sexta-feira, 2 de janeiro de 2026

VIGILÂNCIA EM TEMPO REAL: NOVO SISTEMA DE CÂMERAS EM PERNAMBUCO REGISTRA 16 OCORRÊNCIAS POLICIAIS POR DIA E JÁ LEVA A PRISÕES

O reforço tecnológico adotado pelo Governo de Pernambuco na área de segurança pública começa a produzir efeitos concretos. Em apenas três meses de funcionamento, o novo sistema de videomonitoramento do Estado passou a registrar, em média, 16 situações de interesse policial por dia, revelando a dimensão do impacto da vigilância eletrônica no enfrentamento à criminalidade. Levantamento da Secretaria de Defesa Social (SDS), obtido pelo Diario de Pernambuco, aponta que 1.446 incidentes foram flagrados por câmeras instaladas no Grande Recife e em Caruaru, no Agreste, período que resultou na abertura de 185 ocorrências policiais e na realização de 11 prisões.

Os números demonstram que, embora ainda esteja em fase inicial de implantação, o sistema já atua como ferramenta estratégica tanto na repressão quanto na investigação de crimes. Além das prisões, o monitoramento contribuiu para a lavratura de oito termos circunstanciados, aplicados em casos de menor potencial ofensivo, reforçando o papel das câmeras também no acompanhamento de delitos menos graves, mas igualmente relevantes para a segurança urbana.

Entre os episódios mais emblemáticos registrados pelas lentes do novo parque tecnológico está o assassinato de David Denis Oliveira, de 23 anos, morto a facadas ao reagir a um assalto em Caruaru, no fim de novembro. As imagens captadas foram decisivas para reconstruir a dinâmica do latrocínio, identificar a rota de fuga dos suspeitos e levar à detenção de um dos envolvidos. O caso tornou-se símbolo do potencial do sistema para acelerar respostas policiais e dar mais precisão às investigações.

Em posicionamento oficial, a SDS afirma que o videomonitoramento tem sido fundamental para atender demandas da Polícia Civil, com o fornecimento de imagens que auxiliam na elucidação de inquéritos e procedimentos investigativos. Além do combate direto ao crime, o sistema também vem sendo utilizado na gestão de ocorrências cotidianas, como acidentes de trânsito com vítimas, manifestações públicas e interdições de vias. Nessas situações, o acompanhamento em tempo real permite orientar e acionar com maior rapidez as equipes da Polícia Militar, otimizando recursos e reduzindo o tempo de resposta.

O projeto integra uma das principais apostas do governo Raquel Lyra (PSD) para reestruturar a política de segurança pública no Estado. O contrato, assinado em fevereiro, prevê investimento de R$ 122,9 milhões e foi vencido pela empresa Teltex Tecnologia, responsável pela implantação e operação do novo sistema. Atualmente, Pernambuco conta com 382 câmeras ativas, sendo 325 na Região Metropolitana do Recife e 57 em Caruaru, número que ainda representa apenas uma fração do que está previsto no plano final.

Ao todo, o Estado deverá receber 2 mil novas câmeras distribuídas por 65 municípios, o que significa uma expansão de 460% em relação ao antigo sistema, que dispunha de apenas 358 pontos de captação. A proposta vai além da simples gravação de imagens: o contrato inclui o uso de inteligência artificial, capaz de analisar automaticamente os dados captados, identificar veículos roubados ou furtados e reconhecer padrões suspeitos de comportamento.

O projeto também contempla a criação de centros integrados de inteligência no Recife, em Caruaru e em Petrolina, no Sertão, ampliando a capacidade de análise e resposta das forças de segurança em diferentes regiões do Estado. Segundo a SDS, a previsão é que toda a instalação dos equipamentos seja concluída até fevereiro de 2026, quando o sistema deverá operar em plena capacidade.

Enquanto a expansão não é finalizada, os primeiros resultados já indicam uma mudança significativa na forma como o Estado observa, reage e investiga o crime. Em Pernambuco, as câmeras deixam de ser apenas olhos eletrônicos e passam a atuar como peças centrais de uma engrenagem que une tecnologia, prevenção e ação policial em tempo real.

