Representantes da Assembleia procuraram o Blog do Edney para explicar a mudança. Medida segue modelo utilizado em outros Legislativos estaduais e considera as atribuições adicionais de líderes, integrantes da Mesa Diretora e presidentes de comissões.
A ampliação do limite adicional das verbas de gabinete aprovada pela Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) tem como fundamento a necessidade de adequar a estrutura de trabalho dos deputados que exercem funções de maior responsabilidade dentro do Parlamento.
Após a repercussão da notícia, representantes da Alepe entraram em contato com o Blog do Edney para apresentar os esclarecimentos sobre a medida e destacar que a adoção de limites diferenciados para parlamentares em funções estratégicas não é uma particularidade de Pernambuco. O expediente também é utilizado em outras Assembleias Legislativas do país.
A justificativa é que ocupar uma liderança partidária, representar o Governo ou a Oposição, integrar a Mesa Diretora ou presidir uma comissão permanente significa assumir atribuições que vão além das atividades ordinárias do mandato.
Esses parlamentares participam diretamente da articulação política, coordenam bancadas, acompanham projetos de interesse das comissões, organizam reuniões, mantêm interlocução com diferentes setores e assumem responsabilidades na condução dos trabalhos legislativos. Naturalmente, essas atividades demandam maior suporte administrativo e uma equipe de assessoria compatível com o volume de trabalho.
Na prática, a ampliação busca oferecer condições estruturais para que os parlamentares desempenhem essas funções adicionais, sem que a responsabilidade institucional fique limitada à estrutura convencional de um gabinete.
MODELO NÃO É EXCLUSIVO DE PERNAMBUCO
Outro aspecto apresentado pelos representantes da Assembleia é que outros Legislativos estaduais possuem mecanismos semelhantes, estabelecendo condições diferenciadas de apoio para deputados que ocupam funções de liderança e direção parlamentar.
Na Assembleia Legislativa da Paraíba, por exemplo, existem regras específicas para a estrutura de apoio de parlamentares que exercem funções de liderança e integram a administração da Casa. Há previsão de limites diferenciados para determinadas funções, inclusive de até 80% em situações previstas na regulamentação.
Isso demonstra que a diferenciação na estrutura dos gabinetes acompanha uma lógica administrativa presente em outros parlamentos estaduais, embora cada Assembleia tenha suas próprias regras e critérios.
NÃO É REAJUSTE SALARIAL
A mudança aprovada em Pernambuco eleva de 70% para até 80% o limite adicional das verbas de gabinete para os deputados enquadrados nas funções previstas. A nova regra começa a valer em janeiro de 2027.
É importante esclarecer que não se trata de aumento salarial ou incorporação de valores aos vencimentos dos parlamentares. A alteração amplia o teto de recursos destinado à estrutura de funcionamento dos gabinetes, permitindo maior capacidade de organização e apoio às atividades parlamentares.
Também não significa que todos os beneficiados utilizarão automaticamente o limite máximo. O gasto efetivo depende da utilização dos recursos, dentro das regras estabelecidas pela Assembleia.
A aprovação ocorreu em uma votação que durou aproximadamente 30 segundos, e a alteração foi incluída em uma proposta que originalmente tratava de outro assunto. Esses aspectos provocaram questionamentos e ampliaram a repercussão da decisão.
A discussão, portanto, precisa considerar tanto a justificativa administrativa apresentada pela Alepe quanto a transparência sobre os critérios de utilização e o impacto financeiro da mudança.
O esclarecimento encaminhado ao Blog do Edney acrescenta um elemento importante ao debate: deputados que assumem responsabilidades extras na condução do Legislativo também precisam de estrutura compatível para exercer essas funções. A questão agora é acompanhar como a nova regra será aplicada a partir de janeiro de 2027.