Embora cinco casos de feminicídio tenham sido registrados em 2025, com o último confirmado em setembro, a resposta do poder público e das forças de segurança foi imediata em todos eles. O dado, ainda que doloroso, evidencia a necessidade de políticas contínuas e estruturadas, capazes de atuar de forma preventiva e reduzir riscos antes que a violência chegue ao seu desfecho mais extremo.
A secretária da Mulher, Luana Marabuco, destaca que o enfrentamento à violência de gênero em Caruaru não se limita à sua pasta. Segundo ela, o compromisso da gestão municipal é transversal e envolve diversas secretarias, com foco não apenas na repressão à violência, mas também no cuidado integral com as mulheres. “A nossa gestão tem compromisso com a vida das mulheres, ampliando as ações em todas as secretarias do município e não só na Secretaria da Mulher, que, além do enfrentamento à violência, ainda atua no foco do cuidado, da cidadania, da autonomia econômica e da saúde da mulher”, afirmou.
Os números reforçam o avanço dessa política pública. Em 2025, o Centro de Referência da Mulher Maria Neuma (CRM) realizou 6.173 atendimentos, superando os 5.606 registrados em 2024. O crescimento reflete tanto o fortalecimento da rede quanto a maior confiança das mulheres nos serviços oferecidos pelo município, que envolvem atendimento psicológico, social e jurídico.
Na área da educação, a prevenção tem sido trabalhada desde cedo. O projeto Maria da Penha Vai às Escolas alcançou 3.008 estudantes em 39 unidades da rede municipal ao longo do ano, levando informação e conscientização sobre direitos, respeito e enfrentamento à violência doméstica. A iniciativa vem se consolidando como uma das principais estratégias de mudança cultural, ao dialogar diretamente com crianças e adolescentes.
Outro indicador relevante foi o salto nas formações sociopolíticas promovidas pela SEMU. Em 2025, 4.704 pessoas participaram dessas atividades, um número mais de três vezes superior ao registrado no ano anterior, ampliando o alcance do debate sobre igualdade de gênero, cidadania e combate à violência.
Além das ações educativas e de acolhimento, o município também investiu em iniciativas de mobilização e fortalecimento da autonomia feminina. Atividades como aulões de defesa pessoal, a realização da 4ª Conferência Municipal de Políticas para as Mulheres, que reuniu 462 participantes, e o I Congresso do Agreste de Enfrentamento à Violência de Gênero, com 783 inscritos e 87 trabalhos apresentados, posicionaram Caruaru como referência regional no debate e na formulação de políticas públicas para as mulheres.
Um dos maiores avanços institucionais, no entanto, está na articulação com o Judiciário. Implantado em 2024, o Núcleo Integrado dos Oficiais de Justiça (NIOJ) tornou-se um diferencial da política municipal de enfrentamento à violência doméstica. A iniciativa, pioneira em Pernambuco, garante maior agilidade no cumprimento das Medidas Protetivas de Urgência, contando com oficiais de justiça dedicados exclusivamente aos casos de violência contra a mulher. O núcleo atua diretamente na Vara de Violência Doméstica e Familiar contra a Mulher de Caruaru, reduzindo o tempo de resposta e ampliando a segurança das vítimas.
A experiência exitosa já ultrapassou os limites do município e se tornou referência para outras regiões. O modelo do NIOJ será replicado na Região Metropolitana do Recife, consolidando Caruaru como exemplo de como políticas públicas bem estruturadas podem salvar vidas.
Diante de um cenário nacional alarmante, o município aposta na integração entre prevenção, acolhimento, educação e justiça como caminho para enfrentar a violência de gênero. Em Caruaru, a política pública deixa de ser promessa e se transforma em ação contínua, com foco na proteção, na dignidade e no direito das mulheres à vida.