Candidato é acusado de usar ação do Governo de Pernambuco para turbinar a própria campanha. TRE-PE mandou retirar vídeos das redes sociais
A campanha de Izaías Régis (PSD) acaba de ganhar uma dor de cabeça daquelas. O candidato a deputado federal entrou na mira da Justiça Eleitoral após ser acusado pelo PSB de transformar uma ação do Governo de Pernambuco em vitrine para sua candidatura.
O caso envolve o Castramóvel, programa do Governo do Estado que oferece castração gratuita de cães e gatos. A ação aconteceu em Garanhuns, na EREM Francisco Medeiros, e foi divulgada nas redes sociais de Izaías.
Até aí, divulgar uma ação pública poderia parecer apenas divulgação. O problema, segundo a representação apresentada pelo PSB, é que o candidato teria ido além: associou diretamente sua imagem eleitoral ao programa, utilizando nome, número e elementos ligados à campanha em uma atividade do poder público.
Foi aí que a bronca engrossou.
O TRE-PE concedeu liminar determinando a retirada dos vídeos das redes sociais. Ou seja: aquilo que pretendia funcionar como propaganda positiva acabou virando material para uma representação eleitoral.
A acusação é pesada porque mexe justamente em uma das linhas mais sensíveis de uma eleição: não se pode confundir ação de governo com promoção de candidato.
E o caso levanta uma questão incômoda: quando um candidato aparece em um evento público, divulga o serviço, associa sua imagem à iniciativa e ainda está pedindo voto, onde termina a prestação de serviço e começa a propaganda eleitoral?
A Justiça Eleitoral vai responder.
Politicamente, porém, o estrago já começou.
Izaías, que conhece profundamente os caminhos da política e da máquina pública, agora terá de explicar por que uma ação governamental acabou sendo apresentada ao eleitorado com sua imagem eleitoral no meio.
E tem mais: campanha não pode virar carona em programa de governo.
O eleitor pode até gostar do Castramóvel, pode aprovar a iniciativa e pode reconhecer a importância do serviço. Mas uma coisa é reconhecer uma política pública. Outra, completamente diferente, é transformar essa política em palanque eleitoral.
A decisão é liminar e o mérito ainda será julgado. Portanto, não há condenação definitiva neste momento.
Mas o recado da Justiça Eleitoral foi dado — e foi dado alto:
programa de governo não é santinho de candidato.
Agora Izaías terá que responder à Justiça e, principalmente, explicar ao eleitorado por que sua campanha apareceu tão misturada com uma ação oficial do Governo de Pernambuco.
OLHA A BRONCA. E DESSA VEZ, A BRONCA FOI PARAR NA JUSTIÇA ELEITORAL.