Os números demonstram que, embora ainda esteja em fase inicial de implantação, o sistema já atua como ferramenta estratégica tanto na repressão quanto na investigação de crimes. Além das prisões, o monitoramento contribuiu para a lavratura de oito termos circunstanciados, aplicados em casos de menor potencial ofensivo, reforçando o papel das câmeras também no acompanhamento de delitos menos graves, mas igualmente relevantes para a segurança urbana.
Entre os episódios mais emblemáticos registrados pelas lentes do novo parque tecnológico está o assassinato de David Denis Oliveira, de 23 anos, morto a facadas ao reagir a um assalto em Caruaru, no fim de novembro. As imagens captadas foram decisivas para reconstruir a dinâmica do latrocínio, identificar a rota de fuga dos suspeitos e levar à detenção de um dos envolvidos. O caso tornou-se símbolo do potencial do sistema para acelerar respostas policiais e dar mais precisão às investigações.
Em posicionamento oficial, a SDS afirma que o videomonitoramento tem sido fundamental para atender demandas da Polícia Civil, com o fornecimento de imagens que auxiliam na elucidação de inquéritos e procedimentos investigativos. Além do combate direto ao crime, o sistema também vem sendo utilizado na gestão de ocorrências cotidianas, como acidentes de trânsito com vítimas, manifestações públicas e interdições de vias. Nessas situações, o acompanhamento em tempo real permite orientar e acionar com maior rapidez as equipes da Polícia Militar, otimizando recursos e reduzindo o tempo de resposta.
O projeto integra uma das principais apostas do governo Raquel Lyra (PSD) para reestruturar a política de segurança pública no Estado. O contrato, assinado em fevereiro, prevê investimento de R$ 122,9 milhões e foi vencido pela empresa Teltex Tecnologia, responsável pela implantação e operação do novo sistema. Atualmente, Pernambuco conta com 382 câmeras ativas, sendo 325 na Região Metropolitana do Recife e 57 em Caruaru, número que ainda representa apenas uma fração do que está previsto no plano final.
Ao todo, o Estado deverá receber 2 mil novas câmeras distribuídas por 65 municípios, o que significa uma expansão de 460% em relação ao antigo sistema, que dispunha de apenas 358 pontos de captação. A proposta vai além da simples gravação de imagens: o contrato inclui o uso de inteligência artificial, capaz de analisar automaticamente os dados captados, identificar veículos roubados ou furtados e reconhecer padrões suspeitos de comportamento.
O projeto também contempla a criação de centros integrados de inteligência no Recife, em Caruaru e em Petrolina, no Sertão, ampliando a capacidade de análise e resposta das forças de segurança em diferentes regiões do Estado. Segundo a SDS, a previsão é que toda a instalação dos equipamentos seja concluída até fevereiro de 2026, quando o sistema deverá operar em plena capacidade.
Enquanto a expansão não é finalizada, os primeiros resultados já indicam uma mudança significativa na forma como o Estado observa, reage e investiga o crime. Em Pernambuco, as câmeras deixam de ser apenas olhos eletrônicos e passam a atuar como peças centrais de uma engrenagem que une tecnologia, prevenção e ação policial em tempo real.