quarta-feira, 7 de outubro de 2026

JANJÃO ESTREIA NA ALEPE COM UM MAPA DE VOTOS QUE ASSUSTA OS CACIQUES DO AGRESTE

Com 67.479 votos, sendo 49.494 no Agreste, Janjão deixa de ser apenas uma liderança de Bom Jardim e chega à Alepe com território suficiente para incomodar quem há décadas trata a região como propriedade particular

O resultado das urnas começa a produzir um efeito que talvez alguns caciques do Agreste ainda estejam tentando digerir.

Janjão está chegando à Assembleia Legislativa de Pernambuco com 67.479 votos. E não chega apenas com uma votação expressiva. Chega com um mapa eleitoral espalhado por muitos municípios do Agreste, região onde grupos tradicionais há décadas disputam espaço, influência e, em alguns casos, tratam determinadas cidades como se fossem quintais particulares.

O problema para essa velha guarda é simples: Janjão apareceu no mapa. E apareceu grande.

Dos 67.479 votos conquistados em Pernambuco, 49.494 vieram de municípios do Agreste. São quase 50 mil votos dentro da região que agora passa a ser, naturalmente, um dos principais territórios políticos do novo deputado.

E não estamos falando de uma votação confinada a Bom Jardim.

Muito pelo contrário.

Bom Jardim foi a largada. Mas Janjão colocou o pé na estrada e conseguiu espalhar sua votação por uma quantidade expressiva de municípios do Agreste, mostrando que existe um eleitorado disposto a apostar em uma nova liderança.

É justamente aí que mora o incômodo.

Porque a política regional está acostumada com nomes que possuem território demarcado, alianças tradicionais, famílias políticas, prefeitos, vereadores e estruturas que se repetem eleição após eleição.

Janjão entrou nessa fotografia sem pedir licença.

E entrou pelo voto.

Sem mandato anterior na Alepe, sem quatro anos de estrutura parlamentar e sem a cadeira de deputado como ponto de partida, o novo parlamentar conseguiu construir 67.479 votos e concentrar quase 50 mil deles no Agreste.

Isso não é pouca coisa.

É o tipo de votação que faz muito cacique olhar para o mapa e começar a fazer contas.

Quem antes enxergava Janjão apenas como uma liderança de Bom Jardim terá agora de atualizar o endereço político.

Porque o deputado eleito não pertence eleitoralmente apenas a uma cidade.

Ele pode se tornar um legítimo representante de todo o Agreste pernambucano.

E aí começa a parte interessante.

O Agreste não é um território político homogêneo. É uma região dividida em vários centros de poder, com lideranças que construíram suas carreiras controlando bases eleitorais específicas.

Durante muito tempo, funcionou assim: cada grupo cuidava do seu pedaço e, na hora da eleição, as peças eram movimentadas.

Só que as urnas de 2026 colocaram uma peça nova no tabuleiro.

Janjão.

E uma peça com quase 50 mil votos no Agreste não chega para fazer figuração.

Chega para conversar.

Chega para cobrar.

Chega para disputar espaço.

Chega, principalmente, para dizer que existe eleitorado além das estruturas tradicionais.

Não significa que Janjão tenha derrotado os caciques. Seria precipitado afirmar isso.

Mas significa algo talvez mais incômodo: ele mostrou que é possível construir uma votação regional sem necessariamente pedir autorização aos donos históricos dos territórios políticos.

E isso muda o jogo.

A partir de agora, cada prefeito, vereador ou liderança que enxergar em Janjão uma possibilidade de parceria estará olhando também para uma votação comprovada nas urnas.

E cada cacique que imaginar que o novo deputado deve permanecer limitado ao seu berço eleitoral poderá descobrir, nos próximos quatro anos, que o mapa já mudou.

O primeiro mandato será justamente o teste.

Janjão terá de transformar os votos em presença, os municípios em articulação e as alianças eleitorais em uma rede política permanente.

Se fizer isso, poderá sair de 2026 como deputado eleito e chegar ao próximo ciclo como uma das principais lideranças regionais do Agreste.

É aí que a conta pode ficar salgada para a velha política.

Porque uma coisa é enfrentar um candidato em uma eleição.

Outra é ver nascer, dentro da própria região, um deputado com mandato, 67.479 votos e presença eleitoral em muitos municípios.

Os caciques sabem que mandato passa.

