Um carnaval diferente

sexta-feira, 23 de janeiro de 2026

GOVERNADORA RAQUEL LYRA INAUGURA NOVOS CENTROS DE IMAGEM E ENDOSCOPIA E COMPLEXO ADMINISTRATIVO DO HOSPITAL OTÁVIO DE FREITAS

Com investimento de mais de R$ 55 milhões, a unidade hospitalar também vai  ampliar emergências, UTI, centro cirúrgico e estrutura farmacêutica do hospital
A governadora Raquel Lyra inaugurou, nesta sexta-feira (23), um conjunto de novas estruturas no Hospital Otávio de Freitas (HOF), no Recife, marcando as comemorações pelos 70 anos de uma das mais importantes unidades da rede pública estadual de saúde. As entregas incluem o novo Centro de Imagem, a requalificação do Setor de Endoscopia e o novo Complexo Administrativo do hospital.
"Nós estamos reconstruindo a saúde pública de Pernambuco. Pegamos um Estado onde a rede hospitalar estava absolutamente deteriorada e estamos construindo um novo Otávio de Freitas. São R$ 80 milhões em infraestrutura e R$ 40 milhões em equipamentos, a construção da nova emergência que vai inaugurar em julho, mas hoje inauguramos o centro de imagem, de endoscopia e o novo centro administrativo. São mais de três mil trabalhadores com disposição de fazer a melhor saúde possível, mas faltava o Governo de Pernambuco colocar a saúde como prioridade e garantir os investimentos adequados”, afirmou a governadora Raquel Lyra.
Com investimento de R$ 2,4 milhões, o Centro de Imagem recebeu um tomógrafo de última geração, quatro equipamentos de radiografia móvel, dois de radiografia fixa e dois arcos cirúrgicos, ampliando a capacidade de diagnóstico e o suporte aos procedimentos cirúrgicos. O Setor de Endoscopia também foi totalmente reestruturado, com aporte de R$ 1,35 milhão. A unidade passou a contar com equipamentos modernos, como videobroncoscópio pediátrico, videocolonoscópios e novas fontes de luz, garantindo mais precisão, segurança e produtividade nos exames.
“A gente caminha pelo hospital e enxerga o verdadeiro estado de mudança que vemos em todos os hospitais da rede. Novos centros e uma área administrativa, com todo mundo junto, em um ambiente só, unindo forças para fazer a complexidade que é a gestão de um hospital público”, enfatizou a secretária de Saúde, Zilda Cavalcanti. 
Também foi entregue o novo Complexo Administrativo do HOF, que recebeu investimento de R$ 280,8 mil, oferecendo ambientes mais adequados e tecnológicos para fortalecer a gestão e melhorar as condições de trabalho das equipes. “Estamos comemorando 70 anos e essa inauguração vai ser bastante importante para todos os funcionários que vão ter mais conectividade entre eles para fluir melhor o setor e o hospital”, disse o diretor-geral da unidade hospitalar, Rômulo Aquino. 
Para o supervisor de radiologia, Edvaldo Santana, que trabalha há 30 anos no hospital, os investimentos na unidade marcam uma nova fase pros funcionários. "A gente trabalhava com equipamentos sucateados e emprestados, quebravam de manhã para serem consertados à tarde, era uma briga eterna para não parar o setor. Hoje, todos os equipamentos são novos, digitais, e estamos de fato no século 21, com a capacidade de fornecer o melhor para os usuários, que realmente precisam do serviço”, disse. 
OBRAS - Atualmente o Hospital Otávio de Freitas passa por uma série de obras, incluindo a construção de uma nova emergência, que contará com 118 leitos de emergência adulta e 40 leitos de UTI adulta. Também será realizada a requalificação e ampliação da emergência pediátrica, que passará a contar com 28 leitos, além da implantação de uma nova farmácia e da reforma da UTI, com 20 leitos. O investimento envolve também a construção do Centro de Abastecimento Farmacêutico (CAF) e de um novo bloco cirúrgico, totalizando um aporte superior a R$ 55 milhões.

Também acompanharam as entregas os vereadores do Recife, Agora é Rubem e Davi Muniz.

