terça-feira, 24 de fevereiro de 2026

RAQUEL LYRA GANHA REFORÇO POLÍTICO EM PERNAMBUCO APÓS MUDANÇA NO COMANDO DO CIDADANIA

A cena política pernambucana começou a semana com uma movimentação que fortalece diretamente o projeto de reeleição da governadora Raquel Lyra. O Diretório Estadual do Cidadania passou a ser presidido por João Freire, filho do presidente nacional da legenda, Roberto Freire, consolidando uma mudança de rumo que tende a alinhar oficialmente o partido ao Palácio do Campo das Princesas.

A substituição ocorreu na última sexta-feira (20), quando o então presidente estadual, Cláudio Carraly, foi destituído do cargo. Não apenas ele, mas todos os integrantes da antiga executiva foram substituídos por nomes ligados ao novo comando. A troca encerra um período de indefinição interna e redesenha o posicionamento político da legenda em Pernambuco.

Nos bastidores, a mudança já era considerada esperada desde que o Congresso Nacional do Cidadania, realizado em 2022, foi anulado pela Justiça no ano passado, o que levou Roberto Freire a reassumir a presidência nacional da sigla. A partir daí, iniciou-se um processo de reorganização interna em vários estados, incluindo Pernambuco.

Em declaração ao Blog Dantas Barreto neste domingo (22), Roberto Freire afirmou que o foco da legenda agora é estruturar o partido para a disputa proporcional, com o objetivo de eleger deputados federais e superar a cláusula de barreira. Segundo ele, o tempo é curto. “Estamos trabalhando e correndo contra o tempo perdido”, afirmou, lembrando que a janela partidária e o prazo final de filiação se encerram em 4 de abril.

Em Pernambuco, no entanto, o gesto político mais relevante é o alinhamento com a governadora. Roberto Freire admitiu que a tendência é repetir o apoio dado em 2022. Naquele ano, a então candidata a vice-governadora Priscila Krause disputou a eleição pelo Cidadania, embora atualmente esteja filiada ao PSD. “Tenho impressão que vamos seguir novamente com Raquel, até porque fazemos parte do Governo”, declarou.

A nova configuração representa uma vitória estratégica para Raquel Lyra. Antes da mudança, o grupo comandado por Cláudio Carraly defendia apoio ao prefeito do Recife, João Campos, e articulava uma possível federação nacional entre o Cidadania e o PSB. Com a troca de comando, esses planos foram desfeitos e o partido passa a caminhar em direção oposta.

O fato de João Freire também estar à frente da Companhia Editora de Pernambuco (Cepe), órgão vinculado ao Governo do Estado, reforça a sintonia institucional e política com a atual gestão. O movimento sinaliza não apenas apoio, mas integração à base governista.

Na prática, a governadora amplia seu arco de alianças e reduz espaços para adversários na construção de palanques para 2026. Em um cenário onde cada partido pode ser decisivo na formação de chapas competitivas, a reorganização do Cidadania em Pernambuco consolida mais um apoio relevante ao projeto de continuidade administrativa de Raquel Lyra, transformando uma mudança interna partidária em ganho político direto para o governo estadual.

STF COMEÇA A JULGAR ACUSADOS DE MANDAR MATAR MARIELLE FRANCO E CASO ENTRA NA RETA DECISIVA

O Supremo Tribunal Federal dá início, nesta terça-feira (24), a um dos julgamentos mais aguardados do país: a ação penal que apura quem planejou o assassinato da vereadora Marielle Franco e de seu motorista, Anderson Gomes, executados a tiros em março de 2018, no Rio de Janeiro. O caso, que se tornou símbolo da luta por justiça e contra a violência política no Brasil, entra agora em uma fase decisiva no mais alto tribunal do país.

O julgamento será realizado pela Primeira Turma do Supremo Tribunal Federal, sob a relatoria do ministro Alexandre de Moraes. A condução dos trabalhos ficará a cargo do presidente do colegiado, ministro Flávio Dino. Também integram a Turma os ministros Cristiano Zanin e Cármen Lúcia. A decisão será tomada por maioria de votos.

Estão previstas duas sessões nesta terça-feira, às 9h e às 14h, além de uma terceira sessão na manhã da quarta-feira (25). O julgamento será transmitido ao vivo pela TV Justiça e pelos canais oficiais do STF, permitindo que a população acompanhe cada etapa de um processo que mobiliza o país há quase oito anos.

