sexta-feira, 27 de fevereiro de 2026

GLEISI FALA EM “GOLPE” NA CPMI DO INSS APÓS QUEBRA DE SIGILO DE LULINHA E GOVERNO ANUNCIA RECURSO

A decisão da Comissão Parlamentar Mista de Inquérito que investiga fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) elevou a temperatura política em Brasília nesta quinta-feira (26). Após a aprovação da quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, a ministra das Relações Institucionais, Gleisi Hoffmann, reagiu com dureza e classificou o desfecho da votação como “golpe” conduzido pela presidência da comissão.

A medida foi aprovada no âmbito da CPMI do INSS, colegiado que reúne deputados e senadores para investigar um esquema de fraudes bilionárias no sistema previdenciário. O presidente da comissão, senador Carlos Viana, conduziu a sessão que terminou com a autorização para acessar dados fiscais e bancários do filho mais velho do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Em entrevista ao SBTNews, Gleisi afirmou que houve irregularidade no procedimento de votação. Segundo ela, a base governista tinha maioria no momento da deliberação e havia vencido uma votação anterior. Ainda assim, de acordo com a ministra, o presidente da comissão teria adotado uma votação simbólica, anunciado o resultado sem contagem nominal de votos e encerrado a discussão. “Foi golpe do presidente da CPMI. Temos maioria. Tínhamos ganhado a votação anterior. Ele não contou os votos. Fez votação simbólica e tratou de anunciar o resultado. Vamos recorrer disso”, declarou.

A crítica da ministra abre mais um capítulo na disputa entre governo e oposição dentro da CPMI. Parlamentares alinhados ao Planalto sustentam que houve atropelo regimental e que a decisão poderá ser questionada junto à Mesa do Congresso ou até mesmo no Supremo Tribunal Federal. Já integrantes da oposição afirmam que a votação seguiu os trâmites previstos e que a quebra de sigilo é instrumento legítimo de investigação parlamentar.

A autorização para acessar os dados de Lulinha foi justificada por integrantes da comissão com base em suspeitas de que ele teria atuado como sócio oculto de Antônio Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. Antunes é apontado como um dos principais operadores do suposto esquema de fraudes que teria causado prejuízos expressivos aos cofres públicos por meio de descontos indevidos e manipulação de benefícios previdenciários.

Além da quebra de sigilo de Fábio Luís Lula da Silva, a sessão aprovou uma série de outras medidas, incluindo pedidos de prisão, novas convocações de investigados e requerimentos de informações direcionados a órgãos públicos e empresas sob suspeita. O pacote de deliberações sinaliza que a comissão pretende ampliar o alcance das apurações nas próximas semanas.

Nos bastidores, aliados do governo avaliam que a inclusão do nome do filho do presidente na investigação tem forte impacto político e pode tensionar ainda mais a relação entre Executivo e Congresso. Já parlamentares da oposição defendem que o aprofundamento das investigações não pode poupar ninguém, independentemente de laços familiares com autoridades.

A controvérsia sobre o formato da votação deverá ser o primeiro foco da disputa jurídica e política. Caso o recurso anunciado por Gleisi avance, o debate poderá extrapolar os limites da comissão e ganhar contornos institucionais mais amplos. Enquanto isso, a CPMI do INSS segue no centro do embate entre governo e oposição, com potencial de produzir novos desdobramentos que podem influenciar o cenário político nacional.

MARÍLIA ARRAES DISPARA NA CORRIDA PELO SENADO E ACIRRA DISPUTA EM PERNAMBUCO, APONTA DATATRENDS

A mais recente fotografia da corrida pelo Senado em Pernambuco, divulgada a meia noite revela um cenário de ampla vantagem para a deputada federal Marília Arraes. De acordo com levantamento realizado pelo instituto DataTrends, ela aparece na liderança com 39% das intenções de voto, consolidando-se como o principal nome na disputa por uma das duas vagas que estarão em jogo nas eleições de 2026.

O estudo indica que, embora Marília esteja à frente, a briga pela segunda vaga permanece aberta e marcada por forte equilíbrio. O senador Humberto Costa surge com 19%, enquanto o deputado federal Eduardo da Fonte e o ex-prefeito de Petrolina Miguel Coelho aparecem tecnicamente empatados, ambos com 18%. A diferença entre eles está dentro da margem de erro, o que mantém o cenário indefinido.