Fotos: Janaina Pepeu/Secom

VIAGEM COM EMPRESÁRIO DE PALMARES TERMINA EM TRAGÉDIA NA BR-232, EM PESQUEIRA

O que seria um deslocamento rumo a um evento de motociclistas no Sertão pernambucano acabou em tragédia na BR-232, no Agreste do Estado. Um grave acidente nas proximidades de Pesqueira resultou na morte de Renata Rodrigues, esposa do empresário Washington Menezes, conhecido por comandar a WM Bebidas, empresa com atuação ligada à cidade de Palmares, na Mata Sul.

Segundo as primeiras informações, o casal seguia de motocicleta pela rodovia quando houve a colisão com um carro de passeio. O veículo estaria realizando uma manobra para entrar em um posto de combustíveis às margens da estrada no momento do impacto. A batida foi violenta e mobilizou pessoas que passavam pelo local, que acionaram imediatamente o socorro.

Renata Rodrigues não resistiu aos ferimentos e morreu ainda no local do acidente. A confirmação da morte causou forte comoção entre familiares, amigos e conhecidos do casal, que era bastante presente em eventos sociais e no meio empresarial, além de participar de encontros de motociclistas pelo interior do Estado.

Washington Menezes foi socorrido com vida e levado para o hospital mais próximo da região. Até agora, não foram divulgadas informações oficiais sobre o estado de saúde do empresário, o que tem gerado apreensão entre pessoas próximas e colaboradores da empresa.

As circunstâncias do acidente deverão ser investigadas pelas autoridades competentes, que vão apurar a dinâmica da colisão e as responsabilidades envolvidas. O trecho da BR-232 onde ocorreu o caso é conhecido pelo tráfego intenso e pelo grande número de acessos a estabelecimentos às margens da rodovia, o que exige atenção redobrada de motoristas e motociclistas.

A tragédia deixa uma marca profunda entre os que conheciam o casal e reacende o alerta sobre os riscos nas estradas pernambucanas, especialmente em pontos de entrada e saída de veículos.

EM IPOJUCA, MINISTRO SILVIO COSTA FILHO ANUNCIA INVESTIMENTOS AO LADO DO PREFEITO CARLOS SANTANA E DA DEPUTADA SIMONE SANTANA

O ministro de Lula, Silvio Costa Filho, esteve, nesta sexta-feira, no município de Ipojuca para discutir um conjunto de investimentos para o município voltado, sobretudo, para o desenvolvimento do entorno do Porto de Suape. No encontro, Costa Filho, o prefeito Carlos Santana e a deputada Simone Santana conversaram sobre a ampliação da infraestrutura da região diante da chegada de novos investimentos no porto como os R$ 1,6 bilhão do novo terminal da contêineres da APM Terminals.

Na reunião, também foi anunciado  investimentos destinado a obras de pavimentação que irão beneficiar diversas áreas do município. Ao todo, serão 38 mil metros quadrados de vias contempladas, garantindo mais mobilidade, segurança e qualidade de vida para a população.

A empresa responsável pela execução das obras será a Nacional, que atuará a partir do projeto executivo apresentado pela gestão municipal. Atualmente, a Prefeitura está na fase de apresentação do projeto executivo, etapa fundamental para o início dos trabalhos.

De acordo com Costa Filho, a expectativa é que as obras tenham início logo após o Carnaval, respeitando o cronograma técnico e administrativo estabelecido. Durante o anúncio, Silvio destacou a importância do investimento e ressaltou o trabalho da gestão municipal.

 “Esse investimento é reflexo de uma grande gestão conduzida por Carlos, que tem mostrado compromisso e responsabilidade com os recursos públicos, além do mandato de Simone, que segue trabalhando firmemente em prol do povo de Ipojuca e de todo o Litoral Sul”, afirmou Silvio.

A iniciativa reforça o compromisso da administração municipal com o desenvolvimento urbano e a melhoria da infraestrutura, atendendo a uma demanda antiga da população e impulsionando o crescimento da região.

 "O ministro Silvio é um verdadeiro amigo de Ipojuca e tem trabalhado muito ao nosso lado em defesa da nossa gente. É uma parceria que traz resultados reais, como novos recursos para pavimentação, a conclusão da Estrada da Cia do Lazer e mais emprego e renda através de parceria com o Porto de Suape. Estamos extremamente gratos ao ministro por essa ajuda de sempre", disse Carlos.

