terça-feira, 13 de janeiro de 2026

GARANHUNS DÁ UM PASSO HISTÓRICO NA DEFESA DOS ANIMAIS COM ABRIGO MUNICIPAL

Garanhuns avança na pauta da causa animal e transforma discurso em ação concreta.

O prefeito Sivaldo Albino (PSB) autorizou a construção do primeiro abrigo municipal para animais do município.
A iniciativa marca um novo momento na política pública de proteção animal no Agreste Meridional.
A abertura das propostas do processo licitatório acontece nesta terça-feira (13).
O investimento previsto pode chegar a até R$ 450 mil.
O valor será destinado à implantação de uma estrutura moderna e funcional.
O abrigo foi pensado para atender uma demanda antiga da população.
Animais em situação de abandono ou vulnerabilidade terão acolhimento adequado.
O espaço contará com atendimento veterinário regular.
Haverá área específica para alojamento temporário dos animais.
Procedimentos de castração também fazem parte do projeto.
A medida contribui diretamente para o controle populacional de cães e gatos.
Além disso, reduz riscos à saúde pública.
O abrigo permitirá ações permanentes de cuidado e recuperação.
A proposta vai além do resgate emergencial.
Ela fortalece políticas de bem-estar animal no município.
O projeto dialoga com protetores independentes e entidades da causa.
Também cria condições para campanhas educativas.
A gestão municipal aposta em um modelo humanizado de acolhimento.
A obra representa sensibilidade social e responsabilidade administrativa.
Para muitos, é o início de uma nova relação da cidade com seus animais.
Garanhuns passa a olhar a causa animal como política pública.
E não apenas como ação pontual.
O abrigo simboliza respeito à vida.
E reforça o compromisso da gestão com uma cidade mais justa e solidária.

DIREITA DISPUTA ESPAÇO E PL QUER PROTAGONISMO NO SENADO EM PERNAMBUCO

Pré-candidato ao Senado nas eleições deste ano, o presidente estadual do PL, Anderson Ferreira, avalia que a direita pernambucana tem condições reais de conquistar uma das vagas em disputa.

Em entrevista à Rádio Folha, ele afirmou que o eleitorado conservador e da centro-direita busca uma candidatura com lado definido e trajetória coerente.
Segundo Anderson, esse diferencial pode ser decisivo em um cenário onde adversários históricos disputam o mesmo campo político.
“O eleitor reconhece quem sempre esteve no mesmo lado”, sinalizou ao comparar sua trajetória com a de outros concorrentes.

O dirigente reforçou que o PL terá papel central no projeto nacional da direita.
Para ele, a candidatura do senador Flávio Bolsonaro à Presidência fortalece os palanques estaduais e cria um ambiente favorável para o Senado.
Anderson acredita que a eleição será marcada por um sentimento de reação política.
Na avaliação dele, muitos eleitores irão às urnas como forma de protesto em defesa do ex-presidente Jair Bolsonaro.

Sobre o Governo de Pernambuco, Anderson afirmou que o PL não pretende lançar candidatura própria.
A estratégia, segundo ele, é concentrar forças no Senado e ampliar a bancada para dar sustentação a um futuro governo de direita.
“O PL não será coadjuvante”, frisou, ao defender protagonismo eleitoral.

Questionado sobre a saída do prefeito de Jaboatão dos Guararapes, Mano Medeiros, do PL para o PSD, Anderson adotou um tom cauteloso.
Disse respeitar decisões pessoais, mas lembrou o apoio político dado ao gestor ao longo dos últimos anos.
Sem citar nomes diretamente, também fez críticas à condução política da governadora Raquel Lyra.
Para ele, movimentos desse tipo geram conflitos internos e precisam ser explicados à população.

Ao final, Anderson reforçou confiança no eleitor de direita.
Disse nunca ter sido extremista, mas afirmou que jamais abriu mão de suas convicções.
“É isso que me dá tranquilidade para enfrentar essa disputa”, concluiu.