Na sequência, o ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes Anderson Ferreira registra 12%. Logo atrás, o ministro de Portos e Aeroportos Sílvio Costa Filho soma 11%, enquanto o ex-ministro do Turismo Gilson Machado aparece com 9%, também inserido na disputa, especialmente considerando a possibilidade de crescimento durante a campanha oficial.

Em patamar mais distante, o senador Fernando Dueire registra 3%. Já o ex-senador Armando Monteiro e a vereadora do Recife Jô Cavalcanti aparecem com 2% cada, compondo o bloco de candidaturas com menor desempenho neste momento inicial da pré-campanha.

O levantamento também chama atenção para o elevado índice de indefinição do eleitorado. Brancos e nulos somam 33%, enquanto 34% dos entrevistados afirmaram estar indecisos. Na prática, isso significa que mais de dois terços dos eleitores ainda não têm posição consolidada ou não pretendem votar em nenhum dos nomes apresentados, o que mantém o cenário aberto a reviravoltas.

Como a eleição para o Senado permite que cada eleitor escolha dois candidatos, a soma total dos percentuais pode chegar a 200%, o que explica os números aparentemente elevados quando comparados a disputas majoritárias tradicionais.

A pesquisa foi registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PE-04513/2026. O levantamento ouviu 1.200 eleitores por telefone entre os dias 23 e 24 de fevereiro, com margem de erro de 2,83 pontos percentuais para mais ou para menos e intervalo de confiança de 95%.

O retrato atual mostra uma liderança consolidada de Marília Arraes, mas também evidencia uma disputa fragmentada e altamente competitiva pela segunda vaga. Com um contingente expressivo de indecisos e a campanha ainda em fase prévia, o cenário tende a se intensificar nos próximos meses, transformando a corrida ao Senado em Pernambuco em um dos embates mais estratégicos do estado em 2026.

PALÁCIO DO CAMPO DAS PRINCESAS GARANTE NOVAS ESTRADAS E RENOVA ESPERANÇA NO SERTÃO PERNAMBUCANO

Uma reunião realizada nesta tarde no Palácio do Campo das Princesas, sede oficial do Governo de Pernambuco, selou dois anúncios considerados estratégicos para o futuro do Sertão do Estado. A governadora Raquel Lyra recebeu o presidente estadual do Avante, Sebastião Oliveira, em um encontro que resultou na autorização de projetos e obras aguardadas há décadas por moradores da região.

A primeira conquista contempla o município de São José do Belmonte. Atendendo ao pleito apresentado por Sebastião, a governadora autorizou a elaboração do projeto de restauração da PE-430, rodovia que liga o entroncamento do distrito de Bom Nome ao município de Belmonte. A estrada é considerada um eixo fundamental para o deslocamento da população, transporte escolar, acesso a serviços de saúde e, principalmente, para o escoamento da produção agropecuária local. Em períodos chuvosos, os problemas estruturais da via costumam se agravar, comprometendo a segurança de motoristas e motociclistas que dependem diariamente do trecho.

A restauração da PE-430 representa mais que uma obra de infraestrutura: significa a retomada da capacidade logística de uma área marcada pela força da agricultura, da pecuária e do comércio regional. Com a melhoria da malha viária, produtores ganham melhores condições de transporte, comerciantes ampliam seu alcance e a população passa a contar com maior fluidez e segurança no tráfego.

A segunda medida anunciada durante o encontro contempla o município de Calumbi e carrega forte simbolismo histórico. Foi autorizada a abertura do processo licitatório para a PE-357, uma reivindicação que, segundo lideranças locais, atravessa gerações. Há mais de 60 anos os moradores aguardam a consolidação dessa rodovia como via estruturadora do desenvolvimento regional. A autorização da licitação é vista como o passo decisivo para tirar do papel uma demanda antiga, capaz de transformar a mobilidade e integrar Calumbi de forma mais eficiente aos municípios vizinhos.

