quinta-feira, 1 de janeiro de 2026

ENQUANTO A CIDADE CELEBRAVA A CHEGADA DO ANO NOVO, CÂMARA DE ÁGUAS BELAS DECIDIA OS RUMOS DO PODER LEGISLATIVO

Enquanto fogos iluminavam o céu de Águas Belas e a população participava da tradicional Alvorada do Ano Novo, um outro movimento, silencioso e decisivo, acontecia dentro da Câmara de Vereadores. Em pleno Réveillon, na virada do ano, o Poder Legislativo municipal se reuniu para realizar a eleição da Mesa Diretora que comandará a Casa no segundo biênio de 2027 a 2028, em uma sessão que marcou o início de um novo ciclo político no município.

A escolha ocorreu em clima de formalidade e articulação política, resultando na eleição do vereador Erinaldo Tenório para a presidência da Câmara. Nome conhecido nos bastidores do poder local, Erinaldo é aliado de primeira hora do prefeito Dr. Elton, o que reforça a leitura de alinhamento institucional entre o Legislativo e o Executivo para os próximos anos. Sua chegada ao comando da Casa Legislativa sinaliza um período de sintonia política, mas também aumenta a expectativa da população quanto à independência e ao papel fiscalizador do parlamento municipal.

A nova Mesa Diretora foi composta ainda pelo vereador Emílio de Tenquinhos, eleito vice-presidente, pelo Dr. Rolando Póvoas, que assume a função de primeiro secretário, e por Tairone do Bolsa, escolhido como segundo secretário. O grupo terá a responsabilidade de conduzir não apenas os trabalhos legislativos, como também toda a gestão administrativa da Câmara, incluindo pautas, votações, funcionamento interno e a relação institucional com os demais poderes.

A eleição em plena virada do ano chamou atenção pela simbologia. Enquanto a cidade comemorava um novo começo, os vereadores definiam, longe do barulho das festas, quem estará à frente das decisões que impactarão diretamente a vida da população de Águas Belas nos próximos dois anos. O gesto reforça o peso político do momento e a importância estratégica do comando da Mesa Diretora, especialmente em um cenário de proximidade com o Executivo municipal.

A partir do início do biênio 2027-2028, a nova Mesa assume oficialmente a missão de representar o povo de Águas Belas, garantir o funcionamento do Legislativo e assegurar que os debates, projetos e fiscalizações ocorram de forma transparente e responsável. Para Erinaldo Tenório, o desafio será equilibrar a condição de aliado do prefeito com a necessidade de preservar a autonomia da Câmara, mantendo o compromisso com os interesses coletivos e com o papel constitucional do Legislativo.

Assim, enquanto o ano novo nascia para a população, um novo capítulo político começava a ser escrito dentro da Câmara Municipal, definindo os rumos do poder legislativo de Águas Belas para os próximos anos.

TERROR NA MADRUGADA: AGÊNCIA DO BANCO DO BRASIL FOI EXPLODIDA EM OROBÓ, NO AGRESTE DE PERNAMBUCO

O município de Orobó, no Agreste de Pernambuco, viveu momentos de pânico e tensão na madrugada da quarta-feira (31), quando homens fortemente armados explodiram a agência do Banco do Brasil localizada na área central da cidade. A ação criminosa, típica de ataques a instituições financeiras no interior do Estado, aconteceu de forma rápida, mas deixou marcas profundas no sentimento de segurança da população.

O ataque ocorreu justamente quando feirantes começavam a se organizar para a tradicional feira de fim de ano, realizada nas proximidades da agência bancária. O estrondo provocado pelas explosões ecoou pela cidade, despertando moradores e espalhando medo entre comerciantes e populares que já estavam no local. Assustados, muitos correram para se proteger, temendo novos disparos ou outras explosões.

De acordo com relatos de testemunhas, o grupo criminoso agiu com precisão e em poucos minutos deixou o local, aproveitando a baixa movimentação da madrugada. A força das explosões causou danos significativos à estrutura do prédio do banco, que ficou parcialmente destruído, evidenciando o alto poder dos artefatos utilizados.