Mas sabem também que território eleitoral, quando bem cuidado, cria raízes.

E Janjão acaba de plantar as suas.

O recado das urnas foi direto: Bom Jardim continua sendo uma base importante, mas o projeto eleitoral ultrapassou suas fronteiras.

49.494 votos no Agreste não são apenas votos. São portas abertas em dezenas de municípios, relações políticas construídas e um território que agora precisa ser ocupado politicamente.

Janjão estreia na Alepe.

E talvez essa seja a parte que mais incomode os donos tradicionais do poder:

ele não chega pedindo um lugar à mesa. Chega com votos suficientes para construir a própria mesa.

O deputado ainda terá muito a provar.

Mas o mapa eleitoral de 2026 já deixou uma certeza: o Agreste ganhou uma nova voz — e os caciques ganharam um novo concorrente. É assim que se passa a régua do poder em 2017.

PREFEITURA DE GARANHUNS ACOMPANHA AMPLIAÇÃO DE SISTEMA DE ENERGIA SOLAR DO ABRIGO SÃO VICENTE DE PAULO

Nova estrutura deve ampliar geração própria e garantir aproximadamente 100% do consumo de energia da instituição
A Prefeitura de Garanhuns acompanhou, nesta terça-feira (6), a inauguração da ampliação do sistema de energia solar do Abrigo São Vicente de Paulo. A iniciativa amplia a capacidade de geração própria da instituição e deve permitir que aproximadamente 100% do consumo de energia elétrica do abrigo seja atendido por fonte solar.

A ampliação foi viabilizada por meio da doação de novos equipamentos pela Kroma Energia, em parceria com a WEG Solar, complementando o sistema fotovoltaico que já estava em funcionamento no abrigo.

Antes da ampliação, o Abrigo São Vicente de Paulo contava com 68 módulos fotovoltaicos, responsáveis pela geração de cerca de 3,92 MWh por mês, correspondendo a aproximadamente 61% do consumo mensal da instituição. Com a instalação dos novos equipamentos, a expectativa é eliminar os 3,14 MWh mensais que ainda eram faturados pela concessionária.

A nova estrutura conta com 81 módulos fotovoltaicos de 555 W, com potência total de aproximadamente 44,96 kWp. Somado ao sistema existente, o abrigo deverá alcançar cerca de 82 kWp de potência instalada, elevando a cobertura energética para aproximadamente 100% do consumo da instituição.

Para o prefeito Sivaldo Albino, a iniciativa representa um importante exemplo de parceria em benefício de uma instituição que presta um serviço essencial à população idosa de Garanhuns.

Para Rodrigo Mello, CEO da Kroma Energia, a iniciativa reforça o compromisso da empresa com ações que associam sustentabilidade e impacto social. “A expansão do sistema solar do Abrigo São Vicente de Paulo mostra, na prática, como a energia renovável pode contribuir para transformar realidades. Além de ampliar o uso de uma fonte limpa, a iniciativa ajuda a reduzir uma despesa fixa da instituição, permitindo que esses recursos possam ser destinados a outras necessidades dos idosos”, afirmou.

A ampliação também permitirá que a energia produzida atenda novas demandas da instituição, como os equipamentos da lavanderia industrial — calandra, lavadora, centrífuga e secador — e quatro aparelhos de ar-condicionado de 12 mil BTUs.

Com 67 anos de história, o Abrigo São Vicente de Paulo atende atualmente 70 idosos, oferecendo moradia, alimentação e assistência médica, odontológica e psicossocial a pessoas idosas em situação de vulnerabilidade.

Fotos: Wedson Gonçalves

ZECA CAVALCANTI ACELERA AGENDA DE SAÚDE EM ARCOVERDE E ENTREGA NOVA UBS NO SUCUPIRA

 O prefeito Zeca Cavalcanti iniciou a semana com o pé no acelerador e uma agenda de entregas na área da saúde. Nesta quarta-feira (7), o gestor oficializou a entrega das novas instalações da Unidade Básica de Saúde Luiz Almeida de Souza, no bairro do Sucupira, em Arcoverde.

A unidade, que atende mais de 3 mil pacientes, deixou o antigo prédio e passou a funcionar em um novo espaço, localizado às margens da BR-232, ao lado do Palace Hotel. A estrutura conta com ambientes mais amplos, consultórios médico e de enfermagem, novo gabinete odontológico e sala de vacinação equipada com câmara fria para conservação dos imunobiológicos.