Durante a agenda, Sebastião Oliveira destacou o significado das autorizações. Ele relembrou sua experiência à frente da Secretaria de Transportes de Pernambuco em duas ocasiões e afirmou conhecer de perto os desafios enfrentados pelas rodovias do Estado. Segundo ele, a recuperação e implantação de estradas não representam apenas obras físicas, mas instrumentos diretos de desenvolvimento econômico e social. “Quando recebo uma missão, só sossego quando consigo cumpri-la”, declarou, agradecendo à governadora e à população das cidades beneficiadas pela confiança depositada em seu trabalho.

Sebastião esteve acompanhado do prefeito de Calumbi, Joelson, que também reforçou a importância da decisão para o município. A expectativa é de que a futura obra da PE-357 fortaleça o comércio local, facilite o acesso a serviços públicos e reduza custos logísticos para produtores rurais, além de ampliar a circulação de mercadorias e pessoas.

No conjunto, as duas medidas reforçam a estratégia do Governo de Pernambuco de priorizar a interiorização dos investimentos em infraestrutura, especialmente em áreas historicamente marcadas por carências estruturais. Para o Sertão, onde as distâncias são longas e as rodovias desempenham papel vital na dinâmica econômica, cada quilômetro restaurado ou implantado representa oportunidade concreta de crescimento.

Com a elaboração do projeto da PE-430 e a autorização da licitação da PE-357, o encontro no Palácio do Campo das Princesas deixa como saldo a expectativa de novos tempos para São José do Belmonte e Calumbi. Mais do que anúncios administrativos, as decisões reacendem a esperança de um Sertão mais integrado, seguro e preparado para avançar.

AVENIDA BERNA RENASCE EM CARUARU E TRANSFORMA REALIDADE DE MORADORES APÓS DÉCADAS DE ESPERA

A paisagem da Avenida Berna, no bairro Deputado José Antônio Liberato, já não é mais a mesma. Onde antes havia poeira no verão, lama no inverno e dificuldades constantes para pedestres e motoristas, agora existe pavimentação moderna, drenagem eficiente e calçadas que garantem acessibilidade. A obra foi entregue nesta quinta-feira (26) pela Prefeitura de Caruaru, em solenidade conduzida pelo prefeito em exercício Bruno Lambreta, presidente da Câmara Municipal, representando a gestão do prefeito Rodrigo Pinheiro.

A requalificação da via representa mais que uma melhoria estrutural: simboliza a realização de um sonho antigo para quem vive na localidade. A Avenida Berna é um importante eixo de ligação para quem chega pela Avenida José Rodrigues de Jesus e pelo Anel Viário Deputado José Antônio Liberato, funcionando como acesso estratégico para moradores e trabalhadores da região. Durante anos, a precariedade do trecho impactou diretamente o cotidiano da população, dificultando o tráfego de veículos, o deslocamento de pedestres e até o acesso de serviços essenciais.

Uma das histórias que traduzem a dimensão dessa transformação é a da costureira Vanuza de Lima, de 49 anos. Moradora há 23 anos e reconhecida como a primeira residente da avenida, ela acompanhou cada etapa da mudança. Quando chegou ao local, encontrou apenas o terreno para construir a própria casa. Não havia iluminação pública, saneamento ou qualquer tipo de calçamento. A infraestrutura era praticamente inexistente.

Hoje, ao observar a rua pavimentada e organizada, Vanuza descreve o sentimento como uma vitória coletiva. Para ela, não se trata apenas de uma obra, mas de dignidade. A melhoria garante mais segurança para as crianças brincarem, menos transtorno em períodos chuvosos e mais valorização para os imóveis da área. A transformação também reduz poeira, melhora as condições de saúde e facilita o transporte público e particular.

Do ponto de vista técnico, a intervenção foi planejada para oferecer durabilidade e eficiência. Foi implantado um sistema completo de drenagem, fundamental para evitar alagamentos e danos estruturais. As calçadas foram construídas dentro dos padrões de acessibilidade, assegurando o direito de ir e vir, inclusive para pessoas com mobilidade reduzida. A pavimentação em piso intertravado foi escolhida por sua resistência e por permitir melhor absorção da água da chuva, contribuindo para o equilíbrio ambiental e para a conservação da via.