Logo na abertura, o relator apresentará um resumo completo do caso, detalhando os fatos, o andamento do processo e os argumentos apresentados pela acusação e pelas defesas. Em seguida, será a vez das sustentações orais. O vice-procurador-geral da República, Hindenburgo Chateaubriand, falará em nome do Ministério Público, podendo usar até uma hora e meia. O advogado assistente da acusação, indicado por Fernanda Chaves — que sobreviveu ao atentado — também terá direito à manifestação. Na sequência, cada advogado dos réus terá até uma hora para apresentar a defesa de seus clientes.

Ao final das exposições, os ministros iniciam a votação, começando pelo relator. Se houver condenação, além de declarar a culpa, a Turma também fixará as penas.

A Ação Penal 2434 tem como réus o conselheiro do Tribunal de Contas do Estado do Rio de Janeiro, Domingos Brazão; o ex-deputado federal João Francisco Brazão, conhecido como Chiquinho Brazão; o delegado da Polícia Civil do Rio de Janeiro Rivaldo Barbosa; e o ex-policial militar Ronald Paulo de Alves. Eles respondem por duplo homicídio qualificado e pela tentativa de homicídio contra Fernanda Chaves. Já o ex-assessor Robson Calixto Fonseca, conhecido como “Peixe”, também responde ao processo, acusado de integrar organização criminosa ao lado dos irmãos Brazão.

Embora crimes dolosos contra a vida normalmente sejam julgados pelo Tribunal do Júri, o caso está no STF porque um dos acusados exercia mandato de deputado federal durante as investigações, o que garantiu a chamada prerrogativa de foro. Assim, a Corte Suprema tornou-se responsável por analisar o processo.

O julgamento representa mais do que a análise de responsabilidades criminais. Para familiares, movimentos sociais e defensores de direitos humanos, trata-se de um momento histórico na busca por respostas definitivas sobre quem mandou matar Marielle Franco. O país acompanha atento, na expectativa de que a Justiça traga um desfecho claro para um crime que marcou profundamente a política brasileira.

“BOA NOITE, CINDERELA”: DUPLA É PRESA APÓS DOPAR HOMEM E CAUSAR PREJUÍZO DE QUASE R$ 20 MIL EM MOTEL

Uma investigação conduzida pela Polícia Civil do Distrito Federal resultou na prisão de duas mulheres suspeitas de aplicar o conhecido golpe “Boa Noite, Cinderela” contra homens na capital do país. Aline Rodrigues dos Santos e Vitória Fernandes Soares, ambas de 26 anos, foram detidas nesta segunda-feira (23), em Ceilândia, região administrativa do Distrito Federal, após meses de apuração.

De acordo com as investigações, a dupla agia de forma articulada: escolhia vítimas do sexo masculino, iniciava contato para encontros amorosos e, durante as reuniões, oferecia bebidas supostamente adulteradas com substâncias capazes de provocar sonolência intensa e reduzir a capacidade de reação. O objetivo, segundo a polícia, era facilitar o acesso a cartões bancários e aplicativos financeiros das vítimas.

O caso que levou à identificação das suspeitas ocorreu em novembro de 2025 e teve como vítima um homem de 53 anos. O encontro foi marcado em um motel localizado na QNM 15, em Ceilândia. Conforme a apuração, após ingerir a bebida oferecida pelas mulheres, ele perdeu a consciência e só despertou horas depois. Ao recuperar-se, constatou que haviam sido realizadas transferências bancárias via Pix e diversas compras no cartão de crédito, somando quase R$ 20 mil em prejuízo.

Parte do dinheiro foi direcionada para contas vinculadas às investigadas, além de transações feitas em maquininhas de cartão que, segundo a polícia, também estariam relacionadas a elas. A movimentação financeira ajudou os investigadores a rastrear o caminho do dinheiro e a consolidar as provas que embasaram os pedidos judiciais.

Outro ponto que chamou atenção durante a investigação foi a suposta estratégia de intimidação adotada após os crimes. Segundo a polícia, as suspeitas ameaçavam as vítimas com a possibilidade de falsa acusação de estupro, alegando a existência de material genético que poderia incriminá-las. A tática, ainda conforme os investigadores, gerava medo e constrangimento, o que pode ter contribuído para que outros casos não fossem formalmente denunciados.

