quinta-feira, 1 de outubro de 2026

RAQUEL PROMETE AMPLIAR COMBATE À FOME E ANUNCIA 130 MIL REFEIÇÕES POR DIA EM PERNAMBUCO

A governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD), afirmou nesta quarta-feira (30) que pretende ampliar de forma significativa as ações de combate à fome em Pernambuco. Durante uma roda de conversa na Cozinha Solidária da Associação Beneficente e Esportiva Criança Cidadã (ABECC), no Cordeiro, Zona Oeste do Recife, a governadora anunciou a meta de elevar a oferta diária da rede estadual para 130 mil refeições.

A agenda reuniu também o candidato ao Senado Eduardo da Fonte (PP/UP) e a vice-governadora e candidata à reeleição, Priscila Krause (PSD), em uma discussão sobre segurança alimentar, proteção social e atendimento às famílias em situação de vulnerabilidade.

Raquel afirmou que uma das prioridades será ampliar o programa Mães de Pernambuco. A proposta apresentada pela governadora prevê aumentar de 100 mil para 150 mil o número de mulheres beneficiadas, mantendo o pagamento mensal de R$ 300.

“Combater a fome e a superação da desigualdade têm sido a atuação permanente e prioritária do nosso governo. Nós vamos elevar Mães de Pernambuco de 100 mil mulheres para 150 mil mulheres”, afirmou Raquel.

A governadora também destacou a expansão da rede de cozinhas comunitárias e solidárias. Segundo ela, atualmente são servidos cerca de 75 mil pratos de comida diariamente em Pernambuco. A intenção é chegar a 130 mil refeições por dia.

“Hoje a gente serve 75 mil pratos de comida todos os dias, no Estado inteiro. Nós vamos dobrar isso, garantindo 130 mil pratos de comida servidos em Pernambuco”, declarou.

A Cozinha Solidária da ABECC foi escolhida como cenário da discussão justamente por reunir diferentes frentes de atendimento social. A instituição trabalha com crianças e jovens em situação de vulnerabilidade, oferecendo atividades de educação, esporte, acompanhamento nutricional e alimentação. A unidade, em parceria com o Governo de Pernambuco, distribui aproximadamente 5 mil refeições por mês.

Durante a conversa, a experiência da entidade foi apresentada como exemplo da importância de integrar alimentação, educação, esporte e assistência social. A proposta é fazer com que a política de combate à fome não se limite à entrega de refeições, mas também contribua para garantir melhores condições de desenvolvimento para crianças, jovens e suas famílias.

Eduardo da Fonte defendeu a união entre iniciativas sociais desenvolvidas nas comunidades e políticas públicas estruturadas pelo poder público.

“Combater a fome não é apenas garantir uma refeição. É criar condições para que uma criança possa estudar, crescer com saúde e ter oportunidades, e para que uma família tenha mais segurança para enfrentar as dificuldades”, afirmou o candidato ao Senado.

Ao longo da agenda, Raquel também reforçou seu apoio à candidatura de Eduardo da Fonte ao Senado. A governadora destacou a importância de construir uma atuação conjunta entre o Governo de Pernambuco e a bancada que representará o Estado em Brasília.

A agenda ocorreu a poucos dias do primeiro turno das eleições, marcado para este domingo (4), e colocou a segurança alimentar entre os temas centrais da reta final da campanha.

“O POVO DO SERTÃO ESTÁ COM VOCÊ”: SIMÃO REFORÇA APOIO A RAQUEL E PROJETA NOVA AGENDA PARA PETROLINA

A reta final da eleição em Pernambuco vai deixando cada vez mais claro quem está de que lado. Em Petrolina, o prefeito Simão Durando reforçou publicamente seu apoio à governadora Raquel Lyra (PSD) e defendeu a união das principais lideranças políticas do município em torno de uma agenda de novos investimentos para o Sertão.

Com discurso direto, Simão afirmou que o Sertão está ao lado de Raquel e destacou a presença da governadora no interior, além de ações realizadas na região nas áreas de infraestrutura, saúde, educação, juventude e segurança.

“O povo do Sertão está com você. Petrolina não vai lhe faltar porque você conhece nossa realidade. Uma mulher do interior, que sempre faz questão de estar aqui em Petrolina, trazendo investimentos, trabalhando e falando de futuro”, declarou o prefeito.

