terça-feira, 6 de outubro de 2026

LULA MANDA ALIADOS AO ENCALÇO DE RAQUEL LYRA DE OLHO NO 2º TURNO

A reeleição de Raquel Lyra (PSD) resolveu uma equação eleitoral em Pernambuco, mas abriu outra, bem mais espinhosa, para o presidente Lula (PT): quem vai conseguir levar a governadora para o palanque de um dos candidatos à Presidência no segundo turno?

Desde que confirmou a vitória nas urnas, no último domingo, Raquel tem repetido que pretende manter a mesma postura adotada no primeiro turno: coerência e Pernambuco em primeiro lugar. Até agora, a governadora não declarou apoio nem a Lula nem a Flávio Bolsonaro (PL).

Mas o silêncio de Raquel começou a incomodar o entorno do presidente.

Lula já acionou aliados para tentar abrir uma conversa com a governadora. A estratégia é simples: depois de garantir mais quatro anos no Palácio do Campo das Princesas, Raquel não precisa mais administrar o equilíbrio eleitoral pensando em uma disputa estadual. Agora, a pressão passa a ser nacional.

Um dos nomes escalados é o ministro de Minas e Energia, Alexandre Silveira. Integrante do mesmo PSD de Raquel, ele já sinalizou que pretende conversar com a governadora e tentar aproximá-la de Lula.

Outro nome que pode entrar em campo é Rui Costa (PT), ex-ministro da Casa Civil e antigo articulador da relação entre o Governo Federal e os governadores. Durante sua passagem pelo Planalto, Rui foi uma das principais pontes entre Lula e Raquel.

Também pode participar da operação o senador reeleito Humberto Costa (PT). A relação entre os dois é considerada boa e, durante toda a campanha do primeiro turno, Humberto evitou transformar Raquel em adversária política.

O resultado das urnas mostrou, inclusive, que a relação política entre os dois grupos é mais complexa do que parece. Humberto recebeu apoio de prefeitos ligados à governadora, inclusive integrantes do PSD. Isso aconteceu mesmo com Raquel tendo Eduardo da Fonte (PP) e Túlio Gadêlha (PSD) em sua chapa para o Senado.

A questão agora é saber se essa relação será suficiente para fazer Raquel atravessar a ponte em direção a Lula.

E essa não parece ser uma travessia fácil.

Raquel chega ao segundo turno presidencial com uma posição privilegiada: foi reeleita governadora e, portanto, não precisa mais fazer concessões eleitorais para garantir sua permanência no cargo. Pode escolher o caminho que considerar mais conveniente para seu projeto político e para Pernambuco.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro conta com aliados importantes dentro do campo político que ajudou a eleger Raquel em 2022 e que permanece próximo da governadora. O candidato do PL também terminou o primeiro turno à frente em Pernambuco, criando um cenário que aumenta a pressão sobre a governadora.

Raquel, por enquanto, prefere não entregar o jogo.

Questionada sobre a eleição presidencial em sua primeira entrevista depois da reeleição, ela novamente evitou declarar voto e recorreu ao discurso que marcou sua campanha: Pernambuco acima das disputas nacionais.

“Eu sempre disse que ser pernambuquista era colocar Pernambuco em primeiro lugar, independentemente de qualquer circunstância”, afirmou.

Na sequência, a governadora falou sobre sua relação institucional com Lula e fez questão de registrar sua gratidão ao presidente.

É justamente aí que está o detalhe político que chama atenção.

Raquel não rompeu com Lula, mas também não fechou com Lula. Não atacou Flávio, mas também não abraçou Flávio.

E essa posição, que antes poderia ser interpretada apenas como cautela eleitoral, agora ganha outro peso.

Nos próximos 20 dias, o Palácio do Planalto deverá aumentar a pressão. Ministros, senadores, ex-ministros e aliados pernambucanos podem desfilar pela mesa da governadora tentando descobrir se existe uma brecha.

O problema é que Raquel chega ao segundo turno com uma carta que poucos governadores possuem: acabou de conquistar uma reeleição expressiva e pode se dar ao luxo de ouvir todo mundo antes de escolher qualquer lado.

Lula quer Raquel. Flávio também sabe o valor político desse apoio.

E, enquanto os dois lados disputam espaço, a governadora parece disposta a fazer o que mais interessa a quem acabou de vencer uma eleição: deixar os pretendentes esperando.

