domingo, 16 de agosto de 2026

IVAN MORAES SOBE O TOM CONTRA JOÃO CAMPOS: “PROJETO INDIVIDUAL DE UM HERDEIRO”


POR EDNEY SOUTO | BLOG DO EDNEY

O candidato ao Governo de Pernambuco pelo PSOL, Ivan Moraes, subiu o tom contra o PSB e, especialmente, contra o candidato João Campos, durante coletiva realizada na noite deste sábado (15). Em seu primeiro pronunciamento após a confirmação de sua candidatura, o psolista criticou duramente as movimentações que, segundo ele, buscaram retirar seu nome da disputa estadual.

Ivan afirmou que a direção estadual do PSOL resistiu às pressões e classificou o episódio como uma demonstração de que Pernambuco não se curva a ameaças políticas.

“Resistiu e mostrou para todo mundo que aqui em Pernambuco é diferente. Aqui em Pernambuco a gente sabe que o bolsonarismo não se cria. Aqui em Pernambuco a gente sabe que o autoritarismo não terá vez”, disparou.

Na sequência, o candidato direcionou suas críticas ao presidente nacional do PSB e também candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos. Sem citar o nome do socialista em todos os momentos, Ivan afirmou que interesses eleitorais individuais teriam sido colocados acima do projeto nacional de reeleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva.

Para Ivan, o que está em jogo em 2026 vai muito além da eleição estadual. O candidato afirmou que alianças consideradas importantes para Lula não poderiam ser colocadas em risco por projetos pessoais.

“Para quem diz que é soldado de Lula, mas em vários estados do País, em que há coligações robustas, importantes, necessárias e possivelmente vitoriosas para Lula, colocaram em risco essas articulações, entendendo que um projeto individual de um herdeiro era mais importante do que o projeto imprescindível que todos nós temos aqui”, afirmou.

A declaração foi uma das mais contundentes do pronunciamento e coloca João Campos no centro da reação de Ivan Moraes às articulações que ocorreram nos bastidores nos últimos dias.

PSOL vê PSB como partido que muda conforme o cenário

Ivan também fez uma avaliação sobre o posicionamento histórico do PSB. Na visão dele, a legenda transita entre a esquerda e o centro dependendo do cenário eleitoral.

O candidato citou as eleições municipais de 2020 no Recife para lembrar que, segundo sua interpretação, o PSB chegou a dialogar com setores da direita e da extrema-direita.

“O PSB de hoje é diferente e eu não acho ruim, acho bom”, disse Ivan, fazendo uma comparação entre o comportamento da legenda em diferentes momentos eleitorais.

O discurso também alcançou a governadora Raquel Lyra. Ivan afirmou que gostaria de vê-la declarando publicamente apoio a Lula, embora avalie que, eleitoralmente, ela evite assumir essa posição de maneira explícita para não perder votos entre eleitores ligados ao bolsonarismo.

Na avaliação do candidato, a disputa estadual não deveria tirar o foco da eleição presidencial.

“Não quero explodir nenhuma ponte

Apesar da dureza das críticas, Ivan Moraes adotou um tom mais conciliador quando questionado sobre um eventual segundo turno.

O candidato afirmou que está “muito triste” com os acontecimentos recentes, por ter sido diretamente afetado pelas articulações, mas disse que pretende manter os canais políticos abertos com seus adversários.

“Eu não quero explodir nenhuma ponte, nem com o ex-prefeito da Capital, nem com a atual governadora”, afirmou, referindo-se a João Campos e Raquel Lyra.

Ivan reconheceu que uma vitória no primeiro turno é improvável e projetou uma disputa que pode avançar para uma segunda etapa.

“Eu acho muito difícil mesmo ganhar essa eleição no primeiro turno. Eu acho que não vai ser fácil. Acho que vai ser muito difícil. Então, provavelmente, vou para o segundo turno”, declarou.

A estratégia, portanto, é não transformar as críticas deste momento em rompimentos definitivos. Ivan deixou claro que, caso avance para a segunda etapa, pretende conversar com os adversários que ficarem pelo caminho.

“Quem não for para o segundo turno comigo, eu vou chamar para conversar”, enfatizou.

O recado está dado

A confirmação da candidatura de Ivan Moraes muda novamente o cenário da eleição para o Governo de Pernambuco. Depois de dias de tensão nos bastidores e de pressão para que o PSOL retirasse sua candidatura, o partido decidiu manter o nome na corrida.

E Ivan aproveitou sua primeira grande fala pública para deixar um recado claro: não pretende entrar na disputa apenas para cumprir tabela.

Ao mirar João Campos, criticar o PSB e defender que o projeto de reeleição de Lula não seja colocado em segundo plano por interesses estaduais, o candidato do PSOL também sinaliza que sua campanha deverá adotar uma postura de enfrentamento político, mas sem fechar completamente as portas para uma eventual composição no segundo turno.