Simão também citou a atuação conjunta com Miguel Coelho, Fernando Filho e Antonio Coelho. Para o prefeito, a união desse grupo pode abrir espaço para uma nova rodada de investimentos estruturantes em Petrolina.

Entre as prioridades apontadas estão a construção de dois hospitais, uma maternidade e a articulação para viabilizar uma nova ponte sobre o Rio São Francisco, ligando Petrolina a Juazeiro.

“Junto com Raquel, Miguel Coelho, Fernando Filho e Antonio vamos fazer dois hospitais e uma maternidade, além de buscar o grande sonho de construir uma nova ponte. Não é promessa. É compromisso. Porque você já sabe que eu não prometo, eu faço”, afirmou Simão.

O prefeito ainda destacou ações atribuídas à parceria com o Governo de Pernambuco, como intervenções nas estradas dos perímetros irrigados, a Carreta da Mulher Pernambucana, equipamentos para a juventude, creches, educação profissional e investimentos na segurança pública, incluindo a construção de um novo batalhão do Biespe.

A manifestação ocorre poucos dias depois de Raquel Lyra cumprir agenda em Petrolina, onde anunciou um novo Hospital Regional para o município, com previsão de R$ 300 milhões em investimentos. Na ocasião, a governadora também apresentou compromissos envolvendo a transformação do Hospital Dom Malan em unidade pediátrica e maternidade e a busca por uma nova ponte entre Petrolina e Juazeiro. 

Na reta final, Simão resumiu sua posição sem rodeios: “Raquel é uma mulher de ação. Assim como nós, não quer conversa mole. Quer trabalho e resultado.”

E, pelo discurso do prefeito, Petrolina entra nos últimos dias da eleição com sua articulação política alinhada em torno desse projeto.

TRE-PE APERTA O CERCO: CELULAR, SMARTWATCH E ATÉ ACESSÓRIOS COM CÂMERA ESTÃO PROIBIDOS NA CABINE DE VOTAÇÃO

mO Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) aprovou, por unanimidade, novas regras para o uso de dispositivos eletrônicos durante a votação. A medida estabelece que o eleitor não poderá entrar na cabine de votação portando equipamentos capazes de registrar, transmitir ou divulgar o voto.

A proibição vale para celulares, relógios e óculos inteligentes, pulseiras conectadas, fones de ouvido, câmeras corporais, microcâmeras e outros dispositivos eletrônicos. E tem um detalhe importante: não adianta desligar o aparelho. Ele também não poderá ser levado para dentro da cabine.

A regra é ainda mais ampla e alcança objetos e acessórios que tenham câmera, microfone ou algum recurso de comunicação. Entre os exemplos estão canetas, chaveiros, bonés, chapéus e broches equipados com essas tecnologias.

O celular, porém, poderá ser utilizado antes da votação. O eleitor poderá apresentar o e-Título ou outro documento oficial de identificação em formato digital à mesa receptora. Depois da identificação, o aparelho deverá ser desligado e colocado, juntamente com os demais dispositivos e pertences, no local indicado pelos mesários.

Durante a votação, a mesa receptora ficará responsável pela guarda dos objetos. Após registrar o voto, o eleitor deverá retornar e recolher seus pertences.

RECUSA PODE IMPEDIR ACESSO À CABINE

Quem se recusar a desligar e deixar o aparelho no local determinado pela mesa não poderá entrar na cabine de votação.

Nesse caso, a ocorrência deverá ser registrada em ata e comunicada ao juiz eleitoral. Se houver necessidade, a força policial poderá ser acionada para garantir o funcionamento regular da seção eleitoral.

O TRE-PE também definiu procedimentos para situações em que haja dúvida sobre determinado equipamento. O presidente da mesa poderá pedir esclarecimentos ao eleitor ou verificar as características externas do objeto. Os mesários, entretanto, não poderão acessar dados, arquivos ou aplicativos armazenados no dispositivo.

ACESSIBILIDADE ESTÁ GARANTIDA

As novas regras preservam o direito das pessoas com deficiência ou mobilidade reduzida de utilizarem recursos de acessibilidade e tecnologias assistivas necessários para exercer o voto.

