A polêmica ganhou força após a exibição da matéria televisiva, que classificou como “espionagem” e “perseguição política” o acompanhamento feito por policiais civis a um veículo supostamente utilizado por Gustavo Monteiro. Segundo a reportagem, a diligência teria partido de uma denúncia anônima que relatava possíveis pagamentos de vantagens indevidas e encontros considerados suspeitos em locais públicos.
Diante da repercussão, o secretário de Defesa Social, Alessandro Carvalho, veio a público rebater a narrativa. Ele afirmou que a Polícia Civil agiu dentro dos limites legais ao realizar uma checagem inicial das informações recebidas, ressaltando que esse tipo de procedimento não configura investigação formal nem ação de inteligência com viés político.
De acordo com o secretário, a legislação brasileira e o entendimento consolidado dos tribunais superiores permitem que denúncias anônimas passem por uma verificação preliminar antes de qualquer decisão sobre abertura de inquérito. “Não houve espionagem, nem ‘arapongagem’. O que houve foi uma verificação prévia, dentro da legalidade, como determina o entendimento dos tribunais superiores”, declarou Alessandro Carvalho.
Ele destacou que a simples instauração de um inquérito policial exige elementos mínimos de materialidade e indícios de autoria, o que não pode se basear exclusivamente em uma denúncia sem identificação. “Você não pode instaurar um inquérito apenas com base em denúncia anônima. Primeiro você verifica se aquilo tem algum sentido. Se tiver, aí sim você instaura o procedimento”, explicou.
A SDS sustenta que a atuação foi pontual, restrita à análise inicial da denúncia, sem medidas invasivas ou abertura formal de investigação contra o secretário municipal. A pasta também reforçou que não houve monitoramento contínuo nem interceptações, afastando a ideia de vigilância sistemática.
Do outro lado, a Prefeitura do Recife mantém a posição de que houve uso político da estrutura policial. Integrantes da gestão municipal consideram que a simples realização de diligências envolvendo um auxiliar direto do prefeito João Campos levanta suspeitas sobre possível instrumentalização da máquina pública em meio ao ambiente de disputas políticas no Estado.
O caso expõe mais um capítulo da tensão entre governo estadual e prefeitura da capital, em um cenário de forte polarização administrativa e eleitoral. Enquanto a SDS tenta enquadrar o episódio como procedimento técnico rotineiro, a narrativa de perseguição política alimenta o embate entre as duas gestões e amplia o debate sobre os limites da atuação policial diante de denúncias anônimas envolvendo agentes públicos.
A discussão agora deve avançar para o campo institucional e jurídico, onde será analisado se os procedimentos adotados respeitaram integralmente as garantias legais ou se houve excesso por parte da estrutura de segurança. Até lá, o episódio segue repercutindo nos bastidores políticos e reforçando o clima de desconfiança entre Estado e Município.