A HISTÓRIA DE LAVÍNIA, 97 ANOS, E SEU CHEVETTE 1976 — UM EXEMPLO DE ENVELHECER COM LIBERDADE E ALEGRIA

Gaspar, interior de Santa Catarina — Quem passa pelas ruas da cidade e cruza com um Chevette 1976 reluzente, conduzido com calma, sorriso no rosto e respeito ao trânsito, logo reconhece: é a dona Lavínia. Aos 97 anos, ela segue firme ao volante do mesmo carro que a acompanha há mais de quatro décadas, transformando um veículo clássico em símbolo de independência e felicidade na terceira idade.

UM RITUAL DE LIBERDADE

Para Lavínia, dirigir não é apenas deslocar-se de um ponto a outro — é manter autonomia, identidade e conexão com o mundo ao seu redor. Estudos sobre envelhecimento destacam que a condução veicular está intimamente ligada à preservação da autonomia e ao bem-estar emocional de muitas pessoas idosas. Para muitos, inclusive, continuar dirigindo representa não apenas mobilidade física, mas também preservação de um papel social e identidade pessoal que se transforma com o tempo.

Dirigir proporciona a sensação de liberdade para decidir quando e para onde ir, algo que, com o passar dos anos, pode se tornar cada vez mais valioso quando outras habilidades começam a existir em menor grau. A própria literatura especializada mostra que a direção de um veículo pode ser uma das últimas expressões de independência para muitas pessoas na terceira idade.

O CHEVETTE QUE É PARTE DA VIDA

O Chevette 1976 de Lavínia — cuidado com carinho, detalhes restaurados e manutenção em dia — nasceu na década de 1970 e acompanhou as mudanças da vida dela. Ele não é apenas um automóvel antigo; é um símbolo de histórias, memórias e rotinas que atravessam gerações. A escolha de manter o carro original e rodar com ele revela ainda uma relação afetiva que vai além da funcionalidade: é amor à máquina, às lembranças e às rotinas cuidadosas que a acompanham diariamente.

Essa cena — uma mulher quase centenária ao volante de um clássico nas ruas da sua cidade — chama a atenção não apenas pela idade elevada, mas pela serenidade e responsabilidade com que ela encara a direção. Lavínia é exemplo de que é possível envelhecer mantendo qualidade de vida, desde que aliados estejam saúde, atenção às próprias limitações e respeito às normas de trânsito.

ENVELHECIMENTO ATIVO E SAÚDE MENTAL

Manter-se ativa em uma atividade complexa como dirigir pode ter impactos positivos na saúde integral dos idosos. Pesquisas indicam que pessoas que ainda dirigem tendem a manter melhor integração social e menor sensação de isolamento, além de impacto positivo em aspectos funcionais ligados à vida cotidiana.

Claro, o envelhecimento acarreta alterações nas capacidades físicas, sensoriais e cognitivas — fatores que podem comprometer a habilidade de dirigir — e por isso a direção na terceira idade deve sempre ser acompanhada por avaliações médicas periódicas e autoconsciência de limitações.

Mas a história de Lavínia representa algo maior: ela demonstra que envelhecer não significa parar, mas adaptar-se com alegria, responsabilidade e autonomia. Para muitos que a conhecem, ela é um lembrete vivo de que a vida pode seguir plena, mesmo depois dos noventa, quando se preservam os vínculos, as rotinas significativas e, sobretudo, a capacidade de escolher como viver o dia a dia.

UM EXEMPLO QUE CONTAGIA

Aos que veem a cena — moradores, visitantes ou curiosos — a imagem de Lavínia cruzando a cidade no seu Chevette inspira reflexões sobre envelhecimento, dignidade e felicidade. Ela prova com cada quilômetro percorrido que um bom envelhecimento também passa pela autonomia de escolher seus caminhos — sejam eles pelas ruas da pequena Gaspar ou pela estrada maior da vida.


ELEIÇÕES 2026: JUSTIÇA ELEITORAL DEFINE PRAZOS DECISIVOS E MUDA DATA DE POSSE NO BRASIL

O Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE) tornou público o calendário oficial das Eleições Gerais de 2026, estabelecendo uma série de prazos que passam a orientar eleitores, partidos políticos e pré-candidatos em todo o país. O pleito, que vai escolher o próximo presidente da República, governadores, senadores, deputados federais e estaduais, está marcado para o dia 4 de outubro e promete movimentar intensamente o cenário político nacional ao longo do ano.

