segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

LUPI ESCANCARA JOGO POLÍTICO E COLOCA MARÍLIA ARRAES NO CENTRO DA DISPUTA PELO SENADO EM PERNAMBUCO

O tabuleiro político de Pernambuco ganhou novos contornos após o presidente nacional do Partido Democrático Trabalhista (PDT), Carlos Lupi, conceder entrevista à Folha de S.Paulo revelando que mantém conversas avançadas com Marília Arraes para que ela se filie à legenda e dispute uma vaga no Senado Federal em 2026. A declaração, direta e sem rodeios, colocou a ex-deputada federal novamente no epicentro das articulações estaduais.

Lupi afirmou que a prioridade do PDT em Pernambuco é construir uma aliança com o prefeito do Recife, João Campos, nome natural do Partido Socialista Brasileiro (PSB) para liderar a disputa ao Governo do Estado. A estratégia inicial do partido seria integrar uma frente ampla, com Marília ocupando a vaga ao Senado na chapa encabeçada por João.

No entanto, o dirigente trabalhista também deixou claro que o partido trabalha com cenários alternativos. Caso João Campos feche sua chapa majoritária sem contemplar Marília Arraes, o PDT admite redirecionar o projeto. Nesse contexto, surge a possibilidade de diálogo com a governadora Raquel Lyra, que poderá disputar a reeleição. A condição, segundo Lupi, seria a oferta da vaga ao Senado para Marília na composição governista.

A entrevista revela um jogo aberto e estratégico. O que ainda permanece em dúvida nos bastidores é se a fala pública de Lupi teve o aval direto de Marília Arraes ou se faz parte de uma movimentação calculada para pressionar as demais forças políticas. De acordo com o jornalista Lauro Jardim, as tratativas estariam praticamente consolidadas, com cerca de 90% de chance de filiação da ex-deputada ao PDT.

Enquanto as articulações avançam nos bastidores, os números das pesquisas ajudam a explicar o entusiasmo em torno do nome de Marília. Levantamento do Datafolha divulgado no último dia 6 de fevereiro aponta a ex-parlamentar na liderança da corrida pelo Senado, com vantagem significativa sobre possíveis adversários. O desempenho é atribuído ao forte recall eleitoral acumulado nas disputas majoritárias anteriores e à visibilidade conquistada durante seu mandato como deputada federal.

Apesar da liderança confortável nas sondagens iniciais, analistas ponderam que campanhas majoritárias são dinâmicas e podem sofrer alterações ao longo do processo. O cenário ainda está em formação, e alianças partidárias tendem a redefinir forças.

Com a movimentação de Lupi, a corrida pelo Senado deixa de ser apenas uma especulação e passa a integrar oficialmente o xadrez eleitoral de 2026. Seja ao lado de João Campos, seja compondo com Raquel Lyra, Marília Arraes desponta como peça-chave na disputa. O que está em jogo agora não é apenas uma filiação partidária, mas a definição de qual projeto político ela ajudará a fortalecer no próximo ciclo eleitoral pernambucano.

TRUMP ELEVA TARIFAS GLOBAIS PARA 15% E DESAFIA SUPREMA CORTE EM MEIO A CRISE NA POLÍTICA COMERCIAL DOS EUA

O presidente dos Estados Unidos, Donald Trump, anunciou neste sábado (21) a elevação imediata das tarifas globais aplicadas pelo país, que passam de 10% para 15%. A decisão ocorre um dia após a Suprema Corte dos Estados Unidos impor um duro revés à sua política comercial, considerada por parte do Judiciário como excessiva e, em vários pontos, ilegal.

O anúncio foi feito por meio da rede social Truth Social, plataforma utilizada com frequência pelo presidente para comunicar decisões estratégicas e posicionamentos políticos. Na publicação, Trump afirmou que está agindo dentro dos “limites totalmente autorizados e legais”, deixando claro que não pretende recuar diante da decisão da mais alta instância judicial do país.

