Na política, tem gente que passa anos tentando crescer e termina a eleição do mesmo tamanho, ou menor. Cayo Albino (PSB) fez o caminho contrário: saiu das urnas com 60.753 votos, quase dobrou sua votação de 2022 e transformou Garanhuns no principal cartão de visitas de sua força eleitoral. Na terra natal, ultrapassou a marca dos 31 mil votos e estabeleceu um resultado histórico para um deputado estadual, segundo os dados divulgados por seu grupo político. É um recado que ninguém no Agreste pode fingir que não ouviu.
O resultado tem nome, sobrenome e endereço político: Sivaldo Albino. O prefeito de Garanhuns conseguiu transferir força eleitoral para o filho e mostrou que sua liderança municipal continua pesando na hora em que o eleitor é chamado às urnas. Em tempos nos quais muitos prefeitos prometem votos que nunca aparecem nas urnas, a família Albino apresentou números difíceis de ignorar.
Mas a política não vive apenas de sobrenome, estrutura e fotografia de campanha. Cayo agora terá de provar que é mais do que o deputado que carrega a força do pai. Com quase 61 mil votos, ganhou tamanho para ocupar mais espaço no debate estadual, cobrar soluções e apresentar resultados. A votação abre portas, mas também fecha a saída para desculpas.
O parlamentar destaca projetos voltados à juventude, às pessoas autistas e ao acesso a medicamentos de alto custo. São pautas relevantes, mas o eleitor quer saber o que efetivamente avançou, quais benefícios chegaram à população e o que ainda precisa sair do papel. Na Assembleia, discurso bonito não pode ser o ponto final de uma iniciativa.
Há ainda um detalhe político importante: Garanhuns reforçou sua posição como base eleitoral do grupo de Sivaldo, mas uma votação concentrada na própria casa também impõe o desafio de ampliar horizontes. Cayo demonstrou capilaridade estadual, recebendo votos em 168 municípios pernambucanos, conforme os dados divulgados por sua equipe. O próximo passo é transformar essa presença nas urnas em atuação reconhecida fora do reduto familiar.
NA LUPA: Cayo cresceu, Sivaldo ganhou fôlego e Garanhuns mostrou força. Até aí, os números falam por si. A pergunta que fica é outra: o deputado vai usar essa votação para ampliar sua atuação em Pernambuco ou ficará confortável sob a sombra política do pai? Com mais de 60 mil eleitores, já não basta prometer futuro. É hora de entregar presente. Na política, voto emprestado pode até eleger; para construir uma trajetória própria, é preciso mostrar serviço.
Edney Souto | Blog do Edney