Jardim durante sua trajetória administrativa e, agora, busca ampliar esse capital para outros municípios do Agreste.
Em entrevista após a mobilização, Janjão relacionou a participação popular à história construída no município e afirmou que o vínculo com a população é resultado do trabalho realizado durante sua passagem pela Prefeitura. A declaração reforça uma das principais estratégias de sua candidatura: apresentar a experiência acumulada em Bom Jardim como cartão de visita para uma possível atuação na Assembleia Legislativa de Pernambuco.
Mas o Foguete Folia também serviu para colocar uma pauta regional no centro do discurso. Diante de Raquel Lyra, Janjão apresentou como uma de suas principais reivindicações a implantação de um Hospital do Câncer no Agreste. Segundo o candidato, moradores da região precisam enfrentar deslocamentos frequentes para Recife e Caruaru em busca de tratamento especializado.
“Nosso Agreste aqui envia diariamente diversos ônibus para os hospitais do Recife, Caruaru, e a gente vem fazer esse pedido”, afirmou Janjão durante o ato. A proposta já vinha sendo apresentada pelo candidato ao longo da campanha e ganhou novo peso político ao ser colocada diretamente diante da governadora.
O movimento de sábado, portanto, teve dois componentes claros: a demonstração de força nas ruas e a tentativa de apresentar uma agenda que ultrapasse os limites de Bom Jardim. É justamente essa combinação que Janjão tenta consolidar nos últimos dias antes da votação.
Com candidatura deferida pelo Tribunal Superior Eleitoral e número 55222 na urna, Janjão chega à semana decisiva da eleição buscando transformar a mobilização que mantém em Bom Jardim em votos espalhados pelo Agreste.
Se o Foguete Folia funcionou como demonstração de força, agora começa a parte silenciosa da eleição: cada liderança acionando sua base, cada município sendo trabalhado e cada voto passando a ter peso redobrado.
Em Bom Jardim, pelo menos, Janjão mostrou que ainda tem uma máquina política mobilizada e gente disposta a colocar o pé na rua por seu projeto. Agora, a resposta definitiva virá das urnas no domingo.
ELEIÇÕES 2026: PARANÁ PESQUISAS COLOCA JOÃO E RAQUEL SEPARADOS POR APENAS 0,5 PONTO NOS VOTOS VÁLIDOS
A eleição para o Governo de Pernambuco entra oficialmente na reta final em clima de disputa acirrada. A nova pesquisa do Paraná Pesquisas, encomendada pelo Diario de Pernambuco e divulgada nesta quarta-feira (30), mostra João Campos (PSB) com 49,1% dos votos válidos contra 48,6% de Raquel Lyra (PSD).
A diferença é de apenas 0,5 ponto percentual. Na prática, o levantamento retrata uma corrida eleitoral comprimida, na qual os dois principais candidatos aparecem numericamente separados por uma distância menor que a margem de erro estimada da pesquisa, de 2,7 pontos percentuais.
O levantamento foi realizado entre os dias 27 e 29 de setembro, portanto, já na última semana antes do primeiro turno, marcado para domingo (4). Foram entrevistados 1.352 eleitores em 57 municípios pernambucanos, por meio de entrevistas pessoais, domiciliares e presenciais. A pesquisa tem nível de confiança de 95% e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PE-01835/2026.
O dado mais importante do levantamento talvez esteja justamente na fotografia de proximidade entre os dois candidatos. João aparece numericamente à frente nos votos válidos, mas a diferença é mínima e está dentro do intervalo de variação esperado pela margem de erro.
NA ESPONTÂNEA, O ELEITORADO TAMBÉM APARECE DIVIDIDO
Quando os pesquisadores não apresentam os nomes dos candidatos e deixam o eleitor declarar espontaneamente sua preferência, a distância fica ainda menor.
João Campos registra 36,7%, enquanto Raquel Lyra aparece com 36,5%. São apenas 0,2 ponto percentual separando os dois.
