terça-feira, 6 de janeiro de 2026

ADAGRO FAZ PARCERIA COM A COOPERATIVA RECICLANDO VIDA E DOA QUASE 13 TONELADAS DE MATERIAIS INSERVÍVEIS

Numa iniciativa ecologicamente correta, a Agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária do Estado de Pernambuco – Adagro, firmou parceria com a Cooperativa de Trabalho Reciclando Vidas, para doar materiais inutilizáveis pela Agência.  São mais de 700 itens, somando quase 13 toneladas de equipamentos doados, entre eletroeletrônicos, armários-arquivos, papel, plástico e outros produtos que estavam armazenados no almoxarifado do órgão.

Os materiais estão sendo doados dentro da transparência e legalidade, conforme prevê a Portaria da Secretaria de Administração e Pernambuco SAD Nº 505, de 2017, que rege o desfazimento de bens públicos. “A Adagro também constituiu uma Comissão Patrimonial de Desfazimento de Bens Móveis, conforme a Portaria ADAGRO nº 070, de 19/11/2025, e tudo está sendo catalogado e documentado, com os respectivos tombamentos”, falou o coordenador de Almoxarifado, Gilvan Souza.

O diretor-presidente da Adagro, Moshe Dayan Fernandes, avalia a parceria com a Cooperativa Reciclando Vidas como uma iniciativa de responsabilidade social e ambiental. “Hoje damos um passo importante que reforça o compromisso da Adagro com a responsabilidade social ao destinar bens inservíveis para a reciclagem de forma correta, consciente e solidária”, afirmou. Ele acrescenta que a iniciativa vai além do descarte adequado, mas representa oportunidade, dignidade e sustento para as famílias que trabalham diariamente com a reciclagem e dependem dessa atividade para garantir sua renda e qualidade de vida.

“Essa parceria com a Adagro representa muito para as 17 famílias que encontram na reciclagem não apenas uma fonte de renda, mas a possibilidade de manter seus lares com dignidade”, reforçou o vice-presidente da Cooperativa, Matheus Emílio dos Santos, salientando que esse tipo de parceria realizada traz um resultado que alia a preservação ambiental e a economia sustentável.

Cooperativa - Reciclando Vidas, localizada no bairro de São José, no Recife, comercializa 37 toneladas de recicláveis por mês, com uma capacidade de alcançar a reciclagem de 2,4 mil toneladas ao ano. Criada há cinco anos, a cooperativa tem 17 famílias que são cooperados residentes das comunidades do bairro de São José. Eles desempenham um papel fundamental de coleta de materiais recicláveis nas ruas, realizando a triagem dos resíduos, gerando renda e com um resultado que contribui para a redução do impacto poluidor do meio ambiente.

Para o vice-presidente da Cooperativa, Matheus Emílio dos Santos que assumiu o trabalho iniciado por seu pai, Esmeraldo Emílio dos Santos, a entidade só tem crescido. “Isso tem sido resultado da persistência, do foco da equipe, na busca de sonhos que têm sido realizados com apoio de parceiros como a Adagro que está nos doando um material que é a matéria-prima do nosso trabalho”, falou. A Reciclando Vidas é uma cooperativa de serviços voltada para a coleta, manuseio, triagem, enfardamento e comercialização de materiais recicláveis e reutilizáveis, além de fornecer estrutura e assistências aos associados

Assessoria de Comunicação da agência de Defesa e Fiscalização Agropecuária do Estado de Pernambuco - Adagro

JOÃO CAMPOS REDESENHA O JOGO DOS ARRAES E EMPURRA MARIA PARA ALEPE E MARÍLIA PARA A CÂMARA FEDERAL

Nos bastidores da política pernambucana, um novo rearranjo começa a ganhar contornos cada vez mais nítidos e revela como as disputas internas podem pesar tanto quanto as adversárias externas. Articulador central desse movimento, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), tem atuado para reorganizar o tabuleiro da família Arraes e do Solidariedade (SD), mirando não apenas as eleições proporcionais, mas o próprio projeto de poder que pode levá-lo ao Governo de Pernambuco no próximo ciclo.