Esses equipamentos poderão ser utilizados normalmente, desde que não tenham a função de registrar, transmitir ou divulgar a escolha feita pelo eleitor.

A orientação do TRE-PE busca reforçar o sigilo do voto e evitar qualquer forma de registro ou transmissão da escolha do eleitor dentro da cabine.

A regra é simples: o celular pode chegar até a mesa para identificação, mas não entra com o eleitor na cabine.

ELEIÇÃO CHEGA À RETA FINAL COM MAIORIA AINDA INDECISA PARA SENADO E CÂMARA

A quatro dias do primeiro turno, uma parcela expressiva dos eleitores brasileiros ainda não definiu os votos para os cargos proporcionais e para o Senado. É o que mostra a nova pesquisa Datafolha divulgada nesta quarta-feira (30), colocando a reta final da eleição sob forte cenário de indefinição.

Segundo o levantamento, 59% dos entrevistados ainda não escolheram nenhum dos dois candidatos ao Senado. Outros 14% afirmaram ter definido apenas um dos votos, enquanto 27% disseram já saber quais serão seus dois candidatos.

A situação também chama atenção na disputa pela Câmara dos Deputados. 57% ainda não decidiram em quem votar para deputado federal, enquanto 43% afirmam já ter escolhido um nome.

Para deputado estadual, o cenário é exatamente o mesmo: 57% continuam indecisos e 43% já definiram o voto.

O levantamento mostra que, mesmo com a campanha entrando nos últimos dias, muitos eleitores ainda estão avaliando nomes, alianças e propostas antes de apertar a tecla verde no próximo domingo (4).

PT E PL TAMBÉM TÊM ELEITORES INDECISOS

O Datafolha também separou os números de acordo com a preferência partidária declarada pelos entrevistados.

Entre os eleitores que se identificam com o PT, 56% ainda não definiram o voto para o Senado. Entre os que dizem preferir o PL, o percentual de indecisos é de 39%.

Na disputa para deputado federal, 54% dos simpatizantes do PT ainda não escolheram candidato, contra 40% entre os apoiadores do PL.

Para deputado estadual, 54% dos que preferem o PT continuam indecisos, enquanto entre os eleitores que preferem o PL o índice é de 41%.

A pesquisa Datafolha ouviu 2.016 brasileiros com 16 anos ou mais nos dias 28 e 29 de setembro. A margem de erro é de dois pontos percentuais, para mais ou para menos, e o nível de confiança é de 95%.

Com a eleição marcada para domingo, o dado deixa um recado claro para partidos e candidatos: ainda existe um enorme contingente de eleitores que pode definir o voto somente nos últimos dias da campanha.

COM INVESTIMENTOS DE R$ 1,36 MILHÃO, GOVERNO DE PERNAMBUCO ENTREGA NOVA DELEGACIA DE EXU, NO SERTÃO DO ARARIPE

Unidade é a primeira de 25 novas delegacias em obras no Estado. Nova sede tem Sala Lilás, brinquedoteca e banheiros acessíveis, reforçando o atendimento policial humanizado

O Governo de Pernambuco, através da Secretaria de Defesa Social, entregou, nesta quarta-feira (30), a nova Delegacia de Polícia Civil do município de Exu, no Sertão do Araripe. Com investimentos superiores a R$ 1,36 milhão, as obras executadas e fiscalizadas pela Companhia Estadual de Habitação e Obras (Cehab), da Secretaria de Desenvolvimento Urbano e Habitação (Seduh).

O secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, destaca que a Delegacia de Polícia Civil de Exu integra a iniciativa da gestão pública estadual de modernizar a infraestrutura das Operativas da SDS. “A série de intervenções estruturais que vêm sendo realizadas pelo Governo do Estado representam ganho direto para toda a sociedade, ao disponibilizar para os municípios uma infraestrutura adequada, para um atendimento policial mais eficiente e humanizado”, pontuou o gestor da pasta.

A nova Delegacia de Exu está localizada na Rua de Jesus Parente, 36. A edificação contempla recepção, atendimento ao público, brinquedoteca, banheiros acessíveis, espaços de convivência para os servidores, Sala Lilás para atendimento especializado às mulheres, salas técnicas, setor administrativo, sala de segurança, áreas de triagem e celas femininas e masculinas.