Logo após o crime, a Polícia Militar foi acionada e realizou o isolamento da área, impedindo a circulação de pessoas e garantindo a segurança da população. O local foi preservado para os trabalhos da perícia, que buscou identificar detalhes que possam ajudar na investigação, como o tipo de explosivo utilizado e a dinâmica da ação.

Equipes policiais iniciaram diligências e buscas na região com o objetivo de localizar os suspeitos, que fugiram logo após o ataque. Até aquele momento, as autoridades não haviam confirmado se os criminosos conseguiram subtrair dinheiro da agência.

O caso ficou sob investigação dos órgãos de segurança pública, que passaram a apurar a participação do grupo e possíveis ligações com outras ações semelhantes registradas no interior de Pernambuco. O episódio reforçou o clima de insegurança e voltou a acender o alerta sobre ataques a bancos em cidades do Agreste, especialmente em períodos de maior movimentação econômica, como o fim de ano.

CONVOCAÇÃO ANTECIPADA NA ALEPE: ÁLVARO PORTO MARCA SESSÃO EXTRAORDINÁRIA PARA DESTRAVAR PROJETOS-CHAVE DO GOVERNO RAQUEL LYRA

A Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe) entra em ritmo acelerado logo no início de 2026. O presidente da Casa, deputado Álvaro Porto, decidiu antecipar para esta sexta-feira, dia 02, a convocação extraordinária dos deputados estaduais solicitada pela governadora Raquel Lyra. A decisão ocorre às vésperas de uma viagem internacional do parlamentar, prevista para o próximo dia 05, e foi oficializada por meio do Diário Oficial do Poder Legislativo.

Na prática, a movimentação altera o calendário político do Estado e abre caminho para que projetos considerados estratégicos pelo Executivo avancem ainda neste começo de ano. A sessão desta sexta terá um papel decisivo: o plenário precisará aprovar formalmente o pedido de convocação extraordinária feito pela governadora. Com o aval dos deputados, passam a correr imediatamente os prazos regimentais para análise das matérias nas comissões temáticas e, posteriormente, para votação em plenário.

O pacote de projetos que será apreciado em regime de urgência revela o foco do Governo do Estado na reorganização das finanças públicas. Entre os principais pontos está o Projeto de Lei que altera a Lei nº 19.127, de 22 de dezembro de 2025, responsável por estimar a Receita e fixar a Despesa de Pernambuco para o exercício financeiro de 2026. A proposta busca adequações no orçamento, em sintonia com a estratégia fiscal adotada pela gestão estadual.

Também estão na pauta projetos que autorizam o Poder Executivo a contratar operações de crédito junto ao Banco do Brasil, à Caixa Econômica Federal e a instituições financeiras nacionais e internacionais. O objetivo central dessas operações não é ampliar o endividamento, mas refinanciar dívidas já existentes, substituindo contratos antigos por outros com prazos mais longos e taxas de juros mais baixas. A medida, segundo o governo, tende a aliviar a pressão sobre os cofres estaduais e criar maior margem para investimentos e políticas públicas.

Outro projeto relevante trata da alteração da Lei nº 19.123, de 18 de dezembro de 2025, que autoriza, em caráter excepcional, o repasse de recursos do Tribunal de Justiça de Pernambuco ao Poder Executivo Estadual. A iniciativa integra o esforço de reequilíbrio fiscal e de melhor gestão dos recursos públicos entre os poderes.

Ao comentar a importância da votação, a governadora Raquel Lyra destacou que as propostas têm impacto direto no futuro financeiro do Estado. Segundo ela, a aprovação permitirá trocar dívidas mais onerosas por contratos mais vantajosos, fortalecendo a administração pública e refletindo em benefícios para a população. A governadora reforçou ainda que o diálogo com a Alepe é essencial para garantir desenvolvimento e bem-estar aos pernambucanos, apostando no crescimento econômico sustentado pelo trabalho e pela responsabilidade fiscal.