“São mais de 3 mil pacientes atendidos por esta unidade, e que agora contam com um espaço muito mais estruturado e preparado para acolher cada pessoa que chega em busca de atendimento. É assim que trabalhamos, cuidando das pessoas, levando a saúde para mais perto de quem precisa”, afirmou Zeca.

Segundo a secretária de Saúde, Maria Clara, a nova estrutura proporciona melhores condições para usuários e profissionais, além de contar com uma área destinada às crianças.

Outro destaque é a instalação de uma nova câmara fria para a sala de vacinação. De acordo com a secretária, o equipamento é o terceiro adquirido pela rede municipal e integra uma estratégia para ampliar a estrutura de conservação de imunobiológicos nas unidades.

“Além dos novos espaços, estamos entregando também com a sala de vacina a nossa terceira câmara fria. Em breve, todas as salas de vacinas de nosso município vão contar com um equipamento desse que vai garantir a qualidade e a segurança de nossos imunobiológicos”, afirmou Maria Clara.

A entrega da UBS do Sucupira integra uma série de ações recentes anunciadas pela gestão municipal na área da saúde. Entre elas estão as novas instalações do CAPSi, a UBS do bairro Boa Esperança e a construção de uma UBS Tipo III no São Cristóvão, em andamento.

A Prefeitura também realizou entregas de novas ambulâncias do SAMU, UTIs móveis, ambulância para o TFD e dois micro-ônibus para o Tratamento Fora de Domicílio, além de novo fardamento para os Agentes Comunitários de Saúde.

NO RECIFE, GOVERNADORA RAQUEL LYRA ENTREGA 49 RESIDÊNCIAS REFORMADAS PELO PROGRAMA MORAR BEM PERNAMBUCO

A governadora Raquel Lyra entregou, nesta quarta-feira (7), no bairro de Santo Amaro, no Recife, 49 casas reformadas através do programa Morar Bem na modalidade Reforma no Lar. Somente nesta localidade, está prevista a reforma de mais 254 imóveis. O investimento destinado pelo programa ao bairro de Santo Amaro é de R$ 5,4 milhões.

“Com a casa reformada, essas famílias podem ter um lugar decente para viver e sonhar novos sonhos. O Reforma no Lar faz parte da nossa estratégia de garantir melhoria nos imóveis, assegurando melhorias e dando condições de habitabilidade e segurança para as famílias pernambucanas. Além das entregas de hoje, o trabalho continua. No total, são mais de 300 casas nesse lote que estamos reformando em Santo Amaro. Vamos continuar trabalhando por Recife e Pernambuco”, destacou a governadora Raquel Lyra.

Os trabalhos de reforma começaram em junho deste ano. No momento, 40 profissionais continuam atuando na comunidade para finalizar o conjunto de obras até agosto de 2027. Os serviços incluem reabilitação de coberturas, renovação de instalações elétricas e hidráulicas, aplicação de revestimento cerâmico e pintura geral nas residências delimitadas pela área do projeto.

Acompanhando a agenda, a vice-governadora Priscila Krause enfatizou o compromisso do Governo com a capital do Estado. “Estamos aqui em Santo Amaro, vendo as necessidades do nosso povo e trabalhando para melhorar a qualidade de vida das pessoas, como fazemos em todo o Estado. Por muito tempo, essa comunidade não foi vista, mas esse tempo acabou. Estamos governando para mudar a vida dos pernambucanos”, concluiu.

Recebendo a visita da governadora Raquel Lyra em sua casa, a beneficiária Eduarda Cristina, de 36 anos, mãe de três filhos, contou da alegria de ter seu lar reformado. “Esse programa é uma benção. Há tempo, eu queria melhorias na minha casa, tanto para mim, quanto para meus filhos. Então, essas intervenções chegaram no momento certo, com mudança do piso ao teto, agradeço muito tudo o que foi feito”, pontuou a moradora de Santo Amaro.

Em todo o Estado, o Reforma no Lar já concluiu os serviços em 1.950 imóveis, e 384 casas estão com obras em andamento. Outras 3.861 unidades habitacionais aguardam o início das obras, enquanto 6.400 cadastros encontram-se em análise pelas equipes técnicas. A meta global do programa é reformar 12.600 imóveis, com um investimento de R$ 52,5 milhões.

