terça-feira, 13 de janeiro de 2026

PT ADMITE DOIS PALANQUES EM PERNAMBUCO E SINALIZA QUE APOIO A RAQUEL LYRA NÃO IMPLICA ROMPIMENTO COM JOÃO CAMPOS

A sucessão estadual de 2026 em Pernambuco começa a ganhar contornos mais complexos e menos lineares do que o desenho tradicional de alianças políticas. Em declaração que repercutiu fortemente no meio político, o deputado estadual João Paulo (PT) afirmou que o partido avalia, de forma concreta, a possibilidade de apoiar a governadora Raquel Lyra (PSD) sem que isso signifique, automaticamente, um rompimento com o prefeito do Recife, João Campos (PSB), nome tratado como potencial candidato ao Governo do Estado.

Em entrevista à Rádio Folha FM 96,7, nesta segunda-feira (12), João Paulo defendeu a tese de que o presidente Luiz Inácio Lula da Silva poderá ter dois palanques em Pernambuco em 2026, ambos alinhados ao projeto nacional do PT. Segundo o parlamentar, essa hipótese não é nova dentro da legenda e surge como reflexo direto do redesenho político vivido no Estado, marcado por mudanças de posicionamento, desgastes administrativos e reacomodações partidárias.

Na avaliação do deputado, o PT precisa agir com cautela e leitura estratégica da conjuntura. Ele ressaltou que, apesar de a possibilidade de apoio à governadora estar sendo debatida, não existe decisão tomada. “A política não se resolve com pressa. Uma definição agora pode engessar alianças futuras e criar dificuldades desnecessárias”, sinalizou, ao defender que o partido mantenha portas abertas enquanto o cenário permanece em movimento.

João Paulo também minimizou a ideia de que um eventual apoio do PT a Raquel Lyra colocaria a governadora em rota de colisão com o Palácio do Planalto. Para ele, mesmo que Raquel não esteja formalmente no palanque presidencial de Lula, não há indicativos de que ela adote uma postura de oposição ao governo federal. O parlamentar destacou a relação institucional mantida pela governadora com Brasília e os gestos recentes de aproximação, que, segundo ele, revelam pragmatismo político e disposição ao diálogo.

Ao analisar o peso do presidente Lula no processo eleitoral estadual, João Paulo fez uma ponderação relevante: o apoio do líder petista é importante, mas não será determinante isoladamente. Para o deputado, a eleição de 2026 será decidida, sobretudo, pela capacidade da governadora de apresentar resultados concretos à população pernambucana. “O eleitor vai avaliar o que mudou na sua vida. Saúde, educação, mobilidade e políticas sociais serão determinantes”, observou.

As declarações também abriram espaço para críticas diretas ao prefeito João Campos. João Paulo voltou a questionar a relação de confiança entre o gestor recifense e o PT, lembrando episódios da eleição municipal de 2020. Segundo ele, a postura adotada por João Campos naquele pleito foi agressiva em relação ao partido e ainda hoje é explorada por adversários políticos, especialmente pela direita. Para o petista, esse histórico fragiliza a credibilidade política, um ativo essencial em disputas majoritárias.

Além das divergências políticas passadas, o deputado citou desgastes recentes da gestão municipal do Recife que, em sua visão, alteraram o ambiente político. Entre eles, destacou a repercussão nacional do concurso da Procuradoria do Município, após questionamentos envolvendo a reclassificação e nomeação de um candidato para vaga destinada a pessoas com deficiência. O caso gerou pedidos de investigação, debates jurídicos e até discussões sobre impeachment, criando, segundo João Paulo, um “inferno astral” para o prefeito.

No campo da disputa pelo Senado, o deputado reafirmou a defesa da reeleição do senador Humberto Costa (PT), tratado como peça-chave do projeto nacional do partido. João Paulo avaliou que uma eventual composição com o apoio da governadora Raquel Lyra poderia fortalecer a candidatura de Humberto, num cenário considerado altamente competitivo. Além do senador petista, circulam como possíveis postulantes Marília Arraes (Solidariedade), Miguel Coelho (União Brasil), Silvio Costa Filho (Republicanos) e Fernando Dueire (MDB).

