A reunião, ocorrida ao longo da última semana, foi marcada por expectativas de consensos e movimentações estratégicas nos bastidores eleitorais. Ainda assim, ao fim do encontro, ficou claro que as divergências sobre o timing da oficialização da chapa continuam a lançar sombras sobre o projeto político conjunto.
Em entrevista à CNN Brasil, João Campos reafirmou que a definição da chapa majoritária será feita apenas em março, período em que, segundo ele, toda a base política terá amadurecido as discussões internas e consolidado os melhores caminhos para o bloco. Para o prefeito, “a construção de uma chapa forte e competitiva demanda tempo e sintonia com as necessidades do projeto coletivo”.
Por outro lado, Miguel Coelho tem uma visão distinta da urgência do processo. O ex-prefeito de Petrolina defende que a oficialização da sua postulação — e, consequentemente, de toda a chapa — ocorra antes do Carnaval. Essa antecipação, na avaliação de setores do bloco próximo a Miguel, poderia consolidar antecipadamente a identidade política e permitir maior tempo de articulação junto ao eleitorado.
O IMBRÓGLIO QUE PERDURA
Embora o encontro tenha sido interpretado por militantes e observadores como um passo em direção ao alinhamento entre as lideranças, a constatação entre participantes é de que a declaração de intenções acabou evidenciando o desequilíbrio de ritmos e prioridades dentro da Frente Popular.
Aliados de João Campos destacam que o prefeito quer garantir que a chapa represente toda a base aliada, abrindo espaço para negociações com legendas parceiras e buscando estratégias que fortaleçam o palanque majoritário. Para essa corrente, uma decisão antecipada pode fechar portas que ainda estão abertas para construção de alianças.
Já o entorno de Miguel Coelho entende que a demora de Campos em consolidar a chapa pode gerar insegurança entre correligionários e aliados, além de reduzir o tempo disponível para mobilizações e estruturação de campanha em 2026.
EXPECTATIVAS E APOSTAS
Conforme interlocutores próximos às negociações, o encontro serviu para que ambas as partes reafirmassem seus compromissos políticos, mas sem abrir mão de suas posições estratégicas. O que se viu, na análise de analistas políticos, foi um acordo tácito para manter o diálogo aberto e adiar uma definição clara até que fatores externos ao encontro — como a evolução das alianças partidárias — sejam revelados.
No campo eleitoral, a indefinição tende a gerar debates entre os militantes e observadores. A proximidade do Carnaval, evento cultural que tradicionalmente marca o início do calendário político mais intenso no país, coloca sob pressão os líderes partidários para dar respostas claras ao eleitor.
OS PRÓXIMOS PASSOS
Com a palavra final pendente, as atenções agora se voltam para os meses de fevereiro e março. O cenário é de tensão controlada, com negociações internas, consultorias estratégicas e avaliações eleitorais em andamento nos bastidores.
Enquanto isso, setores da Frente Popular mantêm otimismo cauteloso, afirmando que a construção de uma chapa solida ainda é possível e que o encontro — embora sem definição — serviu para mapear posições e ajustar agendas.
A história, portanto, não terminou no encontro desta semana. Pelo contrário: abriu um novo capítulo de um processo político que pode se desenrolar de forma decisiva a partir de março, quando, segundo João Campos, o martelo poderá — enfim — ser batido.