A medicina pernambucana está de luto nesta sexta-feira (13). Morreu, aos 77 anos, no Hospital Memorial Star, no Recife, o médico cirurgião e oncologista
Joaquim Branco, um dos nomes mais respeitados da cirurgia abdominal e bariátrica no estado. Ele lutava contra um câncer no pâncreas e também enfrentava o avanço do Alzheimer, doença que o afastou da prática médica há cerca de quatro anos.
Reconhecido por colegas e pacientes como um profissional de talento raro, Joaquim Branco construiu uma carreira marcada pela inovação, pela dedicação à ciência e, sobretudo, pelo compromisso com a vida. Ao longo de décadas de atuação, realizou cerca de quatro mil cirurgias, sendo aproximadamente três mil procedimentos bariátricos, números que demonstram o impacto direto de seu trabalho na saúde de milhares de pessoas.
Entre suas contribuições mais importantes para a medicina pernambucana está um marco histórico: a primeira cirurgia de vesícula realizada por videolaparoscopia no estado, nos anos 1990. A técnica, considerada minimamente invasiva, revolucionou a cirurgia abdominal ao permitir procedimentos por pequenas incisões, reduzindo o tempo de recuperação, o risco de infecção e o trauma cirúrgico para os pacientes.
Naquele período, a introdução da videolaparoscopia ainda era um avanço tecnológico recente no Brasil. O pioneirismo de Joaquim Branco ajudou a abrir caminho para que hospitais e equipes médicas em Pernambuco adotassem a técnica, que hoje é amplamente utilizada em cirurgias como retirada de vesícula, apêndice e procedimentos bariátricos.
Além do trabalho em consultório e nos centros cirúrgicos, Joaquim Branco também teve atuação institucional relevante. Nos anos 1990, foi vice-presidente do Hospital de Câncer de Pernambuco, durante a gestão do cardiologista Otacílio Araújo. Nesse período, contribuiu para fortalecer a atuação da instituição, considerada uma das principais referências no tratamento oncológico do estado.
Seu legado, entretanto, ultrapassou os limites dos hospitais. Integrante ativo do Rotary Club do Recife, Joaquim Branco também se destacou por participar de ações sociais e projetos comunitários, demonstrando que sua vocação pela medicina estava diretamente ligada ao desejo de servir à sociedade.
Com o avanço do Alzheimer, o médico encerrou a carreira há cerca de quatro anos, fechando o consultório onde por décadas atendeu pacientes vindos de diversas regiões de Pernambuco e do Nordeste. Mesmo afastado da atividade profissional, continuou sendo lembrado com respeito e gratidão por colegas e por pessoas que tiveram suas vidas transformadas por suas mãos no centro cirúrgico.
Entre esses pacientes está este redator, Edney Souto, que guardo com carinho uma lembrança pessoal e marcante do médico. No início dos anos 2000, fui um dos pacientes submetidos à cirurgia de redução de estômago pela equipe comandada por Dr. Joaquim Branco. O procedimento, representou uma virada definitiva em minha vida.
“Nos anos 2000 fui um dos primeiros a realizar a cirurgia de redução de estômago com a equipe chefiada pelo Dr. Joaquim. Foi um sucesso. Graças a ele e a Deus até hoje tenho saúde e vivo plenamente. Pernambuco perde um gênio da medicina que salvou muitos da obesidade mórbida. Eu perco um amigo”.
O médico deixa a esposa, Rosaline, e os filhos Bruno, Leonardo e Cátia, esta última seguindo os passos do pai na área da saúde, atuando como infectologista.
O velório será realizado neste sábado (14), a partir das 8h, no Cemitério Parque das Flores, no Recife. O sepultamento está marcado para as 11h30.
A partida de Joaquim Branco encerra uma trajetória marcada por pioneirismo, dedicação e humanidade. Mais do que um cirurgião brilhante, ele foi um médico que transformou vidas — muitas vezes devolvendo saúde, esperança e dignidade a pacientes que encontraram nele não apenas um profissional, mas também um aliado na luta pela vida.
Hoje, Pernambuco se despede de um médico. Mas o que permanece é o legado de um verdadeiro gigante da medicina, cuja história continuará sendo lembrada nas salas de cirurgia, nas instituições de saúde e, sobretudo, na memória daqueles que tiveram suas vidas salvas por suas mãos.