João Paulo também reconheceu, sem rodeios, que o PT pernambucano segue dividido internamente e que dificilmente caminhará de forma completamente unificada em 2026. Para ele, mesmo com duas candidaturas ao Governo do Estado, é improvável que toda a base partidária se concentre em um único palanque, repetindo um padrão já observado em eleições anteriores.

Ao final, o deputado reforçou que suas declarações não representam uma decisão fechada, mas uma leitura política do momento. “Não estamos fechando portas nem cravando alianças. Estamos avaliando o cenário. E, hoje, a possibilidade de dois palanques em Pernambuco é real e precisa ser tratada com maturidade e responsabilidade política”, concluiu.

Redação com texto de Ryann Albuquerque, publicado no Jornal do Commercio em 12/01/2026. Foto: Gabriel Ferreira/JC Imagem.

NÃO FOI LEI ROUANET: ENTENDA COMO “O AGENTE SECRETO” FOI FINANCIADO E POR QUE A CONFUSÃO SE ESPALHOU

O triunfo do filme “O Agente Secreto” no Globo de Ouro 2026 — com vitória como Melhor Filme em Língua Não Inglesa e o prêmio de Melhor Ator para Wagner Moura — levou o cinema brasileiro ao centro do debate internacional. Mas, junto com os aplausos, veio também uma velha polêmica que sempre reaparece nas redes sociais: afinal, o longa foi feito com dinheiro público? Usou Lei Rouanet?

A resposta curta é direta e objetiva: teve dinheiro público, sim. Lei Rouanet, não.
E a resposta longa ajuda a desmontar uma das maiores confusões populares quando o assunto é financiamento cultural no Brasil.

LEI ROUANET NÃO FINANCIA FILMES — E NUNCA FINANCIOU

Apesar do que muitos dizem nas redes, nenhum longa-metragem brasileiro pode ser financiado pela Lei Rouanet. Isso não é novidade, nem exceção. É regra. A Rouanet funciona por meio de renúncia fiscal e é voltada para outras áreas culturais, como teatro, música e exposições — não para cinema.

Ou seja, independentemente de governo, ideologia ou temática do filme, a Lei Rouanet simplesmente não entra na conta do cinema nacional.

ENTÃO, DE ONDE VEIO O DINHEIRO?

No caso de O Agente Secreto, cerca de R$ 7,5 milhões vieram do Fundo Setorial do Audiovisual (FSA), ligado à Ancine, por meio de um edital aprovado em fevereiro de 2024.

O FSA é um mecanismo específico para o setor audiovisual. Ele financia filmes, séries e produções para TV e streaming. Diferente do que muitos imaginam, não envolve empresa abatendo imposto de renda, nem “dinheiro dado de graça”.

O fundo é abastecido por taxas cobradas do próprio mercado audiovisual — como produtoras, emissoras e plataformas — e esse dinheiro retorna ao setor em forma de investimento.

QUANTO CUSTOU, DE FATO, “O AGENTE SECRETO”?

O orçamento total do filme foi de R$ 27.165.775, valor dividido entre várias fontes, num modelo comum ao cinema autoral e às coproduções internacionais.

A conta ficou assim:

  • R$ 7,5 milhões do Fundo Setorial do Audiovisual (Brasil)

  • R$ 5,5 milhões da iniciativa privada nacional

  • Cerca de R$ 14 milhões vindos de fundos públicos da França, Alemanha e Holanda

Ou seja, a maior parte do investimento veio do exterior, algo absolutamente normal em produções que circulam por festivais e premiações internacionais.

Vale destacar ainda que o filme poderia ter usado mais R$ 4 milhões do FSA para distribuição, mas optou por não acessar esse recurso.

DINHEIRO PÚBLICO, SIM — MAS COM REGRAS E RETORNO AO SETOR

O ponto central é simples:
👉 não houve Lei Rouanet
👉 não houve renúncia fiscal para empresas
👉 não houve “imposto perdoado”

O que houve foi investimento do próprio mercado audiovisual, gerido pelo Estado, com critérios técnicos e edital público — modelo adotado em diversos países que valorizam sua indústria cultural.

UM FILME, UM TEMA E UM MARCO HISTÓRICO

Ambientado no Brasil dos anos 1970, O Agente Secreto acompanha um professor que se vê envolvido em uma rede de espionagem durante a ditadura militar. Mais do que um thriller político, o longa mergulha em temas como memória, silêncio e trauma histórico.