Para o delegado-geral da Polícia Civil, Felipe Monteiro, a inauguração da nova Delegacia simboliza uma mudança de conceito, marcando a continuidade de uma nova etapa na história da Corporação. “A entrega da Delegacia de Exu não é uma iniciativa isolada. É a primeira de um conjunto de 25 novos equipamentos que estão sendo construídos em Pernambuco, inclusive com a implantação de complexos policiais. Portanto, o que estamos inaugurando também é um novo padrão para Polícia Civil. Entendemos que uma instituição moderna precisa de tecnologia, efetivo e investigação qualificada, mas precisa também de estruturas físicas compatíveis com a importância da missão que desempenha”, avaliou.

"Estamos entregando em Exu uma estrutura pensada para atender melhor a população e oferecer melhores condições de trabalho aos servidores. É um projeto moderno e funcional, que também traz soluções que estão sendo replicadas em outras 24 delegacias em construção do Estado, ampliando o alcance dos investimentos do Governo de Pernambuco na segurança pública", afirma Paulo Lira, diretor-presidente da Cehab.

SALAS LILÁS – Em Pernambuco as mulheres também podem contar com a Sala Lilás, que é um espaço nas delegacias circunscricionais, estruturado para oferecer um ambiente reservado, seguro e humanizado, garantindo escuta qualificada, respeito e dignidade às vítimas que procuram atendimento policial. O espaço busca reduzir a revitimização durante o atendimento e contribuir para uma apuração mais eficiente dos crimes, fortalecendo a proteção às mulheres em situação de vulnerabilidade. Para assegurar um atendimento adequado, policiais civis vêm sendo capacitados para atuar com acolhimento humanizado e sensibilidade diante das demandas relacionadas à violência de gênero. Já são 45 Salas Lilás em Pernambuco, sendo 12 na Região Metropolitana do Recife, 21 no Agreste e Zona da Mata e outras 12 no Sertão pernambucano.

DATAFOLHA DIVULGA HOJE PENÚLTIMA PESQUISA E COLOCA RAQUEL LYRA À FRENTE DE JOÃO CAMPOS

A reta final das eleições em Pernambuco entra nesta quinta-feira (1º) em mais um momento de expectativa. O Datafolha divulga hoje sua penúltima pesquisa para o Governo do Estado antes da votação do próximo domingo (4).

No levantamento anterior, a governadora Raquel Lyra (PSD) apareceu com 48% das intenções de voto, contra 44% de João Campos (PSB). A diferença de quatro pontos percentuais colocou os dois principais candidatos em uma disputa apertada na reta final.

Agora, todos os olhos se voltam para os novos números do instituto. A pesquisa poderá mostrar se o cenário permanece semelhante ou se houve alguma alteração na preferência dos eleitores nos últimos dias de campanha.

A divulgação acontece a apenas três dias da votação e deve movimentar os bastidores das duas campanhas. Em uma eleição marcada por forte disputa política e intensa mobilização no estado, cada novo levantamento passou a ser acompanhado de perto por candidatos, aliados e eleitores.

O último Datafolha registrou 48% para Raquel e 44% para João Campos. O novo levantamento será mais um retrato do momento eleitoral e chega antes da última pesquisa do instituto, prevista para a véspera da votação.

É reta final. O eleitor pernambucano vai às urnas no domingo. E hoje o Datafolha coloca mais uma fotografia dessa corrida na mesa.

NA LUPA 🔎 - ZÉ ALMEIDA, UM HOMEM VENCEDOR DE SÃO BENTO DO UNA PARA O MUNDO

DO SÍTIO UNA DOS CORDEIROS PARA UMA DAS MAIORES OPERAÇÕES AVÍCOLAS DO NORDESTE: A HISTÓRIA DE JOSÉ DE ALMEIDA CORDEIRO, O ZÉ ALMEIDA, É MARCADA POR TRABALHO, VISÃO EMPREENDEDORA, TECNOLOGIA E UMA EMPRESA QUE PASSOU A FAZER PARTE DA IDENTIDADE ECONÔMICA DE SÃO BENTO DO UNA

Tem histórias empresariais que começam em grandes escritórios, com investidores, planejamentos milionários e estruturas prontas. A de José de Almeida Cordeiro, conhecido em São Bento do Una simplesmente como Zé Almeida, começou muito longe disso.

