A vaga em questão será aberta com a aposentadoria do ministro Aroldo Cedraz, prevista para ocorrer no final de fevereiro de 2026, uma cadeira tradicionalmente cobiçada por diversos grupos partidários e que mexe com o equilíbrio de forças no Congresso e no próprio TCU — corte responsável por fiscalizar e auditar as contas públicas federais.
Hélio Negão, deputado federal pelo Partido Liberal (PL) do Rio de Janeiro, anunciou que colocou oficialmente seu nome à disposição da Câmara dos Deputados para concorrer à vaga e já afirmou contar com o apoio de mais de 80 parlamentares dispostos a assinar sua indicação. Em comunicado publicado nas redes sociais, o parlamentar disse que sua decisão foi fruto de “conversas abertas com diversas lideranças nacionais”, entre elas o ex-presidente Jair Bolsonaro, a quem é conhecido por ser um aliado histórico e próximo.
Nos bastidores, a movimentação de Hélio lança um novo foco de tensão política, justamente porque havia um acordo costurado pelo presidente da Câmara dos Deputados, Hugo Motta (Republicanos-PB), com o Partido dos Trabalhadores (PT) para apoiar a nomeação do deputado Odair Cunha (PT-MG) para o cargo. Esse acordo vinha sendo visto como parte de uma articulação mais ampla de apoio político dentro da Casa, e a entrada do bolsonarista Hélio na disputa complica essa lógica de bastidores.
A disputa no Plenário — que será realizada por meio de uma votação secreta entre os deputados federais — agora conta com múltiplos nomes além de Hélio e Odair Cunha, incluindo candidatos ligados ao Centrão, como Hugo Leal (PSD-RJ) e parlamentares de outras legendas que visam a mesma cadeira. A possibilidade de fragmentação dos apoios e de mudança de rumos políticos, especialmente diante de promessas de apoio entre diferentes partidos, cria um cenário de imprevisibilidade para o resultado final.
Enquanto Hélio Negão ressalta a importância de fortalecer os órgãos de controle e garantir o respeito ao dinheiro público como pilares de sua candidatura, seus adversários e aliados de outras bancadas seguem avaliando seus movimentos com cautela, cada qual buscando assegurar espaço de influência e resultados favoráveis na corrida que definirá um dos cargos mais estratégicos para o futuro da fiscalização das contas públicas brasileiras.
A disputa — que se estende além de meros nomes e se insere no tabuleiro maior da política nacional — deve seguir sendo observada de perto, em especial pelos impactos que pode ter nas articulações do Congresso e na configuração de poder entre partidos que hoje disputam protagonismo no Brasil.