A eleição de Pernambuco, que já vinha sendo marcada pela polarização entre João Campos e Raquel Lyra, ganha agora um novo ingrediente: a presença de Ivan Moraes como uma candidatura que promete disputar espaço no campo progressista e cobrar coerência daqueles que se apresentam como aliados do presidente Lula.

IVAN MORAES CONFIRMA CANDIDATURA AO GOVERNO DE PERNAMBUCO E DESAFIA PRESSÃO POLÍTICA

MOVIMENTO — O comunicador Ivan Moraes confirmou, na noite deste sábado (15), sua candidatura ao Governo de Pernambuco pela Frente Pernambuco de Luta. A confirmação aconteceu durante uma coletiva de imprensa realizada na Casa Marielle Franco, sede estadual do PSOL, encerrando uma série de especulações sobre o futuro da candidatura.

Nos bastidores, a possibilidade de retirada da candidatura vinha sendo discutida diante de pressões políticas. A Executiva Nacional do PSOL chegou a ser acionada para uma reunião que poderia tratar do assunto, mas o encontro não aconteceu. Com isso, a candidatura de Ivan Moraes foi mantida e ganhou um novo capítulo na disputa pelo Palácio do Campo das Princesas.

Segundo Ivan, o prefeito do Recife e candidato ao Governo de Pernambuco, João Campos, teria pressionado o PSOL para retirar sua candidatura, inclusive com ameaças de prejuízos a candidaturas do partido que apoiam o presidente Lula em outros estados. A declaração coloca o episódio no centro da disputa política e evidencia a tensão existente entre os diferentes campos da esquerda na eleição pernambucana.

Durante a coletiva, Ivan adotou um discurso de resistência e afirmou que o PSOL não teria cedido às pressões externas.

“Pernambuco me ensinou a resistir. E conseguimos. O PSOL é um partido independente, que não se rende à pressão dos poderosos”, afirmou o candidato.

Ivan também destacou que a decisão representa, segundo ele, o fortalecimento da unidade interna da legenda. “Estamos unidos, ainda mais fortes e prontos para colocar o bloco na rua”, completou.

Ao lado do candidato estiveram Alice Gabino, que disputa a vice-governadoria; Samuel Herculano, presidente do PSOL Pernambuco; e Jerônimo Galvão, presidente da Federação PSOL/Rede. As lideranças reforçaram durante o encontro a manutenção da candidatura e defenderam a unidade partidária em torno do projeto apresentado pela Frente Pernambuco de Luta.

A confirmação de Ivan Moraes acrescenta mais um elemento ao cenário eleitoral de Pernambuco, que entra em uma fase de intensa movimentação política. Com a candidatura mantida, o PSOL deverá agora concentrar esforços na organização da campanha e na ampliação do espaço de Ivan na corrida pelo Governo do Estado.

NA LUPA — A permanência de Ivan Moraes também representa um recado político: o PSOL decidiu manter seu projeto próprio em Pernambuco mesmo diante das articulações envolvendo as principais forças da esquerda. A partir de agora, a campanha terá o desafio de transformar a decisão partidária em presença nas ruas e votos nas urnas.

JOÃO CAMPOS ANUNCIA MEGA-HOSPITAL. MAS FICA A PERGUNTA: QUEM VAI GOVERNAR PARA CONSTRUIR?


Por trás do anúncio do maior hospital público do Nordeste, uma pergunta básica precisa ser feita: João Campos já é governador de Pernambuco?

O primeiro dia oficial da campanha eleitoral começou com um anúncio de peso feito por João Campos (PSB): quatro novos hospitais para Pernambuco, incluindo o chamado Hospital Geral Metropolitano, projetado para ter 900 leitos, cinco mil profissionais e investimento estimado em R$ 750 milhões, em parceria com o Governo Federal. 

A proposta é grandiosa. O problema não está em querer construir hospitais. Pernambuco precisa, sim, ampliar sua rede de saúde, abrir leitos, reduzir filas e descentralizar atendimentos. A questão é outra — e ninguém deveria ter medo de fazê-la:

João Campos não é governador de Pernambuco. Ainda não foi eleito. Não tem mandato estadual. Então, quem vai construir?

É importante colocar os pingos nos “is”.

O que foi apresentado neste domingo é uma proposta de campanha, não uma obra em execução. Não há, neste momento, governador João Campos assinando ordem de serviço, lançando licitação ou colocando máquinas no terreno. Ele está apresentando aquilo que pretende fazer caso o eleitor pernambucano lhe entregue o comando do Estado.

E essa diferença não é pequena.