O diretor-presidente da Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab), Paulo Lira, destacou a força do Reforma do Lar. “Hoje, entregamos 49 unidades habitacionais totalmente reformadas em Santo Amaro com toda a parte de pintura, troca de piso e elétrica, de acordo com a necessidade de cada unidade. São melhorias importantes que vão trazer mais qualidade de vida para quem vive aqui”, pontuou.

Acompanhando as entregas, o deputado federal Túlio Gadêlha, disse que: “O Governo de Pernambuco vem melhorando a vida das pessoas, e as pessoas têm se mostrado gratas. Por isso, meus parabéns ao Executivo estadual por cuidar de quem precisa”. Já o vereador do Recife, Alcides Teixeira Neto, enfatizou a presença do Governo do Estado nas cidades. “Essa gestão traz ações para o povo. Minha palavra é de gratidão, por uma gestão que veio mudar a história de Pernambuco. Vemos ações aqui em Santo Amaro, no Recife e em todo o Estado”, disse o parlamentar.

Estiveram presentes os secretários Nathalie Ribeiro (Meio Ambiente, Sustentabilidade e Fernando de Noronha) e o Coronel Hercílio Mamede (Chefe da Casa Militar); além do prefeito de Buenos Aires, Henrique Queiroz, e do vereador do Recife, Osmar Ricardo. Também participaram os presidentes Flávia de Nadegi, do Instituto de Assistência à Saúde dos Servidores do Estado de Pernambuco (Iassepe), Paulo André Rabêlo, da Junta Comercial do Estado de Pernambuco (Jucepe), e João Baltar Freire, da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe).

Fotos: Yacy Ribeiro/Secom

EXPLODE O ÓDIO CONTRA O NORDESTE APÓS O RESULTADO DAS URNAS

O voto é livre. O preconceito não. E as redes sociais voltaram a mostrar, depois de uma eleição, uma face nada bonita do Brasil.

Não adianta esconder debaixo do tapete. O preconceito contra nordestinos existe, é antigo e atravessa gerações. Aparece no sotaque, na origem, na condição social, nas piadas e, de tempos em tempos, ganha uma nova embalagem: a política.

Foi exatamente isso que voltou a acontecer depois do primeiro turno das eleições de 2026.

O mapa das urnas mostrou uma diferença regional bastante clara na disputa presidencial. Luiz Inácio Lula da Silva terminou o primeiro turno à frente de Flávio Bolsonaro no Nordeste, com 63,77% dos votos válidos contra 30,85% do candidato do PL. Lula venceu nos nove estados nordestinos. No restante do país, Flávio teve desempenho superior em boa parte das regiões. 

E foi aí que parte das redes sociais resolveu transformar uma escolha eleitoral em motivo para atacar milhões de brasileiros.

O fenômeno não é exatamente novidade. Depois de eleições anteriores, especialmente em 2014, 2018 e 2022, episódios de xenofobia contra nordestinos foram registrados no ambiente digital. Uma pesquisa acadêmica dedicada às eleições de 2014, por exemplo, identificou a circulação de discursos de ódio contra nordestinos nas redes sociais e relacionou esse comportamento a estereótipos históricos, preconceito regional e desigualdades sociais. 

Em 2018, a própria Assembleia Legislativa de Pernambuco registrou o aumento de manifestações discriminatórias contra nordestinos na internet após o resultado presidencial. Na ocasião, o Observatório da Intolerância Política da OAB-PE havia recebido 195 queixas relacionadas à discriminação por opinião eleitoral, muitas delas envolvendo ataques ao eleitorado nordestino. 

Agora, oito anos depois, a história parece ganhar novos capítulos.

O MOTIVO DA VEZ

Um levantamento que está sendo concluído pela Ativaweb DataLab aponta uma explosão da conversa digital em torno do voto nordestino após o primeiro turno.

Segundo o cientista de dados e CEO da Ativaweb DataLab, Alek Maracajá, foram capturadas, nas últimas 72 horas, quase 33 milhões de menções, links e compartilhamentos relacionados ao voto nordestino. De acordo com o levantamento preliminar citado pelo pesquisador, 82,2% dessas manifestações apresentavam tom crítico ao voto do Nordeste.

