Na política das redes sociais, a narrativa nem sempre é a realidade
Por Greovário Nicollas
A visita de um pré-candidato a uma feira popular é um roteiro conhecido da política brasileira. Conversar com comerciantes, ouvir moradores, apertar mãos e registrar tudo em fotos e vídeos faz parte da estratégia de qualquer campanha. O problema começa quando a narrativa construída pela comunicação oficial passa a ser tratada como verdade absoluta.
O episódio da visita à Feira de Cavaleiro mostra exatamente isso. Enquanto o material divulgado pela campanha destacou uma suposta grande mobilização popular, mobilização de uma multidão, as imagens gravadas por pessoas presentes no local e compartilhadas nas redes sociais apresentaram outros ângulos do mesmo evento, levantando questionamentos sobre o tamanho real da participação.
Vivemos uma época em que ninguém controla mais a versão única dos fatos. Se antes apenas as assessorias produziam as imagens que chegavam ao público, hoje qualquer cidadão registra, publica e confronta a narrativa oficial em questão de minutos. Isso mudou completamente a forma de fazer política.
Não se trata de afirmar que uma campanha mentiu ou que outra falou a verdade. Trata-se de reconhecer que o eleitor passou a ter acesso a diferentes perspectivas de um mesmo acontecimento. Cabe a cada cidadão observar, comparar e formar sua própria opinião.
A política precisa compreender que autenticidade vale mais do que marketing. Uma boa fotografia pode causar impacto, mas não substitui a realidade. E, na era das redes sociais, a realidade costuma aparecer de vários ângulos.
Mais do que disputar quem produz a melhor imagem, os candidatos precisam disputar a confiança do eleitor. Essa continua sendo a única "multidão" que realmente decide uma eleição.