domingo, 1 de fevereiro de 2026

SALOA REFÉM DO BARULHO E DO PERIGO: MOTOS E PAREDÕES DOMINAM MADRUGADAS, INVADEM PRAÇAS E PODER PÚBLICO LOCAL "SEGUE ASSISTINDO"

Saloá vive um retrato claro de desordem urbana nas madrugadas — e o que mais revolta a população não é apenas o barulho ensurdecedor de motos e paredões, mas a sensação de que o problema cresce livremente sob a sombra da omissão do poder público municipal. O que deveria ser uma cidade tranquila do Agreste tem se transformado, noite após noite, em território sem controle, onde o direito ao descanso perdeu espaço para o ronco de motores adulterados e manobras perigosas em espaços públicos.

Moradores relatam que grupos de motociclistas tomam conta das ruas durante a madrugada, acelerando sem qualquer limite, promovendo algazarras e exibindo escapamentos que parecem competir para ver qual faz mais barulho. Não satisfeitos em transformar avenidas em pistas improvisadas, muitos invadem praças e calçadas em alta velocidade, ignorando completamente que aqueles espaços são destinados a pedestres, crianças e idosos. O risco de atropelamentos e acidentes é constante, e o medo passou a fazer parte da rotina de quem mora próximo às áreas mais afetadas.

Como se não bastasse, há relatos de que parte desses grupos vem de cidades vizinhas como Bom Conselho, Paranatama, Iati e localidades da região, encontrando em Saloá o ambiente perfeito: pouca fiscalização, quase nenhuma consequência e a certeza de que a madrugada será de impunidade. A perturbação do sossego é prevista na legislação brasileira como contravenção penal, e conduzir veículo de forma perigosa ou com equipamentos irregulares também é infração. No papel, as regras existem. Na prática, o que a população enxerga é o oposto disso.

A Polícia Militar já realizou operações pontuais no município, com apreensão de motos irregulares, mostrando que quando há ação, o resultado aparece. O problema é que essas ações são esporádicas, quase simbólicas diante da frequência dos abusos. Sem presença constante nas ruas, os mesmos grupos voltam dias depois, como se nada tivesse acontecido.

É nesse ponto que a crítica à Prefeitura de Saloá se torna inevitável. Moradores cobram, há tempos, uma postura mais firme da gestão municipal para enfrentar o problema, mas o que se vê é silêncio e falta de articulação. Falta pressão por reforço de efetivo, faltam operações integradas permanentes, faltam medidas urbanas que desestimulem aglomerações desordeiras. Falta, sobretudo, prioridade.

A desativação da Guarda Municipal é apontada como um dos marcos do agravamento da situação. A corporação, que poderia atuar na fiscalização urbana, no ordenamento de espaços públicos e no apoio às forças estaduais, simplesmente deixou de existir — e nada foi colocado no lugar. O resultado é uma cidade dependente de um efetivo policial reduzido, com uma única viatura para dar conta de zona urbana e rural, enquanto a desordem noturna cresce sem freio.

Para quem perde noites de sono, convive com sustos de motos passando a centímetros de calçadas e teme deixar crianças brincarem nas praças à noite, a sensação é clara: a cidade está sem comando quando o assunto é ordem pública. O barulho virou rotina, o risco virou normal e a ausência de respostas virou padrão administrativo.

Saloá não sofre por falta de leis. Sofre pela falta de iniciativa de quem deveria liderar soluções. Enquanto a gestão municipal não assumir a responsabilidade de articular reforços, cobrar presença efetiva do Estado e criar mecanismos locais de controle urbano, a madrugada seguirá sendo território do barulho, da imprudência e da impunidade — e o sossego da população continuará sendo tratado como detalhe, não como direito.

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