O número ainda precisa ser apresentado pelo laboratório com metodologia, período exato, plataformas monitoradas e critérios de classificação para que possa ser analisado em sua totalidade. Mas a existência de uma avalanche de comentários sobre o comportamento eleitoral nordestino já é perceptível nas redes.

A Ativaweb DataLab tem realizado monitoramentos do ambiente digital durante as eleições de 2026. Levantamentos anteriores do laboratório foram publicados por veículos como VEJA e Revista Nordeste, inclusive com análise de milhões de menções e interações nas plataformas digitais.

O NORDESTINO VOTA. E PAGA A CONTA?

O que chama atenção nessa história é a lógica utilizada por parte dos ataques.

O eleitor nordestino pode votar em Lula. Pode votar em Flávio. Pode votar em Caiado, Zema, Cury, Renan ou em qualquer outro candidato.

Pode mudar de opinião.

Pode votar branco.

Pode anular.

Pode simplesmente não gostar de nenhum.

É democracia.

O problema começa quando alguém olha para o mapa eleitoral e conclui que milhões de pessoas são inferiores, ignorantes, incapazes ou menos brasileiras simplesmente porque vivem ou nasceram em determinada região.

Isso não é debate político.

É preconceito regional.

E o próprio Estado brasileiro já tratou situações semelhantes como casos que podem ultrapassar o limite da liberdade de expressão.

Em janeiro deste ano, o Ministério Público Federal em Pernambuco informou a condenação de um internauta por publicações ofensivas contra nordestinos motivadas por questões político-eleitorais e preconceito de origem regional. A decisão estabeleceu pena de 2 anos e 11 meses de reclusão, substituída por medidas alternativas, além de R$ 20 mil por danos morais coletivos. O caso teve origem em comentários publicados em uma rede social e relacionados a eleitores de Garanhuns. 

Em fevereiro, a Justiça Federal também manteve a condenação de um vereador de Caxias do Sul por manifestações xenofóbicas contra trabalhadores nordestinos, especialmente baianos. A decisão determinou o pagamento de R$ 100 mil por danos morais coletivos.

Ou seja: não é invenção de quem se sente ofendido. O preconceito regional existe e pode produzir consequências jurídicas.

E TEM NORDESTINO QUE AJUDA A ALIMENTAR O PRECONCEITO

Aqui está uma parte incômoda da história.

O preconceito não vem apenas de quem está fora.

Existe também uma parcela de nordestinos que reproduz os próprios estereótipos contra a região. Gente que sente vergonha do sotaque, que esconde a origem, que trata a própria terra como sinônimo de atraso e que, paradoxalmente, participa da construção do discurso que depois volta contra ela.

É uma contradição brasileira.

O Nordeste é frequentemente lembrado pela cultura, pela música, pela gastronomia, pelo turismo e pela força de seu povo. Mas, na hora da disputa política, uma parte do debate abandona a crítica ao voto e passa a atacar a identidade de quem votou.

E aí o problema deixa de ser Lula ou Flávio.

Deixa de ser esquerda ou direita.

Deixa de ser PT ou PL.

Passa a ser uma questão muito maior: que tipo de país queremos construir quando discordamos uns dos outros?

O MAPA PODE SER VERMELHO, AZUL, VERDE OU DE QUALQUER COR

O mapa eleitoral não pertence a candidato nenhum.

Nem ao Nordeste.

Nem ao Sul.

Nem ao Sudeste.

Nem ao Norte.

Nem ao Centro-Oeste.

Em 2026, o Nordeste votou majoritariamente em Lula. Mas os próprios números mostram que o comportamento regional está longe de ser uniforme ou imutável.

Flávio Bolsonaro, por exemplo, obteve 10,39 milhões de votos no Nordeste, correspondentes a 30,85% dos votos válidos da região. O número representa crescimento em relação à votação de Jair Bolsonaro em 2022: Flávio recebeu cerca de 1,61 milhão de votos a mais que o pai havia obtido no primeiro turno daquele ano na região. 

Portanto, até dentro do Nordeste existe diversidade política.

E muita.

Pernambuco não é a Bahia.

A Bahia não é Alagoas.

Alagoas não é o Piauí.

O Piauí não é o Ceará.

E nenhum desses estados representa sozinho os quase 58 milhões de brasileiros que vivem na região.

O Nordeste não é um bloco eleitoral.

É uma sociedade inteira, formada por diferentes classes sociais, religiões, profissões, cidades, campos políticos e histórias familiares.