Um dos primeiros alertas do calendário diz respeito ao eleitorado. Quem ainda não possui título de eleitor, precisa regularizar pendências, cadastrar a biometria ou solicitar mudança de local de votação tem até o dia 6 de maio para resolver qualquer questão junto à Justiça Eleitoral. Após essa data, o cadastro será fechado, impossibilitando alterações até depois das eleições. A orientação do TRE é que os eleitores não deixem para a última hora, evitando filas e instabilidades nos sistemas.

No campo partidário, o período das convenções está definido entre 20 de julho e 5 de agosto. Será nesse intervalo que os partidos oficializarão seus candidatos e deliberarão sobre alianças e coligações, etapa considerada estratégica para a definição do tabuleiro eleitoral. Encerradas as convenções, as legendas terão até o dia 15 de agosto para registrar formalmente as candidaturas junto à Justiça Eleitoral. Um dia depois, em 16 de agosto, estará autorizada oficialmente a campanha eleitoral, incluindo atos públicos e propaganda.

A propaganda eleitoral gratuita no rádio e na televisão terá início em 28 de agosto e seguirá até 1º de outubro, três dias antes do primeiro turno. Esse período é visto como fundamental para que os eleitores conheçam propostas, trajetórias políticas e posicionamentos dos candidatos, especialmente em disputas majoritárias como a presidencial e os governos estaduais.

Caso nenhuma candidatura alcance maioria absoluta para presidente da República ou governador no primeiro turno, o segundo turno já está agendado para o dia 25 de outubro. Após a definição dos eleitos, a diplomação será realizada até o dia 19 de dezembro, quando a Justiça Eleitoral confirma oficialmente os resultados e habilita os vencedores a tomarem posse.

Uma das principais novidades do calendário de 2026 está na mudança das datas de posse. O presidente da República eleito tomará posse no dia 5 de janeiro de 2027, enquanto governadores e vice-governadores assumirão seus cargos no dia 6. A alteração rompe com a tradição histórica de posses em 1º de janeiro e marca uma nova organização institucional do calendário político brasileiro.

Com a divulgação antecipada das datas, o TRE-PE reforça a importância do planejamento e da participação cidadã, destacando que 2026 será um ano decisivo para os rumos políticos do país.

PT ADMITE DOIS PALANQUES EM PERNAMBUCO E SINALIZA QUE APOIO A RAQUEL LYRA NÃO IMPLICA ROMPIMENTO COM JOÃO CAMPOS

A sucessão estadual de 2026 em Pernambuco começa a ganhar contornos mais complexos e menos lineares do que o desenho tradicional de alianças políticas. Em declaração que repercutiu fortemente no meio político, o deputado estadual João Paulo (PT) afirmou que o partido avalia, de forma concreta, a possibilidade de apoiar a governadora Raquel Lyra (PSD) sem que isso signifique, automaticamente, um rompimento com o prefeito do Recife, João Campos (PSB), nome tratado como potencial candidato ao Governo do Estado.

Em entrevista à Rádio Folha FM 96,7, nesta segunda-feira (12), João Paulo defendeu a tese de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá ter dois palanques em Pernambuco em 2026, ambos alinhados ao projeto nacional do PT. Segundo o parlamentar, essa hipótese não é nova dentro da legenda e surge como reflexo direto do redesenho político vivido no Estado, marcado por mudanças de posicionamento, desgastes administrativos e reacomodações partidárias.

Na avaliação do deputado, o PT precisa agir com cautela e leitura estratégica da conjuntura. Ele ressaltou que, apesar de a possibilidade de apoio à governadora estar sendo debatida, não existe decisão tomada. “A política não se resolve com pressa. Uma definição agora pode engessar alianças futuras e criar dificuldades desnecessárias”, sinalizou, ao defender que o partido mantenha portas abertas enquanto o cenário permanece em movimento.

João Paulo também minimizou a ideia de que um eventual apoio do PT a Raquel Lyra colocaria a governadora em rota de colisão com o Palácio do Planalto. Para ele, mesmo que Raquel não esteja formalmente no palanque presidencial de Lula, não há indicativos de que ela adote uma postura de oposição ao governo federal. O parlamentar destacou a relação institucional mantida pela governadora com Brasília e os gestos recentes de aproximação, que, segundo ele, revelam pragmatismo político e disposição ao diálogo.

