domingo, 8 de novembro de 2026

TSE ABRE CAMINHO PARA INVESTIGAR LULA, MAS 1O VERDADEIRO TESTE SERÁ A INDEPENDÊNCIA DA ELEITORAL

Por Edney Souto | Blog do Edney

A democracia não pode ter dois pesos e duas medidas. Se a legislação eleitoral estabelece limites para o uso da máquina pública durante uma campanha, esses limites precisam valer para todos, independentemente de quem esteja sentado na cadeira da Presidência da República ou da força política que tenha conquistado nas urnas.

KA decisão do Tribunal Superior Eleitoral (TSE) de admitir a tramitação da Ação de Investigação Judicial Eleitoral (AIJE) apresentada pelo partido Novo contra o presidente Lula (PT) e o vice Geraldo Alckmin (PSB) coloca um assunto delicado no centro do debate político: até que ponto um governo pode utilizar sua estrutura e anunciar benefícios de grande alcance popular em pleno ano eleitoral sem comprometer o equilíbrio da disputa?

O partido Novo sustenta que Lula editou 35 atos normativos, entre medidas provisórias e decretos, de janeiro a outubro de 2026, criando ou ampliando programas e benefícios sociais. A legenda aponta que esse número corresponde à soma das iniciativas semelhantes adotadas nos três anos anteriores. Entre os exemplos apresentados estão medidas envolvendo o Bolsa Família e ações relacionadas aos combustíveis, com impacto financeiro expressivo.

É importante deixar claro: anunciar benefícios sociais não é, por si só, crime eleitoral. Programas públicos podem e devem funcionar, inclusive em anos de eleição. O problema começa quando existe suspeita de utilização da máquina administrativa para produzir vantagem eleitoral, especialmente quando medidas de grande repercussão são concentradas às vésperas de uma votação.

É justamente isso que precisa ser investigado.

O TSE acertou ao permitir que a ação siga seu curso. Admitir a tramitação não significa condenar Lula ou Alckmin, muito menos antecipar qualquer conclusão sobre a existência de abuso de poder. Significa reconhecer que as acusações precisam ser examinadas e que os investigados terão oportunidade de apresentar suas defesas.

Mas existe uma questão política que não pode ser ignorada: a credibilidade da Justiça Eleitoral depende da capacidade de julgar todos os casos com o mesmo rigor. Não seria aceitável que uma denúncia contra adversários políticos recebesse tratamento diferente de uma investigação envolvendo o presidente da República e sua chapa.

O Novo pede a cassação dos registros ou diplomas e a inelegibilidade dos investigados por oito anos. São pedidos graves, que exigem provas consistentes, análise jurídica criteriosa e respeito ao contraditório. Não basta apresentar números ou apontar coincidências temporais. É necessário demonstrar se houve finalidade eleitoral, gravidade das condutas e efetivo comprometimento da igualdade de oportunidades entre os candidatos.

Na minha avaliação, o episódio merece atenção redobrada. Governar é administrar o país, não transformar o orçamento público em instrumento de campanha. Benefícios sociais são importantes, especialmente para quem mais precisa, mas não podem ser utilizados como moeda de troca eleitoral.

Também não se pode partir do princípio de que uma denúncia é verdadeira apenas porque foi apresentada por um partido de oposição. A Justiça precisa investigar, ouvir os envolvidos e decidir com base nas provas.

O que não pode acontecer é o processo terminar em uma disputa de conveniências políticas. A composição do TSE, suas posições institucionais e eventuais alinhamentos ideológicos não podem servir de justificativa para colocar em dúvida antecipadamente o resultado de uma investigação. A suspeita de parcialidade, seja de que lado vier, precisa ser afastada por decisões transparentes e fundamentadas.

A democracia não pertence a Lula, ao Novo, à direita ou à esquerda. Pertence aos brasileiros. E o dinheiro público também.

O presidente tem o direito de governar, de apresentar resultados e de defender seu projeto político. Mas tem igualmente o dever de respeitar as regras eleitorais. Se não houve abuso, que isso fique demonstrado. Se houve utilização indevida da estrutura do Estado para favorecer uma candidatura, que os responsáveis respondam conforme a lei.

No fim das contas, o que está em julgamento não é apenas uma ação contra Lula e Alckmin. É a confiança dos brasileiros de que as regras eleitorais valem para todos.

Na democracia, ninguém pode estar acima da lei. Nem mesmo o presidente da República.

