O presidente do TRE-PE, o desembargador Fernando Cerqueira, garantiu que a Corte está estruturada para atuar em qualquer contexto eleitoral, reforçando mecanismos de fiscalização, transparência e combate à desinformação. A preocupação central é evitar que notícias falsas, manipulações digitais e conteúdos enganosos influenciem o voto dos pernambucanos.
Entre as principais ferramentas que serão utilizadas está o Projeto Aletheia, desenvolvido em parceria com a Universidade Federal de Pernambuco. A iniciativa monitora a circulação de informações falsas e conteúdos suspeitos nas redes sociais, permitindo uma atuação mais rápida da Justiça Eleitoral diante de possíveis tentativas de manipulação do debate público.
O desembargador destacou que a inteligência artificial deverá ter presença significativa nas campanhas eleitorais do próximo ano. No entanto, ele lembrou que existem regras claras estabelecidas pelo Tribunal Superior Eleitoral para impedir abusos. Entre as restrições está a proibição do uso de deepfakes — vídeos, áudios ou imagens manipulados para simular falas e comportamentos que nunca aconteceram. Além disso, qualquer conteúdo produzido com inteligência artificial deverá ser identificado de forma transparente ao eleitor.
A preparação do TRE-PE também envolve uma atuação conjunta com órgãos de segurança pública. O trabalho integrado reúne instituições como a Polícia Federal, a Polícia Rodoviária Federal e a Secretaria de Defesa Social de Pernambuco. O objetivo é monitorar possíveis crimes eleitorais, combater irregularidades e garantir tranquilidade durante todas as etapas do processo eleitoral.
Outro ponto que recebe atenção especial é o enfrentamento da violência política, principalmente aquela direcionada às mulheres que participam da vida pública. O tribunal pretende ampliar ações de prevenção e fiscalização para coibir práticas que possam intimidar candidatas ou dificultar sua participação na disputa eleitoral.
No ambiente digital, a vigilância também será intensificada. Com o crescimento das redes sociais como principal espaço de debate político, o TRE-PE pretende acompanhar mais de perto a circulação de conteúdos enganosos, campanhas de difamação e possíveis ataques coordenados que possam comprometer a lisura das eleições.
A Justiça Eleitoral também prepara uma série de ações voltadas à inclusão e à acessibilidade. Entre as medidas estudadas estão a ampliação da oferta de transporte gratuito para eleitores em diversas regiões do estado, a instalação de seções eleitorais mais próximas das comunidades e a adoção de recursos que facilitem o exercício do voto por pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida.
Além disso, o tribunal promete reforçar a fiscalização do cumprimento das cotas de gênero e raça, tema que ganhou relevância nas últimas eleições. O combate às chamadas candidaturas fictícias, utilizadas apenas para preencher exigências legais sem participação efetiva na campanha, continuará entre as prioridades da Justiça Eleitoral.
Outro desafio será ampliar o diálogo com a população sobre a segurança das urnas eletrônicas. O TRE-PE pretende investir em ações educativas e de transparência para esclarecer dúvidas dos eleitores e fortalecer a confiança no sistema eletrônico de votação, considerado uma das bases do processo democrático brasileiro.
Com um cenário político que promete ser marcado por disputas intensas e pelo avanço das novas tecnologias, a Justiça Eleitoral pernambucana busca se antecipar aos desafios para garantir que a vontade do eleitor seja respeitada e que a eleição de 2026 ocorra dentro dos princípios da legalidade, da transparência e da democracia.