A mudança mais comentada envolve Maria Arraes (SD). Apesar do crescimento e da visibilidade conquistados no mandato federal, já é tratada como praticamente certa, nos corredores da política, sua migração para a disputa por uma vaga na Assembleia Legislativa de Pernambuco (Alepe). A avaliação é pragmática: Maria mantém protagonismo, preserva espaço no grupo político de João Campos e, ao mesmo tempo, ajuda a equilibrar uma relação familiar que vinha sendo marcada por comparações e desconfortos silenciosos.

Esse movimento, porém, tem efeito direto sobre Marília Arraes (SD). Mesmo liderando ou figurando bem em levantamentos para o Senado, a ex-deputada convive com uma desconfiança recorrente entre aliados mais próximos, que lembram o histórico de perda de fôlego nas etapas decisivas das campanhas. A leitura interna é de que o capital eleitoral de Marília permanece relevante, mas exige uma estratégia menos arriscada e mais controlável.

A indefinição sobre o futuro de Marília abriu espaço para alternativas que não empolgaram o meio político. A possibilidade de lançar o marido, André Cacau, à Câmara Federal chegou a circular, mas rapidamente virou alvo de ironias e comentários ácidos, sinalizando pouca viabilidade eleitoral e desgaste desnecessário para o grupo.

Foi nesse cenário que João Campos decidiu intervir de forma mais direta. Com olhar voltado para a montagem de um campo político coeso e sem arestas internas, o prefeito passou a defender uma solução que acomodasse os interesses da família Arraes e, ao mesmo tempo, reforçasse sua própria base: Maria Arraes disputaria a Alepe, enquanto Marília seria estimulada a concorrer a uma vaga na Câmara Federal, com apoio político e estrutura.

A estratégia busca reduzir tensões, evitar disputas fratricidas e manter todos sob o mesmo guarda-chuva político, algo considerado fundamental para o projeto maior que se desenha em Pernambuco. Mais do que uma simples troca de cadeiras, o movimento expõe a força de João Campos como articulador e sua disposição de intervir até em territórios sensíveis, como as relações familiares, para garantir estabilidade e foco eleitoral.

Se confirmada, a manobra altera o desenho das chapas, redefine expectativas e mostra que, em Pernambuco, o jogo de 2026 começa bem antes das convenções. E, como de costume, longe dos palanques, é nos bastidores que as decisões mais decisivas estão sendo tomadas. As informações são do Blog do Magno.

SAIBA QUEM ERA O TURISTA MORTO A TIROS EM RESTAURANTE DE PORTO DE GALINHAS

Rafael Ventura Martins, de 32 anos, que foi morto a tiros no domingo (4), em um restaurante famoso, na praia de Porto de Galinhas (PE), era empresário, natural de São Paulo e estaria de férias na cidade pernambucana. O crime aconteceu após uma suposta discussão.

As investigações apontam que a vítima teria discutido com um casal no restaurante Caldinho do Nenen e uma terceira pessoa, que não estava envolvida na confusão, teria o agredido, atirado contra ele e fugido em seguida. O turista foi socorrido por amigos e outros clientes, que tentam reanimá-lo.

A Polícia Militar de Pernambuco e o Corpo de Bombeiros foram acionados para atender a ocorrência e a Polícia Civil instaurou um inquérito para apurar as circunstâncias do crime. O estabelecimento publicou nota no Instagram esclarecendo o caso.

"Lamentamos profundamente o ocorrido e manifestamos nossa solidariedade à vítima, a seus familiares e a todos os envolvidos. Desde o primeiro momento, nossa equipe prestou o devido apoio e está colaborando integralmente com as autoridades competentes para o esclarecimeto dos fatos."