O ÓDIO DIGITAL NÃO PODE VIRAR NORMALIDADE

As redes sociais deram voz a milhões de pessoas. Mas também deram velocidade a preconceitos que antes ficavam restritos às conversas privadas.

O problema é que, escondido atrás de uma tela, muita gente perde a noção de que existe uma pessoa do outro lado.

Um nordestino lendo.

Um pernambucano lendo.

Um baiano lendo.

Um cearense lendo.

Um paraibano lendo.

Um maranhense, alagoano, sergipano, potiguar ou piauiense lendo.

E muitos deles vivendo justamente nas regiões que aparecem no mapa pintadas de outra cor.

A Polícia Federal reconhece que expressões historicamente utilizadas contra migrantes nordestinos carregam origem pejorativa e depreciativa e destaca que o Nordeste é uma região plural, com diferentes culturas, sotaques e realidades. 

No fim das contas, o eleitor pode até ser responsabilizado pelo voto que escolheu — politicamente, nas urnas. Mas não pode ser tratado como cidadão de segunda categoria por causa da sua origem.

A urna termina às cinco da tarde.

O preconceito, quando ninguém enfrenta, continua funcionando 24 horas.

E talvez seja essa a parte mais perigosa dessa história: transformar a divergência eleitoral em autorização para desprezar uma região inteira do país.

O Nordeste pode mudar de voto.

O Nordeste pode surpreender.

O Nordeste pode dividir suas escolhas.

O Nordeste pode votar em quem quiser.

Mas continuará sendo Nordeste.

E continuará sendo Brasil.

OITO MANDATOS E VOTAÇÃO RECORDE: ANTÔNIO MORAES ESTICA SUA MARCA E SE CONSOLIDA COMO UM DOS GIGANTES DA ALEPE

Antônio Moraes não apenas venceu mais uma eleição. Ele ampliou uma marca que já entrou para a história da política pernambucana.

Aos 4 de outubro, o deputado estadual do PSD voltou às urnas, recebeu 67.808 votos e garantiu o oitavo mandato consecutivo na Assembleia Legislativa de Pernambuco.

A nova vitória coloca Moraes em uma prateleira reservada para poucos. Com oito mandatos seguidos, ele chega à próxima legislatura como um dos parlamentares mais longevos da história recente da Alepe, carregando uma experiência acumulada ao longo de décadas de atuação política.

E há um detalhe que torna o resultado ainda mais expressivo: 67.808 votos foi a maior votação da carreira de Antônio Moraes. Ou seja, aos invés de perder força com o passar dos anos, o deputado conseguiu ampliar sua marca justamente em uma eleição marcada por disputas acirradas e renovação de nomes no cenário político estadual.

O resultado também escancara a força de uma estrutura política construída município por município. Antônio Moraes mantém uma base especialmente sólida na Mata Norte, região onde consolidou alianças com prefeitos, vereadores, lideranças e grupos políticos que atravessaram diferentes ciclos eleitorais.

É justamente essa capacidade de sobreviver às mudanças de vento da política que ajuda a explicar a longevidade de Moraes. Ele atravessou governos, mudanças partidárias, novas gerações de lideranças e diferentes conjunturas eleitorais sem deixar de ocupar espaço no Legislativo pernambucano.

Agora, com o oitavo mandato garantido e uma votação recorde no currículo, Antônio Moraes chega à nova composição da Alepe com algo que poucos parlamentares conseguem reunir: tempo de Casa, experiência, conhecimento dos bastidores e uma base eleitoral consolidada.

A eleição de 2026, portanto, não foi apenas mais uma vitória para o deputado. Foi a confirmação de que a marca Antônio Moraes continua viva e forte nas urnas.

Oito mandatos depois, o veterano segue no jogo — e agora com uma votação que bateu o próprio recorde

DE BODOCÓ PARA BRASÍLIA: ERLANIO XAVIER VENCE NO MARANHÃO E LEVA O ARARIPE PARA A CÂMARA FEDERAL

FILHO DO SERTÃO DO ARARIPE, ERLANIO XAVIER É ELEITO DEPUTADO FEDERAL PELO MARANHÃO COM 127.715 VOTOS

O Sertão do Araripe ganhou mais um motivo para comemorar. Natural de Bodocó, onde nasceu e cresceu, Erlanio Xavier (PDT) foi eleito deputado federal pelo Maranhão nas eleições de 2026 e agora prepara as malas para Brasília. Com 127.715 votos, ele conquistou a oitava maior votação entre os deputados federais eleitos pelo Maranhão, consolidando uma trajetória política que começou longe de sua terra natal, mas nunca apagou suas raízes sertanejas.