Ao analisar o peso do presidente Lula no processo eleitoral estadual, João Paulo fez uma ponderação relevante: o apoio do líder petista é importante, mas não será determinante isoladamente. Para o deputado, a eleição de 2026 será decidida, sobretudo, pela capacidade da governadora de apresentar resultados concretos à população pernambucana. “O eleitor vai avaliar o que mudou na sua vida. Saúde, educação, mobilidade e políticas sociais serão determinantes”, observou.

As declarações também abriram espaço para críticas diretas ao prefeito João Campos. João Paulo voltou a questionar a relação de confiança entre o gestor recifense e o PT, lembrando episódios da eleição municipal de 2020. Segundo ele, a postura adotada por João Campos naquele pleito foi agressiva em relação ao partido e ainda hoje é explorada por adversários políticos, especialmente pela direita. Para o petista, esse histórico fragiliza a credibilidade política, um ativo essencial em disputas majoritárias.

Além das divergências políticas passadas, o deputado citou desgastes recentes da gestão municipal do Recife que, em sua visão, alteraram o ambiente político. Entre eles, destacou a repercussão nacional do concurso da Procuradoria do Município, após questionamentos envolvendo a reclassificação e nomeação de um candidato para vaga destinada a pessoas com deficiência. O caso gerou pedidos de investigação, debates jurídicos e até discussões sobre impeachment, criando, segundo João Paulo, um “inferno astral” para o prefeito.

No campo da disputa pelo Senado, o deputado reafirmou a defesa da reeleição do senador Humberto Costa (PT), tratado como peça-chave do projeto nacional do partido. João Paulo avaliou que uma eventual composição com o apoio da governadora Raquel Lyra poderia fortalecer a candidatura de Humberto, num cenário considerado altamente competitivo. Além do senador petista, circulam como possíveis postulantes Marília Arraes (Solidariedade), Miguel Coelho (União Brasil), Silvio Costa Filho (Republicanos) e Fernando Dueire (MDB).

João Paulo também reconheceu, sem rodeios, que o PT pernambucano segue dividido internamente e que dificilmente caminhará de forma completamente unificada em 2026. Para ele, mesmo com duas candidaturas ao Governo do Estado, é improvável que toda a base partidária se concentre em um único palanque, repetindo um padrão já observado em eleições anteriores.

Ao final, o deputado reforçou que suas declarações não representam uma decisão fechada, mas uma leitura política do momento. “Não estamos fechando portas nem cravando alianças. Estamos avaliando o cenário. E, hoje, a possibilidade de dois palanques em Pernambuco é real e precisa ser tratada com maturidade e responsabilidade política”, concluiu.

Redação com texto de Ryann Albuquerque, publicado no Jornal do Commercio em 12/01/2026. Foto: Gabriel Ferreira/JC Imagem.

NÃO FOI LEI ROUANET: ENTENDA COMO “O AGENTE SECRETO” FOI FINANCIADO E POR QUE A CONFUSÃO SE ESPALHOU

O triunfo do filme “O Agente Secreto” no Globo de Ouro 2026 — com vitória como Melhor Filme em Língua Não Inglesa e o prêmio de Melhor Ator para Wagner Moura — levou o cinema brasileiro ao centro do debate internacional. Mas, junto com os aplausos, veio também uma velha polêmica que sempre reaparece nas redes sociais: afinal, o longa foi feito com dinheiro público? Usou Lei Rouanet?

A resposta curta é direta e objetiva: teve dinheiro público, sim. Lei Rouanet, não.
E a resposta longa ajuda a desmontar uma das maiores confusões populares quando o assunto é financiamento cultural no Brasil.

LEI ROUANET NÃO FINANCIA FILMES — E NUNCA FINANCIOU

Apesar do que muitos dizem nas redes, nenhum longa-metragem brasileiro pode ser financiado pela Lei Rouanet. Isso não é novidade, nem exceção. É regra. A Rouanet funciona por meio de renúncia fiscal e é voltada para outras áreas culturais, como teatro, música e exposições — não para cinema.