A medida amplia o alcance da política tarifária adotada desde o início de seu mandato, marcada por um viés protecionista e pela promessa de fortalecer a indústria nacional. Ao elevar as tarifas de importação para 15%, o governo norte-americano encarece produtos estrangeiros que entram no mercado interno, impactando setores como tecnologia, automóveis, aço, alimentos e bens de consumo em geral.

O movimento é interpretado por analistas como uma tentativa de reafirmar autoridade política após a decisão da Suprema Corte, que limitou parte dos instrumentos utilizados pelo Executivo para impor tarifas sem aprovação do Congresso. A Corte entendeu que determinadas ações ultrapassaram competências previstas na legislação comercial e na Constituição, exigindo maior controle institucional sobre mudanças dessa magnitude.

Internamente, a decisão deve gerar reações imediatas no mercado financeiro. O aumento das tarifas pode pressionar a inflação, já que empresas importadoras tendem a repassar o custo adicional aos consumidores. Além disso, há receio de retaliações por parte de parceiros comerciais estratégicos, como União Europeia, China e países da América Latina, o que pode reacender tensões comerciais globais.

No cenário internacional, a medida também pode afetar cadeias globais de suprimento, especialmente em setores que dependem de componentes produzidos fora dos Estados Unidos. Especialistas alertam que o aumento tarifário, embora possa proteger determinados segmentos industriais domésticos no curto prazo, pode gerar instabilidade econômica e redução no fluxo de comércio internacional.

Politicamente, o anúncio reforça o perfil combativo de Trump diante de decisões judiciais contrárias à sua agenda. Ao mencionar que a elevação está “totalmente autorizada e legal”, o presidente sinaliza que pretende sustentar sua interpretação jurídica e, possivelmente, buscar novos caminhos administrativos para manter sua política comercial ativa.

A escalada tarifária reacende o debate sobre os limites do poder presidencial em matéria econômica e comercial. Enquanto aliados defendem a medida como essencial para proteger empregos e reduzir déficits comerciais, opositores classificam a iniciativa como arriscada, com potencial de isolar os Estados Unidos e comprometer relações diplomáticas estratégicas.

Com efeito imediato, a nova tarifa de 15% passa a valer para importações abrangidas pelas regras gerais estabelecidas pelo Executivo, marcando mais um capítulo de tensão entre a Casa Branca e o Judiciário, e ampliando as incertezas no comércio global.

ENCERRAMENTO DO CARNAVAL DE LAGOA DO CARRO TEM MULTIDÃO, DECLARAÇÃO POLÊMICA E PREFEITO DANÇANDO NO PALCO

O Carnaval de Lagoa do Carro chegou ao fim em grande estilo, reunindo uma multidão na última noite de programação e consolidando a festa como um dos principais eventos populares do município. O ponto alto do encerramento foi o show do cantor MC Neiff, que levou o público ao delírio com um repertório marcado por sucessos do brega funk e forte interação com os fãs.

Em meio à apresentação, um momento específico ganhou destaque e rapidamente tomou conta das redes sociais. Durante o show, MC Neiff convidou o prefeito Zé Luiz para subir ao palco e, diante de milhares de pessoas, fez uma declaração enfática ao gestor municipal, afirmando que ele é “o melhor prefeito do Brasil”. A fala foi recebida com aplausos, gritos e celulares erguidos, registrando cada segundo da cena.

Em clima de descontração, Zé Luiz não apenas agradeceu a manifestação do artista como também entrou no ritmo da festa. Ao lado do cantor, o prefeito arriscou passos do tradicional “passinho”, arrancando risos, vibração e aprovação principalmente do público jovem que lotava o espaço do evento. A cena simbolizou a proposta de proximidade adotada pela gestão durante todo o período carnavalesco.

A programação deste ano foi marcada pela diversidade de estilos musicais, contemplando diferentes públicos ao longo dos quatro dias de festa. Do tradicional ao contemporâneo, a grade buscou equilibrar atrações para famílias, juventude e foliões de todas as idades, transformando o Carnaval em um ambiente plural e democrático.