Na mesma linha, o secretário de Planejamento, Gestão e Desenvolvimento Regional, Fabrício Marques, ressaltou que as matérias não representam novo endividamento, mas sim uma “portabilidade da dívida”. De acordo com ele, a iniciativa contribui para melhorar o perfil da dívida pública estadual e assegurar a sustentabilidade fiscal de Pernambuco no médio e longo prazo.

Com a convocação extraordinária antecipada, a Alepe se coloca no centro de decisões que podem redefinir o cenário financeiro do Estado em 2026. A expectativa agora se volta para o comportamento do plenário e para o ritmo de tramitação das propostas, que devem dominar o debate político nos próximos dias.

CHAPARRAL FECHA O ANO COM AGENDA ESTRATÉGICA E DESTACA APOIO DE RAQUEL LYRA PARA ENFRENTAR CRISE HÍDRICA E TIRAR A PE-86 DO PAPEL EM SURUBIM

O prefeito de Surubim, Cleber Chaparral, encerrou o ano político-administrativo reforçando duas pautas consideradas vitais não apenas para o município, mas para todo o Agreste Setentrional: o enfrentamento à crise hídrica e o avanço de obras estruturantes na malha viária regional. Em declaração feita nas redes sociais, Chaparral destacou o alinhamento direto com a governadora Raquel Lyra e a sinalização concreta do Governo do Estado para atender demandas históricas da população.

No centro da agenda está a grave situação do abastecimento de água, agravada pelos longos períodos de estiagem que atingem Surubim e cidades vizinhas. Segundo o prefeito, ficou reafirmado o compromisso do Estado em manter a operação de carros-pipa enquanto não é concluída a adutora que deverá garantir, de forma definitiva, o fornecimento regular de água para a população. A medida é vista como essencial para assegurar o mínimo de dignidade às famílias, sobretudo nas comunidades mais afetadas pela seca.

Chaparral ressaltou que o apoio estadual tem sido decisivo para evitar o colapso no abastecimento e destacou que a continuidade dos carros-pipa não é apenas uma ação emergencial, mas uma ponte necessária até a solução estrutural. “Estamos falando de água, que é uma necessidade básica. Não se governa sem enfrentar esse problema de frente”, afirmou o gestor, ao enfatizar que a adutora representa uma mudança de patamar para o município.

Além da questão hídrica, o prefeito também deu destaque ao compromisso do Governo de Pernambuco com a viabilização da PE-86, rodovia que liga os municípios de Orobó e Machados e que possui importância estratégica para a mobilidade, o escoamento da produção agrícola e o fortalecimento da economia regional. A estrada é uma reivindicação antiga de prefeitos, produtores e moradores da região, que convivem há anos com dificuldades de acesso e infraestrutura precária.

Para Chaparral, o avanço da PE-86 simboliza mais do que uma obra de asfalto: representa integração regional, desenvolvimento econômico e mais segurança para quem trafega diariamente entre os municípios. O prefeito frisou que a articulação política com o Palácio do Campo das Princesas tem sido fundamental para tirar projetos do discurso e colocá-los no campo da execução.

Ao encerrar o ano destacando essas duas frentes, Cleber Chaparral sinaliza que Surubim busca entrar em um novo ciclo, marcado por soluções estruturantes e pela parceria institucional com o Governo do Estado. Em um cenário de desafios climáticos e demandas históricas reprimidas, o prefeito aposta no diálogo e no apoio estadual para transformar promessas em ações concretas que impactem diretamente a vida da população.

DOIS VOTOS SEPARAM JOÃO CAMPOS DE UMA INVESTIGAÇÃO: O CASO DA “CANETADA” QUE COLOCOU O RECIFE NO CENTRO DE UMA CRISE POLÍTICA


Recife vive um daqueles momentos em que a política deixa os bastidores e passa a ser debatida nas ruas, nas redes sociais e nos corredores do poder. Um episódio envolvendo a nomeação de um procurador municipal, já conhecido nacionalmente como o “esquema da canetada”, colocou o prefeito João Campos (PSB) diante da possibilidade concreta de ser investigado por crimes de responsabilidade e infração político-administrativa. O desfecho dessa história pode depender de apenas dois votos na Câmara Municipal do Recife.