Uma coisa é anunciar uma intenção. Outra, completamente diferente, é transformar uma promessa em obra pública.

Entre o discurso e a inauguração existe um caminho longo: projeto executivo, estudos técnicos, definição da área, licenciamento, orçamento, fonte de recursos, licitação, contratação, execução e, finalmente, funcionamento da unidade.

E quando se fala em um hospital de 900 leitos e R$ 750 milhões, não estamos falando de pintar uma praça ou construir uma pequena unidade de saúde.

Estamos falando de um empreendimento gigantesco.

O próprio material divulgado pela campanha coloca o Hospital Geral Metropolitano como uma unidade que deverá superar, em capacidade instalada, o Hospital da Restauração. A promessa é de centro de trauma, UTIs, centro cirúrgico de alta capacidade, diagnóstico por imagem e atendimento de alta complexidade. 

Tudo muito bonito no papel.

Mas campanha eleitoral é justamente o momento em que o eleitor precisa perguntar: como será feito? Quando será feito? Com qual dinheiro? Em quanto tempo? E quem vai pagar a conta?

João Campos também apresentou propostas para Caruaru, Araripina e Petrolina, com mais 500 leitos no interior e investimento anunciado de R$ 500 milhões. Em Caruaru, também falou em reformar e reabrir o Hospital Jesus Nazareno e reestruturar o Hospital Geral do Agreste. 

São compromissos eleitorais relevantes.

Mas continuam sendo compromissos eleitorais.

E talvez seja justamente aí que esteja o ponto político mais interessante desse anúncio.

João Campos começou sua campanha apresentando o Pernambuco que pretende construir caso seja eleito.

Não é errado.

Mas também não pode ser vendido ao eleitor como se as obras já estivessem contratadas ou como se ele tivesse atualmente a caneta do Palácio do Campo das Princesas.

Não tem.

A caneta, hoje, pertence à governadora Raquel Lyra.

João Campos deixou a Prefeitura do Recife para disputar o Governo de Pernambuco e agora começa oficialmente uma corrida eleitoral que só será decidida pelo eleitor. Portanto, antes de apresentar grandes obras como futuro gestor, terá primeiro que conquistar o direito de executá-las.

E esse detalhe parece pequeno, mas é fundamental.

Porque Pernambuco já conhece muito bem o discurso de grandes anúncios.

O eleitor precisa aprender a diferenciar anúncio de campanha, promessa de governo, projeto pronto, obra licitada e obra entregue.

São cinco coisas completamente diferentes.

O anúncio de João Campos pode ser politicamente forte, pode render manchetes e pode estabelecer uma agenda para a campanha. Mas a pergunta que fica para o candidato é simples e direta:

João, se o senhor ainda não é governador, por que anunciar como se já estivesse governando?

A resposta provavelmente virá na forma de uma frase: “é o que faremos se o povo nos der a oportunidade”.

E essa é justamente a resposta correta.

Porque, até outubro, hospital não será construído.

Até outubro, não haverá 900 leitos novos.

Até outubro, não haverá cinco mil profissionais contratados para esse hospital.

Até outubro, não haverá R$ 750 milhões aplicados nessa obra.

Haverá uma eleição.

E somente depois dela é que o vencedor terá a responsabilidade de transformar discurso em realidade.

O eleitor pernambucano, portanto, não precisa rejeitar a proposta. Também não precisa aceitá-la de olhos fechados.

Precisa apenas fazer aquilo que deveria fazer diante de qualquer candidato:

perguntar de onde vem o dinheiro, qual é o cronograma, qual é o projeto e quando a promessa deixa de ser promessa para virar obra.

Porque anunciar hospital durante uma campanha é fácil.

Difícil mesmo é entregar hospital funcionando.

E Pernambuco não precisa apenas de quem saiba anunciar um novo hospital.

Precisa de quem consiga construí-lo, equipá-lo, contratar profissionais e fazê-lo funcionar, não deixar por décadas as moscas e abandono.

Essa é a diferença entre uma promessa de campanha e uma obra de governo.

JANJÃO GANHA AS RUAS DE VERTENTE DO LÉRIO AO LADO DE HISTENIO SALES E IZA ARRUDA

Da REDAÇÃO

O candidato a deputado estadual Janjão (PSD) esteve em Vertente do Lério, na noite da última sexta-feira (14), onde participou da tradicional Festa da Padroeira de Nossa Senhora das Victórias. A agenda reuniu política, cultura e, principalmente, contato direto com a população em um dos momentos mais tradicionais do calendário do município.

Recebido pelo prefeito Histenio Sales (PSD), Janjão circulou pelo centro da cidade ao lado do gestor e de lideranças políticas locais. A deputada federal Iza Arruda (MDB), que também disputa a reeleição, esteve presente na agenda, reforçando a sintonia do grupo político durante a noite de celebração.