Ao receber o prêmio, Wagner Moura resumiu o espírito da obra:

“O ‘Agente Secreto’ é um filme sobre memória — ou a falta dela — e trauma geracional. Se o trauma pode passar de geração para geração, valores também podem.”

E completou, em português, emocionando o público brasileiro:

“Para todo mundo no Brasil assistindo isso agora: viva o Brasil! Viva a cultura brasileira!”

NO FIM DAS CONTAS

O sucesso de O Agente Secreto mostra que o cinema brasileiro pode competir no mais alto nível internacional — com transparência, regras claras e investimento estruturado.
A polêmica, mais uma vez, nasce menos dos números e mais da desinformação.

E os números, quando explicados com clareza, falam por si.

VELHO CHICO COMEÇA 2026 EM BAIXA HISTÓRICA E ACENDE ALERTA

O Rio São Francisco, símbolo de vida, fé e desenvolvimento para o Nordeste, inicia 2026 sob um dos cenários mais preocupantes da última década em Bom Jesus da Lapa, no oeste da Bahia. Dados aferidos nesta sexta-feira (10) pela estação fluviométrica do Serviço Geológico do Brasil (SGB/CPRM), instalada na Ponte Gercino Coelho, apontam que o nível do rio estava pouco acima de 3,64 metros — marca considerada baixa para o período e que rompe uma sequência histórica de cheias registradas no início do ano.

O número não é apenas estatístico. Ele representa, pela primeira vez em nove anos, que o Velho Chico entra o mês de janeiro sem apresentar uma cheia significativa na região, tradicionalmente marcada por elevação das águas impulsionada pelo regime de chuvas no alto e médio curso do rio. O dado acende um sinal de alerta para moradores ribeirinhos, pescadores, agricultores e para toda a cadeia econômica e social que depende diretamente do São Francisco.

O contraste com anos anteriores evidencia a gravidade do cenário. Em 2025, o nível do rio ultrapassava os 7 metros neste mesmo período. Em 2024, passava dos 5 metros. Em 2023, novamente superava os 7 metros, enquanto em 2022 chegou a ficar acima dos 8 metros. Mesmo nos anos considerados menos favoráveis, como 2020 e 2021, o rio ainda se mantinha acima dos 4 metros no início do ano, patamar bem distante do observado agora em 2026.

O acompanhamento histórico feito pelo Portal Notícias da Lapa mostra que, desde 2018, quando o nível estava acima de 5 metros, o São Francisco não iniciava o ano em um patamar tão baixo quanto o atual. Especialistas apontam que a combinação de chuvas irregulares, redução de aportes nos reservatórios a montante e mudanças climáticas tem alterado o comportamento hidrológico do rio, tornando episódios de escassez mais frequentes e imprevisíveis.

Em Bom Jesus da Lapa, onde o rio exerce papel central na economia local, na navegação, na pesca artesanal e no turismo religioso, a baixa do nível impacta diretamente o cotidiano da população. Bancos de areia surgem com mais facilidade, dificultando o tráfego de embarcações, enquanto produtores rurais observam com apreensão a disponibilidade de água para irrigação nos próximos meses.

Mais do que um dado isolado, o nível de 3,64 metros em janeiro de 2026 simboliza um novo desafio para a gestão hídrica do São Francisco. O “rio da integração nacional”, que historicamente foi sinônimo de abundância em períodos chuvosos, passa a exigir atenção redobrada do poder público, de órgãos ambientais e da sociedade civil. O início do ano em baixa histórica reforça a urgência de políticas sustentáveis, planejamento de longo prazo e ações concretas para preservar o Velho Chico — antes que a exceção se transforme em regra.

CAMINHÃO TOMBA NA BR-101, CARGA DE GÁS É SAQUEADA E CENA EXPÕE RISCO E DESORDEM NO IBURA

O tombamento de um caminhão carregado com botijões de gás de cozinha transformou a manhã desta segunda-feira (12) em um cenário de tensão e perigo na BR-101, no bairro do Ibura, Zona Sul do Recife. O acidente, que felizmente não deixou feridos, acabou ganhando contornos ainda mais graves com o saque de parte da carga por populares, situação registrada em vídeos que rapidamente se espalharam pelas redes sociais.