CARPINA ANTECIPA O CLIMA DE FOLIA E CONFIRMA LÉO SANTANA COMO PRIMEIRA ATRAÇÃO DO PRÉ-CARNAVAL 2026

Carpina começa a desenhar, com antecedência e estratégia, o roteiro de uma das semanas mais aguardadas do calendário cultural do município. Nesta segunda-feira (5), a prefeita Eduarda Gouveia anunciou oficialmente o cantor Léo Santana como a primeira grande atração da Semana Pré-Carnavalesca 2026. O artista baiano, conhecido por arrastar multidões por onde passa, se apresentará no dia 9 de fevereiro, comandando o tradicional Bloco do Servidor, em um show sobre trio elétrico que promete transformar o Centro da cidade em um grande corredor da alegria.

O anúncio foi feito em um cenário que simboliza a marca da atual gestão: o início das obras de asfaltamento da Estrada da Mauricéa, uma das áreas de maior fluxo de veículos e moradores do município. Ao unir o comunicado cultural a um ato administrativo, a prefeita reforçou o discurso de que Carpina vive um momento de ações integradas, em que desenvolvimento urbano e valorização da cultura caminham lado a lado.

Eduarda Gouveia ressaltou que a gestão municipal tem atuado de forma ampla, alcançando setores essenciais como infraestrutura, saúde e educação, sem deixar de lado o incentivo à cultura e ao lazer. Segundo a prefeita, o Carnaval é mais do que uma festa popular: é um motor econômico, social e turístico, capaz de movimentar o comércio local, gerar renda e fortalecer a identidade cultural da cidade.

A Semana Pré-Carnavalesca de Carpina está programada para acontecer entre os dias 4 e 12 de fevereiro, com uma grade de atrações que deverá contemplar diferentes públicos e estilos musicais. A confirmação de Léo Santana como primeira atração já eleva a expectativa em torno do evento, sinalizando que a programação de 2026 terá nomes de peso e estrutura à altura da tradição carnavalesca do município.

Com percurso previsto pelas principais ruas do Centro, o show em trio elétrico deve reunir foliões de Carpina e de cidades vizinhas, consolidando o município como um dos polos de animação da Zona da Mata durante o período pré-carnavalesco. A Prefeitura informou que, nos próximos dias, novas atrações e detalhes da programação serão divulgados, ampliando ainda mais a contagem regressiva para a festa.

Ao antecipar o anúncio e atrelar cultura a investimentos em infraestrutura, a gestão municipal reforça a mensagem de que Carpina segue avançando em múltiplas frentes, preparando a cidade não apenas para receber o asfalto novo, mas também para viver, com intensidade, o som, a cor e a energia do Carnaval 2026.

DEPOIS DE MUITO APELO, MUITO RISCO, EDIFÍCIO DA RUA DA UNIÃO COMEÇA A SER DEMOLIDO

Edifício da década de 1950, no bairro da Boa Vista, começará a ser demolido nesta terça-feira (6)
Prefeitura do Recife anunciou a demolição do Edifício 13 de Maio, na área central do Recife, nesta segunda-feira (5)

O antigo Edifício 13 de Maio, localizado no bairro da Boa Vista, na área central do Recife, começará a ser demolido nesta terça-feira (6).

A informação foi divulgada nesta segunda (5), pela Prefeitura do Recife, por meio da Secretaria de Ordem Pública e Segurança (Seops). 

Abandonado, o imóvel número 515, construção da década de 1950, está situado na Rua da União e, há anos, é alvo de pedidos de demolição por parte de antigos moradores e de residentes, devido à estrutura comprometida.

Depois de seis anos de batalha judicial, a Prefeitura do Recife confirmou a demolição do Edifício 13 de Maio em abril de 2024. Naquele ano, a auditoria realizada pelo Tribunal de Contas do Estado (TCE) apontou para o alto risco de desabamento pelas estruturas deterioradas e ferragens oxidadas. 