Com as ruas movimentadas, Janjão fez questão de caminhar no meio do público, cumprimentar moradores, conversar com eleitores e posar para fotografias. O candidato também acompanhou a movimentação dos artistas e esteve próximo da população durante a programação festiva.

A noite contou com apresentações de Theuzinho, Forrozão das Antigas e Gigantes do Brasil, levando moradores e visitantes ao centro de Vertente do Lério. Em meio à festa, a presença de Janjão também serviu para estreitar ainda mais a relação com a população do município e mostrar que sua pré-campanha vem avançando para além dos palanques tradicionais.

Nas redes sociais, Janjão destacou a recepção que recebeu e o contato com os moradores. “Obrigado pela recepção, Vertente do Lério! Estive ao lado do prefeito Histenio Sales e de Iza Arruda prestigiando a Festa da Padroeira de Nossa Senhora das Victórias da melhor forma: no meio do povo, celebrando a nossa cultura e acompanhando os shows”, afirmou.

A passagem por Vertente do Lério acontece em um momento de intensificação da agenda de Janjão, que tem ampliado sua presença em diferentes municípios e apostado no contato direto com a população para fortalecer seu projeto rumo à Assembleia Legislativa de Pernambuco.

WALDEMAR OLIVEIRA AMPLIA BASE E CHEGA A 13 PREFEITOS COM NOVO APOIO EM GRAVATÁ

AMPLIANDO – O deputado federal Waldemar Oliveira (Avante) segue acelerando sua articulação política para a disputa pela reeleição e acaba de incorporar mais um importante apoio à sua base no interior de Pernambuco.

Ontem, o parlamentar foi recebido em Gravatá pelo prefeito Joselito Gomes, em um encontro que selou oficialmente o apoio do gestor à sua caminhada rumo à renovação do mandato na Câmara Federal.

A composição, porém, vai além da eleição de Waldemar. O acordo também estabelece uma dobradinha política com a candidata a deputada estadual Viviane Facundes (PSD), formando uma chapa que pretende atuar conjuntamente na busca por votos no município e na região.

Com a chegada de Joselito Gomes ao seu grupo, Waldemar Oliveira alcança a marca de 13 prefeitos apoiando sua reeleição, número que demonstra a ampliação de sua força política e a capacidade de construir alianças em diferentes regiões do Estado.

O movimento ganha peso justamente na reta final para o início oficial da campanha, quando prefeitos, lideranças e grupos políticos começam a definir de forma mais clara seus palanques e suas escolhas para deputado federal e estadual.

A adesão de Gravatá reforça a estratégia de Waldemar de ampliar sua presença municipal e chegar à eleição com uma estrutura política cada vez mais espalhada pelo interior. Para quem busca renovar o mandato, cada prefeito incorporado ao grupo representa não apenas apoio político, mas também uma estrutura eleitoral capaz de fazer diferença na disputa.

Nos bastidores, a avaliação é de que Waldemar Oliveira entra na largada da campanha com um grupo fortalecido e em processo de expansão. E, pelo ritmo das articulações, a conta dos 13 prefeitos pode ainda crescer nos próximos dias.

sábado, 15 de agosto de 2026

JOÃO CAMPOS “RESSUSCITA” EDUARDO CAMPOS E MIGUEL ARRAES POR IA: QUANDO A PESQUISA APERTA, O PASSADO VOLTA AO PALANQUE


Por trás da tecnologia, uma estratégia política cada vez mais evidente: transformar sobrenome, memória e legado familiar em combustível eleitoral para uma candidatura que deixou de navegar em águas tranquilas

A eleição para o Governo de Pernambuco come6 oficialmente neste domingo, mas João Campos parece ter percebido que não dá mais para viver apenas do presente. Quando as pesquisas começaram a mostrar que a governadora Raquel Lyra chegou chegando — e na maioria dos levantamentos passou numericamente à frente — o candidato do PSB voltou os olhos para o passado.

E não voltou sozinho.

Vieram Eduardo Campos. Veio Miguel Arraes. Vieram os jingles, as imagens, as lembranças, a simbologia e, agora, a inteligência artificial para ajudar a colocar os dois novamente no centro da narrativa eleitoral.

É como se a campanha tivesse apertado o botão da máquina do tempo.

O detalhe é que isso acontece justamente depois de uma sequência de pesquisas que acendeu a luz amarela — e em alguns setores da campanha, provavelmente, a luz vermelha.

A Genial/Quaest divulgada em 28 de julho foi um verdadeiro banho de água fria no PSB. No primeiro turno, Raquel Lyra apareceu com 43%, contra 37% de João Campos. No segundo turno, a governadora marcou 45%, enquanto João ficou com 39%. A diferença estava dentro da margem de erro, mas o simbolismo político era muito maior: João havia caído sete pontos desde abril, enquanto Raquel havia avançado sete. 