Foi no meio rural, no Sítio Una dos Cordeiros, em São Bento do Una, no Agreste pernambucano, que nasceu, em março de 1970, a atividade que décadas depois daria origem a uma das maiores operações avícolas do Nordeste. Registros históricos da Assembleia Legislativa de Pernambuco apontam que a Granja Almeida começou como uma pequena criação de galinhas de postura e passou a crescer de maneira mais acelerada a partir da década de 1980. 

A dimensão alcançada hoje ajuda a entender o tamanho dessa transformação. Uma publicação especializada do setor relata que a operação, que começou com apenas algumas dezenas de aves, chegou a quase 6 milhões de aves e mais de 4 mil colaboradores diretos e indiretos, espalhados por São Bento do Una e outras regiões do Nordeste. 

É uma diferença brutal entre o ponto de partida e o tamanho atual do negócio.

E talvez esteja justamente aí o principal capítulo da história de Zé Almeida: não foi apenas uma granja que cresceu. Foi uma atividade rural que acompanhou a transformação de uma cidade inteira.

UMA CRIAÇÃO PEQUENA QUE VIROU UM NEGÓCIO GIGANTE

O nome Granja Almeida passou a ganhar espaço justamente quando São Bento do Una ainda consolidava sua vocação para a avicultura.

A trajetória empresarial de Zé Almeida aparece associada ao desenvolvimento da produção de ovos no município. Em 2010, a própria Alepe registrou que a empresa havia começado em 1970 com uma pequena criação no Sítio Una dos Cordeiros e que sua expansão ganhou força a partir dos anos 1980. Naquela época, o empreendimento já era citado pela geração de emprego e renda no Agreste. 

Há um detalhe importante nos registros empresariais atuais: a Granja Almeida Ltda., matriz hoje ativa em São Bento do Una, tem CNPJ aberto em 2009. Isso não significa que a história da empresa tenha começado naquele ano. Trata-se da estrutura societária atualmente registrada, enquanto a trajetória da atividade empresarial e da marca remonta a 1970. Os registros públicos atuais mostram José de Almeida Cordeiro entre os sócios, ao lado de Daniele, Danilo e Débora de Almeida Cordeiro. 

A diferença entre a data histórica da fundação e a constituição da atual pessoa jurídica é, portanto, fundamental para contar a história corretamente.

QUANDO O OVO VIROU UMA INDÚSTRIA


A Granja Almeida deixou de ser apenas uma propriedade produtora de ovos e passou a funcionar dentro de uma cadeia muito mais ampla.

Os registros empresariais mostram que o grupo atua não apenas na produção de ovos, mas também em atividades relacionadas à criação de frangos, fabricação de alimentos para animais, produção de pintos de um dia, comércio atacadista de aves e ovos, varejo de produtos alimentícios e transporte de cargas. Existem ainda unidades registradas em Pernambuco e Alagoas. 

Ou seja: por trás de uma bandeja de ovos com a marca Almeida existe uma cadeia muito maior.

Tem criação, alimentação das aves, logística, processamento, classificação, embalagem, transporte, comercialização e toda uma estrutura de apoio que precisa funcionar praticamente como uma engrenagem.

Uma reportagem especializada de 2016 já descrevia o Centro de Processamento de Ovos (CPO) da empresa como uma estrutura de grandes dimensões, organizada para higienização, classificação e embalagem dos ovos. A publicação destacou ainda o rigor das boas práticas e das exigências sanitárias aplicadas ao processamento. 

É nesse ponto que a história deixa de ser apenas a de um produtor rural que aumentou o número de galinhas.

Zé Almeida transformou produção rural em operação empresarial.

MILHÕES DE OVOS, UMA LOGÍSTICA QUE NÃO PODE PARAR

Em 2019, reportagem do Jornal do Commercio apontava a Granja Almeida como a maior produtora de ovos de Pernambuco, com aproximadamente 3 milhões de ovos por dia naquele período. A mesma reportagem registrava São Bento do Una produzindo cerca de 5 milhões de ovos diariamente. 