OUTUBRO ROSA: HOSPITAL REGIONAL DE ARCOVERDE PROMOVE AÇÕES DE CUIDADO À SAÚDE DA MULHER

Hospital iniciou as atividades com ações de orientação e atendimento às colaboradoras; programação segue até novembro

O Hospital Regional Ruy de Barros Correia (HRRBC), unidade da rede estadual de saúde localizada em Arcoverde, no Sertão do Moxotó, iniciou sua programação do Outubro Rosa, campanha de conscientização e prevenção ao câncer de mama e do colo do útero. As atividades são voltadas às colaboradoras e ao público da unidade, com ações de orientação, prevenção, cuidado e acolhimento.

A programação incluiu a rosa Itinerante, com orientações rápidas nos setores do hospital. A iniciativa foi conduzida pela Comissão de Humanização e contou com a participação do público da unidade.

Além de um mutirão de saúde da mulher que aconteceu nesta segunda-feira dia 05, no ambulatório da unidade. A ação contemplou 20 colaboradoras, que tiveram acesso a exames de citologia oncótica (Papanicolau) e avaliação das mamas, além de solicitações de mamografia e testes rápidos.

“Cuidar das profissionais que atuam na assistência também integra as iniciativas de valorização, cuidado e acolhimento dentro da unidade. Essa iniciativa teve como objetivo ampliar o acesso das profissionais aos cuidados preventivos e reforçar a importância do acompanhamento periódico da saúde da mulher”, destacou Cristiane Duarte, enfermeira que realizou os procedimentos.

Programação

As ações do Outubro Rosa seguem no HRRBC ao longo do mês. No dia 14 de outubro, às 15h, será realizada, na Sala de Reunião, a palestra “Outubro: Cuidar Também é se Amar”, com o Dr. Jarbas Maciel, aberta ao público geral.
No dia 21 de outubro, às 15h, também na Sala de Reunião, acontece o Dia da Autoestima, com atividades voltadas para cuidado, beleza e bem-estar, conduzidas pela equipe multiprofissional.

Já no dia 29 de outubro, às 14h, a programação contará com a Sala Sensorial Rosa, na Sala de Reunião. A atividade será voltada à experiência de acolhimento e orientação às mulheres, com participação da psicóloga, equipe de enfermagem e colaboradoras.

Encerrando a programação, no dia 9 de novembro, às 8h, o Ambulatório receberá consultas ginecológicas e ações de planejamento reprodutivo, incluindo inserção de DIU, com a enfermeira Cristiane Duarte e participação das colaboradoras.

Assessoria de comunicação do HRRBC

FELIPE CARRERAS DÁ SALTO GIGANTE NAS URNAS E CONSOLIDA FORÇA EM PERNAMBUCO


Deputado federal é reeleito com 148.971 votos, praticamente dobra votação de 2022 e transforma o interior em um dos principais motores de sua força política

Felipe Carreras não apenas renovou o mandato na Câmara dos Deputados. O socialista saiu das urnas de 2026 com uma demonstração expressiva de crescimento eleitoral e com um mapa de votação que revela uma expansão importante de sua presença política em Pernambuco.

Com 148.971 votos, Carreras praticamente dobrou o desempenho obtido em 2022, quando recebeu 76.528 votos. Foram 72.443 votos a mais em quatro anos, consolidando uma trajetória que já contabiliza quatro eleições consecutivas para deputado federal, desde 2014.

O resultado colocou Carreras entre os dez deputados federais mais votados de Pernambuco e confirmou uma característica que chama atenção nesta eleição: o deputado deixou de ter sua força concentrada apenas na Região Metropolitana e ampliou de maneira significativa sua presença no interior.

Os dados eleitorais mostram que 83,7% da votação de Carreras veio de fora da Região Metropolitana do Recife, enquanto o Agreste respondeu por 68,4% de seus votos. É um dado especialmente relevante em um estado onde a RMR concentra 41,7% de todo o eleitorado pernambucano.

GARANHUNS VIRA UM DOS GRANDES SÍMBOLOS DA VITÓRIA

Se existe uma cidade que simboliza o tamanho da votação de Felipe Carreras em 2026, ela é Garanhuns.

O deputado recebeu 27.474 votos no município, nada menos que 38,1% dos votos válidos para deputado federal na cidade.

O desempenho transformou Carreras no deputado federal mais votado da história eleitoral de Garanhuns, um resultado que demonstra o tamanho da confiança depositada nas urnas e a consolidação de uma base que ganhou musculatura ao longo dos últimos anos.