Além do aspecto cultural, o evento também teve impacto econômico significativo. Comerciantes ambulantes, barraqueiros e empreendedores locais registraram aumento nas vendas, impulsionados pelo grande fluxo de visitantes e moradores que prestigiaram as apresentações. A movimentação reforça o papel do Carnaval como vetor de geração de renda e fortalecimento da economia local.

O encerramento com MC Neiff consolidou o tom popular da festa e encerrou a programação com forte engajamento do público. A presença ativa do prefeito no palco, somada à declaração do artista, reforçou a estratégia de aproximação da gestão municipal com a população — marca que esteve presente durante toda a celebração carnavalesca em Lagoa do Carro.

GOVERNO DE PERNAMBUCO LANÇA PROGRAMA “PE NO CAMPUS” COM 1.000 BOLSAS DE ATÉ R$ 1.240 PARA ESTUDANTES EM 2026

O Governo do Estado de Pernambuco, por meio da Secretaria de Educação, oficializou a oferta de 1.000 bolsas de estudo no valor de até R$ 1.240 mensais no âmbito do Programa PE no Campus para o exercício de 2026. A iniciativa foi formalizada pela governadora Raquel Lyra e publicada no Diário Oficial do Estado no dia 21 de fevereiro de 2026

O programa tem como objetivo central ampliar o acesso e garantir a permanência de estudantes egressos da rede pública estadual no ensino superior, reduzindo desigualdades socioeconômicas e fortalecendo a formação acadêmica no Estado. 

O QUE OFERECE O PROGRAMA

✔️ 1.000 bolsas de estudo para estudantes que ingressarem no ensino superior em 2026.
✔️ R$ 1.240 mensais no primeiro ano letivo (Bolsa de Apoio à Permanência).
✔️ R$ 620 mensais no segundo ano (Bolsa de Manutenção). 

Esse auxílio foi criado para ajudar com despesas como alimentação, transporte e moradia durante os anos iniciais da graduação. 

QUEM PODE PARTICIPAR

Podem se inscrever estudantes que:

  • Cursaram todo o ensino médio em escola pública estadual de Pernambuco;

  • Concluiram o ensino médio há, no máximo, cinco anos;

  • Tiverem renda familiar de até três salários mínimos;

  • Comprovarem residência em município situado a, no mínimo, 30 km da instituição de ensino superior onde foi admitido;

  • Obtiveram classificação pelo Exame Nacional do Ensino Médio (Enem) ou pelo Sistema Seriado de Avaliação (SSA) da Universidade de Pernambuco (UPE). 

Estudantes que ingressarem em instituições privadas também poderão concorrer, desde que tenham bolsa integral na graduação

RESERVA DE VAGAS

Das mil bolsas ofertadas:

  • 10% serão destinadas a estudantes classificados pelo SSA da UPE;

  • Em cada modalidade (Enem e SSA), 25% das vagas serão reservadas para grupos específicos, incluindo:

    • Mulheres vítimas de violência doméstica ou familiar;

    • Pessoas com deficiência, doenças graves ou raras ou com transtorno do espectro autista (TEA);

    • Pessoas idosas;

    • Pessoas vinculadas à atividade rural familiar;

    • Povos ou comunidades indígenas ou quilombolas. 

Caso essas vagas reservadas não sejam totalmente preenchidas, elas serão revertidas para a ampla concorrência. 

