Pesquisa joga balde de água fria no discurso socialista e fortalece a leitura de que Raquel ainda tem espaço para crescer
A nova pesquisa Datafolha divulgada nesta sexta-feira (21) caiu como combustível no QG da governadora Raquel Lyra (PSD) — e como água fria na campanha do ex-prefeito João Campos (PSB).
Faltando 44 dias para o primeiro turno, Raquel aparece com 47% das intenções de voto, mas o dado que mais anima seus aliados está fora da corrida eleitoral: a governadora tem 66% de aprovação, com 50% dos pernambucanos classificando sua gestão como ótima ou boa.
É aí que mora o problema para João Campos.
Raquel ainda registra 30% de avaliação regular e apenas 15% de ruim ou péssima. Ou seja: existe um contingente significativo de eleitores que não rejeita a governadora e que pode ser alcançado pela campanha até outubro.
Na rejeição, outro sinal de alerta para o campo socialista: 29% dizem que não votariam em Raquel de jeito nenhum, contra 32% de rejeição a João Campos.
A diferença não é enorme, mas, politicamente, pesa. Principalmente porque João vem tentando se apresentar como alternativa competitiva enquanto a campanha de Raquel trabalha para transformar a aprovação administrativa em voto.
O problema é que João vem perdendo gordura
Desde maio, o socialista vem enfrentando uma sequência pouco confortável nas pesquisas. Mesmo recorrendo ao peso político de nomes como Lula e Eduardo Campos em sua comunicação, os números não conseguiram embalar sua candidatura.
E esse talvez seja o maior incômodo dentro do QG socialista: a campanha parece ter encontrado dificuldade para transformar apoio político em crescimento eleitoral.
Agora, a próxima grande cartada será o guia eleitoral, que começa na próxima semana. A televisão e o rádio serão o palco para João tentar interromper a trajetória de queda e, principalmente, encontrar uma narrativa capaz de furar a bolha em que sua campanha parece estar presa.
Até aqui, porém, o eleitorado não comprou completamente essa estratégia.
Raquel joga com a máquina administrativa — João precisa jogar com o voto
A governadora chega à reta decisiva com uma vantagem política importante: tem uma avaliação de governo forte e uma rejeição relativamente controlada.
Isso significa que sua campanha não precisa apenas defender o governo. Pode vender a ideia de continuidade, apresentar obras, investimentos e resultados e tentar converter os 50% de ótimo e bom em intenção de voto.
João, por outro lado, precisa fazer o movimento inverso: parar de perder e começar a crescer.
E não existe campanha competitiva que sobreviva por muito tempo apenas na expectativa de que o adversário despenque.
O Datafolha, um dos institutos de maior peso no cenário nacional, não encerra a eleição. Pesquisa não coloca faixa no candidato e nem entrega mandato antecipadamente. Mas o levantamento produz um fato político incontestável: a campanha de Raquel ganhou confiança, enquanto o grupo de João tem motivos de sobra para ligar o sinal de alerta.
Agora começa a fase em que discurso, televisão, rua e fatos concretos precisarão decidir se a fotografia do Datafolha será apenas um retrato momentâneo ou o início da consolidação de uma vantagem.
E, neste momento, quem está sorrindo é o QG de Raquel. Quem precisa explicar os números é o de João.