De acordo com as autoridades, as investigações se concentram em contratações realizadas entre 2019 e 2025, envolvendo principalmente obras, serviços de engenharia e fornecimento de materiais de construção. Os indícios levantados pelos órgãos de controle apontam para possíveis práticas de superfaturamento, além de transferências financeiras consideradas suspeitas destinadas a servidores responsáveis por conduzir processos de licitação no município.
O volume de recursos sob análise chama atenção. Somente duas empresas que estão na mira da investigação receberam aproximadamente R$ 18,4 milhões em pagamentos decorrentes desses contratos. Desse montante, cerca de R$ 6,7 milhões tiveram origem em recursos federais, o que motivou a participação direta dos órgãos da União na apuração do caso.
Segundo as informações divulgadas pelos investigadores, há suspeitas de uma série de crimes relacionados à gestão pública. Entre eles estão frustração ao caráter competitivo de licitação, corrupção passiva, peculato, associação criminosa e lavagem de dinheiro. A hipótese é que o esquema teria manipulado processos licitatórios para favorecer determinadas empresas, comprometendo a concorrência e causando prejuízos aos cofres públicos.
Como parte das diligências, a operação mobilizou uma grande estrutura policial e de auditoria. Ao todo, 20 mandados de busca e apreensão estão sendo cumpridos em cinco municípios distribuídos por três estados: Orobó, Aliança e Buenos Aires, em Pernambuco; Umbuzeiro, na Paraíba; e Ilhabela, no estado de São Paulo. A ofensiva conta com a participação de 68 policiais federais e cinco auditores da CGU, responsáveis por coletar documentos, equipamentos eletrônicos e outros materiais que possam reforçar as provas do inquérito.
A CGU destacou que denúncias relacionadas a esta operação ou a outros possíveis casos de irregularidades podem ser encaminhadas por meio da plataforma Fala.BR, mantida pela Ouvidoria-Geral da União (OGU). O sistema permite o envio de informações inclusive de forma anônima, bastando selecionar a opção “Não identificado” no formulário eletrônico e indicar o nome da operação e o estado onde ela ocorreu.
A expectativa dos órgãos de controle é que o material recolhido durante a operação contribua para esclarecer a extensão das irregularidades e identificar todos os envolvidos no suposto esquema. As investigações continuam e novos desdobramentos não estão descartados.