Esse recorte ganha importância porque mede o grau de identificação espontânea do eleitor com os candidatos. Mesmo sem a apresentação dos nomes, os dois aparecem praticamente empatados.
O levantamento mostra ainda um contingente expressivo de eleitores que não souberam ou não quiseram responder: 20,6%. Outros 5,2% declararam voto branco, nulo ou em nenhum dos nomes.
Somados, esses grupos representam 25,8% dos entrevistados na pergunta espontânea, mostrando que, mesmo na reta final, existe parcela relevante do eleitorado que ainda não manifesta uma escolha nominal nessa modalidade de pergunta.
NO CENÁRIO ESTIMULADO, A DIFERENÇA TAMBÉM É DE MEIO PONTO
Quando os nomes dos candidatos são apresentados aos entrevistados, João Campos aparece com 45,3%, enquanto Raquel Lyra soma 44,8%.
Mais uma vez, a distância é de apenas 0,5 ponto percentual.
Ivan Moraes (PSOL) aparece com 1,0%. Professora Camila (UP) e Renan Hallais (Missão) registram 0,4% cada. Victor Assis (PCO) tem 0,2%, enquanto Guilherme Fonseca (PSTU) aparece com 0,1%.
Nesse cenário, 4,4% dos entrevistados afirmaram que votariam branco, nulo ou em nenhum dos nomes apresentados. Outros 3,5% não souberam ou não quiseram responder.
É justamente a transformação desses números que leva ao resultado de 49,1% para João e 48,6% para Raquel entre os votos válidos.
SEGUNDO TURNO REPETE O CENÁRIO DE PROXIMIDADE
O Paraná Pesquisas também testou uma eventual segunda etapa entre João Campos e Raquel Lyra.
O resultado novamente mostra uma diferença pequena.
João aparece com 46,9% das intenções de voto, enquanto Raquel registra 46,0%. A diferença é de 0,9 ponto percentual.
Brancos, nulos ou nenhum dos dois somam 4,3%, enquanto 2,8% não souberam ou não quiseram responder.
Quando são considerados somente os votos válidos, João chega a 50,5% e Raquel a 49,5%.
Ou seja, mesmo na simulação de segundo turno, o levantamento apresenta uma fotografia de proximidade entre os dois principais nomes da disputa.
O ELEITORADO ESTÁ DIVIDIDO POR PERFIS
Outro aspecto relevante da pesquisa está nos recortes demográficos. O levantamento mostra que a disputa não se distribui de maneira uniforme entre os diferentes segmentos do eleitorado.
Entre as mulheres, João Campos aparece com 49%, contra 41,1% de Raquel Lyra. Entre os homens, ocorre a inversão: Raquel chega a 49,2%, enquanto João registra 40,9%.
É uma diferença bastante acentuada por gênero e ajuda a explicar por que o resultado geral permanece tão apertado mesmo diante de diferenças importantes em determinados grupos.
Na divisão por idade, João apresenta 48% entre eleitores de 16 a 24 anos, contra 42,9% de Raquel. Entre os eleitores de 45 a 59 anos, o socialista aparece com 47%, contra 43,2% da governadora. Entre aqueles com 60 anos ou mais, João registra 44,1%, enquanto Raquel tem 43,4%.
Já nas faixas de 25 a 34 anos e de 35 a 44 anos, Raquel aparece numericamente à frente. Nos dois grupos, a governadora registra 47,2%, enquanto João aparece com 43,9%.
ESCOLARIDADE TAMBÉM MOSTRA UMA ELEIÇÃO FRAGMENTADA
O recorte por escolaridade apresenta outra divisão.
Entre os entrevistados com ensino fundamental, João Campos aparece com 50,4%, contra 38,4% de Raquel.
Entre aqueles com ensino médio, a vantagem numérica passa para Raquel: 49,4% contra 42% de João.
O cenário se repete entre os entrevistados com ensino superior. A governadora registra 48,8%, enquanto João chega a 41,2%.