COMPROMISSOS E EXIGÊNCIAS

O estudante selecionado precisará cumprir alguns requisitos ao longo da concessão da bolsa:

  • Manter frequência mínima de 80% nas aulas e não ultrapassar 25% de faltas no semestre;

  • Apresentar desempenho acadêmico mínimo, conforme previsão do edital;

  • Atualizar seus dados socioeconômicos periodicamente;

  • Evitar trancamento de matrícula ou abandono do curso

IMPORTÂNCIA DO PROGRAMA

O PE no Campus representa um passo importante para reduzir a desigualdade educacional no estado, apoiando jovens que enfrentam dificuldades financeiras e geográficas para ingressar e permanecer na universidade. Além de estimular a formação acadêmica, o programa busca fortalecer a inclusão social e abrir caminhos para uma trajetória universitária mais justa e sustentável


USINA DO GRUPO JOÃO SANTOS É APONTADA COMO VÍTIMA DE ESQUEMA BILIONÁRIO ENVOLVENDO O BANCO MASTER

Uma das mais tradicionais unidades industriais do setor sucroenergético do Nordeste voltou ao centro do noticiário nacional após revelações sobre um suposto esquema de fraudes financeiras que teria utilizado créditos judiciais milionários como lastro para operações consideradas irregulares. A Companhia Agroindustrial de Goiana (CAIG), conhecida historicamente como Usina Santa Tereza e integrante do Grupo João Santos, aparece como peça central em uma engrenagem que teria movimentado cifras bilionárias no balanço do Banco Master ao longo da última década.

De acordo com investigações divulgadas pela imprensa nacional, títulos precatórios pertencentes à companhia pernambucana teriam sido utilizados como base para operações financeiras que transformaram usinas em dificuldades econômicas em verdadeiras “fábricas de crédito”. O caso envolve cifras expressivas: um crédito que, originalmente, foi reconhecido em decisão do Supremo Tribunal Federal no valor superior a R$ 983 milhões, teria sido negociado anos depois por menos de 20% do montante devido.

O precatório em questão tem origem em disputas judiciais relacionadas à política de controle de preços exercida durante o regime militar pelo extinto Instituto do Açúcar e do Álcool. Nas décadas de 1970 e 1980, o tabelamento do preço do açúcar e do álcool teria provocado distorções que reduziram a remuneração da cana-de-açúcar, gerando perdas bilionárias às usinas em todo o país. Diversas empresas recorreram ao Judiciário, e, anos depois, decisões reconheceram o direito à indenização.

No caso da CAIG, o crédito judicial evoluiu ao longo dos anos e, atualizado, ultrapassa atualmente R$ 1,78 bilhão — valor que constava nos demonstrativos financeiros do banco envolvido. Entretanto, segundo as denúncias, a cessão desses direitos creditórios ocorreu em meio a um cenário de grave crise financeira do grupo empresarial.

Em 2017, quando acumulava dívidas fiscais, trabalhistas e comerciais milionárias, a antiga gestão do conglomerado teria transferido os precatórios a fundos de investimento — Luna, Horizon, Atenas e Dublin — administrados por gestoras privadas. O negócio teria sido fechado por cerca de R$ 171 milhões. Contudo, conforme apontado, apenas R$ 30 milhões teriam efetivamente ingressado nas contas da companhia agroindustrial, sem que os recursos fossem utilizados para quitar débitos relevantes, como salários atrasados e obrigações com fornecedores.

Os administradores desses fundos passaram a ser alvo de investigações conduzidas pela Polícia Federal, com cumprimento de mandados autorizados pela Justiça Federal. O foco das apurações está na estruturação das operações financeiras, na origem dos recursos e na eventual prática de crimes contra o sistema financeiro e lavagem de dinheiro.

A atual diretoria do Grupo João Santos sustenta que a empresa foi lesada e tenta reverter judicialmente as cessões realizadas na gestão anterior. A disputa tramita no Tribunal de Justiça de Pernambuco, onde foram protocoladas ações com o objetivo de recuperar a titularidade dos precatórios e impedir a liberação definitiva dos valores atualizados aos envolvidos nas operações.

