O resultado chama atenção principalmente porque ocorre em meio ao início oficial da campanha eleitoral. Raquel aparece à frente não apenas no cenário estimulado, mas também na pesquisa espontânea e em uma simulação direta contra João Campos.
No cenário estimulado com todos os candidatos, Guilherme Fonseca (PSTU) aparece com 0,6%. Na sequência, Professora Camila (UP), Ivan Moraes (PSOL), Renan Hallais (Missão) e Professor Jeremias do Banco (Democrata) registram 0,1% cada. Victor Assis (PCO) não pontuou.
Brancos e nulos somam 6,2%, enquanto 10,5% dos entrevistados não souberam ou não quiseram responder.
Raquel supera 55% dos votos válidos
Quando são retirados da conta os votos brancos, nulos e os eleitores que não souberam ou não responderam, a vantagem da governadora fica ainda mais evidente.
Raquel Lyra chega a 55,4% dos votos válidos, enquanto João Campos aparece com 43,3%. Os demais candidatos, somados, ficam com uma parcela residual.
Na prática, o número coloca Raquel, neste momento, acima da marca de 50% dos votos válidos que, se fosse reproduzida no resultado oficial da eleição, representaria vitória no primeiro turno.
É importante, porém, fazer uma ressalva jornalística: pesquisa eleitoral é uma fotografia do momento e não uma previsão do resultado de 4 de outubro. Ainda há campanha, propaganda, debates, alianças e uma parcela significativa do eleitorado que pode mudar de posição.
No confronto direto, governadora também lidera
O Simplex testou ainda um cenário somente com os dois principais nomes da disputa.
Raquel Lyra aparece com 47,4%, contra 38% de João Campos. Brancos, nulos e indecisos completam o quadro.
Considerando exclusivamente os votos válidos, a governadora alcança 55,5%, enquanto João fica com 44,5%.
O dado é politicamente relevante porque mostra que a vantagem de Raquel não desaparece quando os candidatos de menor expressão são retirados da disputa. Ao contrário: a governadora continua à frente no confronto direto.
Espontânea mostra Raquel consolidando lembrança eleitoral
Outro dado importante está na pesquisa espontânea, quando o eleitor precisa citar o nome de sua preferência sem receber uma lista de candidatos.
Raquel Lyra aparece com 39,6%, enquanto João Campos soma 26,9%.
Outros nomes representam 0,2%, brancos e nulos ficam em 4,9%, e 28,4% não souberam ou não responderam.
Esse número merece atenção porque quase quatro em cada dez eleitores já citam espontaneamente o nome da governadora. Ao mesmo tempo, o percentual de indecisos ainda é elevado, mostrando que existe espaço para movimentação durante a campanha.
Raquel recua, mas João também não consegue avançar
A comparação com a pesquisa Simplex anterior ajuda a interpretar melhor o resultado.
Em julho, Raquel aparecia com 48,2%, contra 36,5% de João Campos. Agora, a governadora marca 46,2%, uma queda de 2 pontos percentuais. João, por sua vez, recuou 0,4 ponto, passando de 36,5% para 36,1%.
Ou seja, Raquel perdeu parte da vantagem numérica, mas João não transformou esse recuo em crescimento próprio.
A diferença entre os dois era de 11,7 pontos na rodada anterior. Agora está em 10,1 pontos.
É justamente aí que está uma das principais leituras políticas da pesquisa: a governadora não está ampliando a vantagem, mas também não demonstra, pelos números do Simplex, uma perda capaz de colocar sua liderança imediatamente sob ameaça.
Aprovação continua acima de 60%
Outro indicador que ajuda a explicar o desempenho eleitoral de Raquel é a avaliação do governo.
A gestão da governadora é aprovada por 63,8% dos entrevistados, enquanto 28,8% desaprovam. Outros 7,4% não souberam ou não responderam.
Apesar de continuar em um patamar elevado, a aprovação também apresentou oscilação em relação à rodada anterior do próprio instituto. Em julho, Raquel tinha 66,7% de aprovação e 27,4% de desaprovação.