O caso gira em torno do concurso público para o cargo de procurador do município. Em uma decisão que causou espanto e indignação, a Prefeitura do Recife nomeou o 63º colocado na lista geral, deixando de fora o candidato que havia ficado em 1º lugar na vaga destinada a pessoas com deficiência (PCD). A medida, considerada por juristas e especialistas como no mínimo controversa, rapidamente ganhou repercussão nacional, levantando suspeitas sobre a legalidade e a moralidade do ato administrativo.

O que agravou ainda mais a situação foi o perfil do beneficiado. O candidato nomeado é filho de um juiz que atua em uma vara responsável por analisar inquéritos que apuram suspeitas de outro suposto esquema, envolvendo a Prefeitura do Recife, empreiteiras e contratos milionários na capital pernambucana. Para completar o cenário de desconfiança, a mãe do nomeado ocupa o cargo de procuradora no Tribunal de Contas do Estado de Pernambuco (TCE-PE), órgão que, em tese, tem como uma de suas atribuições fiscalizar possíveis irregularidades cometidas pela própria Prefeitura.

A combinação desses fatores — a quebra da ordem do concurso, os vínculos familiares com o Judiciário e com o órgão de controle externo — acendeu um alerta vermelho. Para muitos, não se tratava apenas de uma decisão administrativa questionável, mas de um episódio que colocava em xeque princípios básicos da administração pública, como impessoalidade, moralidade e transparência.

Diante da forte pressão popular e da repercussão negativa, o prefeito João Campos optou pelo silêncio. Não houve pronunciamento público detalhado sobre o caso. Ainda assim, no último dia 31 de dezembro de 2025, em uma movimentação interpretada como recuo político, o gestor municipal acabou nomeando o candidato que, de fato, era o legítimo detentor da vaga destinada a PCD.

A tentativa de encerrar o episódio como se fosse apenas um erro corrigido, porém, não convenceu a todos. Na Câmara do Recife, o vereador Eduardo Moura (NOVO) decidiu levar o caso adiante e protocolou um pedido de abertura de Comissão Parlamentar de Inquérito (CPI). Segundo o parlamentar, a simples correção do ato não elimina a necessidade de investigação, já que o gesto inicial pode configurar, em tese, crimes de responsabilidade e infração político-administrativa.

Para que a CPI seja instalada, são necessárias 13 assinaturas dos vereadores da capital. No momento, faltam apenas duas. É esse detalhe que transforma o episódio em um verdadeiro teste de fogo para o Legislativo recifense. A depender da decisão de poucos parlamentares, o pedido pode avançar, abrindo caminho não apenas para uma investigação aprofundada, mas também para um eventual processo de impeachment do prefeito.

O clima nos bastidores é de tensão. De um lado, aliados do prefeito defendem que o problema foi corrigido a tempo e que não há motivo para prolongar a crise. Do outro, parlamentares e setores da sociedade civil argumentam que a gravidade do ato exige apuração rigorosa, independentemente de recuos posteriores.

A pergunta que ecoa em Recife é direta e incômoda: os vereadores irão proteger o prefeito do PSB ou permitir que os fatos sejam plenamente investigados? Em jogo não está apenas o futuro político de João Campos, mas a credibilidade das instituições e a confiança da população no funcionamento correto do serviço público.

Com apenas dois votos separando a abertura da CPI, o Recife entra, definitivamente, na hora da verdade. O desfecho desse caso poderá marcar a política local e servir de exemplo — positivo ou negativo — sobre como o poder público reage quando decisões polêmicas vêm à tona e exigem explicações claras à sociedade.