Durante a entrega, Bruno Lambreta destacou que a obra nasceu de uma demanda apresentada à gestão municipal, fruto de requerimento formal solicitando o planejamento e execução do projeto. Segundo ele, a comunidade aguardava há muitos anos por essa intervenção. O prefeito em exercício reforçou que a entrega representa o compromisso da administração em levar infraestrutura também para áreas mais afastadas do centro da cidade, garantindo desenvolvimento urbano de forma descentralizada.

A requalificação da Avenida Berna integra um conjunto de ações que buscam conciliar infraestrutura e cidadania. Ao investir em drenagem, pavimentação e acessibilidade, o município promove não apenas mobilidade, mas também inclusão social e qualidade de vida. A obra altera a rotina da comunidade, fortalece o comércio local e amplia as oportunidades para quem vive no entorno.

Com a via totalmente reestruturada, moradores celebram não apenas o novo cenário urbano, mas a sensação de pertencimento e reconhecimento. Depois de mais de duas décadas de espera, a Avenida Berna deixa para trás o passado de dificuldades e passa a representar progresso, respeito e valorização para o bairro Deputado José Antônio Liberato.

COLUNA POLÍTICA | E AGORA MIGUEL? | NA LUPA 🔎 | POR EDNEY SOUTO

MIGUEL COELHO ENTRE O SONHO DO SENADO E O PESO DA REALIDADE

O ex-prefeito de Petrolina e presidente do União Brasil em Pernambuco, Miguel Coelho, entrou em 2026 como um dos nomes mais competitivos na corrida pelo Senado. Sempre bem posicionado nas pesquisas, variando entre primeiro lugar ou empate técnico nos cenários estimulados, ele figurava como peça central no tabuleiro eleitoral do Estado. No entanto, em poucos dias, o cenário mudou drasticamente. A operação da Polícia Federal que atingiu seu grupo político colocou sua pré-candidatura sob forte tensão e abriu uma fase de incertezas que pode redefinir completamente o jogo.

A política, sobretudo em Pernambuco, não perdoa fragilidades. E Miguel agora enfrenta talvez o momento mais delicado de sua trajetória pública.

O FAVORITO QUE VIU O CENÁRIO MUDAR DE PROTAGONISTA NAS PESQUISAS A NOME SOB PRESSÃO

Até a última semana, Miguel aparecia como nome praticamente consolidado entre os postulantes ao Senado. Seu capital político vinha da gestão em Petrolina, da articulação estadual e do recall eleitoral construído ao lado de seu pai, o ex-senador Fernando Bezerra Coelho, e do irmão, o deputado federal Fernando Filho.

Mas a política é dinâmica. Uma operação federal tem potencial para alterar percepções, criar desgaste e, principalmente, alimentar adversários. Mesmo que não haja condenação, o impacto político é imediato. Em campanhas majoritárias, a narrativa pesa tanto quanto os fatos jurídicos.

ENTRE DOIS PALANQUES: JOÃO CAMPOS OU RAQUEL LYRA? O DILEMA QUE JÁ EXISTIA ANTES DA CRISE

Antes mesmo da operação, Miguel já enfrentava um dilema estratégico. Ele orbitava dois campos políticos distintos.

De um lado, havia a aproximação com o prefeito do Recife, João Campos, do Partido Socialista Brasileiro, que chegou a sinalizar publicamente que Miguel estava em seu grupo político. Do outro, mantinha diálogo com a governadora Raquel Lyra, do Partido Social Democrático, embora resistisse a um acordo formal.

Esse movimento duplo exigia equilíbrio fino. Agora, com o desgaste da operação, ambos os lados podem recalcular riscos. Em política majoritária, ninguém quer dividir palanque com quem esteja sob forte questionamento público.

A FEDERAÇÃO UNIÃO BRASIL–PP E O FOGO AMIGO, EDUARDO DA FONTE COMO FORTE ADVERSÁRIO INTERNO

Há ainda um fator interno decisivo: a federação entre União Brasil e o Progressistas, que em Pernambuco é comandada pelo deputado federal Eduardo da Fonte — também pré-candidato ao Senado.