Garanhuns também foi responsável por nada menos que 18,44% de toda a votação estadual de Carreras.

E não foi um fenômeno isolado.

SANTA CRUZ DO CAPIBARIBE TAMBÉM ENTREGOU UMA VOTAÇÃO GIGANTE

Em Santa Cruz do Capibaribe, Carreras recebeu 22.282 votos, correspondentes a 42,9% dos votos válidos para deputado federal.

Mais uma vez, terminou como o candidato mais votado para a Câmara dos Deputados no município.

Somados, Garanhuns e Santa Cruz do Capibaribe entregaram 49.756 votos, o equivalente a 33,4% de toda a votação estadual de Felipe Carreras.

É muita coisa.

Um terço de uma votação de quase 149 mil votos saiu de apenas duas cidades.

E esse talvez seja um dos principais recados deixados pelas urnas: Carreras conseguiu transformar presença política em voto e voto em bases eleitorais consistentes.

UM MAPA ELEITORAL CADA VEZ MAIS AMPLO

Depois de Garanhuns e Santa Cruz do Capibaribe, aparecem Recife, com 13.559 votos; Lajedo, com 9.810; São Bento do Una, com 9.253; Orocó, com 6.159; Bonito, com 5.513; e Cachoeirinha, com 4.468.

O tamanho da distribuição chama atenção.

Carreras foi o deputado federal mais votado em 11 municípios pernambucanos: Garanhuns, Santa Cruz do Capibaribe, Lajedo, São Bento do Una, Orocó, Bonito, Cachoeirinha, Brejo da Madre de Deus, Jupi, Santa Terezinha e Tuparetama.

Em alguns desses municípios, os percentuais são impressionantes.

Em Orocó, Carreras chegou a 60,75% dos votos válidos para deputado federal. Em Santa Terezinha, alcançou 55,72%. Santa Cruz do Capibaribe entregou 42,90%; Lajedo, 41,71%; e Tuparetama, 40,39%.

São números que ajudam a explicar por que a reeleição veio acompanhada de uma votação tão acima daquela registrada quatro anos antes.

O AGRESTE NO CENTRO DA FORÇA DE CARRERAS

O dado mais interessante da eleição talvez esteja justamente aí.

O Agreste passou a ocupar posição central no mapa político de Felipe Carreras.

Garanhuns, Lajedo, São Bento do Una, Bonito, Cachoeirinha, Jupi e Brejo da Madre de Deus estão entre os municípios que ajudaram a construir uma votação robusta para o deputado.

Em Garanhuns, especificamente, o tamanho do resultado ganha ainda mais relevância porque o município é um dos maiores colégios eleitorais do interior pernambucano, com 99.626 eleitores aptos em 2026. 

A força demonstrada no Agreste, portanto, não pode ser tratada como um detalhe estatístico. Ela representa uma mudança importante no desenho da votação do parlamentar.

QUATRO ELEIÇÕES, QUATRO MANDATOS

A reeleição de 2026 também amplia uma trajetória construída ao longo de mais de uma década.

Felipe Carreras chegou à Câmara pela primeira vez em 2014, foi reconduzido em 2018, novamente em 2022 e agora em 2026.

Mas a eleição deste ano tem uma diferença importante: a dimensão da votação.

Dos 76.528 votos de 2022 para 148.971 agora, Carreras praticamente dobrou seu eleitorado.

Não foi apenas uma reeleição.

Foi uma ampliação significativa da base.

Recife continua tendo papel importante, com 13.559 votos e a terceira maior votação municipal do deputado. Mas o mapa de 2026 mostra claramente que a força de Carreras ganhou novas dimensões e que o interior pernambucano passou a ocupar um espaço ainda maior em sua trajetória eleitoral.

CINCO CIDADES CONCENTRAM MAIS DA METADE DOS VOTOS

Garanhuns, Santa Cruz do Capibaribe, Recife, Lajedo e São Bento do Una, juntas, foram responsáveis por 55,3% dos 148.971 votos conquistados por Felipe Carreras.

É uma concentração significativa, mas que vem acompanhada de uma distribuição territorial muito mais ampla.

O deputado não dependeu de um único reduto.

Construiu uma votação expressiva em diferentes regiões, com destaque especial para o Agreste e presença também no Sertão.