CÂMARA DOS DEPUTADOS FECHA 2025 COM CONTA BILIONÁRIA, ESCÂNDALOS E DESGASTE INSTITUCIONAL

A Câmara dos Deputados encerra o ano legislativo de 2025 sob o peso de números que chamam a atenção do contribuinte e de episódios políticos que aprofundaram o desgaste da imagem do Parlamento. Com despesas que ultrapassam a marca de R$ 6,5 bilhões, a Casa fechou o ano gastando cerca de R$ 500 milhões a mais do que em 2024, em um cenário marcado por instabilidade política, protestos, crises internas e decisões judiciais que atingiram diretamente o mandato de parlamentares.

O volume de recursos consumidos ao longo do ano foi direcionado, oficialmente, para a manutenção da estrutura da Câmara: pagamento de salários e benefícios de deputados e servidores, funcionamento de gabinetes, contratos de terceirização, serviços administrativos, além de obras e despesas operacionais. Ainda que boa parte desses custos seja recorrente, o salto em relação ao ano anterior reforçou críticas sobre a falta de contenção de gastos em um momento de dificuldades econômicas enfrentadas pela população.

Enquanto o orçamento crescia, o clima político dentro da Casa se deteriorava. 2025 foi um dos anos mais turbulentos do Legislativo federal, com protestos, embates públicos e situações classificadas por analistas como constrangedoras para a instituição. Parte desse desgaste veio da permanência prolongada de parlamentares fora do país, mesmo diante de investigações e decisões judiciais em curso.

O caso do ex-deputado Eduardo Bolsonaro simbolizou esse cenário. Passando grande parte do ano nos Estados Unidos, ele só teve o mandato oficialmente encerrado na reta final de 2025, após meses de questionamentos sobre sua ausência e a condução do caso pela Câmara. A demora na perda do mandato alimentou críticas sobre corporativismo e tolerância excessiva dentro do Parlamento.

Situação semelhante envolveu Carla Zambelli. A ex-deputada deixou o país e acabou detida na Itália, mas, mesmo assim, teve o mandato preservado por seus pares em uma votação no plenário, o que gerou forte repercussão negativa. A perda do cargo só ocorreu posteriormente, por determinação do Supremo Tribunal Federal, reforçando a percepção de que a Câmara resistiu, até onde pôde, a tomar uma decisão política dura contra uma de suas integrantes.

Outro episódio de grande impacto foi o de Alexandre Ramagem, ex-deputado condenado pelo STF a 16 anos de prisão por participação na cúpula da trama golpista. Segundo decisões judiciais e atos administrativos da Casa, Ramagem deixou o país e se dirigiu aos Estados Unidos, o que intensificou a pressão sobre a Mesa Diretora. A cassação do mandato só foi efetivada nos últimos dias de funcionamento do Legislativo em 2025, também por decisão interna da direção da Câmara, após o avanço das determinações do Judiciário.

Esses episódios, somados ao aumento expressivo das despesas, contribuíram para consolidar uma narrativa negativa em torno da Câmara dos Deputados ao longo do ano. Para críticos, o Parlamento terminou 2025 distante das prioridades da população, com uma estrutura cada vez mais cara e dificuldades evidentes em responder, de forma rápida e transparente, às crises envolvendo seus próprios membros.

O fechamento do ano deixa um desafio claro para 2026: recuperar a credibilidade institucional, rever práticas internas e enfrentar o debate sobre o custo do Legislativo em um país marcado por desigualdades e crescente cobrança por responsabilidade no uso do dinheiro público.

SECA APERTA, GOVERNO AGE: PERNAMBUCO DECRETA EMERGÊNCIA EM 107 MUNICÍPIOS POR FALTA DE CHUVAS

A estiagem prolongada que castiga Pernambuco voltou a colocar o estado em alerta máximo. Diante do agravamento da crise hídrica, o Governo do Estado decretou situação de emergência em 107 municípios, medida oficializada por meio do Decreto nº 60.112, publicado no Diário Oficial desta quarta-feira (31) e assinado pela governadora Raquel Lyra. A decisão tem validade de 180 dias e passa a produzir efeitos a partir do dia 4 de janeiro, com o objetivo de acelerar ações e minimizar os impactos da escassez de água sobre a população.

