sábado, 31 de outubro de 2026
FLÁVIO BOLSONARO VIRA ABACAXI PARA TRUMP: FAMÍLIA BOLSONARO EXPORTA CRISE PARA OS EUA E DEMOCRATAS QUEREM SABER QUEM ABRIU A PORTA
TRAGÉDIA NA PE-365: MORTE DE JOÃO CAIO, FILHO DE EX-PREFEITO DE TRIUNFO, AOS 26 ANOS, ABALA O SERTÃO; MOTORISTA TERIA FUGIDO SEM PRESTAR SOCORRO
PREFEITURA DE TORITAMA INAUGURA PAVIMENTAÇÃO DE GRANDE AVENIDA DE ACESSO A CRECHE NO BAIRRO PRÍNCIPE DA PAZ
A URNA FECHOU, A PROMESSA FICOU PELO CAMINHO: GOVERNADORES QUE DEFENDIAM MENOS IMPOSTOS APROVAM AUMENTO DO ICMS DOS COMBUSTÍVEIS
Tarcísio de Freitas, Jorginho Mello e Celina Leão estão entre os governantes associados ao bolsonarismo cujos estados participaram da aprovação do reajuste. Decisão veio apenas 48 horas depois da derrota de Flávio Bolsonaro e terá impacto sobre gasolina, diesel e gás de cozinha.
Tem promessa que atravessa uma campanha inteira. Tem discurso que rende palanque, aplausos e declarações inflamadas contra o peso dos impostos. Mas existe também o momento em que a propaganda eleitoral termina e os governantes precisam mostrar, na prática, como pretendem administrar o dinheiro público.
Foi justamente nesse intervalo entre o discurso e a realidade que surgiu uma decisão capaz de provocar desconforto entre eleitores que ouviram, durante a campanha de 2026, tantas manifestações em defesa da redução de impostos.
No dia 25 de outubro, os brasileiros foram às urnas para escolher o presidente da República no segundo turno. Dois dias depois, em 27 de outubro, o Conselho Nacional de Política Fazendária (Confaz) aprovou novos valores para o ICMS dos combustíveis. A mudança começará a valer em 1º de fevereiro de 2027.
Entre os governos estaduais envolvidos estão administrações comandadas por políticos identificados com o bolsonarismo, como Tarcísio de Freitas, em São Paulo; Jorginho Mello, em Santa Catarina; e Celina Leão, no Distrito Federal.
A coincidência de calendário não prova que a derrota de Flávio Bolsonaro tenha provocado a decisão. Mas coloca uma questão política incontornável: como conciliar o discurso de campanha contra o aumento da carga tributária com a aprovação de uma medida que eleva o imposto sobre produtos presentes no orçamento diário da população?
AS PROMESSAS TÊM DATA, OS IMPOSTOS TAMBÉM
Em Santa Catarina, Jorginho Mello assinou, em setembro, um compromisso com a Federação das Indústrias de Santa Catarina (Fiesc) para não elevar a carga tributária estadual durante o próximo mandato, de 2027 a 2030.
O compromisso não tratava exclusivamente dos combustíveis, mas a aprovação do reajuste do ICMS coloca o governo catarinense diante da necessidade de explicar como pretende compatibilizar as duas decisões.
No Distrito Federal, Celina Leão havia defendido, em 22 de outubro, a manutenção de impostos reduzidos sobre combustíveis. Cinco dias depois, o governo do DF participou da aprovação dos novos valores.
Já Tarcísio de Freitas, que construiu parte de seu discurso político em torno da redução do peso dos impostos, também ficou associado à decisão. No dia 27 de outubro, o governador paulista defendeu publicamente a redução da carga tributária, enquanto seu estado participava da aprovação dos convênios no Confaz.
A relação entre as declarações e a decisão tributária merece ser examinada com atenção. Não se trata de afirmar que os três governadores fizeram exatamente a mesma promessa, mas de cobrar coerência entre os compromissos públicos e as decisões de seus governos.