CEM VEÍCULOS, UMA GESTÃO: BOM JARDIM FECHA 2025 COM MARCA HISTÓRICA E CONSOLIDA ERA DE INVESTIMENTOS SOB O COMANDO DE JANJÃO

Bom Jardim encerrou o ano de 2025 com uma imagem simbólica de trabalho e presença do poder público nas ruas. No último dia do ano, 31 de dezembro, a gestão do prefeito Janjão (PSD) promoveu um desfile pelas principais vias da cidade para apresentar à população 13 novos veículos incorporados à frota municipal, fechando o ano com resultados concretos e números que chamam atenção.

Com a nova entrega, a Prefeitura alcança uma marca emblemática: 100 veículos adquiridos ao longo da atual gestão, um feito que reposiciona a estrutura administrativa do município e amplia a capacidade de atendimento nas áreas essenciais. Somente em 2025, foram 18 novos veículos incorporados, demonstrando ritmo contínuo de investimentos e planejamento.

A frota apresentada reúne equipamentos estratégicos para o funcionamento da cidade. Caçambas e caminhão coletor fortalecem a limpeza urbana e a infraestrutura; ambulâncias ampliam a rede de atendimento em saúde; ônibus escolares garantem mais segurança e dignidade no transporte dos estudantes; veículos como Chevrolet Spin e Citroën C3 reforçam os serviços administrativos; além de uma patrol, fundamental para a recuperação de estradas vicinais e apoio à zona rural.

Ao lado do vice-prefeito Arsênio Medeiros, Janjão destacou que o número alcançado vai além de estatística e representa melhoria real na vida da população. Segundo ele, a renovação e ampliação da frota significam mais agilidade, economia com manutenção, melhores condições de trabalho para os servidores e, principalmente, serviços mais eficientes para os bonjardinenses.

Encerrar o ano com entregas, segundo o prefeito, simboliza o compromisso permanente da gestão com resultados práticos. “Fechar 2025 dessa forma é motivo de gratidão e, ao mesmo tempo, de responsabilidade. Cada veículo entregue é mais cuidado com as pessoas, mais presença do poder público e mais capacidade de atender quem mais precisa”, afirmou.

A marca de uma centena de veículos consolida a gestão Janjão como um período de forte investimento em estrutura pública, deixando um legado visível nas ruas, nos serviços e no dia a dia da cidade. Em Bom Jardim, 2025 terminou com motor ligado, frota reforçada e a administração sinalizando que o trabalho segue em ritmo acelerado.

ASSEMBLEIA ENTRA EM RECESSO, MAS URGÊNCIA EXPÕE DISPUTA DE PODER NA ALEPE

Com 25 votos favoráveis, a Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) aprovou, na manhã desta sexta-feira, a convocação extraordinária dos deputados para deliberar sobre projetos do Poder Executivo em regime de urgência. Entre os principais pontos da pauta está a apreciação dos vetos da governadora Raquel Lyra à Lei Orçamentária Anual (LOA) que define o orçamento do Estado para 2026.

A sessão plenária foi rápida, durando poucos minutos, mas deixou no ar mais dúvidas do que certezas. Apesar da autorização para o período extraordinário, não há definição clara sobre quando — ou em que ritmo — os projetos efetivamente serão votados. O impasse ficou evidente quando a líder do Governo na Casa, deputada Socorro Pimentel (UB), questionou o encaminhamento imediato das matérias. Em resposta, o presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto (PSDB), afirmou que antes de qualquer deliberação será ouvido o parecer da Procuradoria da Casa, tanto para o envio às comissões quanto para a inclusão em plenário.

Nos bastidores, a sinalização é de cautela institucional, mas também de tensão política. Enquanto a tramitação não avança, o Executivo segue amparado por decisão judicial. Isso porque a governadora poderá trabalhar com a LOA nos moldes originalmente enviados pelo Palácio do Campo das Princesas. O Tribunal de Justiça de Pernambuco concedeu liminar derrubando a versão da LOA proclamada pela Presidência da Alepe, que desconsiderava os vetos do Executivo.