O decreto reconhece oficialmente a seca hidrológica que compromete reservatórios, sistemas de abastecimento e a rotina de milhares de famílias, especialmente no Agreste e no Sertão. Em janeiro deste ano, o Estado já havia adotado medida semelhante, quando 117 municípios foram incluídos no decreto emergencial, o que demonstra a persistência e o agravamento do problema climático.

Segundo a governadora Raquel Lyra, a medida permite dar mais rapidez às respostas do poder público. Ela destacou que todo o governo está mobilizado para reduzir os danos da estiagem e garantir água para quem mais precisa. A gestora também reforçou os investimentos estruturantes em curso, citando o programa Águas de Pernambuco, que prevê mais de R$ 6 bilhões em obras, além da futura concessão da Compesa, que deve garantir outros R$ 23,2 bilhões em investimentos voltados à universalização do acesso à água de qualidade no estado.

A decisão do governo foi embasada em parecer técnico da Secretaria Executiva de Proteção e Defesa Civil, além de notas da Agência Pernambucana de Águas e Clima (Apac), da Compesa e de outros órgãos estaduais. De acordo com a Apac, a seca extrema avançou de forma significativa no extremo oeste pernambucano, enquanto a seca fraca se expandiu pelo Agreste, sobretudo nas áreas de divisa com Alagoas, aumentando a pressão sobre mananciais e reservatórios estratégicos.

No enfrentamento direto da crise, a Compesa intensificou investimentos ao longo de 2025, com cerca de 100 municípios atendidos por obras estruturantes e ações emergenciais. Ao todo, foram concluídas aproximadamente 117 obras, somando investimentos da ordem de R$ 650 milhões. Projetos considerados estratégicos para a segurança hídrica do estado, como a Adutora do Agreste e os sistemas Serra Azul e Alto do Capibaribe, avançaram para etapas decisivas. Medidas emergenciais, a exemplo da inversão do Tramo Sul de Jucazinho, garantiram maior regularidade no abastecimento de cidades do Agreste. O presidente da Compesa, Douglas Nóbrega, destacou ainda que a empresa encerrou o ano com R$ 2,5 bilhões assegurados por meio de financiamentos, recursos que serão direcionados principalmente para obras estruturantes e o fortalecimento do programa Águas de Pernambuco.

Paralelamente, o Governo do Estado vem reforçando ações emergenciais por meio da Secretaria de Recursos Hídricos e Saneamento, da Apac e da Defesa Civil. Desde 2023, a gestão estadual ampliou a entrega de sistemas simplificados de abastecimento e avançou na recuperação e instalação de dessalinizadores, fundamentais para atender comunidades rurais. Com investimentos superiores a R$ 5,6 milhões, já foram entregues 23 sistemas, com outros oito em execução, beneficiando diretamente mais de 2,2 mil famílias e garantindo, por exemplo, o abastecimento do hospital municipal de Tabira.

Para janeiro de 2026, está previsto o início das obras de 35 novos dessalinizadores, com investimento superior a R$ 6,3 milhões, além do planejamento para a implantação de mais 59 sistemas, que devem receber cerca de R$ 11,6 milhões. Essas ações prometem levar água potável a centenas de famílias que convivem diariamente com a escassez, especialmente na zona rural.

Outro avanço importante veio por meio do Novo PAC. Pernambuco teve 100% dos projetos apresentados aprovados na modalidade de abastecimento de água em áreas rurais, no eixo Água para Todos. Ao todo, o estado garantiu R$ 105 milhões em investimentos federais para obras que beneficiarão cerca de 38 mil pessoas. Serão executados 14 projetos em regiões como o Agreste e diversos territórios do Sertão, com destaque para o Agreste Central, que receberá quase R$ 17 milhões em investimentos, incluindo ações em Caruaru, Riacho das Almas e Bezerros.