O resultado das urnas de 2026 deixa, portanto, uma fotografia bastante clara: Felipe Carreras cresceu, ampliou seu território eleitoral e transformou o interior pernambucano em uma das principais marcas de sua reeleição.

Aos 148.971 votos, soma-se outro dado político importante: o deputado sai da eleição com bases municipais muito fortes e com uma votação que praticamente dobrou em relação a 2022.

Em tempos de eleições cada vez mais disputadas, crescer mais de 72 mil votos de uma eleição para outra não é apenas repetir mandato. É aumentar o tamanho do próprio espaço político.

MARÍLIA ARRAES SAI DAS URNAS COM 2,3 MILHÕES DE VOTOS E JÁ ASSUME LUGAR DE DESTAQUE AO LADO DE LULA

Senadora eleita por Pernambuco participa de reunião com Lula em Brasília e mostra que sua votação expressiva a colocou novamente no centro do jogo político nacional

Marília Arraes mal terminou de comemorar a vitória nas urnas e já voltou para o centro do tabuleiro político nacional. Eleita senadora por Pernambuco com mais de 2,3 milhões de votos, a pedetista participou, na noite desta segunda-feira (5), em Brasília, de uma reunião convocada pelo presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) para organizar os próximos passos da campanha presidencial no segundo turno.

E não foi uma presença qualquer.

Marília ocupou lugar na mesa principal ao lado de Lula, em uma reunião que reuniu lideranças políticas de diferentes estados. A imagem diz muito sobre o tamanho que a votação obtida pela pernambucana passou a representar dentro do campo político lulista.

A reunião foi dividida em dois momentos. Primeiro, Lula conversou com lideranças que disputaram eleições majoritárias. Depois, o encontro reuniu candidatos que continuam na disputa neste segundo turno.

Marília chega a essa nova etapa da política nacional fortalecida por uma votação que chama atenção. Foram mais de 2,3 milhões de votos, resultado que não apenas garantiu sua cadeira no Senado, mas também recolocou seu nome entre as figuras políticas pernambucanas com capacidade de mobilização em escala estadual e nacional.

Ao comentar o encontro, a senadora eleita destacou que pretende transformar a votação recebida nas urnas em força política para a reta final da eleição presidencial.

“Saio das urnas com mais de 2,3 milhões de votos e uma responsabilidade imensa com Pernambuco e com o Brasil. Vamos levar essa força às ruas pela reeleição do presidente Lula, dialogando com quem pensa diferente”, afirmou.

A declaração deixa claro que Marília não pretende guardar os votos apenas como troféu eleitoral. A estratégia agora é colocar esse capital político a serviço da campanha de Lula, especialmente em Pernambuco, onde a disputa presidencial também ganhou contornos próprios depois do resultado do primeiro turno.

DOIS MILHÕES E TREZENTOS MIL VOTOS NÃO SÃO APENAS UMA ESTATÍSTICA

Na política, votação expressiva costuma abrir portas. E Marília Arraes entrou por uma delas.

A presença ao lado de Lula, justamente no primeiro encontro após a eleição, funciona como um sinal político importante. A pernambucana deixa a campanha para o Senado não apenas eleita, mas com uma votação capaz de lhe dar voz dentro das articulações nacionais.

Agora, resta saber como esse capital eleitoral será utilizado.

Marília terá pela frente o desafio de transformar os milhões de votos recebidos em influência política concreta, mantendo presença em Pernambuco e ampliando seu espaço no cenário nacional.

Uma coisa, porém, já ficou evidente: Marília Arraes saiu das urnas maior do que entrou na campanha. E Lula sabe disso.

ELEIÇÃO 2026: FAMÍLIAS MANTÊM FORÇA E AMPLIAM ESPAÇO NA POLÍTICA DE PERNAMBUCO

As urnas de 2026 confirmaram uma velha tradição da política pernambucana: o poder também circula dentro de casa. Irmãos, pais, filhos, maridos, esposas e outros parentes conseguiram transformar sobrenomes conhecidos em votos e garantiram espaço na Câmara dos Deputados, na Assembleia Legislativa e no Senado.

O resultado da eleição deste domingo (4) mostra que, apesar da renovação e da disputa cada vez mais acirrada por espaço político, as estruturas familiares continuam tendo peso importante nas eleições de Pernambuco. Pelo menos 12 irmãos conquistaram mandatos de deputado estadual ou federal, enquanto outros oito eleitos chegaram ao Legislativo contando diretamente com a força política de parentes que comandam prefeituras.