Edney Souto | Blog do Edney — A notícia verdade. Você atualizado o tempo todo.

ABAIXO-ASSINADO CONTRA NIKOLAS FERREIRA SE APROXIMA DE 1 MILHÃO DE ASSINATURAS E AUMENTA PRESSÃO SOBRE A CÂMARA

Uma campanha que pede a cassação do mandato do deputado federal Nikolas Ferreira (PL-MG) ganhou força nas redes sociais e está próxima de alcançar a marca de 900 mil assinaturas. A mobilização, liderada pela deputada federal Sâmia Bomfim (PSOL-SP), cresceu rapidamente nas últimas 24 horas e tem como meta chegar a 1 milhão de apoios até este domingo (8).

A iniciativa pretende pressionar a Câmara dos Deputados a tomar providências contra Nikolas por declarações consideradas transfóbicas. O movimento já havia ultrapassado 800 mil assinaturas e, segundo os organizadores, continua recebendo novas adesões em ritmo acelerado.

A origem da campanha está em um episódio ocorrido em 8 de março de 2023, durante uma sessão na Câmara pelo Dia Internacional da Mulher. Na ocasião, Nikolas Ferreira subiu à tribuna usando uma peruca e fez declarações sobre mulheres trans que provocaram forte reação de parlamentares e de representantes dos movimentos LGBTQIA+.

O discurso teve repercussão nacional e levou deputados do PSOL a apresentar um pedido de cassação do mandato por suposta quebra de decoro parlamentar. O episódio também motivou o encaminhamento de uma notícia-crime ao Supremo Tribunal Federal (STF).

Os responsáveis pela mobilização argumentam que a imunidade parlamentar não pode servir de proteção para manifestações discriminatórias. A campanha também recorre ao entendimento do STF que equiparou a homofobia e a transfobia ao crime de racismo até que o Congresso aprove legislação específica.

É importante destacar, porém, que o volume de assinaturas não representa uma decisão institucional nem provoca automaticamente a perda do mandato. Qualquer eventual cassação depende dos procedimentos previstos na Câmara, da análise das acusações, do direito de defesa e de uma decisão conforme as regras parlamentares.

NA LUPA: A mobilização mostra que o episódio de 2023 continua produzindo consequências políticas e alimentando a polarização em Brasília. De um lado, apoiadores da campanha cobram responsabilização por declarações consideradas discriminatórias. Do outro, Nikolas mantém sua posição política e sua influência entre setores da direita. A petição pode aumentar a pressão pública, mas a palavra final sobre uma eventual cassação não está nas redes sociais: está nas instâncias competentes da Câmara dos Deputados.

DE OLHO EM TARCÍSIO E RICARDO NUNES: DEPUTADO DO PT CRIA “EXÉRCITO” PARA TURBINAR OPOSIÇÃO EM SÃO PAULO

Inspirado na estratégia digital utilizada pelo deputado federal André Janones (Rede-MG) durante a campanha presidencial de 2026, o deputado estadual Antonio Donato (PT-SP) resolveu montar sua própria tropa nas redes sociais. O parlamentar criou o canal “Exército na Cola de Tarcísio”, com a missão de organizar apoiadores para ampliar as críticas ao governador Tarcísio de Freitas (Republicanos) e ao prefeito de São Paulo, Ricardo Nunes (MDB).

A iniciativa bebe diretamente da experiência do chamado “Exército do Lula”, mobilização que ganhou visibilidade durante a disputa presidencial e mostrou a força das redes sociais na organização de militantes e na divulgação de conteúdo político.

A estratégia de Donato é apostar em vídeos curtos, mensagens diretas e convocação permanente dos seguidores para curtir, comentar e compartilhar publicações. A ideia é transformar apoiadores em multiplicadores das críticas às duas administrações.

Em uma das gravações, o deputado afirma que Tarcísio já estaria se movimentando politicamente de olho na disputa presidencial de 2030. Na sequência, convoca os seguidores a espalhar o vídeo: “Vai lá, curta, comente, compartilhe. Explode este vídeo”.

Ricardo Nunes também está na mira. Donato publicou críticas envolvendo uma obra pública na capital paulista, levantando suspeitas de problemas e possível superfaturamento. As acusações, entretanto, são do parlamentar e não aparecem acompanhadas, no material divulgado, de comprovação independente.

Até sábado (31), o canal contabilizava 2.668 seguidores. Em entrevista à coluna Painel, da Folha de S.Paulo, Donato confirmou que a inspiração veio justamente do alcance alcançado pela mobilização organizada por Janones.