Ou seja, Miguel não enfrenta apenas adversários externos. Ele disputa espaço dentro da própria federação. Em caso de enfraquecimento político, a tendência natural é que o grupo opte pelo nome considerado mais viável eleitoralmente.

A operação da PF, nesse contexto, pode servir como argumento interno para reconfiguração da chapa.

A FERIDA DE 2024: RAQUEL EM PETROLINAA MEMÓRIA POLÍTICA QUE NÃO CICATRIZA

Outro elemento relevante é o histórico recente. Em 2024, durante a eleição municipal, Raquel Lyra foi a Petrolina pedir votos para Júlio Lóssio, adversário do prefeito Simão Durando, aliado direto de Miguel.

Foram várias idas à cidade, num gesto claro de enfrentamento ao grupo dos Coelho. Do outro lado, o PSB apoiou a reeleição de Simão Durando.

Esse episódio deixou marcas. Política também é memória. E alianças não se constroem apenas com conveniência eleitoral; exigem confiança. Em meio à crise atual, essas feridas pesam ainda mais.

A NARRATIVA DA “OPERAÇÃO POLÍTICA”DEFESA PÚBLICA E ESTRATÉGIA DE SOBREVIVÊNCIA

Miguel e Fernando Filho reagiram rapidamente. Em nota, classificaram a operação como de “viés político” e reforçaram que as contas de Petrolina estão aprovadas.

Essa estratégia é clássica na política brasileira: transformar investigação em perseguição. Funciona quando há base eleitoral consolidada e quando o eleitorado enxerga exagero nas ações.

Mas há um ponto crucial: a opinião pública pernambucana está mais sensível a temas de ética e gestão. A resposta de Miguel precisa ser firme, mas também transparente. Negar apenas pode não ser suficiente; será necessário convencer.

O FUTURO EM ABERTO: DERROTA ANTECIPADA OU RESILIÊNCIA? A CAPACIDADE DE REAÇÃO COMO FATOR DECISIVO

O noticiário já fala em “fim do sonho” de Miguel ao Senado. Pode ser precipitado. A política ensina que crises podem destruir carreiras — ou fortalecê-las, dependendo da reação.

Se Miguel conseguir manter apoio em Petrolina, preservar alianças estratégicas e evitar desgaste nas pesquisas, pode sobreviver ao episódio. Se, porém, os números começarem a cair e aliados migrarem, a pré-candidatura pode se tornar insustentável.

O jogo ficou mais difícil. Muito mais.

Mas ainda não está encerrado.

Em Pernambuco, a história mostra que eleições majoritárias raramente seguem roteiro linear. Miguel Coelho entra agora na fase mais desafiadora de sua trajetória: provar que sua força política é maior do que o peso das circunstâncias. Se conseguirá, dependerá menos da operação em si — e mais de sua habilidade de transformar crise em capital político. Quem viver, verá!

quinta-feira, 26 de fevereiro de 2026

DANIEL VALENÇA ENTRA NO PSOL, ASSUME PRÉ-CANDIDATURA E MARCA DISTÂNCIA DO CLÃ ARRAES NA POLÍTICA PERNAMBUCANA

A tradição política de Pernambuco ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (25) com o anúncio da filiação do ativista Daniel Valença ao PSOL e sua pré-candidatura a deputado estadual. Neto do ex-governador Miguel Arraes, Daniel carrega no sangue um dos sobrenomes mais emblemáticos da história política do Estado, mas faz questão de trilhar um caminho próprio — inclusive sem utilizar o sobrenome Arraes como bandeira eleitoral.

A movimentação tem peso simbólico e estratégico. Embora pertença a uma família que historicamente ocupou posições de destaque na política pernambucana, Daniel se posiciona em um campo ideológico diferente do de parte dos seus parentes mais conhecidos. Ele é primo da pré-candidata ao Senado Marília Arraes e da deputada federal Maria Arraes, ambas filiadas ao Solidariedade. Apesar do laço familiar, a convergência política não é automática — e o próprio Daniel já demonstrou independência em diversas ocasiões.

Outro ponto que chama atenção é sua postura crítica em relação ao prefeito do Recife, João Campos, do PSB, com quem mantém parentesco em segundo grau. Enquanto parte da família mantém alianças e relações institucionais com o grupo socialista, Daniel tem adotado um discurso mais combativo, especialmente em pautas urbanas e ambientais.