Os números mostram, portanto, que a disputa estadual é formada por diferentes blocos de eleitorado, com comportamentos distintos conforme gênero, idade e escolaridade.
UMA ELEIÇÃO QUE CHEGA À ÚLTIMA SEMANA SEM DISTÂNCIA CONFORTÁVEL
A pesquisa do Paraná Pesquisas entra em uma sequência de levantamentos que vêm retratando uma disputa bastante próxima entre os dois principais candidatos.
O dado específico desta pesquisa, porém, chama atenção pela fotografia produzida na reta final: na espontânea, a diferença é de apenas 0,2 ponto; na estimulada, 0,5 ponto; nos votos válidos do primeiro turno, 0,5 ponto; e no segundo turno, 0,9 ponto no cenário total.
É uma eleição em que pequenas oscilações podem alterar a fotografia apresentada por cada levantamento, especialmente porque a margem de erro estimada é de 2,7 pontos percentuais.
Outro elemento importante é a data do trabalho de campo. As entrevistas foram realizadas entre 27 e 29 de setembro, a poucos dias da votação. Portanto, trata-se de uma fotografia produzida quando a campanha já havia entrado em sua fase decisiva, mas não corresponde ao resultado das urnas.
O QUE OS NÚMEROS DIZEM
O Paraná Pesquisas não apresenta uma distância estatística confortável entre João Campos e Raquel Lyra. O que aparece é uma disputa concentrada nos dois principais candidatos, com os demais nomes somando percentuais pequenos.
A pesquisa também evidencia que os dois candidatos possuem desempenhos diferentes conforme os segmentos analisados. João apresenta vantagem entre mulheres, jovens e eleitores com ensino fundamental, enquanto Raquel aparece numericamente à frente entre homens, eleitores de 25 a 44 anos e entrevistados com ensino médio ou superior.
Na reta final, portanto, a principal característica revelada pelo levantamento é a proximidade.
Pernambuco chega aos últimos dias de campanha com João Campos e Raquel Lyra separados por poucos décimos na fotografia do Paraná Pesquisas. O levantamento registra uma vantagem numérica de João nos votos válidos, mas a diferença está dentro da margem de erro estimada.
Agora, a próxima grande referência será a votação de domingo. Até lá, a disputa permanece aberta nos números e qualquer leitura definitiva precisará esperar a apuração das urnas.
COMO UMA CRIADORA DE CONTEÚDO ADULTO VIROU “CANDIDATA” A DEPUTADA SEM SABER
MESMO SEM LULA, FLÁVIO MANTÉM DECISÃO DE IR AO DEBATE DA GLOBO
NA LUPA: FESTAS, UM ROLEX DE R$ 305 MIL E PRESSÃO NO STF: O ARQUIVO QUE VOLTOU PARA ASSOMBRAR FLÁVIO BOLSONARO
A reta final da eleição presidencial ganhou um ingrediente daqueles que Brasília conhece bem: segredos guardados por quem estava dentro da casa e resolveu abrir o arquivo.
Uma reportagem do PlatôBR, divulgada nesta terça-feira (29), revelou mensagens, fotografias, documentos e registros reunidos por Alexandre Santini, ex-sócio e antigo amigo de Flávio Bolsonaro. O material coloca sob os holofotes episódios envolvendo festas privadas, garotas de programa, presentes de alto valor e uma suposta atuação de Flávio junto ao ministro do Supremo Tribunal Federal (STF) Kassio Nunes Marques.E aqui está o detalhe que transforma a história em um problema político: Santini não era um desconhecido que apareceu ontem. Era amigo, sócio e alguém que circulava próximo ao núcleo de Flávio.
Segundo a reportagem, o acervo começou a ganhar peso depois do rompimento entre os dois, em meio a uma disputa financeira relacionada à antiga sociedade em uma franquia da Kopenhagen. Santini chegou a cobrar judicialmente valores superiores a R$ 1,4 milhão.
Foi nesse contexto que vieram à tona as mensagens.