“O objetivo é fortalecer a oposição a Tarcísio e Nunes. E a ideia surgiu do sucesso do canal Exército do Lula. Hoje, você tem milhões de pessoas que aprenderam a usar essa ferramenta”, declarou.

NA LUPA: A disputa política de 2030 já começa a ganhar novos campos de batalha. E, pelo visto, São Paulo será palco de uma oposição que pretende fazer barulho muito antes da próxima campanha eleitoral. Nas redes sociais, a estratégia é clara: organizar, mobilizar e viralizar.

Corte a conclusão opinativa e deixe mais jornalísticoCorrija a ambiguidade sobre a inspiração políticaReforce o limite das acusações contra Nunes

VENEZUELANO É PRESO ARMADO PERTO DA CASA BRANCA APÓS AMEAÇAR MATAR DONALD TRUMP

Um imigrante venezuelano foi preso na última quinta-feira (5) nas proximidades da Casa Branca, em Washington, nos Estados Unidos, após declarar que pretendia matar o presidente Donald Trump. A prisão foi realizada por agentes do Serviço Secreto americano.

Segundo informações divulgadas pelo Departamento de Segurança Interna dos Estados Unidos (DHS), o suspeito, identificado como Ronny Chrinos, estava dentro de um veículo roubado quando foi abordado pelos agentes.

Durante o interrogatório, ele teria afirmado que estava ouvindo vozes em sua cabeça ordenando que viajasse até Washington para assassinar o presidente americano.

A situação ganhou ainda mais gravidade após uma busca no automóvel. Os agentes encontraram três armas de fogo e dezenas de cartuchos de munição

De acordo com o governo americano, Chrinos não possuía documentação regular e teria entrado ilegalmente nos Estados Unidos em março de 2024, pela fronteira com o México.

O caso reacende o debate sobre segurança presidencial e controle das fronteiras americanas. A proximidade do suspeito com uma das áreas mais protegidas dos Estados Unidos, somada às ameaças e ao armamento encontrado, deverá colocar o episódio no radar das autoridades de segurança do país.

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LULA PREPARA RECRIAÇÃO DO MINISTÉRIO DA SEGURANÇA PÚBLICA APÓS AVANÇO DA PEC; COMBATE ÀS FACÇÕES SERÁ PRIORIDADE

A segurança pública voltou ao centro das discussões do Governo Federal. Após a aprovação da Proposta de Emenda à Constituição (PEC) nº 18/2025, conhecida como PEC da Segurança Pública, o presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou a intenção de recriar o Ministério da Segurança Pública, com a missão de fortalecer o enfrentamento ao crime organizado em todo o país.

A proposta representa uma tentativa de reorganizar a atuação do poder público diante de um dos problemas que mais preocupam os brasileiros. Assaltos, homicídios, feminicídios e o avanço das facções criminosas continuam pressionando as autoridades e aumentando a cobrança da sociedade por respostas mais efetivas.

Segundo Lula, a nova estrutura deverá trabalhar com três eixos principais: inteligência, planejamento estratégico e integração entre União, estados e municípios. O objetivo é ampliar a capacidade de atuação conjunta contra organizações criminosas, facções e milícias, que desafiam diariamente as forças de segurança.

Os números mostram a dimensão do problema. Nos primeiros nove meses de 2026, o Brasil registrou 1.082 feminicídios, uma redução de 4,5% em relação ao mesmo período de 2025. Apesar da queda, as tentativas de feminicídio cresceram 10,38%, alcançando 3.350 registros. Os dados reforçam que ainda há muito a ser feito na prevenção e no combate à violência contra as mulheres.

O novo ministério, entretanto, não resolverá os problemas da segurança pública de uma hora para outra. A reestruturação exigirá planejamento, recursos financeiros e, principalmente, disposição política para construir uma estratégia nacional que funcione na prática.

Pelo modelo discutido, caberá à União coordenar e articular as políticas nacionais, enquanto os estados continuarão desempenhando papel fundamental no policiamento e nas investigações. Os municípios também deverão participar, sobretudo nas ações de prevenção à violência e na construção de políticas públicas locais.

Lula já iniciou as articulações para estruturar a nova pasta. O presidente se reuniu com os ministros Wellington César Lima e Silva, da Justiça e Segurança Pública; Miriam Belchior, da Casa Civil; Dario Durigan, da Fazenda; e Bruno Moretti, do Planejamento. A discussão envolve tanto o formato administrativo quanto as condições financeiras para colocar o projeto em funcionamento.