Na bancada dos irmãos, Anderson e André Ferreira, ambos do PL, saíram das urnas novamente fortalecidos. Anderson foi eleito deputado federal e André conquistou uma vaga na Assembleia Legislativa, ocupando posições de destaque nas respectivas disputas. André retorna à Alepe, enquanto Anderson permanece com espaço em Brasília.

Outro grupo familiar que amplia sua presença é formado por Marcelo e Gustavo Gouveia. Marcelo estreia na Câmara dos Deputados, enquanto Gustavo renovou o mandato de deputado estadual pelo Podemos.

No Avante, Sebastião Oliveira volta à Assembleia Legislativa, enquanto Waldemar Oliveira permanece na Câmara Federal. Os dois também representam uma das famílias que seguem com presença simultânea nas duas Casas legislativas.

A relação de parentes eleitos inclui ainda Silvio Costa Filho, do Republicanos, reeleito deputado federal, e João Paulo Costa, do PT, que renovou o mandato estadual. O mesmo aconteceu com Fernando Filho e Antônio Coelho, ambos do União Brasil, que continuarão atuando no Legislativo.

A família Tércio também saiu das urnas com motivos para comemorar. Clarissa Tércio foi reeleita deputada federal, enquanto o marido, Júnior de Tércio, garantiu novo mandato na Assembleia Legislativa, ambos pelo Progressistas.

Entre pai e filho, outro resultado de peso foi registrado na família Machado. Gilson Machado conquistou seu primeiro mandato de deputado federal pelo Podemos, enquanto o vereador Gilson Filho foi eleito deputado estadual. A família agora terá representantes nas duas esferas do Legislativo.

O MDB também terá Álvaro Porto novamente na Assembleia Legislativa. Ao lado dele, o filho Gabriel Porto foi eleito deputado federal pelo PSB, ampliando a presença política da família no cenário estadual e nacional.

A família Arraes também manteve espaço de destaque, embora os candidatos tenham seguido caminhos eleitorais distintos. Pedro Campos, do PSB, foi reeleito deputado federal e terminou como o mais votado para a Câmara dos Deputados. As primas Maria Arraes, pelo PSB, e Marília Arraes, pelo PDT, também saíram vitoriosas: Maria conquistou uma cadeira na Assembleia Legislativa e Marília foi eleita senadora por Pernambuco.

PARENTESCO COM PREFEITOS TAMBÉM GARANTE ESPAÇO

A eleição de 2026 também mostrou que o controle político exercido nas prefeituras continua sendo um importante ativo eleitoral para familiares que buscam chegar ao Legislativo.

Um dos principais exemplos é Lara S

 Kantana, do PV, que terminou como a segunda mulher mais votada para a Assembleia Legislativa, com 104,6 mil votos. Ela contou com o apoio do pai, Carlos Santana, prefeito de Ipojuca, e ocupará o espaço deixado pela mãe, Simone Santana, do PSB, que decidiu não disputar a reeleição.

Em Garanhuns, Cayo Albino, do PSB, confirmou novamente sua força eleitoral e foi reeleito deputado estadual. Filho do prefeito Sivaldo Albino, Cayo amplia a presença política do grupo no Legislativo estadual e transforma a expressiva votação obtida em mais um sinal da força da família nas urnas.

Também foram eleitos Kaio Maniçoba, do PP, filho da prefeita de Floresta, Rorró Maniçoba, e Bruno Marques, do PSB, que contou com o apoio do pai, Fabiano Marques, prefeito de Petrolândia.

A força dos grupos familiares aparece ainda entre irmãos de prefeitos. Jobson Almeida, do Republicanos, conquistou seu mandato com o apoio do prefeito de São Caetano, Josafá Almeida. Batista Cabral, do PSB, também chegou à vitória respaldado pelo irmão, Lula Cabral, prefeito do Cabo de Santo Agostinho.

No Jaboatão dos Guararapes, a primeira-dama Andréa Medeiros, do PSD, foi eleita deputada com o apoio do prefeito Mano Medeiros, também do PSD.

Em Serra Talhada, a prefeita Márcia Conrado, do PT, apostou no marido, Breno Araújo, também petista, e a estratégia terminou com a eleição dele.