Especialistas em direito financeiro explicam que precatórios — dívidas reconhecidas judicialmente contra o poder público — podem ser negociados no mercado com deságio. Contudo, alertam que a legalidade dessas transações depende de critérios formais rigorosos, transparência contratual e ausência de vícios de consentimento ou fraude. Quando empresas em recuperação judicial ou em situação de insolvência alienam ativos estratégicos por valores muito abaixo do mercado, o negócio pode ser questionado por credores e pelo próprio Judiciário.

O episódio lança nova luz sobre a derrocada de um grupo que, por décadas, figurou entre os maiores complexos industriais do Norte-Nordeste, com atuação nos setores de cimento, açúcar, etanol e comunicação. O caso também amplia o debate sobre a securitização de créditos judiciais e os riscos de sua utilização como instrumento de engenharia financeira em operações de alta complexidade.

Enquanto as investigações avançam, o desfecho jurídico poderá redefinir o destino de um crédito bilionário e estabelecer precedentes relevantes para o mercado financeiro e para empresas que buscam capitalizar ativos judiciais em momentos de crise.

EXÉRCITO APROVA APOSENTADORIA ANTECIPADA DE MAURO CID, CONDENADO NO INQUÉRITO DO GOLPE, E GARANTE SALÁRIO DE R$ 16 MIL

Em decisão oficial nesta sexta-feira (20), o Exército Brasileiro formalizou a aposentadoria antecipada do tenente-coronel Mauro Cid, que deixará o serviço ativo em 2 de março após quase 30 anos de carreira militar. A medida foi publicada em portaria assinada pelo general de Brigada Luiz Duarte de Figueiredo Neto, diretor de Assistência ao Pessoal da Força, e atende a um pedido de Cid feito com base no mecanismo conhecido como cota compulsória, que permite a transferência para a reserva remunerada antes do tempo regulamento. 

Cid, de 46 anos, acumulou 29 anos e 11 meses de serviços prestados — pouco menos que o mínimo de 31 anos necessários para aposentadoria integral. Mesmo assim, a redução em seus proventos será considerada mínima, e ele deve continuar recebendo cerca de R$ 16 mil mensais, com a manutenção de benefícios equivalentes aos da ativa. 

Com a aposentadoria oficializada, o militar terá até 90 dias para desocupar o imóvel funcional que ocupa em Brasília, conforme estabelece o regulamento das Forças Armadas. 

Trajetória controversa e a condenação no inquérito do golpe

Mauro Cid ganhou notoriedade nacional ao atuar como ajudante de ordens do ex-presidente Jair Bolsonaro. Ele foi um dos réus no chamado inquérito do golpe que investigou uma tentativa de subverter o resultado das eleições de 2022, buscando impedir a posse do presidente eleito.

No julgamento, Cid foi condenado pelo Supremo Tribunal Federal (STF) a dois anos de prisão em regime aberto por sua participação na trama golpista. A pena foi reduzida depois que ele firmou um acordo de delação premiada com a Polícia Federal, o que permitiu uma sentença mais branda em comparação a outros réus e evitou que ele fosse processado na Justiça Militar — circunstância que também contribuiu para sua permanência nos quadros do Exército até agora. 

Após iniciar o cumprimento da pena em novembro do ano passado, Cid passou por medidas cautelares, incluindo uso de tornozeleira eletrônica — que chegou a ser retirada por decisão judicial — e restrições de circulação. Mesmo assim, permanece proibido de sair de Brasília em determinados horários e de manter contato com outros condenados, entre eles Jair Bolsonaro. 

Repercussão política e institucional

A aposentadoria antecipada de Mauro Cid acontece em meio a um contexto político sensível no país, com desdobramentos do julgamento de autoridades civis e militares implicadas na tentativa de golpe. A decisão do Exército de conceder a reserva remunerada, mantendo benefícios e salário próximos aos da ativa, já gerou debates na opinião pública e em setores jurídicos sobre coerência institucional e punição de envolvidos. 

A aposentadoria de Cid entra em vigor no início de março, marcando um capítulo à parte na trajetória de um oficial que transitou entre a elite das Forças Armadas brasileiras e o centro de uma das maiores crises políticas recentes do país. 