PROMULGAÇÃO E PRÓXIMOS PASSOS

Depois da aprovação da PEC pelo Congresso Nacional, o texto ainda precisa cumprir a etapa de promulgação. A partir daí, será necessário avançar na regulamentação e na organização das novas atribuições previstas para a política nacional de segurança pública.

DESAFIO SERÁ GARANTIR RECURSOS

Uma das principais dificuldades será financiar a nova estrutura sem comprometer o equilíbrio das contas públicas. A intenção do governo é criar o ministério por meio de medida provisória, o que exigirá reorganização administrativa e orçamentária, além de articulação política com o Congresso Nacional.

No papel, a proposta apresenta um caminho para fortalecer a integração entre os governos. Mas o que a população espera é resultado nas ruas: menos violência, mais proteção e segurança para viver.

A aprovação da PEC é um passo importante. O verdadeiro teste, porém, será transformar decisões de Brasília em ações concretas nos estados e municípios brasileiros.

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PROJETO 2030 FICA PARA DEPOIS: JOÃO CAMPOS REFAZ A ROTA APÓS DERROTA E ALIADOS JÁ FALAM EM NOVA TENTATIVA

A política tem dessas coisas: quando o caminho planejado não dá certo, é hora de recalcular a rota. Integrantes da campanha de João Campos (PSB) começaram a compartilhar nas redes sociais um vídeo que traduz o novo momento político do socialista após a derrota na disputa pelo Governo de Pernambuco.

Com uma mensagem carregada de simbolismo, o material traz a frase: “Daqui a quatro anos a gente tenta de novo, João”. Uma espécie de recado antecipado de que o grupo não pretende abandonar o projeto político e já começa a olhar para 2030.

O cenário, porém, é bem diferente daquele que João Campos imaginava antes da eleição. Caso chegasse ao Palácio do Campo das Princesas, o socialista poderia utilizar o Governo de Pernambuco como plataforma para construir uma candidatura presidencial em 2030.

O plano estadual era, portanto, uma etapa importante de um projeto político muito maior. Com o resultado das urnas, os planos nacionais precisam ser revistos, e Pernambuco volta a ocupar o centro das estratégias do grupo.

Agora, a conversa é outra: reorganizar as forças, preservar alianças, reconstruir o discurso e preparar uma nova tentativa daqui a quatro anos.

Na política, derrotas eleitorais não significam necessariamente o fim de um projeto. Mas também não garantem que a próxima tentativa terá o mesmo cenário, os mesmos aliados ou as mesmas condições.

A ROTA MUDOU, MAS O PROJETO NÃO PARECE TER SIDO ABANDONADO. Resta saber como João Campos pretende atravessar os próximos quatro anos e, principalmente, se o eleitor pernambucano estará disposto a reabrir essa conversa em 2030.

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PREFEITO DE BARREIROS EXPÕE MÉDICOS, FAZ ACUSAÇÕES E CASO TERMINA EM CRISE NO HOSPITAL MUNICIPAL

Uma denúncia feita pelo prefeito de Barreiros, Carlinhos da Pedreira, provocou uma forte repercussão nas redes sociais e abriu uma polêmica envolvendo dois médicos que trabalham no Hospital Municipal Jailton Messias de Albuquerque. O gestor publicou imagens e acusou os profissionais de estarem namorando em um dos quartos da unidade de saúde, enquanto pacientes aguardavam atendimento. Durante a abordagem, chegou a chamá-los de “vagabundos” e anunciou que ambos estavam demitidos.

A atitude, porém, encontrou reação do Sindicato dos Médicos de Pernambuco (Simepe), que saiu em defesa dos profissionais e classificou a exposição pública como constrangedora. Segundo a entidade, as imagens divulgadas pelo prefeito não comprovam o comportamento insinuado, e os médicos teriam informado que estavam utilizando o período de descanso previsto durante o plantão.

Em nota, o Simepe reconheceu que cabe à gestão municipal fiscalizar o funcionamento dos serviços de saúde, mas destacou que essa responsabilidade não dá ao gestor o direito de humilhar trabalhadores, antecipar julgamentos ou expor profissionais ao descrédito público.