Depois veio o Datafolha. Raquel apareceu com 48% contra 42% de João no primeiro turno e, no segundo, 49% contra 45%. O levantamento apontou empate técnico no segundo turno, mas confirmou a mudança de vento na disputa. 

E veio também o Real Time Big Data, com Raquel numericamente à frente por 45% a 44% no segundo turno. Novamente, empate técnico pela margem de erro, mas politicamente impossível de ser ignorado.

Ou seja: aquele João Campos que durante meses parecia correr sozinho já não existe nas pesquisas.

E é exatamente nesse momento que Eduardo Campos e Miguel Arraes voltam a ocupar o palco.

Coincidência?

Pode até ser.

Mas, em política, coincidências também fazem campanha.

O uso da inteligência artificial por João Campos não é novidade. Em junho, o Diario de Pernambuco mostrou que o candidato vinha utilizando a tecnologia em vídeos e imagens realistas. Uma das peças colocava João ocupando o lugar do próprio pai, Eduardo Campos, em uma fotografia de campanha. A reportagem também registrou que a IA já havia entrado definitivamente na disputa eleitoral pernambucana. 

Agora, o movimento ganhou ainda mais força simbólica.

No dia 13 de agosto, data em que Miguel Arraes morreu há 21 anos e Eduardo Campos há 12, João participou de uma missa em homenagem aos dois. Nas redes sociais, também resgatou os jingles das campanhas do bisavô e do pai e afirmou que as lembranças reforçavam sua disposição para continuar trabalhando por Pernambuco.

Politicamente, é uma operação bastante compreensível.

João Campos tem uma vantagem que nenhum outro candidato possui: carrega no DNA eleitoral dois dos maiores símbolos da história política contemporânea de Pernambuco.

Mas existe também um problema.

João não é Eduardo. E João não é Arraes.

É justamente aí que a estratégia começa a ficar interessante.

Quando a candidatura estava disparada nas pesquisas, o discurso podia ser de renovação, gestão, juventude e futuro. Agora que Raquel cresceu, o passado voltou a ser um ativo eleitoral ainda mais valioso.

A memória virou ferramenta.

O sobrenome virou patrimônio.

E a inteligência artificial virou uma espécie de ponte entre gerações.

A pergunta que fica é: isso é homenagem ou estratégia eleitoral?

Provavelmente é um pouco dos dois.

O próprio João vem utilizando a herança familiar como eixo político há meses. Reportagens já registravam que, durante suas incursões pelo Agreste e pela Mata Norte, referências a Eduardo e Arraes passaram a funcionar como âncoras de seus discursos. O Diario de Pernambuco chegou a resumir a diretriz da pré-campanha como a ideia de “refazer os caminhos de Arraes e Eduardo”. 

Só que existe uma diferença entre carregar um legado e precisar dele para recuperar terreno.

E é aí que a estratégia fica mais ácida.

Se a eleição fosse resolvida apenas pelo sobrenome, João já estaria eleito há meses.

Mas Pernambuco não vota em fotografia.

Não vota em holograma.

Não vota em inteligência artificial.

E, muito menos, vota em quem já morreu.

Pernambuco vota em quem está vivo, disputa a eleição, apresenta proposta, enfrenta adversário e consegue convencer o eleitor de que merece governar o Estado.

Eduardo Campos e Miguel Arraes podem ajudar João a contar uma história.

Mas não podem fazer campanha por ele.

A tecnologia pode recriar imagens.

Pode recuperar vozes, cenários e memórias.

Pode até fazer parecer que os velhos líderes estão novamente caminhando pelo palanque.

Só não consegue fabricar voto.

E esse talvez seja o ponto central da nova fase da eleição.

João Campos percebeu que a disputa mudou.

A governadora Raquel Lyra deixou de ser apenas uma adversária que precisava ser alcançada e passou a representar uma ameaça real ao favoritismo socialista. A própria imprensa nacional registrou que a ultrapassagem nas pesquisas provocou preocupação na campanha de João, que passou a reforçar ainda mais a ligação com Lula. 

Agora entra em cena outro componente: a força emocional de Eduardo e Arraes.

É política de memória.

É marketing eleitoral.

É identidade partidária.

É sobrenome.

E é também uma tentativa de lembrar ao eleitor que João Campos não surgiu ontem.

Ele é herdeiro de uma das famílias mais poderosas da política pernambucana.

Só que a eleição de 2026 está começando a mostrar justamente o limite dessa herança.

O eleitor pode respeitar Eduardo, admirar Arraes e ainda assim escolher Raquel.