COLUNA POLÍTICA | BATALHA NA DIREITA | NA LUPA 🔎 | POR EDNEY SOUTO

GUERRA NA DIREITA: RACHAS, ACUSAÇÕES E O DUELO QUE EXPLODE ENTRE ANDERSON E GILSON EM PERNAMBUCO

A guerra interna no campo conservador pernambucano deixou de ser sussurro de bastidor e virou confronto público. A saída de Gilson Machado Neto do Partido Liberal para o Podemos acendeu o estopim de uma disputa que já vinha sendo travada nos corredores da política estadual. Do outro lado da trincheira está Anderson Ferreira, presidente estadual do PL, que não economizou munição verbal ao acusar o ex-aliado de traição e projeto pessoal.

A coluna NA LUPA mergulha nos bastidores e nos desdobramentos dessa batalha que promete estremecer a direita em 2026.

A SAÍDA QUE VIROU ESTOPIM

Gilson oficializou sua desfiliação do PL após semanas de tensão interna. O pano de fundo foi a disputa por espaço: ele queria viabilizar candidatura majoritária, especialmente ao Senado. Não conseguiu. Sentiu-se isolado. E decidiu sair atirando — ainda que em tom calculado.

Na cerimônia de filiação ao Podemos, soltou a frase que virou senha da crise: “a direita não tem dono”. Recado direto para Anderson.

ANDERSON REVIDA E FALA EM “TRAÍÇÃO”

A resposta veio rápida e em alto volume. Anderson afirmou que Gilson “traiu a direita de Pernambuco” e ainda teria abandonado o grupo por um projeto individual.

O dirigente do PL também disse que a mudança enfraquece o campo conservador no Estado, principalmente diante da pré-candidatura presidencial de Flávio Bolsonaro, que o partido pretende apoiar nacionalmente.

Nos bastidores, aliados de Anderson afirmam que o comando estadual não poderia ficar refém de ambições pessoais.

O PESO DOS NÚMEROS: GILSON TEM LASTRO ELEITORAL?

Gilson não é um aventureiro político. Em 2022, disputou o Senado e obteve votação expressiva em Pernambuco, superando a marca de 1 milhão de votos. Ficou fora da vaga, mas consolidou-se como nome competitivo no eleitorado bolsonarista.

Esse desempenho fortaleceu sua convicção de que teria musculatura para disputar novamente um cargo majoritário ou, ao menos, negociar espaço de protagonismo dentro do PL.

O problema é que, na política, voto passado não garante controle futuro.

O FATOR BOLSONARO: HERANÇA EM DISPUTA

Gilson foi ministro do Turismo no governo de Jair Bolsonaro e sempre se apresentou como aliado fiel do ex-presidente.

Mesmo fora do PL, ele mantém discurso alinhado ao bolsonarismo. Já Anderson sustenta que coerência partidária importa — e que apoiar um projeto presidencial estando em outra sigla gera ruído estratégico.

No fundo, ambos disputam a mesma herança política: o eleitor conservador raiz.

PODEMOS: ABRIGO OU TRAMPOLIM?

Ao ingressar no Podemos, Gilson ganhou liberdade para montar chapa proporcional e buscar mandato de deputado federal. O partido, que em nível nacional mantém postura mais flexível, não impõe a mesma disciplina ideológica rígida do PL.

O ponto sensível levantado por Anderson é claro: o Podemos integra base de apoio do presidente Luiz Inácio Lula da Silva no Congresso em diversas votações.

Para o PL, isso é contradição. Para Gilson, é estratégia.

RACHAS INTERNOS E DESCONFORTO NA BASE

A crise não se resume a dois nomes. Nos municípios, lideranças conservadoras estão divididas. Parte segue fiel à estrutura partidária do PL. Outra parcela vê em Gilson uma alternativa viável para manter o bolsonarismo vivo sem depender do comando estadual.