Outra prefeita que deixa o Executivo municipal para assumir um novo desafio é Juliana Chaparral, do União Brasil. Ela renunciou ao mandato de prefeita de Casinhas para disputar uma vaga na Câmara dos Deputados e saiu vitoriosa, contando com o peso político do marido, Cleber Chaparral, prefeito de Surubim.

Em Vitória de Santo Antão, Iza Arruda, do MDB, filha do prefeito Paulo Roberto, também garantiu a reeleição para a Câmara dos Deputados.

E a lista ainda tem espaço para mais um caso de parentesco direto no ambiente municipal. Zé de Irmã Teca, do PSD, será estreante na Assembleia Legislativa e chega ao cargo com uma ligação familiar direta com o prefeito de Itapissuma, Júnior de Irmã Teca.

O resultado das urnas deixa uma mensagem clara: em Pernambuco, a política pode até mudar de partido, de cargo e de geração, mas os sobrenomes continuam pesando. Em 2026, muitas famílias não apenas sobreviveram à disputa eleitoral como ampliaram sua presença nos principais espaços de poder do Estado.

LULA E FLÁVIO RECOMEÇAM A GUERRA PELO PLANALTO: 20 DIAS PARA VIRAR OU CONFIRMAR A ELEIÇÃO

A eleição presidencial entrou oficialmente em uma nova fase. Depois de um primeiro turno que contrariou previsões, pesquisas e boa parte das análises políticas, Lula (PT) e Flávio Bolsonaro (PL) começam a preparar uma disputa completamente diferente pela Presidência da República. O segundo turno será decidido em 25 de outubro e os dois candidatos terão apenas 20 dias para tentar conquistar os votos que ficaram pelo caminho.

Flávio Bolsonaro chega à nova etapa com uma vantagem política importante: terminou o primeiro turno à frente de Lula por mais de 2,2 milhões de votos. O resultado colocou o candidato do PL em uma posição que poucos institutos conseguiram antecipar e transformou a corrida presidencial em uma disputa muito mais apertada e imprevisível do que se imaginava antes da abertura das urnas.

O desempenho também acendeu um alerta dentro do campo petista. Lula está acostumado a chegar ao segundo turno em posição confortável nas eleições em que conseguiu vencer. Desta vez, a fotografia é diferente. O presidente terá de correr atrás do prejuízo e ampliar sua votação justamente onde encontrou maiores dificuldades no primeiro turno.

Flávio, por sua vez, perdeu no Nordeste, mas conseguiu um desempenho superior ao obtido por Jair Bolsonaro na região em 2022 e abriu vantagem significativa em importantes áreas do Sul e do Sudeste. A estratégia agora passa por consolidar esse eleitorado e, principalmente, tentar incorporar parte dos votos recebidos pelos candidatos que ficaram pelo caminho.

É aí que começa a verdadeira batalha do segundo turno.

Para Lula, não basta repetir a estratégia baseada na força eleitoral do Nordeste e do Norte. O desafio será avançar em regiões onde o bolsonarismo mostrou musculatura e tentar reduzir uma diferença que, matematicamente, pode pesar muito na reta final.

A campanha petista terá de buscar novos eleitores sem perder a base histórica. O problema é que o relógio corre contra Lula. São apenas três semanas até a votação definitiva e qualquer erro de estratégia poderá custar caro.

Do outro lado, Flávio Bolsonaro também sabe que não pode administrar a vantagem como se a eleição estivesse ganha. O segundo turno zera boa parte da lógica do primeiro. Os candidatos derrotados passam a ser cortejados, as alianças ganham novo peso e milhões de eleitores que não tinham uma escolha definitiva precisarão decidir entre dois nomes.

A movimentação política já começou.

O presidente nacional do PSB, João Campos, está em Brasília participando de reuniões com Lula e integrantes da coordenação da campanha. O pernambucano deverá ter papel importante na articulação política do segundo turno, especialmente na tentativa de ampliar a mobilização dos aliados nos estados.

No campo bolsonarista, o presidente estadual do PL em Pernambuco, Anderson Ferreira, também segue para Brasília para participar das conversas com Flávio Bolsonaro e outras lideranças da direita. A missão será organizar a tropa, definir prioridades e transformar a vantagem conquistada no primeiro turno em uma vitória definitiva no dia 25.

A propaganda eleitoral gratuita começa na sexta-feira e deverá marcar uma nova guerra de comunicação. Com pouco tempo disponível, cada programa de televisão, cada inserção e cada aparição pública terá peso ainda maior.