A herança política de Daniel não se restringe à linhagem materna. Ele é filho de Nena Arraes, uma das filhas de Miguel Arraes, e de Décio Valença Filho. Por parte de pai, é neto do ex-prefeito de São Bento do Una e deputado constituinte de 1946, Décio Valença, figura histórica da política pernambucana falecida em 1999. Décio também é pai do cantor e compositor Alceu Valença, o que faz de Daniel sobrinho de um dos nomes mais consagrados da música popular brasileira. A combinação entre tradição política e influência cultural compõe um perfil familiar de forte presença pública no Estado.

Engenheiro civil de formação, Daniel Valença construiu sua atuação principalmente nos movimentos sociais urbanos. Ele integra a coordenação da Associação Metropolitana de Ciclistas do Recife (Ameciclo), organização da sociedade civil que defende mobilidade sustentável, redução do número de carros nas ruas e melhores condições de segurança para ciclistas. Sua militância é marcada por pautas como mobilidade ativa, planejamento urbano humanizado e justiça socioambiental — temas que devem compor o centro de sua plataforma eleitoral.

Nas redes sociais, o pré-candidato também anunciou apoio a Ivan Moraes, pré-candidato ao Governo de Pernambuco pelo PSOL, reforçando o alinhamento interno dentro da legenda e a aposta em um projeto político mais à esquerda no cenário estadual.

A entrada de Daniel Valença na disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa sinaliza mais do que a continuidade de uma tradição familiar. Representa, sobretudo, uma tentativa de ressignificar o legado político herdado, adaptando-o às demandas contemporâneas, especialmente nas áreas de mobilidade urbana, sustentabilidade e participação popular. Em um Estado onde o sobrenome Arraes ainda ecoa com força, Daniel parece disposto a provar que, mais do que herança, sua candidatura será construída sobre posicionamento próprio e militância ativa nas ruas do Recife.

QUEBRA DE SIGILO DE LULINHA CAUSA TUMULTO, POLÊMICA E ACIRRA CONFRONTO POLÍTICO NO BRASIL

Em uma sessão que entrou para os registros mais conturbados do Congresso em 2026, a Comissão Parlamentar Mista de Inquérito (CPMI) que investiga supostas fraudes no Instituto Nacional do Seguro Social (INSS) aprovou, nesta quinta-feira (26), a quebra dos sigilos bancário e fiscal de Fábio Luís Lula da Silva, conhecido como Lulinha, filho do presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva. A decisão provocou forte reação entre parlamentares, protestos de governistas e acirramento das tensões políticas no país, numa semana decisiva no calendário pré-eleitoral. 

O pedido aprovado pela CPMI foi apresentado pelo relator da comissão, deputado Alfredo Gaspar (União-AL), e faz parte de um bloco de 87 requerimentos votados em conjunto que incluem quebras de sigilo e convocações de investigados. A medida tem como base indícios levantados pela Polícia Federal (PF) no âmbito das investigações sobre desvios em descontos de beneficiários do INSS e uma possível conexão financeira entre Lulinha e pessoas envolvidas no esquema, como Antônio Carlos Camilo Antunes, conhecido como “Careca do INSS”. 

Parlamentares governistas reagiram com protestos nas galerias e no plenário da CPMI, contestando a forma de votação simbólica e pedindo a anulação do resultado por falhas no registro eletrônico dos votos. A discussão esquentou a ponto de a sessão ter de ser suspensa momentaneamente, em meio a empurra-empurras e discussão acalorada entre aliados e oposicionistas.

A quebra de sigilo de Lulinha ocorre em um contexto em que a investigação já vinha sendo alvo de atenção e controvérsia. Em janeiro, o ministro do Supremo Tribunal Federal (STF), André Mendonça, já havia autorizado previamente a quebra dos sigilos bancário, fiscal e telemático de Fábio Luís, atendendo a um pedido da PF no curso do inquérito que apura possíveis pagamentos indevidos no esquema do INSS.