Foto: Wesley D'Almeida

ALERTA LIGADO - ROMPIMENTO DA FAMÍLIA GALDINO ESCANCARA ISOLAMENTO POLÍTICO DE CHAPARRAL EM SURUBIM

O cenário político de Surubim ganhou um novo e significativo capítulo com o rompimento da tradicional família Galdino, do Parque J. Galdino, com o grupo do prefeito Cléber Chaparral. Longe de ser apenas mais uma mudança de posição nos bastidores, o gesto é interpretado por lideranças locais como um sinal claro de desgaste profundo da atual gestão municipal e de uma insatisfação que já não se restringe apenas à oposição.

Com trajetória histórica na política surubinense e reconhecida influência eleitoral, a família Galdino tornou pública sua nova posição ao declarar apoio ao deputado federal Eduardo da Fonte e ao deputado estadual Caio Maniçoba. O anúncio, feito de forma direta e sem margem para dúvidas, consolidou o afastamento definitivo do grupo que hoje comanda a Prefeitura. Nos bastidores, o movimento é visto como um divisor de águas, principalmente pelo simbolismo de uma família que esteve inserida em importantes momentos da política local e que agora decide trilhar outro caminho.

A decisão, segundo pessoas próximas ao grupo, não foi impulsiva nem isolada. Ela seria resultado de um acúmulo de frustrações com a condução administrativa do município. A avaliação é de que promessas feitas durante o período eleitoral não se converteram em melhorias concretas na vida da população, o que teria gerado um sentimento crescente de decepção entre antigos apoiadores.

Nas ruas, o clima também é de cobrança. Moradores relatam dificuldades em áreas essenciais e apontam falta de respostas efetivas por parte da gestão. Aliados que antes defendiam o governo hoje adotam um tom mais cauteloso ou, em alguns casos, abertamente crítico. Lideranças políticas ouvidas reservadamente afirmam que o prefeito enfrenta um dos momentos mais delicados desde o início do mandato, com perda gradual de sustentação política.

O rompimento da família Galdino, nesse contexto, ganha peso não apenas pelo ato em si, mas pelo que ele representa. Quando grupos tradicionais, com base eleitoral consolidada, optam por se afastar, a leitura predominante é de que há um desalinhamento entre a gestão e parcelas importantes da sociedade. Para analistas locais, o gesto funciona como um termômetro do humor político da cidade.

Ao declarar apoio a Eduardo da Fonte e Caio Maniçoba, a família também sinaliza uma reorganização de forças visando os próximos embates eleitorais. O movimento reposiciona lideranças, fortalece novos palanques e amplia o debate sobre os rumos de Surubim. Mais do que uma escolha partidária, o gesto carrega um discurso de insatisfação e de busca por alternativas.

Enquanto isso, o governo municipal passa a conviver com um cenário mais adverso, marcado por cobranças públicas, críticas mais frequentes e a saída de aliados históricos. O episódio reforça a percepção de que a gestão atravessa um período de forte desgaste político, em que cada novo rompimento amplia a sensação de isolamento.

Surubim, que viveu uma eleição marcada por expectativas de mudança e renovação, agora presencia um momento de revisão e reposicionamento de forças. O afastamento da família Galdino entra para esse contexto como um dos fatos mais emblemáticos da atual conjuntura, revelando que a insatisfação deixou de ser silenciosa e passou a se traduzir em movimentos políticos concretos.

.ALCKMIN FECHA PORTAS EM SÃO PAULO, REFORÇA LEALDADE A LULA E DIZ QUE FUTURO PODE SER “CAPINAR EM PINDA”

O vice-presidente da República, Geraldo Alckmin (PSB), decidiu colocar um ponto final nas especulações sobre uma possível candidatura ao Governo de São Paulo ou ao Senado nas eleições de outubro e sinalizou, a interlocutores próximos, que sua prioridade política é permanecer como vice na chapa do presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) em um projeto de reeleição. A posição, relatada por aliados à imprensa nacional, tem peso estratégico dentro do Palácio do Planalto e mexe diretamente com os cálculos eleitorais para o maior colégio eleitoral do país.

