A representação é resultado da Rota DEAM 24H, iniciativa que percorreu oito municípios pernambucanos para ouvir mulheres, reunir relatos e registrar de perto as dificuldades enfrentadas por vítimas de violência que precisam de atendimento especializado.
A mobilização passou por Surubim, Palmares, Garanhuns, Afogados da Ingazeira, Salgueiro, Vitória de Santo Antão, Goiana e Arcoverde.
Todo o material produzido durante a rota foi anexado à denúncia entregue ao MPPE. Entre os documentos estão o projeto da iniciativa, na última quarta de caso, registros fotográficos das escutas sociais realizadas nos municípios e as assinaturas coletadas ao longo da mobilização.
Segundo a representação, as DEAMs dos municípios visitados não funcionam 24 horas. Na avaliação do movimento, essa limitação acaba dificultando o acesso imediato das mulheres à proteção policial e às medidas previstas na Lei Maria da Penha.
A reivindicação é para que o atendimento especializado seja mantido de forma ininterrupta, garantindo que uma mulher vítima de violência tenha onde buscar ajuda independentemente do horário.
A mobilização também ganhou apoio popular. Mais de 800 assinaturas físicas foram entregues ao Ministério Público, além de outras 200 assinaturas digitais coletadas por meio de um link disponibilizado nas redes sociais de Helloysa Ferreira.
A situação chama atenção principalmente para a realidade do interior de Pernambuco. A ausência de atendimento especializado durante a noite, nos fins de semana e feriados pode se transformar em uma barreira para mulheres que precisam de proteção justamente nos momentos de maior vulnerabilidade.
Com a representação protocolada, caberá agora ao MPPE analisar a denúncia e avaliar as providências que poderão ser adotadas.
Para Helloysa Ferreira, a entrega do documento representa mais um passo na mobilização pela ampliação da proteção às mulheres pernambucanas.
A pauta chega ao Ministério Público com uma cobrança direta: violência contra a mulher não tem hora marcada. E a proteção também não deveria ter.