O DIESEL TERÁ A MAIOR ALTA
Os novos valores são objetivos e atingem três produtos essenciais:
A gasolina terá o ICMS elevado de R$ 1,57 para R$ 1,64 por litro, acréscimo de R$ 0,07.
O diesel passará de R$ 1,17 para R$ 1,30 por litro, aumento de R$ 0,13, equivalente a 11,1%.
No gás de cozinha, a tributação passará de R$ 1,47 para R$ 1,54 por quilo. Em um botijão de 13 quilos, a diferença na parcela do imposto será de R$ 0,91.
O diesel merece atenção especial. É o combustível que movimenta boa parte do transporte rodoviário brasileiro. Quando seu custo aumenta, o impacto pode alcançar o frete, a distribuição de alimentos, o transporte de mercadorias e diversos serviços.
Não significa que todo o reajuste será automaticamente repassado aos consumidores, mas a pressão sobre os custos existe.
NÃO FOI APENAS A DIREITA QUE APROVOU
É importante separar a cobrança política da informação institucional.
A decisão foi tomada no Confaz, que reúne representantes das secretarias estaduais de Fazenda. A ratificação dos convênios ocorreu por unanimidade, envolvendo os 26 estados e o Distrito Federal.
Portanto, não seria correto atribuir o aumento exclusivamente aos governadores bolsonaristas. Governos de diferentes partidos participaram da decisão, inclusive Pernambuco, representado pelo secretário da Fazenda, Juarez Andrade de Morais.
O que chama atenção é que alguns dos governantes que participaram da aprovação haviam assumido compromissos públicos contra o aumento da carga tributária.
A LEI NÃO OBRIGAVA NECESSARIAMENTE A AUMENTAR
Os governos estaduais justificam a atualização com base na metodologia prevista na Lei Complementar 192/2022, que estabeleceu a cobrança monofásica do ICMS sobre combustíveis, por valores fixos por litro ou quilo.
O Comsefaz sustenta que a atualização considera a variação dos preços médios dos combustíveis apurados pela Agência Nacional do Petróleo (ANP).
Existe, porém, um detalhe importante: a legislação estabelece regras para a definição das alíquotas, mas não determina que os estados sejam obrigados a aumentar os valores. A decisão sobre os montantes é tomada conjuntamente pelos próprios estados.
O Comsefaz também informou que os governos estudam alternativas para reduzir o reajuste previsto para o diesel diante da instabilidade internacional dos preços do petróleo.
A COBRANÇA QUE SOBRA PARA O CONTRIBUINTE
O debate não termina na política partidária. Ele chega ao posto de combustível, ao caminhoneiro, ao comerciante, ao trabalhador que abastece o carro e à família que precisa comprar um botijão de gás.
Governar exige arrecadar e manter serviços públicos. Isso é parte da responsabilidade administrativa. Mas também exige transparência, coerência e explicações quando decisões concretas entram em conflito com compromissos apresentados à população.
O eleitor não escolhe governantes apenas para ouvir o que eles pretendem fazer antes da eleição. Também tem o direito de cobrar o que fazem depois dela.
A campanha terminou em 25 de outubro. O reajuste foi aprovado em 27 de outubro. E a partir de fevereiro de 2027, o contribuinte começará a conviver com os novos valores.
No palanque, o discurso era de menos impostos. Na administração, a decisão foi outra.
E fica uma pergunta que não pertence a partido algum: quando um governante promete não aumentar impostos, essa promessa continua valendo depois que ele recebe o voto?
Edney Souto | Blog do Edney
MUNICÍPIOS DE BREJO DA MADRE DE DEUS E CACHOEIRINHA RECEBEM PROGRAMA ESTADUAL DE CASTRAÇÃO ANIMAL
No Agreste pernambucano, os municípios de Brejo da Madre de Deus e Cachoeirinha receberam o programa estadual de castração de cães e gatos. A iniciativa, coordenada pela Secretaria de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha, faz parte da Política Estadual de Controle Populacional de Cães e Gatos, que prevê mais de 40 mil procedimentos gratuitos à população.