De acordo com esses relatos, Alckmin tem repetido que seu caminho é continuar na Vice-Presidência ou, de forma bem-humorada, “capinar em Pinda”, numa referência direta à sua cidade natal, Pindamonhangaba, no interior paulista. A expressão, longe de ser apenas uma metáfora política, carrega um sentido literal e afetivo. A família do vice-presidente mantém um sítio no município, onde ele costuma passar períodos de descanso e se dedica, segundo pessoas próximas, a atividades simples do campo, como roçar o mato. Para Alckmin, capinar não é apenas exercício físico, mas também um momento de conexão espiritual, de reflexão e de proximidade com a terra.

Apesar do tom leve da frase, o recado político é duro e objetivo: ele não pretende disputar cargos majoritários em São Paulo em 2026. A decisão frustra, em parte, movimentos que vinham sendo ensaiados nos bastidores, especialmente dentro do PT, onde havia quem visse com bons olhos a possibilidade de Alckmin disputar o governo paulista ou uma vaga no Senado. Nesse cenário, a vaga de vice na chapa presidencial poderia ser oferecida a outro partido de peso, como o MDB, ampliando a coalizão nacional de Lula.

A permanência de Alckmin como vice, porém, é vista por ele como um gesto de coerência política e lealdade ao presidente. Desde que deixou o PSDB e se aliou a Lula em 2022, o ex-governador paulista tem trabalhado para se consolidar como ponte entre setores mais moderados, empresariais e parte do eleitorado do Sudeste, especialmente em São Paulo, onde construiu sua trajetória política. Sua presença na chapa é considerada, dentro do governo, um símbolo de amplitude e pacificação política após anos de polarização.

Ao mesmo tempo, a fala de Alckmin ocorre em um momento de preocupação no Planalto com o cenário eleitoral paulista. Caso o atual governador, Tarcísio de Freitas (Republicanos), confirme uma candidatura à reeleição, ele largaria como favorito, apoiado por uma base conservadora sólida e pela força do bolsonarismo no estado. Esse quadro pode dificultar o desempenho de Lula em São Paulo, historicamente um território mais desafiador para o petista nas últimas disputas presidenciais.

Nesse contexto, havia no governo a avaliação de que uma candidatura de Alckmin em São Paulo poderia ajudar a puxar votos para Lula, seja em uma disputa pelo Palácio dos Bandeirantes, seja para o Senado. O próprio histórico do vice-presidente, que governou o estado por quatro mandatos, é visto como um ativo eleitoral relevante. Ainda assim, ele optou por priorizar o papel nacional e a continuidade do arranjo político que o levou à Vice-Presidência.

A sinalização de Alckmin também reorganiza o tabuleiro das negociações partidárias para 2026. Ao manter a vaga de vice “reservada”, ele reduz o espaço para barganhas envolvendo o posto, mas, por outro lado, oferece ao Planalto a estabilidade de uma chapa já testada nas urnas. Para aliados de Lula, a mensagem é de previsibilidade; para outros partidos, é um indicativo de que a costura da aliança passará mais por palanques estaduais e composição ministerial do que por mudanças no topo da chapa.

Entre a política nacional e a tranquilidade do interior paulista, Alckmin deixa claro que não pretende abrir uma nova frente eleitoral em São Paulo. Se depender dele, o foco continuará sendo Brasília — e, quando a agenda permitir, o sossego de Pindamonhangaba, onde a enxada e a roçadeira ajudam a manter os pés no chão enquanto o cenário político segue em ebulição.

MALAFAIA E FIGUEIREDO TROCAM ATAQUES NAS REDES E EXPÕEM RACHAS NA DIREITA SOBRE 2026

Uma discussão pública entre o pastor Silas Malafaia e o influenciador Paulo Figueiredo movimentou as redes sociais na quinta-feira (22) e trouxe à tona divergências internas na direita brasileira sobre quem deve representar o campo conservador na disputa presidencial de 2026. O embate começou após Malafaia defender, em entrevista recente, que o governador de São Paulo, Tarcísio de Freitas (Republicanos), seria o nome mais viável para enfrentar o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT), em vez do senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ). Para o líder evangélico, a candidatura de Flávio não teria a mesma aceitação dentro do eleitorado da direita, enquanto Tarcísio surgiria como uma alternativa com maior capacidade de unificação e competitividade.