Ou seja, independentemente de governo, ideologia ou temática do filme, a Lei Rouanet simplesmente não entra na conta do cinema nacional.

ENTÃO, DE ONDE VEIO O DINHEIRO?

No caso de O Agente Secreto, cerca de R$ 7,5 milhões vieram do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), ligado à Ancine, por meio de um edital aprovado em fevereiro de 2024.

O FSA é um mecanismo específico para o setor audiovisual. Ele financia filmes, séries e produções para TV e streaming. Diferente do que muitos imaginam, não envolve empresa abatendo imposto de renda, nem “dinheiro dado de graça”.

O fundo é abastecido por taxas cobradas do próprio mercado audiovisual — como produtoras, emissoras e plataformas — e esse dinheiro retorna ao setor em forma de investimento.

QUANTO CUSTOU, DE FATO, “O AGENTE SECRETO”?

O orçamento total do filme foi de R$ 27.165.775, valor dividido entre várias fontes, num modelo comum ao cinema autoral e às coproduções internacionais.

A conta ficou assim:

  • R$ 7,5 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual (Brasil)

  • R$ 5,5 milhões da iniciativa privada nacional

  • Cerca de R$ 14 milhões vindos de fundos públicos da França, Alemanha e Holanda

Ou seja, a maior parte do investimento veio do exterior, algo absolutamente normal em produções que circulam por festivais e premiações internacionais.

Vale destacar ainda que o filme poderia ter usado mais R$ 4 milhões do FSA para distribuição, mas optou por não acessar esse recurso.

DINHEIRO PÚBLICO, SIM — MAS COM REGRAS E RETORNO AO SETOR

O ponto central é simples:
👉 não houve Lei Rouanet
👉 não houve renúncia fiscal para empresas
👉 não houve “imposto perdoado”

O que houve foi investimento do próprio mercado audiovisual, gerido pelo Estado, com critérios técnicos e edital público — modelo adotado em diversos países que valorizam sua indústria cultural.

UM FILME, UM TEMA E UM MARCO HISTÓRICO

Ambientado no Brasil dos anos 1970, O Agente Secreto acompanha um professor que se vê envolvido em uma rede de espionagem durante a ditadura militar. Mais do que um thriller político, o longa mergulha em temas como memória, silêncio e trauma histórico.

Ao receber o prêmio, Wagner Moura resumiu o espírito da obra:

“O ‘Agente Secreto’ é um filme sobre memória — ou a falta dela — e trauma geracional. Se o trauma pode passar de geração para geração, valores também podem.”

E completou, em português, emocionando o público brasileiro:

“Para todo mundo no Brasil assistindo isso agora: viva o Brasil! Viva a cultura brasileira!”

NO FIM DAS CONTAS

O sucesso de O Agente Secreto mostra que o cinema brasileiro pode competir no mais alto nível internacional — com transparência, regras claras e investimento estruturado.
A polêmica, mais uma vez, nasce menos dos números e mais da desinformação.

E os números, quando explicados com clareza, falam por si.

VELHO CHICO COMEÇA 2026 EM BAIXA HISTÓRICA E ACENDE ALERTA

O Rio São Francisco, símbolo de vida, fé e desenvolvimento para o Nordeste, inicia 2026 sob um dos cenários mais preocupantes da última década em Bom Jesus da Lapa, no oeste da Bahia. Dados aferidos nesta sexta-feira (10) pela estação fluviométrica do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM), instalada na Ponte Gercino Coelho, apontam que o nível do rio estava pouco acima de 3,64 metros — marca considerada baixa para o período e que rompe uma sequência histórica de cheias registradas no início do ano.

O número não é apenas estatístico. Ele representa, pela primeira vez em nove anos, que o Velho Chico entra o mês de janeiro sem apresentar uma cheia significativa na região, tradicionalmente marcada por elevação das águas impulsionada pelo regime de chuvas no alto e médio curso do rio. O dado acende um sinal de alerta para moradores ribeirinhos, pescadores, agricultores e para toda a cadeia econômica e social que depende diretamente do São Francisco.