Outro levantamento publicado anteriormente pela Volvo apontava uma operação de grande escala, com venda mensal de aproximadamente 6 milhões de ovos, 1,2 milhão de pintos e mais de 1.500 toneladas de frango. O material também registrava uma frota de caminhões utilizada para transportar insumos como milho e farelo de soja para a operação. 

Os números mostram uma coisa simples: quando a empresa chegou a esse patamar, o desafio deixou de ser somente produzir.

Era preciso alimentar milhões de aves, controlar a sanidade do plantel, transportar insumos, processar a produção, classificar, embalar, armazenar e fazer o produto chegar ao consumidor.

Tudo isso dentro de uma região do Agreste que convive historicamente com limitações hídricas.

A CAPITAL DO OVO NÃO É APENAS UM APELIDO

São Bento do Una construiu sua reputação nacional em torno da avicultura.

A Assembleia Legislativa já registrava o município como um dos principais polos da atividade em Pernambuco, destacando que o Agreste concentrava parcela expressiva da produção estadual. 

Dados mais recentes reunidos pela Adagro reforçam a dimensão do polo: o município aparece como destaque na produção de ovos de Pernambuco e é descrito como a Capital do Ovo do Nordeste, com produção indicada em torno de 7 milhões de ovos por dia no documento de contingência sanitária publicado em 2025. O mesmo documento aponta Pernambuco com produção de aproximadamente 13 milhões de ovos diariamente. 

E é impossível contar essa história sem colocar a Granja Almeida dentro desse cenário.

Uma publicação especializada do setor chegou a definir a empresa como a granja de ovos mais produtiva do Norte e Nordeste, destacando que a propriedade de José de Almeida ajudou a inspirar outros empreendedores a investir na atividade. 

A expansão da avicultura criou uma espécie de ecossistema econômico.

São fornecedores de milho e soja, fabricantes de ração, empresas de medicamentos e vacinas, equipamentos, embalagens, transportadoras, técnicos, veterinários, zootecnistas, trabalhadores rurais, comerciantes e uma infinidade de atividades que orbitam a produção.

Por isso, quando a avicultura cresce em São Bento do Una, não cresce apenas a granja.

Cresce uma cadeia inteira.

A TECNOLOGIA ENTROU NO GALPÃO

Uma das maiores mudanças ao longo das décadas foi justamente a transformação tecnológica.

A avicultura moderna exige controle muito mais preciso do que simplesmente colocar as aves no galpão e recolher os ovos.

Hoje, a atividade envolve genética, nutrição, controle sanitário, biossegurança, automação, rastreabilidade, classificação e processamento.

A própria Granja Almeida aparece em registros do setor como referência em tecnologia e gestão da produção. Em 2022, por exemplo, uma empresa de tecnologia para o agronegócio citava a Granja Almeida como cliente de referência em postura comercial, então trabalhando com produção na casa dos milhões de ovos por dia. 

O Centro de Processamento de Ovos é uma das peças desse modelo. A estrutura foi descrita pela imprensa especializada como ampla, funcional e preparada para trabalhar dentro das exigências de boas práticas e legislação sanitária. 

Isso ajuda a explicar como uma atividade iniciada com algumas dezenas de aves conseguiu alcançar escala industrial.

A tecnologia não substituiu o trabalho de Zé Almeida.

Foi justamente o instrumento que permitiu multiplicar aquele trabalho.

UM EMPREENDEDOR QUE VIROU REFERÊNCIA

A história de Zé Almeida também ultrapassou os limites da empresa.

Registros da época em que exerceu funções públicas em São Bento do Una já destacavam sua atuação empresarial e a geração de empregos. Um levantamento biográfico publicado em 2011 registra que ele nasceu em 3 de junho de 1951, no Sítio Una dos Cordeiros, filho de José Diógenes Cordeiro e Maria José de Almeida. O mesmo registro informa que Zé Almeida constituiu família com Josefa Maria Cordeiro e teve três filhos: Débora, Danilo e Daniele. 

A nova geração também aparece na estrutura societária da empresa.

Hoje, os registros oficiais disponíveis publicamente apontam Daniele de Almeida Cordeiro como sócia-administradora da Granja Almeida Ltda., enquanto Danilo, Débora e o próprio José de Almeida Cordeiro aparecem como sócios. 