No monitoramento da crise, a Apac segue acompanhando diariamente o comportamento das chuvas e os níveis dos reservatórios, além de atuar na mediação de conflitos pelo uso da água, cada vez mais frequentes em períodos de estiagem. A agência tem intensificado fiscalizações e promovido a regularização de usuários, garantindo acesso mais justo aos recursos hídricos, como ocorreu na Barragem de Manuíno, em Bezerros.

Já a Defesa Civil do Estado atua em parceria com os municípios, orientando as gestões locais no reconhecimento da situação de emergência e no acesso a medidas de apoio. Segundo o secretário executivo de Proteção e Defesa Civil, coronel Clóvis Ramalho, o decreto é fundamental para viabilizar ações emergenciais nas áreas de abastecimento, saúde, assistência social, agricultura e pecuária, reduzindo os impactos da seca, sobretudo no semiárido pernambucano.

Com a medida, Pernambuco busca ganhar agilidade, garantir recursos e fortalecer ações para enfrentar uma das maiores ameaças ao bem-estar da população: a falta de água.

CASINHAS EM LUTO: MORTE DE FÁTIMA VEIGA COMOVE POPULAÇÃO E CLASSE POLÍTICA DO MUNICÍPIO

O município de Casinhas amanheceu mergulhado em tristeza com a morte de Fátima Maria da Veiga Lima, aos 73 anos, ocorrida na terça-feira (30), no Recife, após o agravamento de problemas de saúde. O falecimento, registrado às vésperas do Ano Novo, provocou forte comoção e mobilizou manifestações de pesar de familiares, amigos, moradores e lideranças políticas locais.

O velório aconteceu na manhã desta quarta-feira (31), no Cemitério da Várzea, na capital pernambucana. Em seguida, o corpo foi conduzido para Casinhas, sua terra natal, onde ocorre o sepultamento no cemitério municipal, marcado por homenagens e despedidas emocionadas de quem acompanhou sua trajetória pessoal e pública.

Figura amplamente conhecida e respeitada, Fátima Veiga construiu uma história marcada pela alegria, bom humor e presença ativa na vida social e política da cidade. Integrante de uma das famílias tradicionais do município, era considerada uma verdadeira guardiã do acervo histórico e literário da família Veiga, preservando memórias e registros que fazem parte da identidade local.

Na política, Fátima deixou sua marca ao disputar eleições para a Câmara Municipal em mais de uma oportunidade. A mais recente foi em 2024, quando integrou o palanque da prefeita reeleita Juliana de Chaparral, com quem mantinha uma relação de amizade, confiança e afinidade política. Mesmo fora de mandato, era presença constante nos debates e eventos do município, sendo reconhecida pelo engajamento e pela defesa das causas de Casinhas.

A prefeita Juliana de Chaparral lamentou profundamente a perda e prestou uma homenagem emocionada à amiga. Em mensagem pública, destacou a lealdade e a crença de Fátima no projeto político que ajudou a transformar o município. “Hoje, minha amiga Fátima Veiga foi morar no céu. Ela sempre acreditou em mim, confiou que iríamos transformar Casinhas. Obrigada, Fátima, por sua confiança”, declarou. A gestora também relembrou o último encontro entre as duas e ressaltou a fé como conforto neste momento de dor, afirmando que a alegria de Fátima deixa uma saudade imensa.

O vice-prefeito Lúcio Silva também se manifestou, destacando o legado deixado por Fátima Veiga na política local. “É com grande tristeza que recebemos a notícia do falecimento de Fátima Veiga, amiga e suplente de vereadora do município de Casinhas. Nos solidarizamos com todos os familiares e amigos neste momento de dor”, afirmou.

Já o presidente da Câmara de Vereadores, Maciel Sales, falou em nome dos parlamentares da Casa Manoel Veiga de Lira e Silva, ressaltando a contribuição de Fátima para a vida pública do município e desejando força e conforto aos familiares diante da perda irreparável.

A morte de Fátima Veiga deixa um vazio na história recente de Casinhas, mas também um legado de participação, alegria e compromisso com a cidade que sempre fez questão de defender.

Fonte: Site Mais Casinhas