Em Brejo da Madre de Deus, o castramóvel estará a partir deste sábado (31) e seguirá até o dia 2 de novembro, na Escola Maria da Glória Oliveira Aguiar, na Rua José Araújo Guerra, nº 103, no Centro. Em seguida, a ação será realizada em Cachoeirinha, no Ginásio Leopoldo Lourenço Sobral, na Rua São Vicente de Paula, nº 49, no Centro, entre 5 e 6 de novembro.
Para o secretário de Meio Ambiente, Sustentabilidade e de Fernando de Noronha, Daniel Coelho, a castração é um importante passo para a ampliação das políticas públicas em defesa da causa animal no estado. “O castramóvel está percorrendo as regiões, contribuindo para a saúde dos animais, o controle de zoonoses e, também, para a saúde pública. É uma importante ação do Governo de Pernambuco para ampliar o acesso à castração e levar mais cuidado e proteção aos cães e gatos, fortalecendo o compromisso com o bem-estar animal”, destacou.
Por dia, a estrutura do castramóvel promove 200 atendimentos, das 8h às 15h. Os responsáveis pelos animais podem se cadastrar exclusivamente pelos links disponíveis nos perfis do Instagram: @meioambientepe e @causaanimalpe.
DPU REALIZARÁ ATENDIMENTOS GRATUITOS EM GARANHUNS DURANTE A SEMANA DA CONCILIAÇÃO
FLÁVIO BOLSONARO QUEBRA O SILÊNCIO EM LIVE NOS EUA, MUDA O TOM DO DISCURSO E TENTA REORGANIZAR A OPOSIÇÃO APÓS SAÍDA DO BRASIL
Depois de dias de turbulência política, repercussão judicial e questionamentos sobre sua saída do território brasileiro, senador reaparece ao lado da família, adota discurso mais moderado na forma, mas mantém ataques ao Judiciário e promete continuar na disputa política.
Flávio Bolsonaro resolveu aparecer. Depois de uma sequência de acontecimentos que colocou seu nome no centro de uma das maiores turbulências políticas dos últimos dias, o senador realizou uma transmissão ao vivo na noite desta sexta-feira (30), diretamente dos Estados Unidos, e finalmente falou sobre sua saída do Brasil.
Desta vez, o ambiente foi diferente. Ao lado da esposa, Fernanda Bolsonaro, e das duas filhas, Flávio apresentou uma comunicação mais controlada, com menos demonstrações públicas de tensão e uma tentativa de transmitir tranquilidade aos apoiadores. Nada de diagnóstico sobre seu comportamento ou especulações sobre medicamentos: o que se pode observar é uma mudança no tom e na condução da transmissão.
Mas a aparência de tranquilidade não significou mudança de posição política.
O senador continuou sustentando a narrativa de perseguição judicial, voltou a questionar acontecimentos relacionados à eleição presidencial e deixou claro que pretende continuar exercendo liderança política mesmo estando fora do país.
A SAÍDA DO BRASIL VIROU O PRINCIPAL ASSUNTO
Flávio explicou que a decisão de viajar para os Estados Unidos foi tomada em conjunto com a esposa, depois que tomou conhecimento da determinação do ministro Alexandre de Moraes, do Supremo Tribunal Federal, que estabeleceu restrições à sua saída do território nacional e determinou a entrega de seus passaportes.
Segundo o próprio senador, a decisão foi tomada sem que outras pessoas participassem do planejamento.
A Polícia Federal, entretanto, apresentou uma versão institucional que acrescenta elementos importantes ao episódio. A corporação informou que havia solicitado medidas cautelares ao STF diante do risco de saída do parlamentar do Brasil e que não encontrou registro de passagem dele pelos postos oficiais de controle migratório.
A PF também confirmou que investiga as circunstâncias do descumprimento das determinações judiciais.
Um detalhe importante: a própria Polícia Federal esclareceu que a existência de restrições migratórias não transforma automaticamente alguém em foragido nem autoriza, por si só, uma prisão.