O ARQUIVO DAS FESTAS
Entre os registros apresentados estão conversas de WhatsApp nas quais Santini trataria com uma agenciadora da contratação de mulheres para encontros privados com a participação de Flávio.
Em uma das mensagens, Santini utiliza a expressão “meu filho” para se referir ao senador e menciona uma festa anterior no Grand Hyatt, na Barra da Tijuca.
A reportagem afirma que também existem fotografias dos encontros, algumas consideradas impublicáveis.
O ponto mais explosivo veio depois: Santini teria procurado Fernanda Bolsonaro, esposa de Flávio, para revelar o que sabia e apresentar parte do material.
Flávio, segundo a reportagem, posteriormente enviou mensagens ao ex-sócio pedindo que ele se afastasse de sua família e reconhecendo ter feito “muitas escolhas erradas”.
São afirmações que precisam ser tratadas dentro do contexto em que surgiram: o material foi apresentado por um ex-sócio em conflito financeiro com o senador, e Flávio nega as acusações.
Mas o arquivo existe. As mensagens existem. E agora elas estão no debate público.
O ROLEX DE R$ 305 MIL
Como se uma história já não fosse suficiente, aparece outro capítulo.
Segundo documentos apresentados por Santini e analisados pelo PlatôBR e pelo UOL, o advogado Alan Belaciano teria comprado, em fevereiro de 2022, um Rolex Submariner Date de ouro branco avaliado em R$ 305 mil, destinado a Flávio Bolsonaro.
O mesmo conjunto de documentos aponta outros gastos pessoais que teriam sido bancados por pessoas próximas ao senador.
Flávio, por sua vez, classificou as acusações como infundadas e afirmou que Santini é um ex-sócio que já lhe pediu dinheiro. O UOL informou que procurou os envolvidos e não havia obtido resposta de alguns deles até a publicação
E O STF ENTROU NA HISTÓRIA
É aqui que o caso deixa de ser apenas uma fofoca de bastidor e passa a envolver uma questão institucional.
De acordo com as mensagens reveladas, Santini acusou Flávio de ter conversado diretamente com o ministro Kassio Nunes Marques sobre os interesses de um cliente.
A mensagem fala em uma suposta intermediação e menciona até a possibilidade de um jantar envolvendo pessoas relacionadas ao caso.
Isso, por si só, não comprova tráfico de influência nem irregularidade por parte do ministro ou de Flávio.
A assessoria de Kassio Nunes Marques declarou ao UOL que o ministro atende parlamentares de todos os partidos e que isso não compromete sua imparcialidade.
Mas politicamente o episódio é delicado porque coloca na mesma fotografia três ingredientes explosivos: um candidato à Presidência, um ministro do Supremo e interesses de um cliente privado.
O AMIGO QUE VIROU ARQUIVO
Talvez essa seja a parte mais emblemática de toda a história.
Santini conhecia Flávio por dentro. Participou de negócios, tinha acesso à intimidade do grupo e, segundo o material divulgado, guardou mensagens, fotografias, documentos e comprovantes durante anos.
Quando a amizade acabou, aquilo que era confiança virou munição.
A disputa que começou por dinheiro terminou expondo uma coleção de histórias capazes de causar enorme desgaste político.
E existe uma ironia difícil de ignorar: quanto mais próximo o amigo, maior costuma ser o tamanho do arquivo.
Flávio Bolsonaro está no centro de uma eleição presidencial e agora precisa lidar não apenas com adversários políticos, mas com revelações produzidas por alguém que esteve dentro do seu círculo de confiança.
A campanha pode tentar transformar o episódio em ataque político. Pode questionar a credibilidade do ex-sócio. Pode destacar a disputa financeira que existe por trás das acusações.
Tudo isso faz parte do jogo.
Mas uma coisa mudou nesta terça-feira: o conteúdo saiu do WhatsApp e chegou ao público.
Na política, arquivo morto às vezes ressuscita na pior hora.
E na reta final de uma eleição, poucos relógios correm tão rápido quanto o relógio da crise.