O regimento interno da Assembleia, no entanto, impõe um prazo-limite que pode pressionar os parlamentares. Caso as matérias da convocação extraordinária não sejam votadas até o início de fevereiro, quando se abre o novo período legislativo, elas passam a tramitar com prioridade absoluta na primeira sessão do ano. O efeito prático é severo: a pauta fica trancada e a Casa fica impedida de analisar qualquer outro projeto até que os temas pendentes sejam resolvidos.

Ciente do cenário, a bancada governista já se movimenta para evitar surpresas. Deputados aliados admitem que terão de rever planos pessoais para garantir presença em possíveis votações convocadas de última hora. “Já cancelei tudo”, afirmou o deputado Luciano Duque (SD), de Serra Talhada, sinalizando que o recesso pode ser apenas formal para quem integra a base do Governo.

A preocupação não é infundada. Há receio de que o comando da Alepe marque sessões de forma inesperada, exigindo quórum imediato e testando a capacidade de mobilização do Executivo.

Chamou atenção, ainda, a ausência completa da oposição na sessão desta sexta-feira. Nenhum deputado oposicionista compareceu ao plenário. O único presente foi o próprio presidente Álvaro Porto, cuja participação é obrigatória por força legal para a instalação do período extraordinário.

Porto, inclusive, deve se ausentar nos próximos dias. Ele tem viagem de férias marcada para a próxima segunda-feira, logo após a formalização da convocação extraordinária, com retorno previsto apenas para o dia 22. Durante esse intervalo, a Presidência da Casa ficará sob responsabilidade do vice-presidente, deputado Rodrigo Farias (PSB).

O resultado é um Legislativo oficialmente convocado, mas politicamente em compasso de espera. Com o orçamento de 2026 no centro da disputa e o relógio regimental correndo, o início do ano legislativo promete ser marcado por embates, estratégias e uma queda de braço silenciosa entre o Palácio e a Alepe.

PRISÃO IMEDIATA: STF MANDA DETER FILIPE MARTINS APÓS SUSPEITA DE VIOLAÇÃO DE MEDIDA CAUTELAR

A manhã desta sexta-feira (2) começou com mais um capítulo de forte repercussão no inquérito que apura a trama golpista associada ao entorno do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). A Polícia Federal prendeu, em Ponta Grossa, no Paraná, Filipe Martins, ex-assessor especial para Assuntos Internacionais da Presidência da República, por determinação direta do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal (STF).

A prisão preventiva foi decretada após o magistrado considerar indícios de descumprimento das medidas cautelares impostas ao ex-assessor. Segundo a decisão, Filipe Martins teria realizado uma pesquisa na plataforma LinkedIn, o que configuraria violação da ordem judicial que o proibia de acessar redes sociais enquanto cumpria prisão domiciliar. A determinação judicial previa, de forma expressa, o afastamento total de qualquer ambiente digital de interação social.

O episódio ganhou contornos ainda mais sensíveis porque, no último dia 30 de dezembro, o próprio ministro Alexandre de Moraes já havia intimado a defesa de Filipe Martins a prestar esclarecimentos sobre o suposto acesso à rede social profissional. Os advogados negaram veementemente que o ex-assessor tenha utilizado o LinkedIn, alegando inexistência de provas materiais que confirmassem a violação. Ainda assim, Moraes entendeu que os elementos reunidos até o momento justificavam a revogação da prisão domiciliar e a conversão imediata para o regime fechado.

Filipe Martins havia passado a cumprir prisão domiciliar no sábado (27), poucos dias após ter sido condenado pelo STF a 21 anos de prisão. A condenação decorre de sua participação considerada central na chamada “trama golpista”, especialmente no que diz respeito à elaboração da chamada “minuta do golpe”, documento que teria servido de base para tentativas de ruptura institucional após o resultado das eleições presidenciais.

De acordo com a investigação, o ex-assessor não apenas teve acesso ao conteúdo da minuta como teria contribuído ativamente para sua formulação, atuando como um dos articuladores intelectuais do plano. O STF entendeu que a gravidade dos fatos, somada ao risco de obstrução das investigações e à possibilidade de reiteração de condutas ilícitas, justificava a imposição de medidas cautelares rigorosas — agora consideradas descumpridas.