'EU NÃO SAÍ DO BRASIL, EU SAÍ PELO BRASIL'
Uma das frases que mais chamaram atenção durante a transmissão foi justamente a tentativa de Flávio de explicar sua condição política no exterior.
"Eu não saí do Brasil, eu saí pelo Brasil", declarou.
A frase resume a estratégia que ele pretende adotar: permanecer nos Estados Unidos, mas continuar participando do debate político brasileiro, articulando parlamentares e mantendo contato com sua base eleitoral.
O senador também agradeceu aos apoiadores e falou sobre o desgaste vivido pela família nos últimos dias.
A presença da esposa e das filhas na transmissão foi parte importante dessa comunicação. Flávio procurou apresentar a viagem também como uma decisão familiar, relacionada à segurança e à tranquilidade de seus parentes.
NÃO FALTOU RECADO SOBRE O FUTURO POLÍTICO
Se alguém imaginava que a viagem aos Estados Unidos representaria um afastamento da política, Flávio tratou de afastar essa possibilidade.
O senador afirmou que pretende continuar atuando na oposição ao governo Lula e anunciou apoio a Rogério Marinho para a presidência do Senado Federal.
Também deixou aberta a possibilidade de disputar novamente a Presidência da República antes de 2030.
"Eu não estou falando de 2030, não. Eu estou falando de antes disso", declarou.
A fala demonstra que Flávio não pretende tratar a derrota eleitoral como encerramento de sua trajetória presidencial. Pelo contrário, tenta transformar o episódio atual em ponto de partida para uma nova etapa de sua atuação política.
A DERROTA ELEITORAL CONTINUA SEM SER DIGERIDA POLITICAMENTE
Outro aspecto da transmissão foi a continuidade dos questionamentos sobre o resultado eleitoral.
Flávio voltou a manifestar inconformismo com a vitória de Luiz Inácio Lula da Silva e manteve críticas ao sistema político e às instituições brasileiras.
Entretanto, durante a transmissão, não apresentou provas que demonstrassem fraude eleitoral.
A questão ganha relevância porque o Tribunal Superior Eleitoral já reconheceu a legitimidade do resultado das urnas. Questionamentos políticos não substituem provas nem alteram o resultado proclamado pela Justiça Eleitoral.
O senador também voltou a utilizar o discurso de perseguição judicial para explicar sua situação. Trata-se da versão apresentada por ele, que precisa ser confrontada com os fundamentos das decisões judiciais e os elementos das investigações.
O QUE FICA DEPOIS DA LIVE?
Flávio conseguiu voltar a falar diretamente com seus apoiadores e apresentar sua versão sobre os acontecimentos. Mas a transmissão não encerra os problemas que cercam sua situação.
A investigação da Polícia Federal sobre a saída do país continua sendo um ponto central. Além disso, o senador é investigado em procedimentos relacionados a suspeitas de lavagem de dinheiro e ao financiamento do filme Dark Horse, sobre a trajetória política de Jair Bolsonaro. Flávio nega irregularidades.
A situação jurídica, portanto, não desaparece porque o parlamentar decidiu fazer uma transmissão nas redes sociais.
O episódio também abre uma discussão política sobre a possibilidade de lideranças brasileiras tentarem comandar movimentos de oposição a partir do exterior, enquanto enfrentam questionamentos judiciais no próprio país.
Flávio quer mostrar que continua no jogo. E fez questão de dizer que pretende disputar novamente a Presidência.
Resta saber como essa estratégia será recebida pelos partidos, pelos parlamentares e pelo eleitorado que acabou de participar de uma eleição presidencial extremamente disputada.
Uma coisa é certa: a live encerrou o silêncio, mas não encerrou a crise.
Flávio voltou a falar. Agora, além das palavras, terá de enfrentar as consequências políticas e jurídicas dos acontecimentos que o levaram aos Estados Unidos.
Blog do Edney — A notícia verdade.