O processo de demolição está previsto para iniciar às 9h e contará com a presença de representantes da Secretaria Executiva de Controle Urbano e Secretaria Executiva de Defesa Civil, além da empresa responsável pelo serviço, cujo nome não foi divulgado.

COLUNA POLÍTICA | O GRANDE CLÁSSICO| NA LUPA 🔎 | POR EDNEY SOUTO

2026, O ANO DO GRANDE CLÁSSICO ELEITORAL DE PERNAMBUCO

QUANDO A POLÍTICA VIRA DECISÃO HISTÓRICA

O calendário ainda marca distância até outubro de 2026, mas a política pernambucana já vive clima de eleição majoritária. Nos bastidores, nas ruas e nas redes sociais, um cenário começa a se consolidar como o maior embate político do estado nas últimas décadas. De um lado, a governadora Raquel Lyra (PSD), que buscará a reeleição defendendo sua gestão e um novo projeto de continuidade administrativa. Do outro, o prefeito do Recife, João Campos (PSB), símbolo de renovação política e herdeiro de uma tradição que marcou profundamente a história de Pernambuco. É mais do que uma eleição: é um clássico político, com estilos, trajetórias e visões de estado em confronto direto.

UM DUELO QUE REACENDE A POLÍTICA PERNAMBUCANA

A disputa entre Raquel Lyra e João Campos vai além de nomes e partidos. Representa dois campos políticos historicamente opostos, dois projetos de poder e duas leituras diferentes sobre o futuro de Pernambuco. De um lado, a força da máquina estadual e da governabilidade; do outro, o apelo popular, o carisma e a memória afetiva de governos que deixaram marcas profundas no imaginário coletivo.

RAQUEL LYRA: EXPERIÊNCIA, TRAJETÓRIA E CONSOLIDAÇÃO

Raquel Lyra chega a 2026 com um currículo político sólido. Deputada estadual, prefeita de Caruaru por dois mandatos e eleita governadora em 2022, ela construiu uma trajetória marcada por vitórias consistentes. Sua ascensão não foi fruto apenas de sobrenome ou circunstância política, mas de articulação, trabalho e capacidade de gestão. Raquel se apresenta como uma gestora técnica, firme e com discurso voltado à eficiência administrativa e ao fortalecimento institucional do estado.

A FORÇA DO GOVERNO E DAS ALIANÇAS NO INTERIOR

Um dos principais trunfos de Raquel Lyra está na capilaridade política. A governadora vem consolidando apoios estratégicos em todas as microrregiões de Pernambuco, dialogando com prefeitos, lideranças locais e forças políticas tradicionais. Em um estado onde o interior tem peso decisivo nas urnas, esse movimento pode ser determinante para equilibrar o jogo contra um adversário forte na capital e na Região Metropolitana.

JOÃO CAMPOS: O FENÔMENO QUE MOBILIZA

João Campos, mesmo sem anunciar oficialmente sua candidatura, já é tratado como protagonista do pleito. Jovem, comunicativo e altamente conectado às redes sociais, ele construiu uma imagem de gestor moderno e acessível. À frente da Prefeitura do Recife, ostenta altos índices de aprovação e consegue dialogar com diferentes públicos, especialmente os mais jovens. Sua presença política vai além da administração: é simbólica, emocional e mobilizadora

A HERANÇA DE ARRAES E EDUARDO CAMPOS NAS URNAS

João carrega consigo um capital político raro: o legado de Miguel Arraes e Eduardo Campos. Para milhares de pernambucanos, votar em João é reviver memórias de governos que marcaram época, especialmente o de Eduardo Campos, cuja trajetória foi interrompida precocemente. Esse sentimento saudosista, somado à imagem de renovação, cria uma combinação poderosa que pode influenciar decisivamente o eleitorado.