A prisão foi cumprida pela Polícia Federal na residência de Filipe Martins, que foi conduzido diretamente a um presídio da região de Ponta Grossa, onde permanecerá à disposição da Justiça. O caso reforça o entendimento do Supremo de que qualquer descumprimento, ainda que aparentemente simples, das condições impostas a réus condenados ou investigados será tratado com máxima severidade.

O desdobramento também reacende o debate político e jurídico sobre os limites das medidas cautelares, o uso de redes sociais por investigados e o rigor adotado pelo STF nos processos relacionados aos atos antidemocráticos. Enquanto a defesa promete recorrer da decisão, o Supremo sinaliza que não haverá tolerância diante de possíveis afrontas às ordens judiciais.

Com informações da CNN Brasil.

TENSÃO NA ALEPE: BASE ACUSA MANOBRA DE ÁLVARO PORTO PARA TRAVAR PROJETOS DO GOVERNO RAQUEL LYRA

A aprovação do período extraordinário da Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe), na manhã desta quarta-feira, foi marcada por um embate direto entre a base governista e a presidência da Casa. O centro da polêmica foi a decisão do presidente da Alepe, deputado Álvaro Porto (PSDB), de encaminhar projetos do Executivo estadual e do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE) para a Procuradoria da Assembleia antes de enviá-los às comissões permanentes.

Logo após a autorização do período extraordinário, a líder do Governo na Alepe, deputada Socorro Pimentel (União Brasil), questionou se as matérias do Estado teriam tramitação imediata, como prevê o rito legislativo em situações excepcionais. A resposta de Álvaro Porto, no entanto, gerou reação imediata: o presidente informou que, antes de qualquer análise pelas comissões, os projetos seriam submetidos à Procuradoria da Casa para avaliação jurídica prévia.

A decisão causou forte incômodo na bancada governista, que acusa o presidente de criar uma etapa não prevista no Regimento Interno da Alepe, com o objetivo de atrasar propositalmente a tramitação das matérias consideradas estratégicas para o governo Raquel Lyra (PSD).

A deputada Débora Almeida (PSDB), uma das vozes mais ativas na defesa do Palácio do Campo das Princesas, foi direta ao criticar a condução dos trabalhos. Segundo ela, o regimento é claro ao estabelecer que os projetos devem ser encaminhados diretamente às comissões, especialmente à Comissão de Constituição, Legislação e Justiça, responsável por avaliar a constitucionalidade das proposições. Para Débora, o envio à Procuradoria representa uma tentativa de concentrar decisões em um órgão técnico que não foi eleito pelo voto popular. “Quem recebeu votos do povo para apreciar matérias fomos nós, deputados e deputadas, não os procuradores”, afirmou.

O deputado Luciano Duque reforçou o discurso da base e classificou o episódio como uma inversão de poder dentro da Casa. Para ele, a maioria governista estaria sendo submetida à vontade de uma minoria liderada pelo presidente da Alepe. O parlamentar enxergou na medida uma forma de controle político sobre a pauta legislativa, em prejuízo do andamento das ações do Executivo.

Socorro Pimentel e o deputado Antônio Moraes (PP) também interpretaram o gesto de Álvaro Porto como uma tentativa clara de protelar a tramitação. A líder do governo destacou ainda a ausência de parlamentares da oposição no Plenário durante a sessão, com exceção do próprio presidente, o que, segundo ela, evidencia uma estratégia de obstrução indireta.

No centro da controvérsia estão dois projetos específicos: o Projeto de Lei nº 70/2025, que trata de alterações na Lei Orçamentária Anual (LOA), e o Projeto de Lei nº 71/2025, de iniciativa do Tribunal de Justiça de Pernambuco. Ambos foram despachados por Álvaro Porto para análise da Procuradoria da Alepe.

A presidência da Casa sustenta que a medida é necessária para garantir o cumprimento rigoroso do Regimento Interno e assegurar a constitucionalidade dos textos. Em sua justificativa, Álvaro Porto afirmou que há inconformidades técnicas que precisam ser analisadas previamente. No caso do projeto do TJPE, ele citou o fato de que os prazos para remanejamento de recursos teriam expirado em 30 de dezembro de 2025, o que exigiria uma avaliação jurídica mais aprofundada.