De acordo com informações da Polícia Rodoviária Federal (PRF), o motorista perdeu o controle do veículo por motivos ainda não detalhados. Submetido ao teste do bafômetro, o condutor não apresentou qualquer indício de ingestão de álcool, o que afasta, inicialmente, a hipótese de embriaguez ao volante. Apesar do impacto e do risco envolvido, o motorista saiu ileso, assim como outras pessoas que transitavam pela rodovia no momento do acidente.

O que poderia ter sido apenas mais um registro de ocorrência de trânsito, no entanto, ganhou outro capítulo quando moradores e curiosos passaram a se aproximar do caminhão tombado e retirar os botijões de gás. As imagens mostram homens carregando os recipientes, enquanto uma voz ao fundo questiona: “Cadê o motorista, tá de boa ele?”, revelando a mistura de curiosidade, descaso e naturalização do saque diante de uma situação claramente perigosa.

Especialistas alertam que o manuseio indevido de botijões de gás, especialmente após um acidente rodoviário, representa risco elevado de explosões, vazamentos e incêndios, colocando em perigo não apenas quem participa do saque, mas toda a comunidade ao redor e os próprios agentes que atuam na ocorrência.

Além da PRF, a Polícia Militar também foi acionada e esteve no local para conter a situação, organizar o tráfego e garantir a segurança da área. A via registrou lentidão durante o atendimento da ocorrência, comum em trechos urbanos da BR-101, uma das rodovias mais movimentadas do estado.

O episódio reacende o debate sobre segurança nas rodovias, responsabilidade coletiva e os riscos associados a práticas ilegais que, muitas vezes, são tratadas como algo trivial. Em poucos minutos, um acidente sem vítimas se transformou em um retrato preocupante de vulnerabilidade social, falta de consciência sobre riscos e desafios constantes enfrentados pelas forças de segurança no controle de situações emergenciais em áreas urbanas.

SAIDINHA DE NATAL ESCANCARA FALHAS NO SISTEMA: MAIS DE 2 MIL PRESOS NÃO RETORNAM AOS PRESÍDIOS NO BRASIL

O balanço da tradicional saída temporária de fim de ano voltou a colocar o sistema prisional brasileiro no centro do debate público. Levantamento divulgado pelo G1 revela que mais de 2 mil detentos beneficiados com a chamada “saidinha de Natal” não retornaram às unidades prisionais após o período autorizado, acendendo um alerta sobre os limites da política de ressocialização e a capacidade de controle do Estado.

Ao todo, cerca de 46 mil pessoas privadas de liberdade foram autorizadas a deixar temporariamente os presídios em todo o país no fim de 2025. Desse universo, aproximadamente 44,5 mil se reapresentaram dentro do prazo estabelecido pela Justiça. No entanto, 1,9 mil presos descumpriram a determinação judicial e passaram à condição de foragidos, o que representa cerca de 4% do total de beneficiados.

Os dados, contudo, ainda não refletem um retrato completo da realidade nacional. Estados como Paraná e Rondônia não informaram quantos detentos retornaram às unidades prisionais, enquanto Minas Gerais sequer divulgou números oficiais sobre quantos presos foram liberados ou quantos se reapresentaram, ampliando a lacuna de transparência sobre o tema.

O levantamento também evidencia desigualdades regionais na aplicação do benefício. Em oito estados brasileiros — Acre, Alagoas, Amazonas, Goiás, Mato Grosso, Paraíba, Pernambuco e Rio Grande do Norte — a saidinha simplesmente não é concedida, seja por decisão administrativa, judicial ou por mudanças locais na interpretação da legislação.

Entre os estados que concedem o benefício, o Rio de Janeiro lidera o ranking proporcional de descumprimento: 14% dos presos liberados não retornaram às unidades prisionais. Na Bahia e no Espírito Santo, o índice também chama atenção, com 8% de não reapresentação em ambos os estados.

São Paulo, por sua vez, concentra o maior número absoluto de foragidos. Dos cerca de 29,2 mil detentos liberados temporariamente no estado, 1.131 não retornaram, mantendo o índice percentual em 4%, mas com impacto significativo em números brutos devido ao volume de beneficiados. No extremo oposto, Tocantins aparece como exceção positiva: todos os 177 presos autorizados a sair retornaram aos presídios dentro do prazo, alcançando 100% de reapresentação.