É isso que as pesquisas estão dizendo.

E talvez seja exatamente por isso que os dois “ressuscitaram” agora.

Não porque possam votar.

Mas porque podem ajudar João a lembrar ao eleitor por que ele deveria votar nele.

A ironia é que a inteligência artificial consegue ressuscitar qualquer imagem.

Mas não consegue ressuscitar uma liderança eleitoral que esteja perdendo força.

Essa parte ainda depende do candidato.

E, a partir de amanhã, sem pré-campanha, sem ensaio e sem filtro: começa a eleição de verdade.

É isso, que comecem os jogos!

A JOGADA QUE NINGUÉM EXPLICA: GERSINHO COM FERNANDO FILHO PODE SER O SINAL DE QUE FERNANDO RODOLFO JÁ JOGOU A TOALHA?

Por trás da apresentação de Gersinho ao lado de Fernando Filho, irmão de Miguel Coelho, como candidato a deputado federal, pode existir muito mais do que um simples ato político. A movimentação, pela circunstância e pelo momento em que acontece, abre uma pergunta inevitável nos bastidores de Garanhuns e do Agreste: Fernando Rodolfo estaria, silenciosamente, começando a entregar os pontos na disputa pela Câmara Federal?

Gersinho não era um aliado qualquer. Ex-vereador de Garanhuns, com quatro mandatos no currículo e passagem pela presidência da Câmara Municipal, ele esteve durante muito tempo no núcleo político mais próximo de Fernando Rodolfo. Em janeiro de 2025, inclusive, assumiu oficialmente a função de secretário parlamentar do deputado federal.

Ou seja: Gersinho estava na cozinha de Fernando Rodolfo.

Por isso, sua aproximação com Fernando Filho ganha uma dimensão muito maior do que uma simples escolha eleitoral.

A pergunta que circula nos bastidores é direta: como alguém tão próximo de Fernando Rodolfo chega ao ponto de construir uma dobradinha com outro deputado federal sem que isso provoque uma reação mais forte do grupo?

E é justamente aí que a história começa a ficar interessante.

Fernando Rodolfo já vinha sofrendo algumas baixas em sua estrutura política. Nesta sexta-feira, 14 de agosto, outra peça importante deixou o grupo: a prefeita de Catende, Dona Graça, anunciou apoio a Miguel Coelho.

Não se trata apenas de mais um apoio perdido. É mais um movimento que reduz o espaço de Rodolfo justamente quando a eleição começa a ganhar velocidade e os grupos políticos passam a fechar suas estruturas para a disputa de outubro.

E agora surge Gersinho.

O ex-vereador não apenas se aproximou de Fernando Filho. Ele aparece dentro de uma composição política que coloca seu nome para deputado estadual e o filho de Fernando Bezerra Coelho para deputado federal.

É uma escolha que tem endereço, tem lado e tem peso.

E o que mais chama atenção é a aparente tranquilidade com que tudo acontece.

Não há, até o momento, uma reação pública contundente de Fernando Rodolfo. Não houve uma guerra política aberta. Não houve troca de acusações. Não houve exposição pública de uma ruptura traumática.

E, em política, quando uma liderança de dentro da cozinha muda de mesa e o ambiente permanece silencioso, naturalmente surgem perguntas.

Existe acordo de bastidor?

Essa pergunta está circulando.

Não há, porém, até o momento, elementos públicos suficientes para afirmar que Fernando Rodolfo tenha feito qualquer acordo com a família Coelho para abrir caminho para Fernando Filho. Seria irresponsável cravar isso como fato.

Mas também seria ingenuidade ignorar a coincidência dos movimentos.

Fernando Rodolfo está dentro de uma Federação União Progressista que reúne União Brasil e Progressistas. Ao mesmo tempo, Fernando Filho amplia sua movimentação e Miguel Coelho vem fortalecendo sua própria rede de apoios.

Nesse tabuleiro, a família Coelho não precisa atacar Fernando Rodolfo.

Basta avançar.

E é exatamente isso que parece estar acontecendo.

O problema para Rodolfo é que, enquanto alguns grupos avançam, seu espaço político precisa ser preservado. E perder nomes que estavam próximos demais pode representar algo maior do que uma simples baixa.

Gersinho, por exemplo, conhecia a estrutura de Rodolfo por dentro. Conhecia seus caminhos políticos, suas alianças e sua estratégia eleitoral. Não era um apoio conquistado ontem.

Era alguém que estava dentro do grupo.

Por isso, sua mudança provoca um tipo diferente de leitura.

O SILÊNCIO DE RODOLFO É O QUE MAIS CHAMA ATENÇÃO

Talvez a questão mais intrigante não seja sequer Gersinho ter escolhido Fernando Filho.

O que chama atenção é a falta de barulho em torno disso.