É o retrato de uma empresa que deixou de ser apenas um empreendimento pessoal e ganhou características de negócio familiar construído ao longo de gerações.

UM IMPACTO QUE VAI ALÉM DA PORTEIRA

A dimensão social da Granja Almeida também aparece nos registros históricos.

Em 2010, a Assembleia Legislativa destacou a geração de emprego e renda proporcionada pela empresa e mencionou sua participação em um sistema de integração que beneficiava pequenos avicultores da região. 

Anos depois, o número de pessoas envolvidas com a operação alcançaria outra escala.

Uma reportagem especializada publicada em 2025 registra mais de 4 mil colaboradores diretos e indiretos vinculados à operação em São Bento do Una e outras regiões do Nordeste. 

É aí que aparece uma dimensão que muitas vezes passa despercebida quando se olha apenas para os milhões de ovos produzidos.

Cada ovo representa uma cadeia.

E cada cadeia representa gente.

SÃO BENTO DO UNA APRENDEU A VIVER DA AVICULTURA

A força do setor transformou a própria identidade econômica do município.

Em levantamento acadêmico baseado em dados da avicultura pernambucana, São Bento do Una aparece com forte participação da atividade agropecuária e com a produção de ovos como um dos principais motores econômicos locais. 

A cidade chegou a receber a Feira de Avicultura do Nordeste, a Aviuna, reunindo produtores, fornecedores, especialistas e empresas de diversos segmentos. Em uma das edições, a organização registrou mais de R$ 50 milhões em negócios fechados durante o evento.

A Granja Almeida esteve entre as empresas que apoiaram a realização da feira, ajudando a colocar São Bento do Una no calendário de eventos da cadeia avícola regional. 

Também existem registros de iniciativas sociais envolvendo a empresa. Em 2019, uma ação realizada durante a feira de avicultura resultou na doação de 500 dúzias de ovos para instituições assistenciais do município. 

DA PEQUENA CRIAÇÃO AO MAPA DA AVICULTURA NORDESTINA

Mais de cinco décadas depois daquele começo no Sítio Una dos Cordeiros, a trajetória de José de Almeida Cordeiro pode ser lida como uma espécie de fotografia da própria transformação da avicultura pernambucana.

Primeiro vieram as poucas aves.

Depois, a persistência.

Vieram os investimentos, a expansão, a profissionalização, a tecnologia, a logística e a formação de uma cadeia cada vez maior.

Hoje, a Granja Almeida possui matriz em São Bento do Una e diversas unidades registradas, incluindo operações em Pernambuco e Alagoas. 

A empresa que nasceu pequena também ajudou a projetar o nome de São Bento do Una para além das fronteiras de Pernambuco.

E talvez seja justamente por isso que a história de Zé Almeida seja maior do que a história de uma granja.

É a história de um homem que saiu da zona rural, enxergou uma oportunidade onde muitos enxergavam apenas uma pequena criação de galinhas e conseguiu transformar aquela atividade em um empreendimento de dimensão regional.

Zé Almeida começou com poucas aves. São Bento do Una terminou conhecida pelos milhões.

No meio desse caminho estão mais de cinco décadas de trabalho, uma família que participou da construção do negócio, milhares de empregos, tecnologia, produção e uma cadeia econômica que ajudou a fazer do Agreste pernambucano uma das referências brasileiras na produção de ovos.

Da simplicidade do Sítio Una dos Cordeiros à escala industrial da Granja Almeida, a trajetória de José de Almeida Cordeiro se confunde, em boa medida, com a própria história da avicultura de São Bento do Una.

E quando se fala hoje em Capital do Ovo, é impossível contar essa história sem lembrar de quem ajudou a colocar o município nesse mapa.

TYRONE, JOÃO CAMPOS E A CONTA QUE CAIU NO COLO DO PSB

A operação da PF bate à porta de Fábio Tyrone e respinga diretamente no comando nacional do PSB

O PSB de João Campos ganhou um problema daqueles que não se resolvem com nota oficial, discurso ensaiado ou silêncio estratégico.

Fábio Tyrone, ex-prefeito de Sousa e candidato a deputado federal pela Paraíba, virou alvo da Operação Lastro, da Polícia Federal, que investiga suspeitas de financiamento irregular de campanha, despesas não declaradas, lavagem de dinheiro e associação criminosa.

