Deputados com até seis mandatos não conseguiram voltar à Assembleia Legislativa. Entre os que disputaram a Câmara Federal, Izaías Régis e Socorro Pimentel também ficaram sem mandato, enquanto Rosa Amorim garantiu uma vaga em Brasília.
A eleição de 2026 redesenhou a composição política de Pernambuco e deixou um recado importante para quem acompanha os bastidores do poder: ter mandato, experiência parlamentar e uma trajetória consolidada não é garantia de permanência na vida pública. A renovação das cadeiras da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) retirou da próxima legislatura nomes conhecidos, alguns deles com décadas de atuação política e presença em diferentes momentos da história recente do estado.
A lista reúne parlamentares de diferentes partidos, regiões e campos políticos. Há deputados que exerceram um mandato, outros que permaneceram por duas ou três legislaturas e nomes que construíram trajetórias mais longas dentro da Casa de Joaquim Nabuco. Entre os que não conseguiram renovar o mandato está o Pastor Cleiton Collins, que acumulava seis mandatos estaduais.
O resultado também alcançou parlamentares com atuação regional consolidada, representantes de segmentos religiosos, lideranças ligadas aos movimentos sindicais e políticos com bases eleitorais espalhadas pelo interior pernambucano. A disputa mostrou que a força de uma trajetória política precisa ser acompanhada de votos suficientes para garantir a continuidade no Legislativo.
QUEM FICA FORA DA PRÓXIMA LEGISLATURA
Entre os deputados estaduais que não conseguiram renovar seus mandatos estão Claudiano Martins Filho e Diogo Moraes, ambos com quatro mandatos; Edson Vieira, com três; e Doriel Barros, com dois.
Também não retornam à Alepe Gilmar Júnior, Júnior Matuto, Mário Ricardo, Nino de Enoque e Romero Sales Filho, que buscavam renovar o primeiro mandato. Henrique Queiroz Filho e Romero Albuquerque acumulavam duas legislaturas, enquanto Joel da Harpa e Simone Santana tinham três mandatos. William Brígido também não conseguiu a reeleição após duas legislaturas.
O grupo reúne perfis políticos bastante distintos. A relação inclui nomes ligados à política municipal, representantes de categorias profissionais, parlamentares com atuação em pautas religiosas e lideranças que construíram suas carreiras a partir de bases eleitorais específicas.
O dado mais significativo é a diversidade dos atingidos pelo resultado. Não se trata de uma mudança restrita a um único partido ou região. A saída desses parlamentares altera a distribuição de forças, abre espaço para novos representantes e obriga os grupos políticos a reorganizar suas estratégias para os próximos anos.
CLEITON COLLINS: SEIS MANDATOS E UMA SAÍDA DE PESO
Entre os nomes que deixam a Assembleia, Pastor Cleiton Collins chama atenção pelo tempo de permanência na Casa. Com seis mandatos estaduais, ele construiu uma trajetória vinculada principalmente ao eleitorado evangélico e às pautas defendidas por setores religiosos.
Sua ausência na próxima legislatura representa a saída de um parlamentar com experiência acumulada em sucessivas disputas eleitorais. O resultado também evidencia a importância de acompanhar como as bases eleitorais tradicionais se comportam diante de novas candidaturas e de mudanças no cenário político.
Claudiano Martins Filho e Diogo Moraes, ambos com quatro mandatos, também estão entre os nomes experientes que não conseguiram permanecer na Alepe. Edson Vieira, com três mandatos, e Joel da Harpa, igualmente com três, completam a relação de parlamentares que já haviam atravessado mais de uma disputa legislativa antes de ficarem fora da próxima composição.
IZAÍAS RÉGIS E SOCORRO PIMENTEL TAMBÉM FICAM SEM MANDATO
A renovação não se limitou aos deputados que disputaram a reeleição estadual. Izaías Régis e Socorro Pimentel tentaram conquistar uma cadeira na Câmara dos Deputados, mas, sem a eleição para o novo cargo e sem a renovação do mandato estadual, ficaram fora dos mandatos eletivos para a próxima legislatura.
Izaías Régis acumulava quatro mandatos estaduais e possui trajetória política ligada a Garanhuns e ao Agreste Meridional. Ex-prefeito do município, construiu sua carreira com forte presença regional e participação em disputas estaduais. A tentativa de chegar à Câmara Federal representava uma mudança de espaço de atuação, mas o resultado o deixa sem mandato eletivo no próximo período.
Socorro Pimentel, por sua vez, acumulava dois mandatos estaduais e também buscou uma vaga na Câmara Federal. Sua ausência na próxima legislatura retira da Alepe uma parlamentar com atuação política própria e presença em debates estaduais.
Os dois casos mostram uma diferença importante: enquanto alguns deputados deixam a Assembleia depois de não conseguirem renovar o mandato, outros tentaram ampliar sua atuação para Brasília e acabaram sem cadeira no Legislativo estadual ou federal.
ROSA AMORIM MUDA DE CASA, MAS CONTINUA NA POLÍTICA
A situação de Rosa Amorim é diferente. Embora deixe a Assembleia Legislativa, ela não entra na lista dos políticos que ficaram sem mandato. Eleita deputada federal, seguirá para a Câmara dos Deputados, em Brasília.
A mudança representa uma transferência de espaço institucional: Rosa deixa a política legislativa estadual para integrar a bancada pernambucana no Congresso Nacional. Sua eleição também altera a composição da representação do estado na Câmara Federal e abre espaço para uma nova configuração na Alepe.
UMA NOVA COMPOSIÇÃO, NOVOS EQUILÍBRIOS
A renovação da Assembleia Legislativa tem consequências que vão além da substituição de nomes. A chegada de novos deputados pode modificar a formação de bancadas, a distribuição de espaços nas comissões e as articulações necessárias para aprovar projetos do governo estadual.
A experiência parlamentar dos que saem não desaparece da política pernambucana. Muitos continuam com capital político, relações partidárias e influência em seus municípios. Entretanto, ficar sem mandato altera a capacidade de participar diretamente das decisões legislativas, de ocupar posições institucionais e de utilizar a tribuna como espaço permanente de atuação.
Para os novos eleitos, o desafio será transformar a votação recebida em presença política efetiva. Para os grupos que perderam representantes, será necessário reorganizar lideranças, reconstruir bases e avaliar o desempenho nas urnas.
A eleição de 2026, portanto, marca uma mudança relevante no perfil da Alepe. A próxima legislatura começa com a ausência de parlamentares que fizeram parte da rotina da Casa por vários anos e com a expectativa de que os novos representantes estabeleçam seu próprio espaço na política estadual.