Por Edney Souto | Blog do Edney
Conheço Rossine Cordeiro de perto. Fui coordenador de sua campanha para deputado e, mais do que acompanhar sua caminhada política, construí com ele uma relação de amizade e consideração. Por isso, diante do anúncio de que pretende fazer uma pausa na política, sinto que preciso trazer uma reflexão que vai além dos números de uma eleição.
Em vídeo publicado nas redes sociais, o delegado Rossine anunciou um afastamento momentâneo da vida política, numa decisão que veio depois do resultado das eleições de 2026. Em Pesqueira, os candidatos apoiados por seu grupo ficaram abaixo dos números alcançados pelos nomes ligados ao prefeito Cacique Marquinhos.
O deputado federal Felipe Carreras (PSB), apoiado por Rossine, obteve 3.204 votos no município, enquanto Silvio Costa Filho (Republicanos), apoiado pelo prefeito, alcançou 9.471. Na disputa estadual, Romerinho Jatobá, também apoiado por Rossine, recebeu 2.791 votos, contra 6.415 de Eriberto Filho.
Os números estão postos. Mas, na minha opinião, eles precisam ser analisados dentro do contexto correto.
Uma coisa é disputar uma eleição majoritária com o próprio nome na urna, apresentar suas propostas e colocar a própria história à prova diante do eleitor. Outra, completamente diferente, é pedir ao povo que transfira sua confiança para terceiros. São desafios distintos, e nem sempre o resultado de uma campanha de apoio traduz o tamanho da liderança de quem está por trás dela.
Rossine sabe disso. E o povo de Pesqueira também sabe.
Em conversa com o Blog do Edney, do qual fui coordenador de sua campanha para deputado, o delegado demonstrou reconhecer profundamente o carinho, os afagos e as considerações que tem recebido da população. Segundo o relato, nesses últimos dias, ele vem recebendo telefonemas e mensagens de pessoas que pedem que reconsidere a decisão e não se afaste definitivamente da vida pública.
E existe uma razão para essa mobilização: mais de 18 mil pessoas de Pesqueira confiaram em Rossine na eleição municipal de 2024. Foram 18.731 votos numa disputa em que ele enfrentou o então prefeito Cacique Marquinhos e não conseguiu chegar à Prefeitura.
Esse número não pode ser apagado por uma eleição em que ele apoiou candidatos a deputado. Uma disputa não anula a outra, assim como uma votação abaixo da expectativa não apaga a trajetória de quem construiu uma relação direta com a população.
Na minha avaliação pessoal, Rossine tem todo o direito de respirar, cuidar de si, dedicar mais tempo à família e avaliar os próximos passos. A política cobra muito, exige sacrifícios e, muitas vezes, não devolve na mesma proporção o esforço de quem se dedica a ela. Ninguém é obrigado a permanecer no jogo a qualquer custo.
Mas também acredito que uma pausa não precisa significar um adeus.
Rossine foi prefeito de Lajedo por dois mandatos, entre 2013 e 2020. Em 2022, disputou uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco e recebeu 31.280 votos, ficando na suplência. Em 2024, levou sua candidatura à Prefeitura de Pesqueira e conquistou 18.731 votos. É uma caminhada marcada por disputas, desafios e recomeços.
Não escrevo estas palavras para cobrar que ele volte, tampouco para diminuir a importância de sua decisão. Escrevo como alguém que conhece sua caminhada, participou de sua campanha e tem por ele uma amizade que vai além das urnas.
O resultado de uma eleição pode frustrar, mas não deve ser o único termômetro para medir uma história. O apoio a terceiros tem suas particularidades, e o resultado nem sempre corresponde à expectativa de quem trabalhou, acreditou e colocou seu grupo nas ruas.
Para mim, essa pausa pode ser apenas uma vírgula, e não um ponto final na trajetória de Rossine Cordeiro.
O povo de Pesqueira não deixou de existir depois da eleição, e os mais de 18 mil votos conquistados em 2024 continuam fazendo parte de sua história. Se tantas pessoas estão telefonando, enviando mensagens e pedindo que ele reconsidere, cabe a Rossine ouvir esse carinho, respeitar seu próprio tempo e decidir com tranquilidade o que deseja para o futuro.
Como amigo pessoal e irmão de caminhada, torço pelo seu melhor. Antes do político, existe o ser humano, com suas necessidades, seus sentimentos e sua família. E isso precisa ser respeitado.
Mas deixo aqui minha opinião, com a franqueza de quem esteve ao seu lado: Rossine não precisa tomar uma decisão definitiva em um momento de decepção eleitoral. A política tem ciclos, e a vida oferece oportunidades de recomeçar.
Que ele cuide de si, abrace sua família e encontre paz para decidir os próximos passos. Se decidir voltar, que seja por vontade própria, com serenidade e disposição renovada. Se precisar de tempo, que esse tempo seja respeitado.
A história de um homem público não se resume a uma eleição. E, em Pesqueira, a história de Rossine ainda tem páginas que somente o tempo poderá revelar.
Edney Souto
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