Mandados judiciais foram autorizados e cumpridos no último dia 13 de fevereiro, em Águas Lindas de Goiás, onde as investigadas residem. No entanto, elas não foram encontradas na ocasião, pois haviam viajado à Bahia para o período de Carnaval, passando então à condição de procuradas até serem localizadas e presas.

As duas foram indiciadas por roubo circunstanciado pelo concurso de pessoas, crime cuja pena pode chegar a 15 anos de prisão. Vitória Fernandes Soares também responderá por posse ilegal de munição de uso permitido, delito com pena prevista de um a três anos de detenção.

A Polícia Civil segue investigando a possibilidade de outras vítimas e orienta que qualquer pessoa que tenha passado por situação semelhante procure a delegacia para formalizar denúncia, reforçando a importância de cautela em encontros com desconhecidos e atenção redobrada ao consumo de bebidas em ambientes privados.

MÉXICO EM CHOQUE COM MORTE DE “EL MENCHO” DESENCADEIA ONDA DE ATAQUES E DEIXA DEZENAS DE MORTOS

O México vive dias de tensão após a morte de Nemesio Oseguera Cervantes, conhecido como “El Mencho”, apontado como líder do poderoso Cártel Jalisco Nueva Generación (CJNG). O narcotraficante foi morto no último domingo (22), durante uma operação das forças armadas mexicanas, e sua morte provocou uma reação imediata e violenta em diferentes regiões do país, especialmente no estado de Jalisco.

De acordo com o governo federal, ao menos 25 integrantes da Guarda Nacional morreram em seis ataques distintos realizados por grupos ligados ao cartel. As ofensivas ocorreram em sequência, evidenciando uma resposta coordenada e organizada após a confirmação da morte do chefe criminoso.

Considerado um dos homens mais procurados do México e dos Estados Unidos, El Mencho liderava uma das organizações criminosas mais influentes do continente, com forte atuação no tráfico internacional de cocaína, metanfetamina e fentanil. A estrutura do CJNG se expandiu nos últimos anos, tornando-se protagonista em disputas territoriais e em confrontos diretos com forças de segurança.

O ministro da Segurança do México, Omar García Harfuch, detalhou que, além dos 25 agentes da Guarda Nacional, também perderam a vida um agente penitenciário, um integrante do Ministério Público estadual e uma mulher que não teve a identidade divulgada. Segundo ele, os ataques foram direcionados principalmente contra forças públicas e instalações ligadas ao sistema de segurança.

Durante os confrontos em Jalisco, cerca de 30 suspeitos de integrar organizações criminosas foram mortos. No estado vizinho de Michoacán, outras quatro mortes de suspeitos foram registradas em ações relacionadas à mesma onda de violência. Ao todo, 70 pessoas foram presas em sete estados mexicanos, sob suspeita de participação nos atos violentos atribuídos a apoiadores do cartel.

Em coletiva realizada nesta segunda-feira (23), Harfuch afirmou que as autoridades permanecem em alerta máximo. “Estamos monitorando de perto qualquer tipo de reação ou reestruturação dentro do cartel que possa levar à violência”, declarou o ministro, sinalizando preocupação com possíveis disputas internas pelo controle da organização criminosa.

A morte de El Mencho representa um marco no combate ao narcotráfico no México, mas também escancara o poder de reação das facções criminosas. Especialistas avaliam que o país pode enfrentar um período de instabilidade enquanto o CJNG tenta reorganizar sua liderança. O governo, por sua vez, reforçou o policiamento e ampliou operações estratégicas para evitar que a escalada de ataques se espalhe para outras regiões.

O episódio reacende o debate sobre a força dos cartéis mexicanos e os desafios enfrentados pelo Estado no enfrentamento ao crime organizado, em um cenário onde cada ação das autoridades pode desencadear consequências imediatas nas ruas.