O sindicato também contestou as insinuações sobre a vida íntima dos médicos e alertou para o risco de julgamentos baseados em estereótipos de gênero, especialmente quando envolvem a exposição de uma profissional mulher. A entidade informou ainda ter recebido relatos de que os dois médicos estavam em repouso após uma intensa jornada de atendimento nas primeiras 12 horas do plantão, enquanto um terceiro profissional permanecia prestando assistência aos pacientes.

O episódio ganhou um novo capítulo quando Carlinhos da Pedreira anunciou a rescisão do contrato com a Associação João Paulo II, responsável até então pela gestão do Hospital Municipal Jailton Messias de Albuquerque. Com a decisão, a Prefeitura de Barreiros assumirá diretamente a administração da unidade.

A polêmica deixa uma questão importante no centro do debate: a fiscalização dos serviços públicos é necessária e deve ser rigorosa, mas precisa respeitar os procedimentos legais, a dignidade dos trabalhadores e o direito ao contraditório. Se houve irregularidade no plantão, ela precisa ser apurada com provas e responsabilidade, sem transformar a gestão da saúde em espetáculo nas redes sociais.

LULA PREPARA PRONUNCIAMENTO PARA ACALMAR O PAÍS, VIAJA AO EXTERIOR E DEIXA MINISTÉRIO EM COMPASSO DE ESPERA


O presidente Luiz Inácio Lula da Silva (PT) fará um pronunciamento em cadeia nacional de rádio e televisão neste domingo (8), em um momento de expectativas e incertezas sobre os rumos do próximo governo. A fala terá dois objetivos principais: agradecer aos eleitores pela renovação do mandato e, sobretudo, transmitir uma mensagem de tranquilidade a quem não votou nele, buscando reduzir resistências e recuperar a confiança de setores da sociedade e do mercado financeiro.

Entre os pontos centrais do discurso estará o compromisso com a responsabilidade fiscal. Lula deverá reafirmar que pretende manter os programas sociais, sem cortes de recursos, mas também trabalhar para reduzir o endividamento público. A preocupação com as contas do governo ganhou espaço durante a campanha eleitoral e continua sendo um dos principais desafios políticos e econômicos para o próximo mandato.

O presidente tenta demonstrar que a manutenção das políticas sociais não significa abrir mão do equilíbrio fiscal. A sinalização é importante, especialmente diante da desconfiança de parte do mercado financeiro em relação à condução da economia nos próximos anos.

O pronunciamento já foi gravado, uma vez que Lula inicia uma agenda internacional. O presidente embarca para a Turquia, onde participará da COP, conferência da Organização das Nações Unidas dedicada às mudanças climáticas. Na sequência, seguirá para as Filipinas, com previsão de retorno ao Brasil no dia 16 de novembro.

Enquanto Lula cumpre compromissos internacionais, os aliados políticos permanecem na expectativa sobre a composição do futuro ministério. A definição dos nomes e a distribuição dos espaços entre partidos da base governista seguem em banho-maria, aumentando a movimentação nos bastidores de Brasília.

Na agenda internacional, Lula também pretende reforçar a imagem do Brasil na política ambiental. O presidente quer apresentar resultados e defender que a preservação da natureza pode representar oportunidades econômicas para o País.

“Vamos chegar com muita força na COP, não com palpites, mas mostrando o que fizemos. Preservar é melhor do que desmatar. É mais lucrativo do que fazer um pasto”, afirmou.

ALCKMIN ENTRA NO RADAR PARA O MINISTÉRIO DA SEGURANÇA PÚBLICA

Outro movimento que começa a ganhar força nos bastidores do governo envolve o vice-presidente Geraldo Alckmin (PSB). Inicialmente lembrado para assumir o Ministério da Fazenda em uma eventual reorganização da equipe econômica, Alckmin passou a ser citado também como possível nome para comandar o futuro Ministério da Segurança Pública.

Embora não seja um especialista na área, o vice-presidente teria um papel essencialmente político e institucional. Sua experiência como ex-governador de São Paulo poderia ajudar na articulação com os governos estaduais, especialmente diante das resistências de parte dos governadores à PEC da Segurança Pública.

A proposta amplia a participação da União na coordenação das políticas de segurança, tema que provoca divergências entre estados e Governo Federal. Nesse cenário, Alckmin poderia funcionar como uma ponte de negociação, buscando aproximar posições e construir consensos.

A escolha ainda está no campo das especulações, mas revela que Lula terá de equilibrar interesses políticos, compromissos partidários e desafios administrativos na montagem de sua próxima equipe. Até lá, Brasília segue em compasso de espera.