O ex-ministro do Turismo e pré-candidato ao Senado Federal, Gilson Machado (PL), voltou a movimentar o tabuleiro político de Pernambuco ao defender publicamente o lançamento de uma candidatura própria do Partido Liberal ao Governo do Estado nas eleições de 2026. Para ele, a iniciativa é estratégica não apenas para romper a polarização que começa a se desenhar entre a governadora Raquel Lyra (PSD) e o prefeito do Recife, João Campos (PSB), mas também para fortalecer o PL no cenário estadual e nacional.
Sem citar nomes, Gilson Machado deixou claro que o partido não pode entrar na disputa apenas para “cumprir tabela”. Em tom irônico, afirmou que o PL precisa apresentar um nome competitivo, capaz de dialogar com o eleitorado e disputar o protagonismo do processo eleitoral. “Não pode ser um candidato olímpico, daqueles que só aparecem no desfile de abertura”, disparou, numa crítica direta a candidaturas simbólicas e sem densidade política.
Na avaliação do ex-ministro, a eleição estadual estará diretamente ligada à disputa presidencial, e ele descarta a possibilidade de o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) sustentar dois palanques em Pernambuco. Para Gilson, a governadora Raquel Lyra se ilude ao acreditar nesse cenário. Segundo ele, Lula, caso dispute a reeleição, terá apoio explícito e inequívoco a João Campos, hoje o principal nome do PSB no Estado e aliado histórico do petismo. “É líquido e certo que o presidente vai escolher um lado”, avalia.
Enquanto defende uma candidatura própria do PL ao Governo do Estado, Gilson Machado também consolida seu projeto pessoal rumo ao Senado Federal. Ele acredita que pode ampliar de forma significativa o desempenho obtido na eleição municipal de 2024, quando disputou a Prefeitura do Recife e alcançou quase 130 mil votos, ficando em segundo lugar com 13,9% dos votos válidos. Apesar da larga vantagem de João Campos naquele pleito, Gilson aposta no recall eleitoral e no fortalecimento do bolsonarismo como fatores decisivos para 2026.
Um dos pilares dessa estratégia é a aproximação com o senador Flávio Bolsonaro (PL-RJ), um dos principais nomes da família Bolsonaro no Congresso Nacional. Gilson confirmou que deve se reunir com Flávio em fevereiro para alinhar os rumos da campanha ao Senado, que ele classifica como “irreversível”. O ex-ministro sustenta que sua candidatura foi lançada ainda antes da condenação e prisão do ex-presidente Jair Bolsonaro, no contexto das investigações sobre tentativa de golpe de Estado, o que, segundo ele, reforça sua legitimidade dentro do campo bolsonarista.
Questionado sobre uma possível disputa interna com o ex-prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Anderson Ferreira, atual presidente estadual do PL, Gilson minimizou o embate e afirmou não temer concorrência. O clima entre os dois, no entanto, é de rompimento político declarado. Anderson foi responsável por retirá-lo da presidência do partido no Recife, episódio que aprofundou a divisão interna na legenda.
Gilson Machado fez questão de frisar que as divergências não são pessoais, mas políticas. Como exemplo, citou a aliança dos Ferreira com o PT nas eleições de 2022 e votações recentes do deputado federal André Ferreira que contrariaram orientações do PL, como o apoio ao retorno do seguro obrigatório de veículos, o antigo DPVAT. Para Gilson, esses episódios enfraquecem o discurso de unidade partidária defendido pela atual direção estadual.
Em resposta às críticas de que estaria isolado dentro do PL pernambucano, o ex-ministro reagiu com dureza. Segundo ele, isolado é o próprio presidente estadual do partido, que não consegue sequer reunir os deputados federais Pastor Eurico e Fernando Rodolfo em torno de um projeto comum. Gilson também apontou a dificuldade de Anderson Ferreira em atrair quadros políticos relevantes para o PL, citando nomes como a deputada federal Clarissa Tércio, o deputado estadual Pastor Cleiton Collins e o vereador do Recife Eduardo Moura, que permanecem em outras legendas.
Com discurso combativo, alinhamento ao bolsonarismo e críticas diretas às principais lideranças políticas do Estado, Gilson Machado sinaliza que pretende ir além de uma candidatura ao Senado. Ao defender um nome próprio do PL ao Governo de Pernambuco, ele amplia o debate interno no partido e antecipa uma disputa que promete redesenhar o cenário político estadual nos próximos anos. :::