COLUNA POLÍTICA | PP REAFIRMA COMPROMISSO COM RAQUEL | NA LUPA 🔎 | POR EDNEY SOUTO

PP REAFIRMA APOIO A RAQUEL LYRA E AMPLIA PROTAGONISMO POLÍTICO EM PERNAMBUCO

Federação União Progressista, comando de Eduardo da Fonte e estratégia eleitoral para 2026

Nesta segunda‑feira (23), o Partido Progressistas (PP) em Pernambuco tornou pública uma nota oficial reafirmando, com clareza, que seguirá no palanque da governadora Raquel Lyra (PSD) em sua caminhada à reeleição em 2026. A decisão marca um fortalecimento da aliança política construída desde o segundo turno de 2022 e acentua a estratégia do partido em consolidar sua influência no cenário estadual — com reflexos diretos na composição das chapas eleitorais e na articulação regional.

APOIO INEQUÍVOCO A RAQUEL LYRA NA PRÉ‑CAMPANHA

O PP enviou uma nota pública reforçando que está ao lado de Raquel Lyra desde o segundo turno de 2022 — quando a governadora se consolidou no comando do Governo de Pernambuco — e que a construção da sua reeleição será feita “a quatro mãos” com a legenda. 

CANCELAMENTO DE REUNIÃO E COMANDO POLÍTICO EM AÇÃO

Embora uma reunião oficial estivesse programada para debater os próximos passos da legenda — inclusive a participação de deputados, prefeitos e lideranças — o encontro foi cancelado devido a compromissos do presidente estadual do PP, o deputado federal Eduardo da Fonte. Ainda assim, a direção reforçou a unidade do partido em torno de Raquel. 

UNIÃO PROGRESSISTA: FEDERAÇÃO QUE SERÁ MAIOR FORÇA PARTIDÁRIA DO PAÍS

O diretório estadual comentou a formação da federação com o União Brasil, que aguarda homologação pelo Tribunal Superior Eleitoral (TSE) em março. Batizada de União Progressista, essa composição deverá reunir 109 deputados federais, 14 senadores e cerca de 1.300 prefeitos em todo o país, consolidando grande musculatura política. 

EDUARDO DA FONTE: COMANDO E PROTAGONISMO NO ESTADO

Pernambuco terá a presidência da União Progressista sob o comando de Eduardo da Fonte, posição já prevista no estatuto da nova federação. Ele se firma como articulador principal da legenda no estado e figura central na definição das estratégias regionais com vistas à eleição estadual e federal. 

CONSULTA INTERNAS E UNANIMIDADE DO PP AO APOIO A RAQUEL

Conforme relatos de imprensa, Eduardo da Fonte chegou a consultar parlamentares, prefeitos e lideranças da sigla por telefone, e obteve consenso pelo apoio à governadora. Isso expressa a coesão interna do PP em Pernambuco e a importância atribuída à aliança com Raquel. 

POSICIONAMENTO CONTRA A OPOSIÇÃO ESTADUAL

Com a reafirmação pública do apoio, o PP se coloca de forma clara no campo político pró‑governista, em contraposição a outras forças — como o prefeito do Recife, João Campos (PSB) — reforçando sua estratégia de encarar a disputa majoritária estadual com força e definição.

FRAQUEZA ESTRUTURAL A SER ENFRENTADA E RELEVÂNCIA DO PP NO INTERIOR

A força do PP vai além do Recife e chega a diversas regiões do estado, com lideranças fortes no interior, prefeitos e representantes locais. Essa articulação regional é vista como um diferencial para expandir a base de Raquel Lyra e equilibrar a disputa com outras candidaturas majoritárias. 

DESDOBRAMENTOS: OLHAR PARA O SENADO E 2026

Embora o foco central da nota tenha sido o apoio à reeleição de Raquel Lyra, o nome de Eduardo da Fonte segue sendo mencionado nos bastidores como potencial candidato ao Senado em 2026 — tema ainda em debate entre as lideranças, mas que coloca o PP em evidência na cena estadual. 

A nota divulgada hoje pelo Partido Progressistas em Pernambuco não apenas reafirma o apoio à governadora Raquel Lyra, mas também simboliza a estratégia de um dos principais partidos da base governista de consolidar sua força política no estado. Com a formação da União Progressista, o comando de Eduardo da Fonte e a articulação junto às lideranças regionais, o PP se posiciona como peça-chave no xadrez eleitoral de 2026 — tanto no palanque estadual quanto nas composições federais e regionais.

segunda-feira, 23 de fevereiro de 2026

CLIMA DE TENSÃO NA CÂMARA DO RECIFE ESQUENTA COM CHICO KIKO DESAFIANDO EDUARDO MOURA A PROVAR ACUSAÇÃO DE AMEAÇA DE MORTE

O embate entre os vereadores Chico Kiko (PSB) e Eduardo Moura (Novo) elevou a temperatura política na Câmara Municipal do Recife nesta segunda-feira (23). O episódio, que ganhou repercussão após declaração feita da tribuna, expôs um cenário de tensão entre os parlamentares e abriu espaço para desdobramentos jurídicos e políticos.