Segundo a Alepe, após a emissão do parecer da Procuradoria, os projetos seguirão o rito normal, sendo encaminhados às comissões de Justiça, Finanças e Administração, antes de serem pautados para votação em Plenário. Ainda assim, o episódio expôs, logo no início do período extraordinário, o clima de tensão e desconfiança entre a presidência da Casa e a base governista, antecipando um cenário de embates políticos intensos nas próximas semanas.

PREFEITO DO SERTÃO ROMPE ALINHAMENTO POLÍTICO E DECLARA APOIO A JOÃO CAMPOS

O cenário político pernambucano ganhou um novo capítulo nesta quinta-feira (2) com a declaração pública de apoio do prefeito de Santa Cruz, conhecido como Cachoeira, ao projeto político do prefeito do Recife e presidente nacional do PSB, João Campos. O gesto chama atenção porque o gestor sertanejo é filiado ao Avante, partido que integra a base de sustentação da governadora Raquel Lyra, evidenciando uma movimentação que ultrapassa as fronteiras formais das alianças partidárias no Estado.

A decisão não surge de forma isolada. Nos bastidores, o apoio vinha sendo articulado há algum tempo e reflete um reposicionamento político no município e em cidades da região. Cachoeira é aliado histórico de Eliane Soares, ex-prefeita de Santa Cruz por quatro mandatos e atualmente pré-candidata a deputada federal, que já havia anunciado anteriormente seu alinhamento com João Campos. A adesão do prefeito reforça esse eixo político e sinaliza uma convergência de lideranças locais em torno do nome do gestor recifense.

A manifestação do prefeito consolida a presença de João Campos no debate político do interior, especialmente no Sertão, onde o apoio de prefeitos tem peso estratégico na construção de projetos estaduais. Ao tornar público seu posicionamento, Cachoeira destaca afinidade com o estilo de articulação política do prefeito da capital e a avaliação de que João Campos reúne condições de diálogo com diferentes forças políticas, além de experiência administrativa acumulada nos últimos anos.

O movimento também evidencia a complexidade do tabuleiro político pernambucano, marcado por alianças cruzadas e apoios que nem sempre seguem rigidamente as linhas partidárias. Mesmo integrando um partido alinhado ao governo estadual, o prefeito de Santa Cruz opta por declarar apoio a uma liderança de campo distinto, reforçando a leitura de que as disputas futuras tendem a ser pautadas mais por projetos e articulações regionais do que por fidelidade automática às bases formais.

Com esse apoio, João Campos amplia sua rede de sustentação política no interior do Estado, enquanto Santa Cruz passa a integrar de forma mais explícita o grupo de municípios que já demonstram alinhamento com o prefeito do Recife, antecipando os movimentos que devem ganhar intensidade ao longo de 2026.

FILHO DE EX-VICE-PREFEITO ASSASSINADO EM 2020 É EXECUTADO NA PE-170, EM CANHOTINHO

A violência voltou a atingir de forma direta uma família marcada por crimes que chocaram Canhotinho, no Agreste de Pernambuco. Eliphas Moaby de Melo, de 28 anos, foi morto a tiros na tarde desta terça-feira (31), às margens da rodovia PE-170. Ele era filho de Erinaldo Santos, ex-vice-prefeito do município, assassinado em fevereiro de 2020 quando se preparava para disputar a Prefeitura da cidade.

Segundo a Polícia Civil de Pernambuco (PCPE), Eliphas foi atingido por disparos de arma de fogo e morreu ainda no local do crime. O autor fugiu logo após a execução e, até o momento, não foi identificado. Em nota, a corporação informou que as investigações seguem em andamento, com o objetivo de esclarecer a autoria e a motivação do homicídio.

O novo crime reacende lembranças de um caso que teve forte repercussão política e social na região. Erinaldo Santos era pré-candidato a prefeito de Canhotinho quando foi morto, em um episódio que abalou o cenário político local e levantou questionamentos sobre disputas e conflitos no município. A investigação do assassinato do ex-vice-prefeito teve desdobramentos ainda mais dramáticos.