A declaração repercutiu rapidamente e provocou reação de Paulo Figueiredo, que compartilhou o trecho da entrevista em seu perfil no X, antigo Twitter. Em tom crítico e irônico, o influenciador afirmou ser “triste ver o pastor neste estado” e disse que Malafaia estaria “brigando com todas as pesquisas porque apostou no cavalo errado”. Na mesma publicação, Figueiredo ainda fez uma provocação ao mencionar que, “para quem já apoiou entusiasticamente Lula, apoiar Tarcísio é uma evolução”, resgatando posicionamentos passados do pastor para questionar sua coerência política.

A resposta de Malafaia veio em tom duro. O pastor chamou Figueiredo de “frouxo e falastrão que não suporta ideias contrárias” e ironizou o fato de o influenciador estar fora do Brasil, afirmando que “fácil é ficar nos EUA atacando Alexandre de Moraes e os que pensam diferente”, numa referência ao ministro do Supremo Tribunal Federal, frequentemente alvo de críticas de setores conservadores. Figueiredo não recuou e voltou a ironizar o pastor, dizendo que ele teria ficado “doído com a primeira verdade que ouviu” e que seus “pitis” não o afetavam.

O bate-boca virtual rapidamente ganhou repercussão entre apoiadores dos dois lados e passou a ser interpretado como mais do que uma troca de ofensas pessoais. O episódio escancarou uma disputa de narrativas dentro da própria direita, onde lideranças religiosas, influenciadores digitais e figuras políticas tentam se posicionar com antecedência em relação ao cenário eleitoral de 2026. A defesa de Tarcísio como alternativa a nomes ligados diretamente à família Bolsonaro mostra que o campo conservador vive um momento de reacomodação, em que estratégias eleitorais, potencial de voto e capacidade de articulação pesam tanto quanto a fidelidade a lideranças tradicionais.

A troca de ataques também evidencia o peso das redes sociais na formação do debate político contemporâneo. Declarações que antes ficariam restritas a entrevistas ou bastidores agora ganham proporções nacionais em poucos minutos, alimentando discussões acaloradas e reforçando divisões já existentes. No pano de fundo, permanece a disputa maior: quem terá força para liderar a direita numa eleição presidencial que promete ser marcada, novamente, pela polarização.

CASEIRO DE ARCOVERDE É EXECUTADO A TIROS EM AÇÃO CRIMINOSA NO CENTRO DE BUÍQUE

A manhã desta quinta-feira (22) foi marcada por violência no município de Buíque, no Agreste pernambucano. Um homem de 27 anos foi morto a tiros em plena área urbana da cidade, em um crime com características de execução que chocou moradores do bairro Frei Damião, região central do município.

A vítima foi identificada como Eduardo Silva de Roseno, conhecido como “Dudu”. Natural de Arcoverde, no Sertão do Estado, ele trabalhava como caseiro e, segundo informações repassadas às autoridades, levava uma rotina comum de trabalho na zona rural. No momento do crime, Eduardo estava acompanhado da esposa e se preparava para sair em direção a um sítio onde prestava serviço.

De acordo com os primeiros levantamentos feitos pela polícia, dois homens chegaram ao local em uma motocicleta. Eles estariam sem capacete e, ao se aproximarem, colocaram capuzes para dificultar a identificação. Em seguida, mandaram a esposa da vítima se afastar e obrigaram Eduardo a se ajoelhar. Logo depois, efetuaram vários disparos de arma de fogo contra ele. A ação foi rápida e os criminosos fugiram imediatamente, tomando destino ignorado.

Equipes da Polícia Militar foram acionadas, mas, ao chegarem, constataram que a vítima já estava sem vida. A cena do crime foi isolada para o trabalho da perícia. O Instituto de Criminalística confirmou que Eduardo foi atingido por disparos na região da cabeça. Após os procedimentos periciais, o corpo foi encaminhado ao Instituto de Medicina Legal (IML).

