Além da confirmação de Alckmin como candidato à vice-presidência, o encontro também oficializou a coligação do PSB com a federação formada por PT, PV e PCdoB para as eleições deste ano, consolidando a manutenção da aliança que sustenta o governo federal.
Durante seu discurso, Geraldo Alckmin fez um balanço das ações da atual gestão e direcionou críticas ao governo do ex-presidente Jair Bolsonaro (PL). O vice-presidente afirmou que a administração anterior teve responsabilidade pelas mortes registradas durante a pandemia da Covid-19 e criticou medidas adotadas na área tributária, citando a redução de impostos para jetskis e armas. Em contraposição, destacou iniciativas do governo Lula, como a ampliação da faixa de isenção do Imposto de Renda para trabalhadores com salários de até R$ 5 mil. Alckmin também reafirmou sua lealdade ao presidente Lula e o compromisso de seguir ao seu lado durante a campanha.
Outro ponto de destaque em sua fala foi a crítica ao slogan "Deus, pátria, família e liberdade", frequentemente utilizado por apoiadores do ex-presidente Bolsonaro. Segundo Alckmin, não é possível utilizar o nome de Deus para justificar violência, ódio ou ações contra a democracia. Ele também defendeu que patriotismo significa trabalhar em defesa dos interesses nacionais, da geração de empregos e do fortalecimento das empresas brasileiras.
O presidente Lula também discursou durante a convenção e destacou a relação de confiança construída com seu vice. Em tom descontraído, afirmou que Alckmin é "a única pessoa que você pode deitar e não vai ter um golpe de manhã", em referência à estabilidade da parceria política entre ambos. O petista ainda lembrou que ele e Alckmin participaram da Assembleia Nacional Constituinte e ressaltou a contribuição dos dois para a criação do Sistema Único de Saúde (SUS).
A convenção foi conduzida pelo presidente nacional do PSB, João Campos, prefeito do Recife, que reforçou o apoio integral da legenda à candidatura presidencial. Segundo ele, Geraldo Alckmin representa "o melhor nome do Brasil" para ocupar a vice-presidência e teve papel importante na defesa dos interesses nacionais diante das recentes sanções impostas pelos Estados Unidos ao Brasil. João Campos também afirmou que a aliança entre PSB e a federação PT-PV-PCdoB estará presente nos 27 estados brasileiros durante a campanha eleitoral.
O evento contou ainda com a participação de diversas lideranças políticas, entre elas a deputada federal Tabata Amaral (PSB-SP), que representou a ala feminina do partido, e o ex-presidente nacional da legenda, Carlos Siqueira.
Também marcaram presença nomes ligados ao grupo político de João Campos em Pernambuco, como a pré-candidata ao Senado Marília Arraes (PDT), o senador Humberto Costa (PT-PE) e o ministro da Previdência Social, Wolney Queiroz (PDT).
A convenção reuniu ainda vários ministros do governo Lula, entre eles José Múcio (Defesa), Márcio Elias Rosa (Desenvolvimento, Indústria, Comércio e Serviços), Frederico Siqueira (Comunicações), Tomé Franca (Portos e Aeroportos), Luciana Santos (Ciência e Tecnologia), José Guimarães (Relações Institucionais) e Leonardo Barchini (Educação). Ex-ministros que disputarão as eleições deste ano, como Simone Tebet e Márcio França, ambos filiados ao PSB em São Paulo, também participaram do encontro, reforçando o peso político da convenção nacional da sigla.