A defesa de Lulinha tem reagido com veemência. Um dos advogados afirmou que a medida é “esdrúxula” e que não há fundamento legal para essa quebra de sigilo, destacando que ele não é formalmente investigado pela PF até o momento e que está disposto a colaborar com as investigações para esclarecer os fatos. 

Do lado político, a oposição comemorou a aprovação e defende que a medida representa um passo necessário para ampliar a compreensão sobre a rede de possíveis irregularidades que estão sendo apuradas pela CPI. Já aliados do governo e integrantes do Partido dos Trabalhadores (PT) alegam que a decisão é um ataque político e acusam a oposição de usar o caso para desgastar o governo em um ano de eleição, criticando a condução da votação e questionando a seletividade das investigações. 

A CPMI também aprovou outros requerimentos importantes, como pedidos de informações ao Coaf (Conselho de Controle de Atividades Financeiras) sobre movimentações de Lulinha entre 2022 e janeiro de 2026, além da quebra de sigilos de outras pessoas e empresas envolvidas no caso, como o Banco Master e a CredCesta.

Até o momento, não houve uma decisão judicial de mérito sobre as suspeitas contra o filho do presidente — as quebras de sigilo têm caráter investigativo. O processo segue sob segredo de Justiça, e as informações levantadas ainda precisam ser analisadas e confrontadas para que se estabeleça se há ou não irregularidades que possam configurar crime. 

A repercussão política e midiática do caso indica que a investigação sobre Lulinha pode se tornar um dos principais focos de debate público nos próximos meses, influenciando tanto o ambiente político quanto as narrativas eleitorais que mobilizam partidos e eleitores em todo o país.

PL LANÇA HÉLIO NEGÃO AO TCU E TRANSFORMA DISPUTA TÉCNICA EM BATALHA POLÍTICA EM BRASÍLIA

O Partido Liberal oficializou a candidatura do deputado federal Hélio Lopes, conhecido nacionalmente como Hélio Negão, para a vaga de ministro do Tribunal de Contas da União (TCU), transformando uma eleição tradicionalmente técnica em um dos embates políticos mais comentados dos bastidores de Brasília. A cadeira será aberta com a aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz, e a movimentação antecipada do PL já provoca reações entre governo, oposição e o chamado Centrão.

A articulação foi conduzida pelo líder do partido na Câmara dos Deputados, Sóstenes Cavalcante, com o aval do presidente nacional da legenda, Valdemar Costa Neto. A estratégia é consolidar um nome alinhado ao campo conservador para ocupar um posto vitalício e de grande influência institucional. Hélio Lopes, que ganhou projeção nacional pela proximidade com o ex-presidente Jair Bolsonaro, passa agora a disputar um cargo que exige articulação ampla e votos secretos no plenário.

A eleição para o TCU é decidida pelos deputados federais e costuma envolver intensas negociações políticas. Embora o PL apresente a candidatura como um gesto de fortalecimento da fiscalização e da transparência dos gastos públicos, críticos enxergam na movimentação uma tentativa de ampliar espaço político dentro de um órgão estratégico para o controle das contas da União. Nos corredores da Câmara, parlamentares avaliam que o lançamento de um nome fortemente identificado com o bolsonarismo pode tanto consolidar apoios fiéis quanto gerar resistências entre setores mais moderados.

Outros nomes também circulam na disputa, entre eles o deputado Odair Cunha, ligado ao campo governista, o que amplia o caráter polarizado da eleição. A votação secreta aumenta o grau de imprevisibilidade e abre margem para reviravoltas de última hora, já que acordos firmados publicamente nem sempre se confirmam no momento do voto.

O TCU é responsável por fiscalizar contratos, obras e políticas públicas federais, além de analisar a aplicação de bilhões de reais do orçamento da União. Ter assento na Corte significa participar diretamente de decisões que podem impactar governos, travar repasses e influenciar rumos administrativos do país. Por isso, a escolha de um ministro raramente é apenas técnica — ela carrega peso político e simbólico.

Com o lançamento de Hélio Negão, o PL sinaliza que pretende disputar espaços estratégicos além do campo eleitoral tradicional. A corrida pela vaga promete intensificar as articulações nas próximas semanas e deve expor, mais uma vez, o delicado equilíbrio de forças que define o poder em Brasília.