Em uma eleição proporcional, quando um deputado perde uma liderança importante que poderia ajudá-lo diretamente na construção de votos, normalmente existe reação. Pode ser uma declaração, uma nova aliança, uma resposta política ou até mesmo uma demonstração pública de força.

Quando isso não acontece, o silêncio também passa a ser observado.

E é nesse silêncio que começam as especulações.

Fernando Rodolfo sabe que a eleição de 2026 será diferente. A disputa pela Câmara Federal está cada vez mais pulverizada, com nomes fortes ocupando espaços em diferentes regiões de Pernambuco.

Para quem pretende renovar o mandato, não basta ter presença política.

É preciso ter estrutura eleitoral.

Prefeitos.

Vereadores.

Ex-prefeitos.

Lideranças.

Candidatos a estadual.

E principalmente dobradinhas.

Quando uma dessas peças muda de lado, o impacto pode ser muito maior do que parece.

O “CARUAGARANHENSE” NO CENTRO DO TABULEIRO

Fernando Rodolfo continua sendo uma figura peculiar na política pernambucana. O chamado “Caruagarunhense”, mistura de Caruaru com Garanhuns, construiu uma trajetória que transita entre as duas cidades e regiões.

É justamente essa identidade que volta a ser colocada em xeque neste momento.

Porque, em eleição para deputado federal, identidade política precisa vir acompanhada de território eleitoral.

E território eleitoral precisa ser sustentado por lideranças.

Garanhuns sempre foi uma das principais vitrines políticas de Rodolfo. Mas o deputado também precisa construir uma votação regional e estadual capaz de garantir sua permanência em Brasília.

O problema é que cada baixa em sua estrutura reduz um pouco essa musculatura.

E agora a baixa atende pelo nome de Gersinho.

NÃO É SOBRE OS COELHO. É SOBRE RODOLFO

É importante deixar claro: a movimentação não precisa ser interpretada como um ataque à família Coelho.

Muito pelo contrário.

Fernando Filho é um político experiente, conhece o caminho das urnas e tem sua própria força eleitoral. Miguel Coelho também vem ampliando sua articulação em Pernambuco.

Faz parte do jogo.

A questão central desta história é outra:

por que tantas peças próximas de Fernando Rodolfo estão mudando de posição justamente agora?

Essa é a pergunta que merece resposta.

E talvez a resposta esteja sendo construída nos bastidores.

Pode ser uma simples reacomodação de forças.

Pode ser uma estratégia eleitoral.

Pode ser uma negociação política.

Pode ser apenas a decisão individual de cada liderança.

Mas também pode existir algo maior sendo desenhado enquanto o eleitorado ainda nem percebeu.

JOGADA DE TOALHA OU NOVA ESTRATÉGIA?

Ainda é cedo para dizer que Fernando Rodolfo jogou a toalha.

Mas já não é cedo para afirmar que o cenário dele mudou.

Gersinho deixou de estar na cozinha de Rodolfo e apareceu ao lado de Fernando Filho.

Dona Graça deixou o grupo e se aproximou de Miguel Coelho.

Outras peças também começam a se movimentar.

E tudo isso acontece justamente na largada oficial da corrida eleitoral.

Coincidência?

Estratégia?

Acordo?

Reacomodação?

Ainda não dá para cravar.

Mas uma coisa é certa: quando as peças começam a abandonar uma estrutura sem que o líder faça barulho, o silêncio passa a ser notícia.

E em uma eleição como a de 2026, silêncio demais pode esconder muita coisa.

O tabuleiro está montado. E, pelo jeito, Fernando Rodolfo terá que mostrar muito mais do que discurso para provar que ainda está no jogo.

Pois é! Falei!

PLANO DE GOVERNO DE RAQUEL LYRA TRAZ CONTINUIDADE, GRANDES OBRAS E A PROMESSA DE UM NOVO CICLO PARA PERNAMBUCO

Pernambuco entra em uma nova etapa do calendário eleitoral com a apresentação oficial das diretrizes que devem nortear um eventual segundo mandato da governadora e candidata à reeleição, Raquel Lyra (PSD). O plano de governo foi protocolado no sistema DivulgaCand, do Tribunal Superior Eleitoral (TSE), reunindo mais de 100 páginas entre ações já realizadas, projetos em andamento e compromissos para os próximos quatro anos.

Com o conceito “Uma transformação que não pode parar”, o documento aposta na continuidade das políticas implementadas desde 2023 e coloca grandes obras de infraestrutura, saúde, educação, segurança, abastecimento de água, habitação, inovação e geração de emprego e renda entre as prioridades.

Na avaliação apresentada pela governadora, Pernambuco viveu uma mudança de rota nos últimos anos e precisa manter o ritmo de investimentos e execução de projetos estruturadores.