DOIS ESTILOS, DUAS FORMAS DE FAZER POLÍTICA

Enquanto Raquel Lyra aposta em um discurso mais técnico, institucional e focado em resultados administrativos, João Campos investe na comunicação direta, na linguagem simples e no uso estratégico das redes sociais. São estilos distintos, que dialogam com públicos diferentes. O embate de 2026 será também um choque entre a política tradicional reformulada e a política digital plenamente assumida.

O PAPEL DO ELEITOR EM UM MOMENTO DECISIVO

Diante de um cenário tão polarizado e simbólico, o eleitor pernambucano terá um papel central. Mais do que paixões partidárias ou heranças políticas, será fundamental analisar propostas, resultados concretos, capacidade de gestão e maturidade política. Pernambuco enfrenta desafios históricos nas áreas de segurança, saúde, educação, infraestrutura e desenvolvimento econômico, e a escolha do próximo governador impactará diretamente o futuro do estado.

2026: MAIS QUE UMA ELEIÇÃO, UMA ESCOLHA DE RUMO

O pleito de 2026 não será apenas mais uma disputa eleitoral. Será uma escolha de rumos, de modelos de gestão e de visão de futuro. Raquel Lyra e João Campos simbolizam caminhos diferentes para Pernambuco. Caberá ao eleitor decidir qual projeto reúne mais condições de conduzir o estado com competência, responsabilidade e sensibilidade social.

O CLÁSSICO QUE VAI PARAR PERNAMBUCO

Assim como nos grandes clássicos do futebol, não há favoritismo absoluto antes do apito final. Há estratégia, preparo, torcida e história em jogo. Em 2026, Pernambuco viverá um dos momentos mais intensos de sua vida política recente. E, ao final, não será apenas um nome que vencerá, mas uma visão de estado que prevalecerá nas urnas.

ACORDO NOS BASTIDORES: DELCY RODRÍGUEZ SURGE COMO PEÇA-CHAVE NA NOVA FASE DA VENEZUELA SOB PRESSÃO DOS EUA

Por trás das declarações públicas duras, das ameaças retóricas e do jogo de cena diplomático, uma engrenagem silenciosa parece ter operado nos bastidores da mais recente crise venezuelana. A fala do presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, no último sábado (3), ao afirmar que os americanos permanecerão na Venezuela e “essencialmente comandarão o país” até que haja uma transição política, expôs muito mais do que aparenta à primeira vista. Segundo análises de professores universitários e especialistas em política internacional, a frase sinaliza um entendimento já em curso — e o nome central desse arranjo seria o da vice-presidente Delcy Rodríguez.

Embora Trump tenha declarado publicamente que Delcy poderia “pagar um preço muito alto” caso não fizesse “o que é certo”, e apesar de a própria vice-presidente ter reafirmado em diversas ocasiões que Nicolás Maduro seria o “único presidente legítimo” do país, a leitura predominante entre analistas é de que o discurso público não corresponde à prática privada. Tudo indica que há um alinhamento tático em andamento.

Nos últimos meses, Delcy Rodríguez teria mantido conversas discretas com interlocutores ligados ao governo americano. Diferentemente de outras lideranças da oposição, especialmente Maria Corina Machado, Delcy teria transmitido maior previsibilidade, segurança institucional e capacidade de condução do Estado. Para Washington, que busca estabilidade e controle de danos, esses atributos pesaram mais do que o discurso ideológico.

A estratégia de Trump, segundo analistas internacionais, não seria desmontar o regime chavista implantado desde 1999 por Hugo Chávez. O objetivo seria outro: substituir o atual chefe de governo por um interlocutor mais eficiente, menos errático e intelectualmente mais preparado do que Nicolás Maduro, cuja gestão, desde 2013, teria aprofundado a fragmentação do poder ao ceder espaço excessivo a militares corruptos e estruturas paralelas de controle.