O contraste com anos anteriores evidencia a gravidade do cenário. Em 2025, o nível do rio ultrapassava os 7 metros neste mesmo período. Em 2024, passava dos 5 metros. Em 2023, novamente superava os 7 metros, enquanto em 2022 chegou a ficar acima dos 8 metros. Mesmo nos anos considerados menos favoráveis, como 2020 e 2021, o rio ainda se mantinha acima dos 4 metros no início do ano, patamar bem distante do observado agora em 2026.

O acompanhamento histórico feito pelo Portal Notícias da Lapa mostra que, desde 2018, quando o nível estava acima de 5 metros, o São Francisco não iniciava o ano em um patamar tão baixo quanto o atual. Especialistas apontam que a combinação de chuvas irregulares, redução de aportes nos reservatórios a montante e mudanças climáticas tem alterado o comportamento hidrológico do rio, tornando episódios de escassez mais frequentes e imprevisíveis.

Em Bom Jesus da Lapa, onde o rio exerce papel central na economia local, na navegação, na pesca artesanal e no turismo religioso, a baixa do nível impacta diretamente o cotidiano da população. Bancos de areia surgem com mais facilidade, dificultando o tráfego de embarcações, enquanto produtores rurais observam com apreensão a disponibilidade de água para irrigação nos próximos meses.

Mais do que um dado isolado, o nível de 3,64 metros em janeiro de 2026 simboliza um novo desafio para a gestão hídrica do São Francisco. O “rio da integração nacional”, que historicamente foi sinônimo de abundância em períodos chuvosos, passa a exigir atenção redobrada do poder público, de órgãos ambientais e da sociedade civil. O início do ano em baixa histórica reforça a urgência de políticas sustentáveis, planejamento de longo prazo e ações concretas para preservar o Velho Chico — antes que a exceção se transforme em regra.

CAMINHÃO TOMBA NA BR-101, CARGA DE GÁS É SAQUEADA E CENA EXPÕE RISCO E DESORDEM NO IBURA

O tombamento de um caminhão carregado com botijões de gás de cozinha transformou a manhã desta segunda-feira (12) em um cenário de tensão e perigo na BR-101, no bairro do Ibura, Zona Sul do Recife. O acidente, que felizmente não deixou feridos, acabou ganhando contornos ainda mais graves com o saque de parte da carga por populares, situação registrada em vídeos que rapidamente se espalharam pelas redes sociais.

De acordo com informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o motorista perdeu o controle do veículo por motivos ainda não detalhados. Submetido ao teste do bafômetro, o condutor não apresentou qualquer indício de ingestão de álcool, o que afasta, inicialmente, a hipótese de embriaguez ao volante. Apesar do impacto e do risco envolvido, o motorista saiu ileso, assim como outras pessoas que transitavam pela rodovia no momento do acidente.

O que poderia ter sido apenas mais um registro de ocorrência de trânsito, no entanto, ganhou outro capítulo quando moradores e curiosos passaram a se aproximar do caminhão tombado e retirar os botijões de gás. As imagens mostram homens carregando os recipientes, enquanto uma voz ao fundo questiona: “Cadê o motorista, tá de boa ele?”, revelando a mistura de curiosidade, descaso e naturalização do saque diante de uma situação claramente perigosa.

Especialistas alertam que o manuseio indevido de botijões de gás, especialmente após um acidente rodoviário, representa risco elevado de explosões, vazamentos e incêndios, colocando em perigo não apenas quem participa do saque, mas toda a comunidade ao redor e os próprios agentes que atuam na ocorrência.

Além da PRF, a Polícia Militar também foi acionada e esteve no local para conter a situação, organizar o tráfego e garantir a segurança da área. A via registrou lentidão durante o atendimento da ocorrência, comum em trechos urbanos da BR-101, uma das rodovias mais movimentadas do estado.

O episódio reacende o debate sobre segurança nas rodovias, responsabilidade coletiva e os riscos associados a práticas ilegais que, muitas vezes, são tratadas como algo trivial. Em poucos minutos, um acidente sem vítimas se transformou em um retrato preocupante de vulnerabilidade social, falta de consciência sobre riscos e desafios constantes enfrentados pelas forças de segurança no controle de situações emergenciais em áreas urbanas.