A saída temporária é um direito previsto na Lei de Execução Penal e destinado exclusivamente a presos que cumprem pena em regime semiaberto. Em regra, o benefício é concedido a detentos que trabalham ou estudam fora da unidade prisional e que demonstram bom comportamento. Crimes hediondos ou cometidos com grave ameaça ou violência, como homicídios, não se enquadram nos critérios legais.

Apesar de seu objetivo central ser a ressocialização e o fortalecimento dos vínculos familiares, a recorrência de casos de não retorno mantém o tema sob constante escrutínio da opinião pública e do meio político. Para especialistas, os dados reforçam a necessidade de aprimorar os mecanismos de acompanhamento e fiscalização, sem ignorar o papel da saidinha como instrumento de reintegração social.

Enquanto o debate segue dividido entre segurança pública e direitos previstos em lei, os números da saída temporária de Natal voltam a expor as fragilidades de um sistema prisional que, ano após ano, ainda busca equilíbrio entre controle, punição e ressocialização.

COLUNA POLÍTICA | UNIÃO PROGRESSISTA - UM GIGANTE FRAGMENTADO | NA LUPA 🔎 | POR EDNEY SOUTO

FEDERAÇÃO UNIÃO–PP: O GIGANTE QUE NASCE FRAGMENTADO

A federação entre União Brasil e Progressistas (PP) foi concebida para ser um marco no redesenho do sistema partidário brasileiro, criando a maior força política institucional do país. No papel, números grandiosos. Na prática, porém, o projeto nasce sob forte desgaste, conflitos regionais e risco real de esvaziamento político. O caso expõe, de forma didática, os limites do modelo de federação partidária e serve como alerta para legendas que veem nesse instrumento apenas uma saída matemática para driblar a cláusula de barreira, ignorando as complexidades políticas envolvidas.

A seguir, NA LUPA, uma análise aprofundada, direta e acessível sobre os principais nós que cercam a federação União–PP.

UM PROJETO GIGANTE NO PAPEL, FRÁGIL NA POLÍTICA

Com 108 deputados federais, 12 senadores, seis governadores, mais de 1.300 prefeitos e quase R$ 1 bilhão em fundo partidário, a federação União–PP seria, numericamente, a mais poderosa do Brasil. No entanto, a força aritmética contrasta com a fragilidade política. Diferente de fusões, a federação exige convivência obrigatória por quatro anos, atuação unificada no Congresso e decisões conjuntas nas eleições — um casamento político longo, forçado e sem cláusula de divórcio simples.

A PRESIDÊNCIA COMO PRIMEIRO CAMPO DE BATALHA

O conflito começa no topo. O governador de Goiás, Ronaldo Caiado, se coloca como pré-candidato à Presidência, mas enfrenta resistência explícita dentro do PP, especialmente do senador Ciro Nogueira. A ausência de um nome consensual nacional desmonta o discurso de unidade antes mesmo da largada. A alternativa Tarcísio de Freitas, que unificava setores dos dois partidos, perdeu tração após Jair Bolsonaro sinalizar apoio a Flávio Bolsonaro, bagunçando ainda mais o tabuleiro.

FEDERAÇÃO NÃO É COLIGAÇÃO: O ERRO DE CÁLCULO

Muitos dirigentes venderam internamente a federação como uma “coligação turbinada”. Não é. Na prática, trata-se de uma camisa de força política. Parlamentares terão que votar juntos, dividir liderança, recursos e estratégia eleitoral. Esse choque de realidade já provoca reações: deputados e senadores avaliam deixar suas legendas antes que a federação seja homologada pelo TSE, evitando perda de autonomia.

PERNAMBUCO: UM MICROCOSMO DA CRISE NACIONAL

Em Pernambuco, o embate é emblemático. De um lado, Mendonça Filho (União); do outro, Eduardo da Fonte (PP). Ambos têm história, estrutura e ambição política. A federação obrigaria a divisão de comando e influência, algo que nenhum dos grupos aceita passivamente. Soma-se a isso o impasse sobre o palanque de 2026: PP flerta com Raquel Lyra, enquanto setores do União olham para João Campos. Resultado: tensão permanente e risco concreto de ruptura.