Durante sessão plenária, Eduardo Moura afirmou ter sido alvo de ameaça de morte, atribuindo a declaração ao colega de parlamento. A acusação foi feita publicamente, no exercício do mandato, o que imediatamente provocou reação nos bastidores da Casa. Poucas horas depois, Chico Kiko encaminhou nota oficial rebatendo as acusações e exigindo que Moura apresente provas concretas do que foi alegado.

Na manifestação, Chico Kiko negou ter feito qualquer ameaça e afirmou que ele e sua família foram os verdadeiros atingidos pelo episódio. Segundo o vereador, houve um gesto “desmoralizante, desrespeitoso e debochado” direcionado a ele durante os trabalhos legislativos, situação que, de acordo com sua versão, ultrapassou os limites do debate político e atingiu sua honra pessoal e familiar.

O parlamentar do PSB declarou ainda que já adotou as medidas cabíveis, reunindo imagens que, segundo ele, comprovariam sua versão dos fatos. Sem detalhar quais providências foram tomadas, deixou claro que aguarda eventual notificação formal para se posicionar nos autos, caso a denúncia avance para o campo jurídico. “Se realmente falei o que o citado vereador alega, cabe a ele apresentar as provas”, destacou na nota.

O episódio acirra um ambiente que já vinha marcado por divergências ideológicas entre bancadas com posicionamentos distintos dentro da Câmara. Embora embates verbais façam parte da rotina parlamentar, acusações envolvendo ameaça de morte elevam o nível da disputa e podem resultar em investigação interna, representação no Conselho de Ética ou até medidas judiciais, dependendo do andamento do caso.

Nos corredores da Casa, o clima é de expectativa. Aliados de ambos os vereadores acompanham atentamente os desdobramentos, enquanto a presidência da Câmara pode ser chamada a se manifestar, caso haja provocação formal para apuração dos fatos. Até o momento, não há confirmação pública sobre abertura de procedimento interno.

O caso também levanta debate sobre os limites do discurso político e o uso da tribuna para acusações graves. A depender da comprovação — ou não — das declarações, o episódio pode impactar a relação entre as bancadas e repercutir no cenário político do Recife, especialmente em um momento em que a atuação parlamentar ganha visibilidade diante de pautas estratégicas para a cidade.

Enquanto isso, permanece o impasse: de um lado, a acusação feita em plenário; de outro, a cobrança por provas e a alegação de ofensa moral. O desfecho dependerá da apresentação de evidências e das medidas institucionais que vierem a ser adotadas nos próximos dias.

TRAGÉDIA NA BR-316 COM COLISÃO FRONTAL EM ARARIPINA QUE DEIXOU DOIS MORTOS E FERIDOS

Um grave acidente registrado na manhã desta segunda-feira (23) terminou em tragédia no Km 5 da BR-316, no município de Araripina, no Sertão pernambucano. A colisão frontal envolveu um Fiat Siena e um Toyota Corolla e resultou na morte de duas pessoas ainda no local, além de deixar outras duas feridas. A ocorrência mobilizou equipes da Polícia Rodoviária Federal (PRF), que atenderam a chamada e iniciaram os procedimentos de apuração.

De acordo com as informações repassadas pela PRF, a suspeita inicial é de que o Siena tenha invadido a contramão da rodovia, provocando a batida frontal com o Corolla, que trafegava no sentido oposto. Com a força do impacto, o Corolla ainda acabou atingindo um caminhão que seguia pela pista. O trecho onde ocorreu o acidente é de pista simples, o que aumenta os riscos em situações de ultrapassagem indevida ou perda de controle do veículo.