O primeiro turno mostrou que muita coisa aconteceu longe dos radares das pesquisas. O eleitor que não revelou sua preferência acabou aparecendo nas urnas e mudou completamente o desenho da eleição.

Agora, Lula precisa provar que ainda tem força para buscar uma virada. Flávio precisa demonstrar que sua vitória no primeiro turno não foi apenas uma fotografia momentânea.

São 20 dias de campanha.

Vinte dias para Lula tentar virar.

Vinte dias para Flávio tentar segurar.

E, no fim, será o eleitor quem dará a resposta definitiva sobre quem comandará o Palácio do Planalto.

MÁRCIA CONRADO AGRADECE VOTOS E TENTA TRANSFORMAR RESULTADO EM RECADO DE FORÇA EM SERRA TALHADA

Depois de abrir as urnas e conferir o resultado do primeiro turno, a prefeita de Serra Talhada, Márcia Conrado (PT), foi às redes sociais agradecer a votação recebida no município e fazer sua leitura sobre o desempenho do grupo político que comanda a capital do xaxado.

Márcia destacou a eleição de Breno Araújo para deputado estadual e a reeleição de Fernando Monteiro para a Câmara Federal como sinais de que seu grupo continua tendo força política na cidade. A prefeita fez questão de colocar os resultados como uma demonstração de confiança do eleitorado em sua gestão.

“Serra Talhada nunca largou minha mão”, afirmou Márcia, numa frase que também soa como resposta às avaliações feitas após a eleição. Para ela, a votação de Breno Araújo, que foi majoritário no município, representa o reconhecimento ao trabalho que vem sendo realizado pela Prefeitura.

Já na disputa pelo Governo de Pernambuco, o resultado foi menos favorável. João Campos não conseguiu vencer em Serra Talhada, mas Márcia preferiu não transformar a derrota do aliado em problema político. Pelo contrário. A prefeita exaltou a campanha do socialista e afirmou ter orgulho da caminhada construída ao lado dele.

A leitura de Márcia é clara: se João Campos não entregou o resultado esperado, os candidatos apoiados diretamente pelo grupo municipal conseguiram apresentar números capazes de alimentar o discurso de que a prefeita continua com uma base eleitoral competitiva.

E o resultado, naturalmente, já começa a ser colocado na conta de 2028. A eleição municipal ainda está distante, mas as urnas deste domingo servem como uma primeira fotografia da força dos grupos políticos de Serra Talhada. Márcia sabe que terá adversários fortes e que cada número será usado para medir sua capacidade de transferência de votos.

Agora, com o segundo turno definido, a prefeita volta suas atenções para Lula. Márcia pediu votos para o presidente e convocou sua militância para uma nova mobilização eleitoral.

“É pé no acelerador e rumo à vitória”, declarou.

Se no primeiro turno Márcia conseguiu comemorar vitórias importantes entre os candidatos apoiados pelo seu grupo, agora terá pela frente o desafio de transformar essa estrutura política em votos para Lula. A eleição mostrou que Serra Talhada continua sendo um dos principais palcos da política do Sertão, e os números das urnas já começam a alimentar a disputa que, mesmo de longe, aponta para 2028.

SALOÁ: DERROTA DE RAQUEL EXPÕE JÚNIOR DE RIVALDO E ABRE QUESTIONAMENTO SOBRE SUA FORÇA POLÍTICA

Prefeito de Saloá, presidente da CODEAM e coordenador regional da campanha de Raquel Lyra, Júnior de Rivaldo viu João Campos terminar à frente justamente no município onde exerce o principal cargo político

A eleição terminou, Raquel Lyra foi reeleita governadora de Pernambuco no primeiro turno, mas em Saloá ficou uma conta política difícil de esconder para o prefeito Júnior de Rivaldo.

Raquel venceu Pernambuco com 2.805.438 votos, 53,27% dos votos válidos, consolidando sua reeleição. Em Saloá, entretanto, o resultado foi diferente: João Campos terminou na frente, com 4.301 votos, contra 4.157 de Raquel Lyra. A diferença foi de 144 votos.

Até aí, seria apenas mais um resultado municipal dentro de uma eleição estadual. O problema político começa quando se observa quem estava por trás da campanha de Raquel na região.

Júnior de Rivaldo não ocupou um papel secundário nessa eleição. O prefeito de Saloá foi apresentado como coordenador da campanha de Raquel no Agreste Meridional, participou da articulação com prefeitos e lideranças e comandou a mobilização regional da candidatura.