O caso será investigado pela Polícia Civil, que buscará identificar os autores e esclarecer a motivação do homicídio. Até o momento, não há informações sobre suspeitos presos. O crime gerou apreensão entre moradores da área central de Buíque, que acordaram com o barulho dos tiros e se depararam com a movimentação policial logo nas primeiras horas do dia.

DIREITA BOLSONARISTA RACHADA EM PERNAMBUCO EXPÕE DISPUTA POR ESPAÇO AO SENADO

O campo bolsonarista em Pernambuco, que já foi marcado por forte alinhamento e discurso unificado, começa a dar sinais claros de divisão interna à medida que se aproxima a disputa pelo Senado Federal. Dois dos principais nomes ligados ao ex-presidente Jair Bolsonaro no Estado, Anderson Ferreira e Gilson Machado Neto, seguem caminhos distintos e protagonizam um movimento que evidencia um racha estratégico dentro da direita conservadora pernambucana.

Anderson Ferreira, ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes e presidente estadual do PL, permanece na legenda que se consolidou nacionalmente como o principal abrigo político do bolsonarismo. De dentro do partido, articula sua pré-candidatura ao Senado tentando se firmar como o nome oficial da direita ligada a Bolsonaro em Pernambuco. Sua posição partidária lhe dá estrutura, tempo de televisão e musculatura organizacional, mas não garante, por si só, a unidade do grupo.

Do outro lado está Gilson Machado, ex-ministro do Turismo e figura de confiança do ex-presidente, que decidiu deixar o PL e passou a buscar uma nova legenda. A saída escancarou divergências nos bastidores e abriu uma disputa direta pelo mesmo eleitorado: o conservador, ideológico e fortemente identificado com Bolsonaro. Gilson condiciona sua filiação a uma exigência clara — só entra em um novo partido se tiver garantido o direito de disputar o Senado, mesmo que de forma avulsa, sem vinculação obrigatória a uma chapa de governador.

A movimentação cria um impasse dentro da própria direita. Em vez de um único nome competitivo concentrando forças, o bolsonarismo pode acabar fragmentado, com dois candidatos disputando o mesmo campo político. Essa divisão pode enfraquecer o desempenho eleitoral de ambos, especialmente em um Estado onde as eleições majoritárias costumam ser fortemente influenciadas por alianças amplas e palanques estruturados.

O problema se agrava porque os dois principais polos da política estadual — a governadora Raquel Lyra e o prefeito do Recife, João Campos — não demonstram disposição de abrir espaço em seus palanques para candidaturas identificadas com o bolsonarismo. Sem o apoio de uma chapa forte ao Governo, uma candidatura ao Senado isolada se torna mais difícil, exigindo alto grau de nacionalização da campanha e forte identificação ideológica do eleitor.

Tanto Anderson quanto Gilson apostam justamente nisso: na transferência de votos do campo conservador e na lembrança do desempenho de 2022, quando Gilson Machado ultrapassou a marca de 1 milhão de votos na disputa para o Senado. A avaliação é de que existe uma base fiel que pode ser reativada. No entanto, o cenário político mudou, o ambiente nacional é outro e o nível de mobilização do eleitorado bolsonarista ainda é uma incógnita.

Nos bastidores, cresce a percepção de que o racha pode levar a um desfecho pragmático. Caso a viabilidade para o Senado não se confirme, tanto Anderson Ferreira quanto Gilson Machado têm porte eleitoral para disputar vagas na Câmara dos Deputados. Nesse cenário, a divisão atual deixaria de ser um confronto direto e se transformaria em estratégias paralelas dentro do mesmo campo ideológico.

Enquanto isso, partidos observam. O Podemos, por exemplo, surge como uma das siglas interessadas em abrigar Gilson Machado, de olho no potencial de votos do ex-ministro. Já o PL tenta manter Anderson como seu principal nome no Estado, evitando perder protagonismo dentro do bolsonarismo local.

O que está em jogo não é apenas uma candidatura, mas a liderança da direita bolsonarista em Pernambuco. A falta de unidade pode custar caro em uma eleição majoritária, onde estrutura, alianças e palanques costumam pesar tanto quanto a força ideológica. Até lá, o eleitor conservador assiste a uma disputa interna que pode redefinir quem, de fato, carregará a bandeira de Bolsonaro nas urnas pernambucanas.