Em 2021, durante uma operação da Polícia Civil, Eric Matheus, filho de Erinaldo e irmão de Eliphas, foi preso sob suspeita de ser o autor do homicídio do próprio pai. Até o momento, o Diário de Pernambuco não conseguiu confirmar se houve condenação no processo, o que mantém o caso cercado de dúvidas e pendências judiciais.

A execução de Eliphas, ocorrida em plena luz do dia, reforça o clima de insegurança e apreensão entre moradores de Canhotinho. A repetição de crimes graves envolvendo a mesma família levanta novas perguntas e amplia a pressão por respostas das autoridades.

A Polícia Civil segue realizando diligências e não descarta nenhuma linha de investigação. Enquanto isso, o município convive com mais um capítulo trágico de uma história marcada por violência, mistério e impactos profundos na vida política e social da cidade.

PORTO DE GALINHAS SENTE O PESO DA VIOLÊNCIA E COMEÇA 2026 COM PRAIA ESVAZIADA E TURISTAS DESCONFIADOS

Com informações do repórter Waldson Balbino, da TV Jornal


Conhecida internacionalmente como um dos cartões-postais mais famosos de Pernambuco, a praia de Porto de Galinhas, no município de Ipojuca, iniciou o ano de 2026 em um clima bem diferente do habitual. Na manhã desta quarta-feira (1º), primeiro dia do novo ano, a movimentação foi considerada fraca, contrastando com o cenário de lotação que tradicionalmente marca o período de alta estação.

Por volta das 10h, o que se via ao longo da orla eram cadeiras desocupadas, guarda-sóis sobrando e pouca procura pelos serviços oferecidos pelas barracas. Profissionais que atuam diretamente com o turismo na região perceberam a mudança. Um condutor de visitantes relatou que, no mesmo dia em 2025, a praia estava tomada por turistas, com intensa circulação de pessoas e consumo elevado nos estabelecimentos da orla.


A retração no fluxo de visitantes ocorre pouco mais de uma semana após um episódio de violência que ganhou grande repercussão. No dia 27 de dezembro, uma confusão envolvendo barraqueiros e um casal de turistas do Mato Grosso terminou em agressão, abalando a imagem de um destino até então associado à tranquilidade e ao lazer familiar. Desde então, o receio passou a fazer parte da experiência de quem visita o local.

Além da agressão, o caso reacendeu um debate antigo sobre práticas consideradas abusivas por frequentadores da praia, como a cobrança de consumação mínima, taxas não informadas previamente e a chamada venda casada. Reclamações desse tipo já vinham sendo feitas por turistas há anos, mas ganharam ainda mais força após o episódio de violência.

Mesmo com a presença de famílias e grupos espalhados pela faixa de areia, muitos visitantes optaram por não utilizar as barracas. Houve quem preferisse levar cadeiras, bebidas e alimentos por conta própria, evitando qualquer tipo de contato comercial, numa demonstração clara de desconfiança e cautela.


Diante da repercussão negativa, a Prefeitura de Ipojuca reagiu publicando um decreto que endurece as regras para o comércio na orla de Porto de Galinhas. O texto proíbe expressamente a cobrança de consumação mínima, taxas indevidas e a prática de venda casada, além de estabelecer punições para os permissionários que descumprirem as determinações. O decreto também prevê o reforço da fiscalização como forma de garantir o cumprimento das normas.

No entanto, já no primeiro dia de vigência das novas regras, surgiram relatos contraditórios. Uma turista afirmou à TV Jornal que foi cobrada por consumação mínima mesmo após a publicação do decreto. Por outro lado, outro visitante contou que utilizou uma barraca sem qualquer exigência desse tipo, o que indica falhas na aplicação uniforme das medidas adotadas pelo poder público.

O cenário evidencia que, apesar das ações anunciadas, Porto de Galinhas ainda enfrenta o desafio de reconquistar a confiança dos turistas. Em um destino que depende fortemente do turismo para movimentar a economia local, o início tímido de 2026 serve de alerta: garantir segurança, respeito ao consumidor e fiscalização efetiva deixou de ser apenas uma demanda e passou a ser uma necessidade urgente para evitar impactos ainda maiores na imagem e na atividade turística da região.