PARAÍBA, RIO E SÃO PAULO: CONFLITOS QUE NÃO CABEM NO TAPETE

Na Paraíba, Efraim Filho e Aguinaldo Ribeiro disputam protagonismo mirando o governo estadual, sem acordo sobre quem seria o nome da federação. No Rio, a crise se aprofunda com o desgaste do comando estadual do União após a prisão de Rodrigo Bacellar, agravando divisões internas. Em São Paulo, maior colégio eleitoral do país, União e PP brigam pelo controle da máquina partidária, do tempo de TV e dos recursos — um conflito silencioso, mas decisivo.

PARANÁ E AMAZONAS: VETOS, RACHAS E HERANÇAS MAL RESOLVIDAS

No Paraná, o PP rejeita abertamente a candidatura de Sergio Moro ao governo, enquanto o União insiste em mantê-la, escancarando a falta de sintonia. No Amazonas, o União ainda carrega feridas abertas da fusão entre DEM e PSL. A federação, em vez de pacificar, é vista por grupos locais como instrumento de concentração de poder, especialmente nas mãos do governador Wilson Lima.

O RISCO DA DESIDRATAÇÃO ANTES DA LARGADA

Deputados como Mendonça Filho, Alfredo Gaspar e Felipe Francischini já são citados como possíveis desfiliações. Se isso ocorrer em escala, a federação pode nascer menor do que o anunciado, enfraquecendo seu discurso de superpotência política. O paradoxo é claro: a tentativa de ganhar força institucional pode resultar em perda de quadros qualificados e lideranças regionais.

O RECADO AO SISTEMA PARTIDÁRIO BRASILEIRO

O caso União–PP deixa uma lição dura: federação não se sustenta apenas com números, fundo partidário e tempo de TV. Sem alinhamento programático, confiança política e capacidade de mediação regional, o modelo vira fonte permanente de crise. Para outros partidos que cogitam seguir o mesmo caminho, o alerta está dado: sem coesão real, a federação pode virar um gigante de pés de barro.

PASSANDO A LUPA

A federação União Brasil–PP tem potencial para redesenhar o jogo político nacional, mas, do jeito que está sendo construída, corre o risco de se transformar em um laboratório de conflitos. A pressa em driblar a cláusula de barreira pode custar caro. Na política, tamanho importa — mas unidade, estratégia e liderança importam muito mais. É desse jeito!

segunda-feira, 12 de janeiro de 2026

DÍVIDA MILIONÁRIA, DISPUTA FAMILIAR E UMA MANSÃO À VENDA: RENATO ARAGÃO NO CENTRO DE UMA CRISE SILENCIOSA

O nome de Renato Aragão, eternizado na memória afetiva dos brasileiros como o eterno Didi Mocó, voltou ao noticiário nacional por motivos que fogem completamente do riso e do humor que marcaram sua trajetória. Aos 90 anos, o artista enfrenta uma combinação delicada de problemas financeiros e conflitos familiares, tendo como pano de fundo uma mansão avaliada em cifras milionárias no Recreio dos Bandeirantes, na zona sudoeste do Rio de Janeiro.

De acordo com informações reveladas pelo colunista Ancelmo Gois, do Jornal O Globo, o imóvel acumula uma dívida expressiva de IPTU junto à Prefeitura do Rio. O débito ultrapassa R$ 548 mil e corresponde a parcelas do imposto atrasadas entre os anos de 2021 e 2023. A pendência fiscal coloca a propriedade entre os casos de inadimplência de alto valor registrados pelo município.

Paralelamente à questão tributária, a mansão está no mercado imobiliário desde 2023. Ainda segundo o colunista, a residência figura no portfólio de uma imobiliária de alto padrão pelo valor de R$ 16 milhões. O imóvel impressiona não apenas pelo preço, mas pelas dimensões e estrutura. O terreno soma cerca de 400 mil metros quadrados, sendo 3 mil de área construída, abrigando uma série de itens de luxo pouco comuns até mesmo em residências de alto padrão.

A casa dispõe de biblioteca, piscina, banheira de hidromassagem, quadra de tênis, campo de futebol, heliponto, guarita com controle de acesso, além de amplas áreas sociais. A sala de estar, com cerca de 100 metros quadrados, divide espaço com sala de jogos, salão de festas, sala de costura, dois escritórios, três lavabos e quatro suítes. Trata-se de um verdadeiro complexo residencial, símbolo de uma vida de sucesso construída ao longo de décadas na televisão brasileira.