E aqui está o detalhe que torna a história politicamente indigesta: Tyrone recebeu R$ 1,5 milhão do fundo eleitoral do Diretório Nacional do PSB. O dinheiro veio justamente da estrutura partidária comandada por João Campos, presidente nacional da legenda.

Agora, o candidato que recebeu uma das maiores injeções de recursos do partido na Paraíba aparece no radar de uma investigação federal que apura justamente a movimentação de dinheiro relacionada à campanha.

Coincidência? Essa é uma pergunta que a investigação terá de responder — não este texto.

A PF cumpriu mandados de busca e apreensão em Sousa e, em uma diligência realizada na véspera, apreendeu aproximadamente R$ 380 mil em espécie, além de prender duas pessoas em flagrante. A origem e a finalidade do dinheiro ainda estão sendo apuradas.

E o roteiro fica ainda mais desconfortável para o PSB porque Tyrone não chegou a esta eleição sem bagagem.

UM PASSADO QUE O PSB JÁ TENTAVA ADMINISTRAR

Fábio Tyrone carrega uma condenação relacionada à agressão contra sua então companheira, a advogada Myriam Gadelha, episódio ocorrido em 2018.

O caso provocou forte reação dentro do próprio PSB e abriu uma crise política para a legenda.

João Campos, que comanda nacionalmente o partido, foi cobrado sobre a permanência de Tyrone na sigla. Em 29 de setembro, afirmou que havia determinado a expulsão do ex-prefeito após a reabertura do processo interno.

Ou seja: João Campos mal havia terminado de explicar por que Tyrone ainda estava no PSB quando a Polícia Federal entrou em cena com uma nova investigação envolvendo o candidato.

É muita turbulência para um partido que tenta vender a imagem de renovação política.

O DINHEIRO É DO FUNDO DO PSB. E AGORA?

É preciso separar as coisas.

A condenação relacionada à violência doméstica é um episódio judicial anterior. A Operação Lastro é outra investigação, ainda em andamento e sob segredo de Justiça. Uma coisa não prova a outra.

Mas existe uma conexão política objetiva: o candidato investigado recebeu R$ 1,5 milhão do fundo eleitoral nacional do PSB, enquanto o partido é presidido por João Campos.

É justamente aí que começam as perguntas que o eleitor paraibano tem o direito de fazer.

Quem decidiu pelo tamanho desse repasse?

Quais critérios foram utilizados?

O PSB tinha conhecimento de alguma circunstância que pudesse representar risco político ou jurídico antes de liberar o dinheiro?

E, principalmente: quem vai explicar aos eleitores por que um candidato que já carregava uma pesada crise de imagem recebeu R$ 1,5 milhão do fundo eleitoral nacional?

Não se trata de afirmar que o dinheiro foi utilizado ilegalmente. Isso seria antecipar uma conclusão que cabe à investigação.

Trata-se de perguntar sobre responsabilidade política, critérios partidários e transparência na utilização de dinheiro público destinado às campanhas.

JOÃO CAMPOS FICOU COM A BATATA QUENTE

João Campos assumiu o comando nacional do PSB e, com ele, também assumiu a responsabilidade política pela condução da legenda.

Tyrone era um problema.

A direção partidária tentou resolver esse problema com a expulsão.

Só que, no dia seguinte, a Operação Lastro acrescentou uma nova camada à crise.

Agora, o PSB precisa explicar não apenas a relação política com Tyrone, mas também o contexto em que R$ 1,5 milhão do fundo eleitoral nacional foi destinado à campanha de um candidato que se tornou alvo de uma investigação federal.

Tyrone diz que colaborou com a PF e afirma que nada irregular foi encontrado em sua residência.

É uma manifestação legítima e deve ser considerada.

Mas a investigação continua.

E enquanto a PF procura respostas sobre dinheiro, documentos e movimentações financeiras, uma pergunta política permanece pendurada no ar:

quem, dentro do PSB de João Campos, achou que colocar R$ 1,5 milhão nas mãos de Fábio Tyrone era uma boa ideia?

Essa resposta pode não estar nos autos da Operação Lastro.

Mas certamente interessa ao eleitor. É isso!