Nesse contexto, Delcy Rodríguez aparece como a alternativa viável dentro do próprio sistema. Com trajetória consolidada no chavismo, ela reúne características que agradam a setores internos e externos. Filha de um histórico guerrilheiro marxista que ganhou notoriedade ao participar do sequestro de um empresário americano, Delcy carrega o DNA político da revolução bolivariana. Ao mesmo tempo, teve formação acadêmica fora da Venezuela, com passagem pela França, onde se especializou em direito trabalhista, adquirindo um perfil técnico que a diferencia de figuras mais rústicas do regime.

Sua ascensão foi gradual, porém consistente. Ganhou espaço nos governos chavistas, ocupou cargos estratégicos e, ao longo dos anos, construiu uma imagem de operadora política habilidosa, capaz de dialogar tanto com alas ideológicas quanto com setores pragmáticos do poder. Essa combinação teria sido decisiva para que se tornasse, aos olhos dos Estados Unidos, uma peça mais confiável para conduzir uma transição controlada.

Assim, a permanência americana na Venezuela, longe de representar uma ruptura total, pode significar apenas uma reorganização do comando político, mantendo a espinha dorsal do regime, mas com uma nova face à frente. Nesse tabuleiro complexo, Delcy Rodríguez desponta não como antagonista do processo, mas como possível fiadora de um novo equilíbrio de forças — costurado longe dos holofotes, mas com impacto direto no futuro do país.

GOVERNO ELEVA O TOM E ADMITE ACIONAR A JUSTIÇA PARA DESTRAVAR PROJETOS NA ALEPE


O clima político entre o Poder Executivo e a Assembleia Legislativa de Pernambuco voltou a ficar tenso nesta segunda-feira (5), durante a abertura do período extraordinário de sessões da Alepe. Em um discurso firme e direto, a deputada estadual Socorro Pimentel (União Brasil), líder do governo Raquel Lyra na Casa, sinalizou a possibilidade de nova judicialização caso projetos do Executivo continuem enfrentando obstáculos na tramitação legislativa.

Da tribuna, Socorro questionou publicamente se seria necessário recorrer novamente ao Judiciário para que a Assembleia cumpra o que determina a Constituição, o regimento interno e a legislação vigente. A fala, carregada de insatisfação, expôs o desconforto do Palácio do Campo das Princesas com o ritmo e a condução dos trabalhos legislativos envolvendo matérias de interesse do governo estadual. As informações foram divulgadas pelo Blog da Folha.

A deputada relembrou que não seria a primeira vez que o Executivo precisaria recorrer à Justiça para resolver impasses institucionais com o Legislativo. Segundo ela, o episódio mais recente e emblemático foi a controvérsia em torno da Lei Orçamentária Anual (LOA), que terminou nos tribunais após a existência de duas versões distintas da lei: uma aprovada pela Assembleia e outra sancionada pela governadora Raquel Lyra.

Diante do impasse, o governo estadual ingressou com ação judicial e obteve uma decisão favorável no dia 30 de dezembro. Em caráter liminar, o desembargador Agenor Ferreira de Lima Filho, do Tribunal de Justiça de Pernambuco (TJPE), definiu como válida a LOA sancionada pela governadora, garantindo respaldo jurídico às ações do Executivo e encerrando, ao menos temporariamente, o conflito.

A sinalização feita por Socorro Pimentel durante a sessão extraordinária reforça que o governo não pretende assistir passivamente a eventuais entraves políticos dentro da Alepe. A possibilidade de nova judicialização evidencia um ambiente de tensão institucional e indica que o embate entre Executivo e Legislativo pode ganhar novos capítulos, agora sob o olhar atento do Judiciário pernambucano.

Nos bastidores, a declaração foi interpretada como um recado direto à Mesa Diretora e às bancadas de oposição: o governo Raquel Lyra está disposto a usar todos os instrumentos legais para assegurar a tramitação e a votação de suas matérias, mesmo que isso signifique levar novamente o debate para fora do plenário e para dentro dos tribunais.