No entanto, os problemas que envolvem Renato Aragão não se restringem às cifras de IPTU. No fim de novembro, o humorista se manifestou publicamente após a filha mais velha, Juliana Rangel Aragão, ingressar na Justiça com uma ação de cobrança contra o próprio pai. O processo expõe um embate familiar que ganhou repercussão nacional.

Segundo a ação, Renato Aragão teria deixado de quitar um empréstimo firmado em dezembro de 2018 no valor de R$ 950 mil. A suposta inadimplência gira em torno de R$ 872 mil. Ainda conforme o processo, o dinheiro emprestado não teria origem em economias pessoais de Juliana, mas na venda de um imóvel herdado de sua mãe, Martha Maria Rangel Aragão, falecida. A quantia, de acordo com os autos, foi integralmente direcionada para o empréstimo feito ao pai.

Em resposta, Renato Aragão divulgou uma nota por meio de sua equipe à coluna de Fábia Oliveira. No comunicado, o artista afirma que, há mais de dez anos, ficou acordado que parte dos recursos herdados por Juliana seria administrada por ele. O objetivo, segundo o humorista, sempre foi proteger e organizar o patrimônio da filha, garantindo segurança financeira a longo prazo.

No mesmo pronunciamento, Renato trouxe à tona um novo capítulo do conflito. Ele afirma que, neste ano, Juliana deixou a casa da família sem informar seu paradeiro e sem manter contato com os parentes. O humorista destaca ainda que a filha teria deixado sua própria filha menor sob os cuidados do avô. Desde então, segundo ele, todas as tentativas de reaproximação teriam sido frustradas.

Entre dívidas fiscais, uma mansão à venda e uma disputa judicial que expõe feridas familiares, a fase atual vivida por Renato Aragão contrasta fortemente com a imagem leve e bem-humorada que o consagrou como um dos maiores nomes da história da televisão brasileira. O caso segue repercutindo e levanta debates não apenas sobre patrimônio e herança, mas sobre os conflitos silenciosos que podem existir por trás das figuras mais queridas do país.

MP ELEITORAL ENDOSSA CASSAÇÃO E ELEVA TENSÃO POLÍTICA EM CORRENTES

A crise política em Correntes entrou em uma fase decisiva. O Ministério Público Eleitoral de Pernambuco (MPE) emitiu parecer favorável à manutenção da cassação dos mandatos do prefeito Edimilson da Bahia e do vice-prefeito Demilton Medeiros Ximenes Júnior, reforçando o entendimento adotado pela Justiça Eleitoral em primeira instância e adicionando ainda mais peso jurídico ao processo que pode mudar os rumos da administração municipal.

A manifestação do Ministério Público era a última etapa formal antes do julgamento no Tribunal Regional Eleitoral de Pernambuco (TRE-PE). Em ações eleitorais, o posicionamento do MP é obrigatório e funciona como um balizador técnico-jurídico para a Corte. No parecer, o órgão sustenta que não há motivos para reformar a decisão já proferida, defendendo que a cassação dos mandatos seja mantida integralmente.

Com isso, o processo segue agora para análise dos desembargadores eleitorais, que terão a responsabilidade de decidir se confirmam a sentença que afastou prefeito e vice ou se acolhem os argumentos da defesa e revertem a penalidade. A decisão do TRE será determinante não apenas para o futuro político de Edimilson da Bahia e Demilton Ximenes, mas também para a estabilidade administrativa de Correntes.

Nos bastidores, o clima é de expectativa e apreensão. A manutenção da cassação poderá abrir caminho para mudanças profundas no comando do Executivo municipal, enquanto uma eventual reversão significaria a permanência da atual gestão, apesar do desgaste político já instalado. Independentemente do desfecho, o parecer do Ministério Público Eleitoral sinaliza que o caso é tratado com máxima gravidade e reforça a centralidade do julgamento que se aproxima.

Correntes, agora, aguarda o veredito do TRE. A decisão da Corte Eleitoral promete marcar um divisor de águas na política local, com reflexos diretos na governabilidade, no cenário eleitoral e no futuro institucional do município.