“Os próximos quatro anos vão definir os nossos próximos 50 anos. Já fizemos muita coisa boa, e a gente reconhece, em cada recanto do nosso Estado, obras e ações da nossa gestão. Por isso, o trabalho precisa continuar e não vamos permitir que o retrocesso volte a assolar Pernambuco”, afirmou Raquel Lyra.

A governadora também destacou que o plano foi construído a partir de um processo de escuta envolvendo diferentes setores da sociedade e pessoas que acompanham de perto os desafios do Estado.

Entre os projetos de maior impacto previstos para o próximo ciclo estão o Arco Metropolitano, a duplicação da BR-232, a Transnordestina e a conclusão da requalificação do Hospital da Restauração. A proposta apresentada pelo grupo também pretende avançar na interiorização do desenvolvimento, ampliando investimentos e fortalecendo atividades econômicas fora da Região Metropolitana.

A educação aparece entre os principais eixos. O plano prevê a conclusão e equipagem das 250 creches em parceria com os municípios, com a criação de 60 mil vagas na educação infantil, além do fortalecimento das ações de alfabetização na idade certa e de políticas destinadas a reduzir as desigualdades educacionais entre as regiões pernambucanas.

Na saúde, a proposta aponta para a continuidade da reestruturação da rede hospitalar de média e alta complexidade, além da modernização tecnológica e da transformação digital dos serviços públicos. O abastecimento de água também ocupa espaço estratégico, com a previsão de ampliação da cobertura e conclusão de grandes adutoras destinadas principalmente ao Agreste e ao Sertão.

Na segurança pública, Raquel e Priscila Krause defendem a expansão do Juntos Pela Segurança, com reforço da capacidade operacional, inteligência e infraestrutura das forças policiais. O plano também prevê ações para enfrentar o déficit de vagas no sistema prisional e ampliar as políticas de prevenção à violência e de ressocialização.

Outro eixo de destaque é o Morar Bem Pernambuco, que, segundo o plano, deverá ser consolidado e ampliado como uma das principais políticas habitacionais do Estado, com foco na redução do déficit habitacional e na garantia de moradia digna.

No campo econômico, a estratégia mira a consolidação de Pernambuco como maior polo de inovação e da nova economia do Nordeste até 2030, combinando grandes investimentos, fortalecimento dos arranjos produtivos locais, apoio à agricultura familiar e estímulo à geração de emprego e renda.

A Transnordestina também aparece como peça central dessa estratégia, principalmente pela possibilidade de ampliar a integração logística, facilitar o escoamento da produção e criar condições para a chegada de novos investimentos.

O documento ainda contempla a modernização do transporte público da Região Metropolitana do Recife, a integração das periferias às dinâmicas urbanas, o fortalecimento das políticas de proteção às mulheres e a valorização da cultura e da economia criativa como instrumentos de desenvolvimento e atração de turistas.

A vice-governadora e candidata à reeleição, Priscila Krause, destacou o papel da gestão de Raquel na recuperação da confiança entre o Estado, municípios, setor produtivo e população.

Segundo Priscila, o plano representa o resultado de um processo de diálogo e de uma estratégia que pretende manter o ritmo de execução adotado desde o início da atual administração.

O conjunto de propostas, portanto, apresenta uma linha de continuidade para um eventual segundo mandato, com a aposta de que obras iniciadas, programas estruturantes e políticas públicas implantadas desde 2023 possam avançar para uma nova fase.

Entre os 20 principais compromissos apresentados estão:

A modernização tributária e o fortalecimento do ambiente de negócios; a conclusão das 250 creches e criação de 60 mil vagas; a consolidação de Pernambuco como polo de inovação e economia do Nordeste; a execução do Arco Metropolitano e da duplicação da BR-232; o fortalecimento da alfabetização infantil; o incentivo à agricultura familiar; a reestruturação da rede hospitalar; a transformação digital da saúde; a ampliação do abastecimento de água; a conclusão das grandes adutoras do Agreste e Sertão; a expansão do Juntos Pela Segurança; a eliminação do déficit de vagas no sistema prisional; o fortalecimento das políticas de prevenção à violência; a ampliação do Morar Bem Pernambuco; a modernização da rede de proteção às mulheres; o avanço da Transnordestina; a modernização do transporte público do Recife e Região Metropolitana; a interiorização do desenvolvimento; o fortalecimento da cultura e economia criativa; e a ampliação da infraestrutura e integração das periferias.

Com o plano protocolado oficialmente, Raquel Lyra coloca no centro da disputa eleitoral a ideia de continuidade administrativa, apresentando os próximos quatro anos como uma etapa destinada a consolidar obras, programas e investimentos iniciados durante o primeiro mandato.