O temor é simples: divisão de palanque pode significar divisão de votos.

E, na matemática eleitoral, isso costuma custar caro.

2026 NO HORIZONTE: QUEM SOBREVIVE À BATALHA?

A guerra ainda está no começo. Anderson tenta consolidar o PL como única casa legítima da direita pernambucana. Gilson trabalha para provar que o conservadorismo vai além da sigla.

Se a disputa continuar nesse ritmo, o maior adversário da direita pode não ser a esquerda — mas a própria fragmentação interna.

Enquanto isso, o eleitor observa. E aguarda.

Porque em Pernambuco, quando a direita briga, o barulho ecoa longe.

domingo, 22 de fevereiro de 2026

PDT EM PERNAMBUCO PODE APOIAR JOÃO CAMPOS AO GOVERNO, MAS LUPI NÃO DESCARTA RAQUEL LYRA E EXIGE VAGA AO SENADO

O xadrez político de Pernambuco para 2026 começa a ganhar contornos mais definidos, e o PDT surge como peça estratégica nas articulações. Desde o ano passado, o comando da legenda no Estado está diretamente nas mãos do presidente nacional do partido, Carlos Lupi, que assumiu pessoalmente a condução das negociações locais e passou a dialogar com diferentes forças do cenário estadual.

Em entrevista publicada na coluna Painel da Folha de S.Paulo deste domingo (22), Lupi indicou que o caminho mais provável hoje é o apoio à pré-candidatura do prefeito do Recife, João Campos, do PSB, ao Governo de Pernambuco. A sinalização reforça a aproximação entre pedetistas e socialistas, sobretudo diante da construção de um palanque competitivo no campo da oposição ao atual governo estadual.

Apesar disso, o dirigente nacional deixou claro que o partido não fechou portas para a governadora Raquel Lyra, do PSD. A eventual aliança com a chefe do Executivo também está no radar, desde que haja espaço efetivo para o PDT na chapa majoritária. A principal condição colocada por Lupi é a garantia de uma vaga na disputa pelo Senado, ponto considerado inegociável nas tratativas.

Nesse contexto, ganha relevância a movimentação da ex-deputada federal Marília Arraes, atualmente no Solidariedade. Segundo Lupi, as conversas para sua filiação ao PDT estão avançadas. Caso se concretize, a entrada de Marília pode fortalecer o projeto da sigla na corrida senatorial, consolidando um nome de peso para a composição majoritária.

Entretanto, uma eventual candidatura de Marília ao Senado na chapa encabeçada por Raquel Lyra é vista como improvável nos bastidores. A ex-parlamentar tem defendido publicamente o nome do primo, João Campos, para o Governo do Estado e mantém postura crítica em relação à atual gestão estadual, o que dificulta uma composição direta com o Palácio do Campo das Princesas.

Enquanto isso, outras frentes também se movimentam. O deputado federal Túlio Gadêlha, da Rede, mantém diálogo com Lupi para viabilizar as candidaturas proporcionais do seu grupo político. Além disso, o reitor da Universidade Federal de Pernambuco, Alfredo Gomes, trabalha para disputar o Governo do Estado pela federação formada por Rede e PSOL.

O projeto de Alfredo Gomes, no entanto, enfrenta um desafio interno: o PSOL já conta com um pré-candidato declarado, o ex-vereador recifense Ivan Moraes. A definição sobre quem representará a federação na disputa majoritária deverá passar por negociações internas e critérios políticos que considerem viabilidade eleitoral e unidade partidária.

Com o PDT sob comando nacional e dialogando com diferentes polos, o cenário em Pernambuco permanece aberto e dinâmico. A decisão final sobre o palanque que a legenda irá integrar poderá influenciar diretamente o equilíbrio de forças na sucessão estadual, especialmente se envolver uma candidatura competitiva ao Senado. Nos próximos meses, as articulações devem se intensificar, consolidando alianças e redefinindo estratégias em um tabuleiro cada vez mais movimentado.