E tem mais.

Júnior também preside a CODEAM, entidade que reúne os municípios do Agreste Meridional, posição que lhe deu projeção para além dos limites de Saloá. Ele foi eleito para presidir a instituição no biênio 2025–2026 e posteriormente reconduzido para o período 2027–2028.

Ou seja: se havia um município onde se esperava uma demonstração política mais evidente da força de Júnior de Rivaldo, era justamente Saloá.

E foi justamente ali que João Campos ficou na frente.

O PREFEITO QUE COORDENOU RAQUEL E NÃO ENTREGOU SALOÁ

A situação ganha ainda mais peso porque Júnior passou boa parte da campanha ocupando o espaço de articulador político da governadora no Agreste.

Participou de eventos, mobilizou prefeitos, reuniu lideranças e apareceu publicamente ao lado de Raquel. Em Garanhuns, por exemplo, teve papel destacado na organização de uma grande agenda da governadora, com articulação de caravanas e lideranças de municípios da região.

Mas quando chegou a hora de contar os votos dentro da sua própria casa política, o placar não acompanhou o discurso de força.

João Campos: 4.301.
Raquel Lyra: 4.157.

É uma diferença pequena em números absolutos, mas politicamente incômoda pelo contexto.

Raquel ganhou Pernambuco.

Júnior não conseguiu fazer Raquel ganhar Saloá.

Essa é a fotografia que as urnas deixaram.

A CONTA FICOU MAIS PESADA

Júnior de Rivaldo construiu nos últimos anos uma imagem de liderança que ultrapassa as fronteiras de Saloá. A presidência da CODEAM ampliou sua circulação entre prefeitos. A coordenação regional da campanha de Raquel elevou ainda mais sua exposição política.

Por isso mesmo, o resultado de Saloá não pode ser analisado apenas como uma simples derrota de Raquel no município.

É também um resultado que coloca sob escrutínio a capacidade de mobilização eleitoral do próprio Júnior.

Não significa que o prefeito tenha perdido automaticamente sua liderança, nem que uma eleição estadual possa ser atribuída exclusivamente à atuação de uma liderança municipal.

Mas significa, sim, que existe um número que precisa ser explicado politicamente.

Como o principal articulador regional de uma governadora reeleita com mais de 53% dos votos válidos não conseguiu fazê-la terminar em primeiro lugar na cidade que administra?

Essa pergunta vai circular nos bastidores de Saloá.

E talvez seja justamente aí que esteja o maior incômodo para Júnior de Rivaldo.

O DISCURSO E A RESPOSTA DAS URNAS

Durante a campanha, o prefeito demonstrou publicamente seu envolvimento com o projeto de Raquel. Depois do resultado, também veio a manifestação de decepção com o comportamento do eleitorado de Saloá.

A frase atribuída ao gestor — “Eu vou sair hoje dessa praça muito triste e muito decepcionado com o povo de Saloá” — ganhou repercussão e acabou colocando ainda mais luz sobre o resultado.

O eleitor, entretanto, falou antes de qualquer discurso.

E falou através da urna.

Em Saloá, a maioria dos votos válidos para governador foi para João Campos, enquanto Raquel, mesmo sendo reeleita para comandar Pernambuco, ficou em segundo lugar no município.

A ELEIÇÃO DEIXA UMA MARCA

Júnior de Rivaldo continua prefeito, continua presidente da CODEAM e continua sendo uma liderança com trânsito regional.

Mas a eleição de 2026 acrescentou uma informação nova ao seu currículo político.

Na eleição em que assumiu o papel de coordenador regional da campanha de Raquel Lyra, a governadora venceu o Estado, mas perdeu a cidade que ele administra.

E isso torna o resultado de Saloá particularmente amargo para o prefeito.

Não é apenas uma questão de 144 votos.

É uma questão de contexto, protagonismo e expectativa.

Júnior colocou seu peso político na campanha de Raquel.

As urnas de Saloá responderam com João Campos na frente.

Agora, caberá ao prefeito interpretar esse recado e mostrar, nos próximos movimentos, se sua força política local continua do tamanho que a projeção regional construída nos últimos anos sugere.

Porque eleição não se ganha com cargo, fotografia ou discurso.

No fim, quem dá a palavra final é a urna.


Foto: Blog do Marcelo Jorge