Portanto, houve uma redução de 2,9 pontos na aprovação, enquanto a desaprovação cresceu 1,4 ponto.
Ainda assim, a avaliação positiva permanece bastante superior à negativa e oferece à governadora um ativo político importante para a campanha.
A virada de cenário ao longo de 2026
O dado mais expressivo talvez esteja menos no número isolado desta segunda-feira e mais na trajetória da disputa.
A Simplex registrou, em abril, um empate praticamente absoluto entre os dois principais candidatos: Raquel tinha 42,6% e João Campos 42,3%.
Três meses depois, na rodada de julho, a governadora já aparecia com 48,2% contra 36,5%, abrindo 11,7 pontos.
Agora, mesmo recuando para 46,2%, Raquel continua com 10,1 pontos de vantagem.
O movimento é ainda mais significativo quando observado em conjunto com outros levantamentos divulgados em julho. Diferentes institutos colocaram Raquel numericamente à frente naquele mês, embora com diferenças de metodologia e tamanho de vantagem.
Isso indica que a eleição deixou para trás aquele primeiro cenário do ano, no qual João Campos aparecia com vantagem muito mais confortável em vários levantamentos.
O que os números dizem sobre a campanha
A pesquisa Simplex/CBN chega justamente quando as campanhas começam a ganhar as ruas com maior intensidade. E os números apresentam duas leituras distintas.
Para Raquel Lyra, o cenário é de liderança, mas não de acomodação. A governadora continua acima dos 50% dos votos válidos, lidera no espontâneo, vence no confronto direto e mantém aprovação superior a 60%.
Por outro lado, o recuo de 48,2% para 46,2% mostra que a vantagem não é estática. A campanha começa agora e João Campos ainda tem espaço para tentar reduzir a distância.
Para o candidato do PSB, o principal desafio é transformar presença de campanha e força política em crescimento nas pesquisas. Na rodada atual do Simplex, João praticamente repetiu o desempenho anterior, passando de 36,5% para 36,1%.
A diferença é que, enquanto Raquel segue acima dos 46%, João continua estacionado na faixa dos 36%.
Outro ponto que merece atenção é o contingente de eleitores ainda indefinidos. No cenário estimulado, 10,5% não souberam ou não responderam, além dos 6,2% que declararam branco ou nulo. Na espontânea, o grupo que não sabe ou não responde sobe para 28,4%.
Isso significa que existe um eleitorado considerável ainda disponível para ser disputado.
A eleição está definida? Não. Mas o momento favorece Raquel
A leitura mais equilibrada dos números é que Raquel Lyra chega a esta fase da eleição em uma posição claramente mais confortável do que João Campos.
Ela lidera o cenário completo, lidera na espontânea, lidera no confronto direto, supera 55% dos votos válidos e possui aprovação de 63,8%.
João Campos, por sua vez, permanece como principal adversário e concentra praticamente toda a disputa pelo segundo lugar, mas ainda precisa produzir uma reação capaz de transformar a vantagem de Raquel em uma disputa novamente equilibrada.
A fotografia da Simplex/CBN, portanto, não mostra uma eleição encerrada. Mostra uma eleição em que Raquel Lyra largou na frente neste início de campanha e, mesmo com pequena perda percentual em relação à pesquisa anterior, continua ocupando o lado mais confortável do tabuleiro.
Dados da pesquisa
O levantamento Simplex/CBN ouviu 1.067 eleitores pernambucanos entre os dias 16 e 21 de agosto de 2026.
A pesquisa tem margem de erro de 3 pontos percentuais, com nível de confiança de 95%, e está registrada no Tribunal Superior Eleitoral sob o número PE-06688/2026.
O intervalo da coleta também é importante: as entrevistas foram realizadas entre 16 e 21 de agosto, portanto, captaram os primeiros dias da campanha oficial, permitindo observar como o eleitorado começou a reagir ao novo ambiente eleitoral.
No momento, a principal mensagem dos números é direta: Raquel Lyra continua na frente, acima dos 50% dos votos válidos, enquanto João Campos ainda busca uma reação para encurtar uma distância que permanece superior a dez pontos no voto estimulado.