No Siena estavam três ocupantes. O condutor e um passageiro morreram no local antes mesmo da chegada do socorro. Um segundo passageiro ficou ferido e foi encaminhado para o Hospital Regional de Ouricuri. A motorista do Corolla também sofreu ferimentos e foi levada para a mesma unidade hospitalar. O motorista do caminhão não se feriu. Ele realizou o teste do bafômetro, que não apontou ingestão de álcool.

Além da PRF, equipes do Instituto de Criminalística e da Polícia Civil estiveram na rodovia para realizar a perícia e coletar informações que ajudarão a esclarecer as circunstâncias exatas do acidente. Os corpos das vítimas fatais foram encaminhados ao Instituto de Medicina Legal (IML) de Petrolina.

A tragédia reacende o alerta sobre os perigos nas rodovias federais que cortam o Sertão, especialmente em trechos de mão dupla e grande fluxo de veículos. A Polícia Rodoviária Federal reforça a importância da direção defensiva, do respeito à sinalização e da atenção redobrada para evitar que novas vidas sejam perdidas nas estradas.

CLIMA DE TENSÃO NA CÂMARA DO RECIFE COM EDUARDO MOURA ACUSANDO CHICO KIKO DE AMEAÇA DE MORTE APÓS POLÊMICA DOS “CHIFRINHOS”

O ambiente político na Câmara Municipal do Recife ganhou contornos de crise nesta segunda-feira (23), após o vereador Eduardo Moura (Novo) tornar pública uma grave acusação contra o também vereador Chico Kiko (PSB). Segundo Moura, o colega parlamentar teria proferido ameaças de morte nos corredores da Casa de José Mariano, motivadas por um gesto feito durante a última sessão plenária.

A controvérsia teve início quando Eduardo Moura realizou o gesto conhecido como “chifrinhos” durante a sessão, atitude que gerou reação imediata nos bastidores. Dois dias depois, de acordo com o relato do vereador do Novo, ele foi informado de que, enquanto estava ausente do plenário, Chico Kiko teria declarado a outros parlamentares que iria “dar um tiro nele” e que “iria matá-lo”. As supostas declarações teriam ocorrido no chamado “gabinete especial”, conhecido informalmente como “buraco frio”, além de outras dependências internas da Câmara.

Da tribuna, visivelmente indignado, Moura afirmou que as falas teriam sido presenciadas por colegas como Osmar Ricardo (PT), que, segundo ele, precisou intervir para conter Chico Kiko. O vereador também citou como testemunhas Felipe Alecrim (Novo), Gilson Machado Filho (PL) e Agora É Rubem (PSB). A denúncia ganhou contornos formais quando Eduardo Moura registrou Boletim de Ocorrência na Polícia Civil e protocolou representação junto ao Ministério Público de Pernambuco, que, segundo ele, já teria acatado a comunicação dos fatos.

Além disso, o parlamentar comunicou o caso à Polícia Militar e à Guarda responsável pela segurança do prédio legislativo, solicitando providências para garantir sua integridade física. Moura também requereu oficialmente as imagens das câmeras internas da Casa, com o objetivo de comprovar que Chico Kiko teria se deslocado até seu gabinete após a sessão, supostamente para reforçar as ameaças.

O episódio elevou ainda mais a tensão porque o próprio Eduardo Moura já responde a uma representação na Comissão de Ética da Câmara, movida por Chico Kiko, em razão do gesto considerado desrespeitoso. O vereador do Novo reconheceu, em plenário, que sua atitude foi um “erro infantil” e que estaria sujeito a advertência regimental. No entanto, argumentou que eventuais excessos gestuais não podem ser comparados à gravidade de ameaças de morte.

Com base no Regimento Interno da Casa, Moura defendeu que a Comissão de Ética apure a conduta do colega do PSB por possível infração ao artigo 42, inciso II, que trata do decoro parlamentar. Em tom desafiador, questionou publicamente se Chico Kiko teria “a hombridade de pedir desculpas pelo ato ou efetivar a ameaça”, declaração que ampliou o clima de embate político.

Até o momento, Chico Kiko não havia se pronunciado oficialmente sobre as acusações. O caso agora deve avançar tanto na esfera interna da Câmara quanto nas instâncias policiais e ministeriais, podendo desencadear um processo disciplinar e investigações criminais. O episódio expõe um cenário de acirramento político que ultrapassa o campo das divergências ideológicas e coloca em debate os limites do comportamento parlamentar dentro e fora do plenário.