A história de Erlanio Xavier é daquelas que atravessam fronteiras. Filho de Bodocó, no Sertão pernambucano, foi no Maranhão que construiu sua carreira política, chegando à Prefeitura de Igarapé Grande e posteriormente à presidência da Federação dos Municípios do Maranhão (Famem).

No meio político maranhense, Erlanio passou a ser reconhecido pela capacidade de articulação, pelo trânsito entre diferentes grupos e pela habilidade de construir alianças. Uma experiência que agora será colocada à prova em um cenário bem maior: o Congresso Nacional.

A eleição para a Câmara dos Deputados representa um novo capítulo de uma trajetória marcada pela política municipalista. Ao deixar a experiência de gestor e articulador estadual para assumir um mandato federal, Erlanio chega a Brasília com uma bagagem construída diretamente nos municípios.

E há um detalhe que chama atenção: embora eleito pelo Maranhão e com toda sua trajetória política construída naquele estado, Erlanio não esconde a ligação com Bodocó e com o Sertão do Araripe. É uma história que começou no interior de Pernambuco, ganhou força no Maranhão e agora chega ao centro das decisões políticas do país.

A votação expressiva também demonstra a força política construída ao longo dos anos. São 127.715 votos que colocam o pernambucano de nascimento entre os nomes mais votados para a Câmara Federal no Maranhão.

Erlanio Xavier agora terá quatro anos para transformar a experiência adquirida nos municípios em atuação nacional, defendendo pautas que envolvem desenvolvimento regional, investimentos, infraestrutura e fortalecimento das cidades.

A trajetória ganha um novo endereço, mas mantém a mesma origem.

De Bodocó para o Maranhão. Do Maranhão para Brasília. E com o nome do Sertão do Araripe atravessando as fronteiras de Pernambuco

HOSPITAL DA RESTAURAÇÃO CONVIDA DOADORES DE SANGUE PARA REFORÇAR ESTOQUES DA UNIDADE

Principal referência em trauma e emergências da rede estadual de Saúde precisa de doações

O Hospital da Restauração (HR) Governador Paulo Guerra, no Recife, reforça a mobilização e a importância da doação de sangue diante da redução dos estoques disponíveis para atender aos pacientes da unidade. A principal referência em trauma e emergência ligada à Secretaria de Saúde de Pernambuco, o HR utiliza sangue e hemocomponentes diariamente em diferentes situações de assistência, tornando a manutenção dos estoques fundamental para a continuidade do atendimento 

“Atualmente, estamos com estoques reduzidos de sangue A negativo e O negativo, então, existe a necessidade real para que aumente as doações de sangue, de qualquer tipo. Devido ao perfil do HR, a transfusão de sangue faz parte da rotina deste hospital, inclusive com pacientes graves que realizam transfusão maciça”, explica a médica hematologista e hemoterapeuta e coordenadora da Agência Transfusional do Hospital da Restauração, Audrey Vasconcelos.

O HR conta com uma unidade de coleta de sangue que funciona de domingo a domingo, das 7h15 às 12h e das 13h às 17h. A unidade tem capacidade para receber cerca de 30 doadores por dia. O atendimento pode ser feito de forma espontânea, mas também é possível agendar previamente o horário da doação pelo telefone (81) 3181-5722.

Grupos de doadores também podem se organizar para realizar a doação. A iniciativa contribui para reforçar os estoques de sangue e manter a assistência aos pacientes que necessitam de transfusão durante o internamento hospitalar

Para ser um doador de sangue, é necessário estar em boas condições de saúde, pesar no mínimo 50 kg e ter idade a partir de 16 anos. Menores de 18 anos devem estar acompanhados do responsável legal. Candidatos acima de 61 anos podem doar se forem doadores regulares, e pessoas com mais de 70 anos podem doar após avaliação médica. O candidato deve estar alimentado e apresentar documento oficial com foto. Para doadores acima de 60 anos, o intervalo entre as doações é de seis meses.


Fotos: Vivian Ramos/SES-PE